Luiz MacPontes
Ela, que distante sublimada,
Nos meus sonhos subsisitira feliz,
A descendência da minh'amada,
A descendência qu'a vida não quis
Vivi, dolente, elucubrando
A sua graça,, a primavera,
Os botões nos ramos, rebentando,
O desabrochar d'uma quimera
Ela, chorando, balbuciando
Mamãe no colo da minh'amada,
Caminhando, caindo, chutando
Cada futilidad'afagada
Meu bebé, minha donzela,
Uma fantasia, uma fada,
Na minha velhice, sentinela,
Amiga, quas'uma namorada
Bela, nos meus sonhos almejada,
Não foi, não é, nem advirá jamais,
Mas em mim perdura amarrada;
Um navio amarrado no cais
A filhotinha do meu delírio,
Sem rosto, sem voz, sem nome, sem Deus,
Nos meus sonhos ainda martírio,
Acaso, dir-lhe-ei um di'adeus?
Luiz MacVate_1968