APRESENTAÇÃO do PROGRAMA de EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
APRESENTAÇÃO do PROGRAMA de EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Programa de Educação Patrimonial
Onde estão nossas referências culturais?
Através da Educação Patrimonial evidenciamos, reforçamos e buscamos nossas referências. Educamos nosso olhar e nossa percepção para compreender os caminhos que percorremos enquanto cidadãos. Educando nosso olhar para o patrimônio aprendemos a valorizar e proteger a nossa História. Nossa identidade é forjada através da história de nossos antepassados. Cultura essa que revela nossa identidade, nosso modo de viver e de conviver nos espaços em que vivemos. Nesses espaços o passado e o presente convivem quase que harmoniosamente e é percebido na medida em que nosso olhar atenta para aquele casarão antigo ou aquela fachada colonial. Quando vamos visitar nossas avós e comemos aquele doce de figo, de pau de mamão ou então aquele doce de leite ou ainda, quando apreciamos as quitandas artesanais feitas com a tradicional receita da família. Quando vamos à igreja e as festas de Reis, Congado, as Guardas, etc. E, até mesmo essa paisagem, o cerrado, guardam nossa história e forjam nossa identidade nas raízes de nossos antepassados. Basta um olhar atento para perceber nossas referências.
Nosso clima e vegetação, Brant registrou em suas pinturas e desenhos. O cerrado, bioma intermediário entre a região da Mata-atlântica e a Amazônia, de vegetação rasteira e retorcida é uma das mais belas paisagens naturais do Brasil. Também conhecida como a savana com maior diversidade do mundo, de formações campestres e florestais e de possuir variadas espécies de animais. Por aqui, essa paisagem foi moradia e também forneceu frutos como o “araticum”, planta característica da região de cerrado, que servia de alimento para as populações antigas como o povo de Luzia, nome dado ao fóssil mais antigo das Américas, um achado de Annette Laming Emperaire (1917-1977) que chamou a atenção de pesquisadores relacionadas à ocupação do território americano. Um deles, Walter Neves, encontrou nos achados de Annette, traços que lembram os atuais aborígenes da Austrália e os negros da África, contudo, o crânio arredondado de Luzia, revelou características mongolóides dados os intermediários entre pigmóides e mongolóides, mas os resultados de testes de DNA revela que os traços genéticos do povo de Lagoa Santa é semelhante ao de todos os povos indígenas da América evidenciando que as feições seriam mongolóides, provando assim que o povo de Luzia chegou à América juntamente com as demais populações que vieram do continente asiático. Que achado!
Milhares de anos passaram e a cidade que aqui se desenvolveu, foi marcada pela busca desenfreada pelo ouro e pedras preciosas e, sobretudo, alimentados pela religiosidade, fé e devoção. A expedição bandeirante que desbravou o Rio das Velhas foi a de Fernão Dias Paes Leme, esta partiu de São Paulo em 1674, instalando-se na região do Sumidouro em 1675. Já a ocupação da região da lagoa central acontece em 1733, quando Felipe Rodrigues ergue seu pequeno engenho de água ardente. Felipe Rodrigues também anuncia os poderes curativos das águas da lagoa ao frei Antônio de Miranda, de Sabará, fatos que são registrados por João Cardoso de Miranda no livro “Prodigiosa Lagoa Descuberta nas Congonhas das Minas do Sabará, que tem curado várias pessoas dos achaques que nessa relação se expõe”, de 1749. As notícias provocam uma migração ostensiva na região fazendo com que seus novos habitantes erguesse uma capela dedicada a Nossa Senhora da Saúde, em 1819. Lagoa Santa torna-se Distrito em 1891 e, em dezembro de 1938, é elevada a categoria de cidade.
Personalidades como Peter Wilhelm Lund, o pai da Paleontologia Brasileira; Peter Andreas Brandt, artista que registrou as cavernas e as paisagens da região; Eugenius Warming, um dos fundadores da ecologia vegetal. Sem contar com os demais pesquisadores como Burmeister, Richard Burton, Agassiz e Riedel influenciaram a Paleontologia, Espeleologia, Arqueologia e a Antropologia com suas pesquisas. Lembrando que o trabalho de P. W. Lund foi importante para a “Teoria de Evolução das Espécies” (1859) por Charles Darwin.
Nossas referências da cultura popular são diversas e estão presentes nas histórias contadas por integrantes de diferentes manifestações como a Guarda de Nossa Senhora e Sant'Ana, a Guarda de Moçambique, a Guarda de Nossa Senhora do Rosário de Lapinha, o Candombe, através da Capoeira de Angola e o Boi da Manta. A tradição natalina, mais especificamente sobre a visita dos Reis Magos ao recém nascido Jesus, são relembradas pelas “Pastorinhas do Menino Jesus”, grupo que se tornou uma manifestação de referência para a cidade, tem sua origem na Europa e nos leva ao período medieval. Todas essas tradições valorizam em suas festividades a fartura de comida e de muita alegria. No encontro das Guardas, por exemplo, eles se reúnem para o café da manhã, no almoço, no lanche da tarde e até na janta. Eventos que chegam a agrupar milhares de pessoas em festividades, visitantes que se reúnem torno de uma mesa e que pode durar todo o final de semana. É fato que, ao longo de todo esse tempo, a tradição de produzir doces e quitandas são transmitidas através das gerações, saberes tradicionais que se mantém vivo através da Rota das Doceiras.
Nossa religiosidade é marcada não somente pelas tradições europeias, mas também pela africana e de grupos indígenas. Sincretismo que é visto através do Congado e o Candombe. As capelas como a de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora de Sant’Ana, resistem ao tempo e nos fazem voltar ao século XVIII, tempo onde a sociedade é impregnada da cristandade católica. Elas são palco, ainda hoje, de todas aquelas festividades e tradições populares já citadas. Da cultura afro-brasileira, as tradições religiosas de matriz africana são representadas pelos templos de Umbanda e do Candomblé, em Lagoa Santa, temos o templo de tradição Angola, o Manzo Inkice Kavungo, é uma referência de fé e tradição.
Levar ao conhecimento dos alunos e da comunidade em geral da cidade sobre a História, Cultura e Patrimônio do município de Lagoa Santa, levá-los a conhecer as diversas manifestações culturais na cidade é a maneira que podemos transmitir todo esse conhecimento e valorizar a nossa história.
Prof. Luiz Fernando Avelar Costa
Edições do Programa de Educação Patrimonial: