Me chamo Arthur Piai, sou psicólogo formado pela PUC-SP e pós graduando em psicopedagogia pelo Instuto Sedes Sapientiae. Membro fundador da Eleva São Paulo, iniciei minha jornada na escola como T.A. do 4º e 5º ano, passando também pelo Student Support Services como mediador, até finalmente iniciar o trabalho de School Counselor em 2026. Acredito que o contato e formação de vínculo com nossos estudantes seja o passo fundamental para que possamos construir um ambiente acolhedor, que desafie e cultive o pensamento crítico, a excelência acadêmica e o aprendizado dinâmico, sem abrir mão da sensibilidade e cuidado com nossos alunos e alunas, cultivando a transformação constante e o movimento nos nossos fazeres e desafios diários no campo educacional.
O cuidado e escuta representam valores fundamentais de nossa escola. Compreender demandas e acolhê-las da melhor maneira constroem um ambiente seguro e potente, capaz de possibilitar o ensino e aprendizado de excelência, um dos pilares da Escola Eleva São Paulo.
Nesse espaço, vocês encontrarão postagens que visam discutir e refletir as demandas principais que surgem em nossas salas de aula e espaços de convivência. Através da comunicação e transparência, visamos aproximar nossa comunidade escolar ao dia a dia experienciado por nossos alunos, compreendendo a importância dessa aproximação para o cuidado e desenvolvimento dos mesmos.
Semana 02/03/2026
No mundo atual, temos percebido um estreitamento das relações com as tecnologias. Estamos cada vez mais conectados e mediados por redes sociais, dispositivos eletrônicos e comunicação em rede. As crianças e adolescentes, por sua vez, se veem mais próximos ainda dessas tecnologias, o que suscita reflexão e algumas considerações acerca do uso das redes sociais nesse período do desenvolvimento.
As redes sociais nos colocam em posição de hiperconexão, podemos acessar conteúdos do mundo inteiro em poucos toques, somos expostos a produtos, ideias, pensamentos, imagens e informações constantemente, em um ritmo acelerado que, por muitas vezes, nem nos damos conta da sua velocidade. Tal hiperconectividade afeta diretamente nosso sistema de recompensa cerebral. Uma vez expostos a conteúdos online, muitas vezes consistidos de vídeos de curta duração, somos “recompensados”, sentimos prazer, nos divertimos e entretemos rapidamente, porém também afetamos diretamente a maneira com que compreendemos tais recompensas e também a maneira como nos relacionamos com nossos pares e o mundo que nos cerca. Em outras palavras, o que se observa é um distanciamento de atividades que poderiam nos trazer prazer e diversão e também aprendizado em detrimento do uso das redes sociais.
Quando compreendemos o ritmo acelerado proposto pelas redes sociais, considerando também tais mecanismos de recompensa, nos deparamos com alguns desafios. O impacto das redes em nossa capacidade de manter atenção, bem como a tomada de decisões, também favorecendo recompensas imediatas em detrimento de benefícios a longo prazo.
É dentro desse fenômeno complexo e multifacetado que necessitamos pensar e repensar a educação, dentro e fora do ambiente escolar. Apesar de a escola ser um ambiente onde o uso do celular e das redes não é permitido, carregamos os impactos de tal uso para dentro da sala de aula. A começar pelas questões acima suscitadas, entendendo as consequências na atenção, foco, tolerância ao erro e a frustração. Quando há uma diminuição dessas capacidades, o ensino se torna mais desafiador, as aulas parecem mais entediantes, os professores e alunos se frustram e se desentendem, uns por considerarem entediante, outros por não cultivarem o interesse pelo aprendizado.
Talvez o maior dos desafios seja perceber a maneira com que as tecnologias e a comunicação veloz colocam em cheque nossa resiliência. Tornam os desafios barreiras intransponíveis, fazem com que o não saber ou o não conseguir (ainda!) sejam motivo de desistência, não de tentar novamente. Parafraseando, é na era do conhecimento, da velocidade e do prazer imediato, que nos vemos menos resilientes, menos tolerantes a errar, menos capazes de tentar de novo e é justamente essas habilidades que tornam o aprendizado possível, que vão diretamente de encontro com o que entendemos como excelência. É no não saber que nasce a potencialidade do saber, é na barreira que nascem as ideias de como superá-las.
