Lei de Direitos Civis nos EUA e o nosso tempo
Carlos Araujo
O que foi?
Foi uma medida histórica, em forma de lei, que em 1964 simplesmente modificou os rumos da questão civil para os negros nos Estados Unidos. Em suma, a Lei de Direitos Civis proibiu a discriminação racial naquela nação.
A necessidade da lei
A Lei precisou ser implementada pois, desde que a escravidão havia sido abolida em 1865, um marco histórico sem dúvida, a vida do negro não obteve os ganhos que deveriam vir junto com a liberdade. Isso significou que os ex - escravizados não adquiriram direitos básicos com o fim da escravidão, além do peso que séculos de escravismo trouxe, reverberando em discriminação e segregação sobre os afro
descendentes. Literalmente, os negros libertos não tinham os mesmos direitos que os brancos. Isso piorou quando o conjunto de leis “Jim Crow”, tornou oficial a segregação racial no sul do país.
Leis sim, mas não sem resistência
Como todo o histórico dos negros na história mundial, desde que o tráfico negreiro começou, nenhuma vitória veio sem luta e resistência. Não foi diferente com a Lei de Direitos Civis. Houve resistência desde o início da implantação das leis segregacionistas, avançando até que a partir das décadas de 50, 60 e 70, a resistência chegou no auge apresentando ao mundo ícones como Rosa Parks, Martin Luther King e Malcolm X, que lideraram desde movimentos mais pacíficos até aqueles que fizeram uso mais enérgico da força em prol da causa negra.
Beleza, mas o que isso tem a ver comigo?
A história nunca é estéril! A reflexão é necessária pois, a contemporaneidade está ainda, e infelizmente, cheia daquele velho racismo que considera pessoas de descendência africana inferiores nos mais variados aspectos: estético, intelectual, moral, religioso, etc. Frente a isso, ninguém está autorizado a assistir de longe sem se envolver, ninguém pode ficar calado, sejam os brancos, que não são atingidos diretamente, mas que compartilham o espaço público em amizade e coleguismo com outros seres humanos de cor de pele diferente; nem os negros que não podem aceitar jamais sua dignidade humana ser inferiorizada. Como disse King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.
O que fazer?
Duas coisas. A primeira é a devida reflexão, que passa pela célebre frase de Angela Davis “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.” Todos os dias e em todas as situações, é necessário o questionamento se por acaso o ranço racista não está no meio de nós e se estiver, não deve ser comungado, ao contrário, deve ser combatido.
Em segundo lugar, lembra que disse que a história não é estéril? Pois é, reflexão sem ação se torna estéril. Sendo assim, seguem sete ações encontradas no excelente livro da filósofa brasileira Djamila Ribeiro “Pequeno manual antirracista”, para o combate eficaz do racismo: 1 - informe-se sobre o racismo; 2 - enxergue a negritude; 3 - reconheça os privilégios da branquitude; 4 - perceba o racismo internalizado em você; 5 - apoie políticas educacionais afirmativas; 6 - transforme seu ambiente de trabalho (escolar, no caso dos estudantes); 7 - leia autores negros1. Siga essas ações e assim como os negros norte-americanos resistiram lá atrás, que todos resistam hoje.
1 RIBEIRO, Djamila. pequeno manual antirracista. - São Paulo: Companhia das Letras, 2019 - (Introdução).