PROGRAMA MS ALFABETIZA - TODOS PELA ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA
1º e 2º ano do ensino fundamental
PROGRAMA MS ALFABETIZA - TODOS PELA ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA
1º e 2º ano do ensino fundamental
Objetivos
Nessa formação, discutimos a importância da rotina, do acolhimento e da avaliação no processo de alfabetização e letramento, com o intuito de fortalecer a ação pedagógica dos(as) professores(as) alfabetizadores(as). Os objetivos são reconhecer a rotina como um elemento essencial para a organização e execução do trabalho pedagógico, dialogar sobre a necessidade de promover a cultura do acolhimento nas salas de alfabetização e compreender o processo de avaliação como uma ferramenta para acompanhar e intervir na aprendizagem dos estudantes do 1º e 2º ano do ensino fundamental.
Assista ao vídeo a seguir:
Qual(is) sentimento(s) o vídeo despertou em você, em relação à importância de acolher e ser acolhido em situações do dia a dia na escola?
Na escola, a escuta sensível entre todos os envolvidos no processo educativo favorece aprendizagens significativas. O acolhimento, tanto no ato de acolher quanto no de ser acolhido, é uma atividade humana fundamental que constrói relações de pertencimento, promove um ambiente de bem-estar e facilita a troca de saberes e sentidos compartilhados em grupo. Compreende-se que o acolhimento fortalece as relações de pertencimento e contribui para um ambiente de bem-estar e compartilhamento de saberes. Assim, ressalta-se a importância das ações de acolhimento em sala de aula para promover práticas que favoreçam os processos de aprendizagem dos(as) estudantes.
A rotina é uma sequência de ações que organiza o tempo e proporciona referência e estrutura, especialmente em turmas de alfabetização. Seu planejamento deve considerar os objetivos educacionais, as habilidades a serem desenvolvidas e os contextos de ensino e aprendizagem (Souza, Souto, 2014). A definição das atividades pode ser feita em diálogo entre professores e estudantes, sendo revisada, sempre que necessário, para garantir a participação ativa de todos(as). A rotina não deve ser monótona, mas dinâmica, variada e sistematizada, oferecendo experiências diversificadas e consolidando habilidades. Ela ajuda os(as) estudantes a compreender o tempo, organizar suas ações e perceber a escola como um espaço planejado e previsível.
No início das atividades diárias, a construção ou retomada da rotina permite que os(as) estudantes se situem em relação à dinâmica do dia, incluindo intervalos e horários. A rotina deve ser ajustada conforme o ritmo e o envolvimento da turma, garantindo a execução das propostas planejadas. Além disso, a rotina deve contemplar diferentes eixos de ensino (leitura, escrita, oralidade) e formas de organização (individual, em duplas, em grupos), além de promover atividades como visitas à biblioteca, rodas de conversa e contação de histórias.
A escola, como instituição fundamental para a formação de cidadãos, deve ser um espaço de experimentação e aprendizagem, ao longo da vida, preparando os(as) estudantes para participar, ativamente, na sociedade. A escuta ativa e a gestão criativa de conflitos são essenciais para criar um ambiente colaborativo e inclusivo. A avaliação, por sua vez, deve ser vista como um processo contínuo e regulador, com funções diagnósticas e de monitoramento, permitindo identificar progressos, dificuldades para ajustar as estratégias de ensino, garantindo, assim, a aprendizagem dos(as) estudantes.
Espera-se que, ao trazer para a discussão situações reais vivenciadas em suas rotinas pedagógicas, especialmente aquelas que representaram desafios e que possam ter levado à revisão de práticas e metodologias, a leitura desse texto fomente a reflexão sobre o papel social da escola e de práticas pedagógicas que garantam o acolhimento de todos(as) os(as) estudantes, considerando suas especificidades e necessidades.
Sobre esse tema, apresenta-se como ponto de reflexão o acolhimento como prática transformadora, ao reconhecer e valorizar as vivências do outro, promovendo seu desenvolvimento integral. A escola, como espaço de múltiplas diversidades, deve fortalecer práticas e vínculos por meio do acolhimento, contribuindo para um processo de ensino e aprendizagem significativo; a escola como espaço plural e inclusivo, ambiente coletivo de aprendizagem, conhecimento e formação cultural, científica e humana. Além disso, é também um espaço de acolhimento, cuidado e promoção do desenvolvimento integral dos(as) estudantes, considerando suas subjetividades e diferenças individuais, sociais e culturais.
A leitura propõe um momento de estudo para dialogar sobre as políticas públicas específicas atendidas pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul - SED/MS, considerando as experiências pedagógicas coletivas e interdisciplinares, com o intuito de refletir sobre os desafios e práticas necessárias para uma educação crítica e transformadora. Conhecer as políticas específicas atendidas pela SED/MS, compreendendo seu impacto no contexto escolar, torna-se essencial, bem como refletir sobre a multiplicidade social e cultural presente nas unidades escolares, promovendo a inclusão e o respeito às diversidades.
(Confira os slides de 5 a 26 desta formação).
Acolhimento às diversidades
Por meio de alguns estudos de caso (que podem ser lidos aqui), objetiva-se não apenas conhecer as políticas públicas da SED/MS, mas também refletir sobre como a escola pode ser um espaço de acolhimento, inclusão e transformação. A partir das experiências compartilhadas, espera-se construir práticas pedagógicas mais eficazes e humanizadas, que atendam às necessidades de todos(as) os(as) estudantes e promovam uma educação crítica e emancipatória.