Longe de um texto apocalíptico e aterrorizante, a proposta que se inicia é a de reflexão. Não devemos nos iludir achando que as redes sociais irão sumir ou que podemos somente ignorá-las. A era tecnológica atual não permite a desconexão, logo, torna-se absolutamente necessário trazer o debate àqueles mais inseridos nessas dinâmicas. Conversar, informar, permitir também conhecer aquilo que tanto cativa as crianças e adolescentes é fundamental para que possamos cuidar de todos, continuar crescendo com resiliência, bem estar, capacidade de tolerar os “nãos” que a vida nos apresenta e, mais importante, aprender com tudo isso.
Na Eleva São Paulo, é exatamente isso que buscamos fazer. Nosso papel é apoiar as crianças no desenvolvimento das habilidades e da resiliência necessárias para o mundo real — e não apenas para o mundo digital no qual passam tanto tempo. A vida real pode ser desafiadora: nem sempre é justa e nem sempre as coisas acontecem da maneira que esperamos. Ajudar nossos alunos a compreender essa realidade e, mais importante, capacitá-los com a confiança e a perseverança necessárias para ter sucesso apesar disso é uma parte fundamental da nossa missão.
Nosso objetivo não é esconder a realidade atrás de uma tela, como muitas vezes acontece no mundo online, mas revelá-la e preparar os alunos para enfrentá-la com força, curiosidade e determinação. Ao fazer isso, ajudamos a transformar frustração em crescimento, decepções de curto prazo em realização de longo prazo e, acima de tudo, preparamos nossas crianças para um futuro significativo no mundo real — não em uma ilusão das redes sociais.
Semana 02/02/2026
Iniciando nossa segunda semana de aulas, podemos notar como esse período de adaptação pode ser desafiador. Para muitos estudantes e famílias, é o início de uma jornada em uma nova escola e enfrentar o desconhecido pode ser assustador e complicado. É necessário um espírito desbravador, a novidade também pode ser a possibilidade de novas descobertas, relações, amizades e ensinamentos, uma vez que a renovação também possibilita revisitar quem somos e o que pretendemos atingir a partir dessas mudanças.
A adaptação escolar é um momento fundamental para o desenvolvimento emocional e social dos alunos, especialmente quando novos estudantes chegam à escola e retornam após um período de férias afastados da rotina escolar. Esse processo envolve reconhecer que cada criança vivencia esse retorno de forma única, com expectativas, inseguranças e curiosidades. Um período de adaptação bem conduzido contribui para que os alunos se sintam pertencentes ao grupo, fortalecendo vínculos e criando uma base segura para a aprendizagem, independente da familiaridade com a escola.
Para os novos alunos, a adaptação não é somente conhecer o espaço físico, é também envolver-se com as regras, as pessoas e a dinâmica da escola. Já para os alunos antigos, o retorno também exige um processo, retomando horários, combinados e responsabilidades. Manter uma rotina previsível, apresentar gradualmente as atividades, respeitar o tempo de cada criança e valorizar pequenos avanços, como a participação em sala ou a interação com colegas é fundamental para que todos possam se sentir acolhidos e animados com o início de uma nova etapa.
Além disso, abrir espaço para que os alunos expressem sentimentos, dúvidas e medos é essencial para garantir segurança emocional e favorecer a adaptação. Rodas de conversa, momentos individuais de escuta e diálogos constantes ajudam os alunos a compreenderem que suas inseguranças e medos são válidos e que há sempre alguém disposto a ajudar. Esse cuidado fortalece a confiança e reduz a ansiedade comum nas primeiras semanas.
É importante reforçar que a escola é um ambiente acolhedor, seguro e preparado para receber as demandas que surgem nesse início de período letivo, quando muitas necessidades estão mais latentes. A parceria entre escola, alunos e famílias, aliada a uma postura empática e aberta ao diálogo se faz necessária para que todos possam desfrutar inteiramente do que podemos, coletivamente, fornecer. Desse modo, queremos incentivar a todos que procurem o departamento de school counseling e as coordenações sempre que necessário, para que possamos cuidar, dialogar e criar boas parcerias no desenvolvimento dos nossos estudantes.