Objetivos
Nesta formação, o objetivo geral é fortalecer as práticas pedagógicas, com foco na equidade e na qualidade educacional, a partir da análise de dados de avaliações em larga escala. O módulo de formação busca desenvolver competências gerais e específicas dos(as) docentes, com ênfase no engajamento profissional e no acolhimento no ambiente escolar. Ao fortalecer práticas pedagógicas com base em dados de avaliações externas, busca-se melhorar a qualidade e a equidade na educação; para isso, é imperioso que se compreenda a importância do acolhimento e do bem-estar no ambiente escolar, considerando princípios éticos, políticos e estéticos. Aprofundando o estudo das avaliações, entendemos que será possível diferenciar o que seja avaliar e o que seja examinar. Dessa forma, promove-se a equidade na educação, garantindo os direitos de aprendizagem a todos(as) os(as) estudantes.
Compreender essas nuances no campo das avaliações faz parte das competências gerais docentes, que inclui a formação permanente, ao valorizar a atualização profissional e o aperfeiçoamento contínuo; a empatia, o respeito, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, promovendo o respeito à diversidade; autonomia, responsabilidade e flexibilidade, tomando decisões baseadas em princípios éticos e democráticos. Além disso, temos as competências específicas e habilidades, tais como o engajamento profissional, na medida em que o(a) docente atue de forma colaborativa no ambiente institucional, respeitando normas e comprometendo-se com as políticas educacionais, bem como na construção coletiva de conhecimento, engajando-se com colegas na melhoria da dinâmica da sala de aula e no processo de ensino e de aprendizagem.
Princípios do acolhimento
O acolhimento possui três dimensões: o ético, o estético e o político (BRASIL, 2018). O ético, no reconhecimento e respeito às diferenças individuais, acolhendo o outro em suas crenças e modos de vida. O estético, na criação de estratégias relacionais para acolhimento, valorizando a criatividade e a dignificação da vida. Por fim, o político, na promoção da participação coletiva e protagonismo dos diferentes, com estratégias participativas e gestão democrática. O acolhimento é um conceito que transcende a mera recepção ou assistência, constituindo-se como uma prática fundamental para a construção de relações humanas mais justas, solidárias e inclusivas. Cada uma das dimensões contribui de maneira singular para a efetivação de um acolhimento que não apenas recebe, mas transforma e dignifica.
A dimensão ética do acolhimento está alicerçada no reconhecimento e no respeito às diferenças individuais. Acolher, nesse sentido, significa abrir-se ao outro em sua singularidade, compreendendo e valorizando suas crenças, modos de vida e experiências. É uma postura que exige empatia, escuta ativa e disposição para transcender preconceitos e estereótipos. A ética do acolhimento nos convida a enxergar o(a) outro(a) não como um(a) estranho(a), mas como um ser humano digno de respeito e consideração, independentemente de suas origens, identidades ou escolhas. Nessa perspectiva, o acolhimento torna-se um ato de humanização, que fortalece os laços sociais e promove a coexistência pacífica, em meio à diversidade.
A dimensão estética do acolhimento está relacionada à criação de estratégias relacionais que valorizam a criatividade e a dignificação da vida. Aqui, o foco está na forma como construímos espaços e experiências que possibilitam o encontro autêntico entre as pessoas. Assim, é necessário ter sensibilidade para perceber as necessidades do outro e a capacidade de transformar essas percepções em ações concretas, que promovam bem-estar e beleza. Isso pode se manifestar na arquitetura de um espaço acolhedor, na organização de atividades que estimulem a expressão individual e coletiva, ou na criação de ambientes que inspirem confiança e pertencimento. A estética, nesse contexto, não se reduz ao visual, mas abarca toda uma atmosfera que convida à conexão e à valorização da vida em sua plenitude.
Por fim, a dimensão política do acolhimento refere-se à promoção da participação coletiva e ao protagonismo dos diferentes grupos sociais. Acolher, nesse sentido, é garantir que todas as vozes sejam ouvidas e que todos(as) tenham a oportunidade de contribuir para a construção de um mundo mais justo e equitativo. Implica a adoção de estratégias participativas e uma gestão democrática, que reconhece e valoriza a pluralidade de perspectivas. É uma prática que desafia estruturas de poder excludentes e busca criar espaços de diálogo e cocriação, onde as diferenças não são apenas toleradas, mas celebradas como fontes de riqueza e inovação. Nessa dimensão, o acolhimento torna-se um ato de transformação social, que fortalece a cidadania e promove a justiça.
