A Embrapa com o apoio da Fundação Getúlio Vargas realizou uma pesquisa, na qual o resultado mostrou que desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comidas frescas à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano.
Segundo o estudo, a família brasileira joga fora quase 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo, por percentual do total desperdiçado, são: arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%), O descarte ocorre em todo o processo desde o campo, indústria, logística, varejo e termina no consumidor.
Segundo o presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), Antonio Alvarenga, o maior problema no Brasil está na logística de armazenagem e transporte devido aos péssimos meios de transporte, seja ferroviário, rodoviário e hidroviário do Brasil. Afinal, o fato de que o transporte rodoviário é o principal meio de transporte em um país grande é um tanto quanto quanto ruim, tendo em vista que o transporte ferroviário acabaria por ser mais viável, devido ao fato de que os trens possuem uma capacidade maior de carga, assim poderiam ser utilizados para transportar os alimentos antes de sua decomposição em produções de larga escala.
O desperdício não ocorre apenas nas etapas iniciais, o consumidor, infelizmente, desempenha um grande papel no desperdício devido a cultura da "fartura" que está inserida em nossa sociedade. Os brasileiros, geralmente, não compram se baseando apenas no que irão comer, não calculam para comprar apenas o que é necessário, assim gerando um grande desperdício.
Além disso, é notória a exigência do consumidor brasileiro quanto à aparência dos produtos. Ao comprarem uma fruta, por exemplo, examinam a casca dela, se encontram alguma falha ou se ainda está verde e acabam por não comprá-la. Isso leva os produtores a descartarem os alimentos antes mesmo de os colocarem nas prateleiras, já prevendo o descarte dos consumidores, assim liberando espaço nas prateleiras.
Segundo uma pesquisa recente realizada pela Embrapa (10/02/2019) com apoio da Fundação Getúlio Vargas, em um país pobre como o brasil a comida sinaliza riqueza, a importância dada ao status social faz com que os brasileiros tendam a comprar mais do que deveriam, preparando uma mesa farta e gerando um desperdício de mais de 40 quilos por ano para cada cidadão do país.
"Ilha das Flores" é um curta metragem brasileiro muito premiado e que trata, em partes, desse tema. Recomendamos a sua visualização abaixo:
Cerca de 2,1 bilhões de toneladas de alimentos não chegarão ao seu destino final, o equivalente ao desperdício de 66 toneladas por segundo. O desperdício de comida significa também perda de recursos naturais, contribuindo assim para impactos ambientais negativos. Segundo dados do Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma) uma em cada sete pessoas no mundo sofre com desnutrição, um terço de toda a comida produzida pelo sistema agrícola global é perdida a cada ano.
Um novo estudo foi realizado pela empresa Boston Consulting Group (BCG) alerta que o desperdício global de alimentos aumentará em mais de 30% até 2030 se nenhuma ação for tomada. A menos que medidas urgentes sejam tomadas pelos governos, empresas e consumidores, o relatório adverte que há poucas chances do mundo atingir a meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODSs) de reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030.
O diretor do BCG Shalini Unnikrishnan, em entrevista ao The Guardian afirma que as soluções para lidar com o problema são em geral insuficientes devido a magnitude do problema, que só deve piorar a medida que mais países se industrializam e o mercado consumidor aumenta. O estudo ainda destaca que o desperdício de alimentos ocorre em todas as etapas da cadeia de valor, porem é mais pronunciado no início (produção) e no final (consumo).
Naturalmente, um problema desse porte não estaria passando despercebido e muito já se faz para tentar solucioná-lo. Conselhos da ONU, como a Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável de 2015, são tentativas de estabelecer metas em busca do menor desperdício de alimentos , "Fome zero até 2030" é um dos principais desafios que fazem parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.
O acordo busca, em sua meta 12.3, “reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita”.
Alguns hábitos também podem ser adotados para que o desperdício doméstico diminua, seguem alguns exemplos: