Pesquisas de Iniciação Científica
Pesquisas de Iniciação Científica
Experiências móveis no espaço escolar: um estudo coreográfico nos antigos pavilhões do Carandiru (FAPESP) || Orientação: Profª Drª Ana Terra
Resumo
Há uma série de dispositivos para instituir organizações cinéticas que estruturam gestos no cotidiano escolar: muros e grades que demarcam os limites de alcance dos deslocamentos, sinais sonoros que indicam as ações e o tempo em que devem ser realizadas, a ordenação de filas para caminhadas entre diferentes ambientes e, principalmente, cadeiras para sentar e permanecer sentado com base em certas referências posturais. Tais relações espaço-temporais entre gestos, ações corporais e deslocamentos criam uma coreografia para a escola. A partir deste entendimento expandido do conceito de coreografia, o projeto de pesquisa tem como objetivo observar e compor com as coreografias da escola, coletando experiências móveis que (re)inventam e coreografam seu cotidiano, tensionando os limites do controle e da disciplina. De caráter prática-teórica, a pesquisa combina leitura da bibliografia selecionada com atividades práticas nas escolas Etec de Artes e Parque da Juventude que, sob as mesmas pilastras, chão e paredes, ocupam desde 2008 o antigo espaço da Casa de Detenção de São Paulo conhecida popularmente como Carandiru , palco de um dos maiores massacres da história prisional do Brasil. No percurso das práticas desta pesquisa, pretende-se criar um baralho de mediação para experiências performativas nessas escolas, investigando as marcas do espaço e potencializando a emergência de outros possíveis gestos e coreografias junto a dois grupos de estudantes dessas instituições. Este projeto de pesquisa tem importância ao mobilizar a prática em diversos formatos para elaborar outras formas de exercício investigativo reforçando o fazer como um pilar fundamental para pesquisar em dança, no e com o corpo em movimento, dentro do contexto escolar..
A coreografia do espaço escolar: mover o pensamento sentado (PIBIC/Unicamp) || Orientação: Profª Drª Ana Terra - 2023 - 2024
Resumo
Ensinar a sentar e permanecer sentado são algumas das principais lições ensinadas na escola. Operam-se, dentre estas, coerções corporais atreladas a imobilidade e a relações de poder que são analisadas nesta pesquisa como coreografia, uma vez que, a partir da noção expandida deste conceito como estrutura multidimensional de organização de corpos vivos e não vivos, a disposição imóvel na escola, como um estágio desejado e de prestígio, entra em conflito com áreas do conhecimento que valorizam o saber cinético e sensível do corpo. No e com o corpo, a dança na escola corrobora com a constituição de sujeito e sua subjetividade. Deparando-se com uma coreografia de grandes pausas, as artes do corpo na escola se tornam fundamentais para mover o pensar sentado. Sendo assim, com objetivo de investigar o potencial da dança como uma ferramenta de subjetivação no espaço escolar, esta iniciação científica se apoia nos conceitos de corpo e biopoder de Foucault (2014), de pensamento sentando de Baitello (2012), de coreografia conforme Moraes (2019) e Lepecki (2012), nas contribuições de Icle e Falkenbach (2016) acerca da educação em artes, e em laboratórios artísticos que problematizam os conceitos no e com o corpo da pesquisadora. Ensinar a sentar e permanecer sentado são algumas das principais lições ensinadas na escola. Operam-se, dentre estas, coerções corporais atreladas a imobilidade e a relações de poder que são analisadas nesta pesquisa como coreografia, uma vez que, a partir da noção expandida deste conceito como estrutura multidimensional de organização de corpos vivos e não vivos, a disposição imóvel na escola, como um estágio desejado e de prestígio, entra em conflito com áreas do conhecimento que valorizam o saber cinético e sensível do corpo. No e com o corpo, a dança na escola corrobora com a constituição de sujeito e sua subjetividade. Deparando-se com uma coreografia de grandes pausas, as artes do corpo na escola se tornam fundamentais para mover o pensar sentado. Sendo assim, com objetivo de investigar o potencial da dança como uma ferramenta de subjetivação no espaço escolar, esta iniciação científica se apoia nos conceitos de corpo e biopoder de Foucault (2014), de pensamento sentando de Baitello (2012), de coreografia conforme Moraes (2019) e Lepecki (2012), nas contribuições de Icle e Falkenbach (2016) acerca da educação em artes, e em laboratórios artísticos que problematizam os conceitos no e com o corpo da pesquisadora.
Uma experiência fundamental presenciada na primeira iniciação científica foi a realização de uma visita técnica à exposição PEDAGOGIA do artista Paulo Nazareth, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG). A exposição tematizou e promoveu a transformação do espaço institucional em um ambiente de experiência, fruição e investigação artística. Essa ação teve apoio Fundo do Apoio a Pesquisa e Extensão (FAEPEX).