Em síntese, o acolhimento, em suas três dimensões, é uma prática complexa e multifacetada, que exige compromisso, sensibilidade e ação. A dimensão ética nos convida a respeitar e valorizar as diferenças; a estética nos inspira a criar espaços e relações que dignificam a vida; e a política nos desafia a construir uma sociedade mais inclusiva e participativa.
O acolhimento é visto como uma cultura que promove o bem-estar e melhora o clima escolar, contribuindo para as aprendizagens dos(as) estudantes. O clima escolar é composto por várias dimensões, como relações de ensino e de aprendizagem, conflitos, regras, segurança, infraestrutura e gestão participativa. A formação propõe a análise de dados de avaliações externas, como o SAEMS (2017), para identificar habilidades em que os(as) estudantes têm desempenho abaixo do esperado. Esses dados devem subsidiar práticas pedagógicas que promovam a recomposição das aprendizagens, especialmente após o período de distanciamento social.
Avaliar ou examinar?! Eis a questão!
As duas imagens acima abordam, de forma crítica e reflexiva, os conceitos de igualdade e equidade, especialmente no contexto da educação. Na primeira imagem*, vemos diferentes animais sendo submetidos à mesma prova: escalar uma árvore. Embora todos recebam o mesmo desafio, suas habilidades são diferentes, o que torna a avaliação injusta. Isso representa como o sistema educacional muitas vezes trata todos(as) os(as) estudantes da mesma forma, ignorando suas individualidades e necessidades específicas. Já na segunda imagem**, a diferença entre igualdade e equidade é representada de forma visual. Na parte da "Igualdade", todos recebem o mesmo suporte (caixas do mesmo tamanho), mas nem todos conseguem alcançar o objetivo (ver o jogo). Na parte da "Equidade", o suporte é distribuído conforme a necessidade de cada um, permitindo que todos(as) tenham as mesmas oportunidades de acesso.
Para que, então, o acolhimento seja efetivado, é necessário compreender a diferença entre avaliar e examinar. A avaliação é um processo multidimensional e subjetivo, que abrange diversos procedimentos didáticos e se desenvolve ao longo do tempo, envolvendo todos(as) os(as) participantes do ato educativo. Diferente do ato de examinar, que se restringe à aplicação de testes, provas ou exercícios como instrumentos pontuais, a avaliação é mais ampla e contínua, voltada para compreender e acompanhar o desenvolvimento integral dos sujeitos no processo de aprendizagem.
O processo avaliativo deve ser um caminho para potencializar a aprendizagem, fornecendo subsídios para o replanejamento das atividades pedagógicas. A avaliação deve ser dinâmica e construtiva, visando à efetiva aprendizagem dos(as) estudantes e à redução das desigualdades educacionais. Por isso, a formação enfatiza a importância do acolhimento, da avaliação formativa e da colaboração entre os(as) profissionais da educação, para criar um ambiente escolar mais equitativo e acolhedor, especialmente em contextos desafiadores.
* TRAXLER, Hans. Chancengleichheit. In: KLANT, Michael (Org.). Schul-Spott: Karikaturen aus 2500 Jahren Pädagogik. Hannover: Fackelträger, 1983. p. 25.
** FROEHLE, Craig. Equality vs. Equity [ilustração]. 2012. Disponível em: https://www.craigfroehle.com. Acesso em: 9 abr. 2025.
ASSIS, Lúcia Maria de; LUZ, Róbia Cristina Rita da. Avaliação, currículo e docência: contribuições teóricas e conflitos da prática. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO, 26., 2013, Recife. Anais.... Recife: ANPAE, 2013. Disponível em: https://anpae.org.br/simposio26/1comunicacoes/LuciaMariadeAsssis-ComunicacaoOral-int.pdf. Acesso em: 10 abr. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf. Acesso em: 10 abr. 2025.
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL. Relatórios do Sistema de Avaliação da Educação de Mato Grosso do Sul – SAEMS 2017. Campo Grande: SED/MS, 2017. Disponível em: https://saems.caedufjf.net/colecao/2017-2/. Acesso em: 10 abr. 2025.
Acompanhe a apresentação de slides exibida no encontro presencial desta ação formativa!