Abandono escolar: ocorre quando o(a) estudante deixa de frequentar as aulas durante o ano letivo, enquanto a evasão escolar se refere à situação em que o(a) estudante não se matricula no ano seguinte, independentemente de ter sido aprovado ou reprovado. As principais causas do abandono escolar no Brasil incluem:
1. Gravidez e maternidade precoce, que limita o tempo disponível para os estudos e causa constrangimentos sociais.
2. Inserção precoce no mercado de trabalho, seja por necessidade financeira ou escolha pessoal.
3. Déficit de aprendizagem, em que reprovações repetidas levam à desmotivação e ao sentimento de incapacidade.
4. Falta de significado no currículo escolar, quando os(as) estudantes não veem conexão entre o que é ensinado e suas realidades e/ou aspirações futuras.
5. Baixa qualidade da educação, que desestimula os(as) jovens a investirem tempo na escola.
6. Clima escolar desfavorável, no qual a falta de pertencimento e acolhimento reduz o engajamento dos(as) estudantes.
7. Falta de percepção da importância da educação, quando os(as) jovens não entendem o valor de permanecer na escola.
O tema propõe uma reflexão sobre as estratégias que a equipe pedagógica e a direção da escola podem adotar para prevenir o abandono escolar, como a busca ativa de estudantes infrequentes. A questão central é: como a escola pode agir para evitar que a infrequência resulte em reprovação ou abandono? Além disso, sugere-se que a responsabilidade pela busca ativa não seja apenas da equipe pedagógica, mas que também envolva outros funcionários da escola.
Metodologias ativas: é necessário propor práticas pedagógicas que promovam o protagonismo, a autonomia e o engajamento dos(as) estudantes (CUNHA et al., 2024). As metodologias ativas, como a sala de aula invertida, rotação por estações, aprendizagem baseada em projetos e aprendizagem baseada em problemas, são apresentadas como ferramentas para tornar o ensino mais dinâmico e significativo. Essas metodologias podem ser aplicadas para superar desafios como conflitos geracionais e diferentes ritmos de aprendizagem em uma turma diversificada.
Nome social: a discussão sobre o uso do nome social aborda a transfobia no ambiente escolar e a importância do respeito à identidade de gênero. A Resolução SED n. 3.443/2018 (BRASIL, 2018) garante o direito ao uso do nome social de travestis e transexuais nos documentos escolares. A reflexão proposta é sobre como os(as) educadores(as) podem agir para prevenir a evasão escolar e promover um ambiente inclusivo, combatendo a transfobia.
Violência na escola: a reflexão proposta é sobre como a escola pode agir para prevenir e enfrentar a violência, promovendo ações de conscientização, responsabilização e prevenção, além de garantir um ambiente seguro e acolhedor para todos(as) os(as) estudantes.
Rede de proteção: a articulação entre diferentes instituições (saúde, assistência social, judiciário etc.) é essencial para garantir os direitos de crianças e adolescentes. A reflexão proposta é sobre como a escola pode atuar, em conjunto com outras instituições, para oferecer suporte integral ao(à) estudante, promovendo ações de conscientização e prevenção ao uso de drogas.
Questões étnico-raciais: a reflexão proposta é sobre como os(as) educadores(as) podem prevenir e combater o racismo na escola, promovendo ações concretas de inclusão e respeito à diversidade, além de garantir a aplicação das leis que regulamentam o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, como a lei 10.639/2003.
Os estudos de caso apresentados destacam a importância de práticas pedagógicas inovadoras, inclusivas e colaborativas para enfrentar desafios como a evasão escolar, a violência, a transfobia e o racismo. A escola, como espaço de formação cidadã, deve promover um ambiente acolhedor, respeitoso e seguro, garantindo o direito à educação de todos(as) os(as) estudantes.
O acolhimento e o respeito às diversidades são pilares essenciais para uma educação verdadeiramente inclusiva e transformadora. O acolhimento não se limita ao início do ano letivo, mas deve permear todas as ações pedagógicas ao longo do ano, garantindo que cada estudante se sinta valorizado(a), respeitado(a) e parte integrante da comunidade escolar. Isso implica em ações efetivas que vão desde o planejamento das aulas até a criação de espaços de diálogo, onde as diferenças sejam celebradas e as individualidades respeitadas. Portanto, é papel dos(as) educadores(as) promoverem práticas que fortaleçam os vínculos entre todos os membros da escola, garantindo que o acolhimento seja uma realidade diária. Desse modo, espera-se que possamos, juntos(as), construir uma escola que não apenas ensine, mas também cuide, inclua e transforme, refletindo os valores de uma sociedade mais justa, equitativa e humana.
Referências
BRASIL. Mato Grosso do Sul. Secretaria de Estado de Educação. Resolução SED n. 3.443, de 17 de abril de 2018. Dispõe sobre o uso e o registro do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais nos documentos escolares, e dá outras providências. Diário Oficial [do] Mato Grosso do Sul, Campo Grande, ano XL, n. 9.638, p. 4-5, 18 abr. 2018.
CEALE. Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte, 2014. ISBN 978-085-8007-079-8.
CUNHA, Márcia Borin da; OMACHI, Nathalie Akie; RITTER, Olga Maria Schimidt; NASCIMENTO, Jéssica Engel do; MARQUES, Glessyan de Quadros; LIMA, Fernanda Oliveira. Metodologias ativas: em busca de uma caracterização e definição. Educação em Revista, v. 40, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/cSQY74VPYPJCvNLQdv4HZYn/. Acesso em: 10 abr. 2025.
MOTA, Lívia (Org.). Porco-Espinho. YouTube, 2 jul. 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yYZOJ-Rn9hU. Acesso em: 10 abr. 2025.
SOUZA, Maria José Francisco de; SOUTO, Keli Cristina Nogueira. Rotinas na alfabetização. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/rotinas-na-alfabetizacao. Acesso em: 10 abr. 2025.
Acompanhe a apresentação de slides exibida no encontro presencial desta ação formativa!