Luiz MacPontes
Ela, insólita estrelinha,
Luziu no céu, peremptória,
Pois, os filhos dos filhos, sublinha
O sábio: são para os pais, glória.
E sob o místico universo,
Do microcosmo à imensidão,
Atingiu-me o mais pulcro verso;
Um raio d'amor no meu coração
Ela, discreta resplandecia,
E nos dédalos da diferença,
Elegante, assim sobressaía,
Distraída, sem pedir licença
E quando a sentença sobrevem
Sobre as têmporas de um impostor,
D'um puro amor sucumbe o refém,
Da flor furtada rui seu genitor
Insubstituível um afeto...
Mas o consolo mitig'um revés
Quand'amor transcende, ressurreto,
Os limites da dor d'uma só vez
Caiu do céu uma estrelinha,
E nos meus olhos brilhou, a menina,
No seu reino, a luz é rainha,
E na luz, a perspectiva é divina
Luiz MacVate_1968