Informações sobre inscrições
Esperamos contribuições que tragam colaborações para os estudos feministas, decoloniais e de gênero, indicando leituras prévias e propostas inovadoras de análise sobre as literaturas produzidas por mulheres, podendo ser trabalhos concluídos ou em andamento, atrelados a Pós-graduação como discentes ou docentes. Para o envio das propostas, é fundamental ler atentamente o formulário de inscrição.
Formato para proposta de inscrição nos Simpósios
Texto em Times New Roman, fonte 11, espaço 1, com 250 a 500 palavras, com 3 a 5 palavras – chave, separadas por ponto e vírgula, indicando os principais suportes teóricos da proposta e os caminhos pelos quais seguirá a pesquisa. O título deverá ser apresentado em letras maiúsculas.
Prazo para submissão das propostas de comunicação
Receberemos até o dia 30 de abril de 2026, mediante o preenchimento do formulário abaixo
Modalidades e Valores
Apresentação de Trabalho em Simpósio Temático (Discentes de Pós-Graduação, Pesquisadoras/es independentes, Prof. das redes públicas e privada)
VALORES ATÉ 15/05/2026 - R$ 120,00
VALORES ATÉ 15/06/2026 - R$ 135,00
VALORES ATÉ 15/07/2026 - R$ 150,00
Apresentação de Trabalho em Simpósio Temático (Docentes)
VALORES ATÉ 15/05/2026 - R$ 240,00
VALORES ATÉ 15/06/2026 - R$ 265,00
VALORES ATÉ 15/07/2026 - R$ 300,00
Apresentação de Pôster (Estudantes de graduação)
VALORES ATÉ 15/05/2026 - R$ 60,00
VALORES ATÉ 15/06/2026 - R$ 70,00
VALORES ATÉ 15/07/2026 - R$ 80,00
Ouvinte (Direito a certificado e acesso aos minicursos e palestras)
VALORES ATÉ 15/05/2026 - R$ 50,00
VALORES ATÉ 15/06/2026 - R$ 50,00
VALORES ATÉ 15/07/2026 - R$ 50,00
Alexandra Santos Pinheiro - Universidade Federal da Grande Dourados (UFD/UFMS/CNPq)
Algemira de Macêdo Mendes (UESPI/UEMA/CNPq)
Sara Rogéria Santos Barbosa (UFS)
O presente simpósio debruça-se sobre a produção literária que nasce das plantações, das ruas, das favelas e do asfalto e que teima em se fazer viva e pulsante apesar dos silenciamentos e falta de espaço de escuta para quem a produz. É na esteira de uma literatura não canônica, mas significativamente consumida por relevante público leitor que as memórias e histórias dos povos afrolatinos e latinoamericanos se fazem conhecidas, pertencidas e admiradas. Nesse sentido, analisar essas produções à luz dos Estudos Culturais, Estudos de Gênero e Feminismos. Nessa perspectiva, a literatura pós-colonial — onde o colonizado assume o protagonismo para contar sua própria história — rompe com a subordinação colonialista do discurso, expondo as profundas marcas da violência física e moral deixadas pelos discursos fundadores de nossa colonização. Assim, a escrita dessas mulheres escritoras latinoamericanas e afrolatinas representa um vértice da literatura no qual se expõe a violência colonialista, assim como a própria violência da diáspora que tirou os negros de suas terras, de seus laços culturais e sociais, para serem submetidos às línguas e culturas dos povos colonizadores, eliminando suas próprias identidades. Literatura escrita por mulheres latinoamericanas e afrolatinas: memórias, violências, resistência, portanto, espera receber trabalhos que dialoguem com essas questões para enriquecer as reflexões que alimentam o simpósio.
Palavras -Chave:Literatura Latinoamericano e afrolatina, Violências, memórias
Anna Faedrich, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Laura Barbosa Campos (UERJ)
Silvina Liliana Carrizo (UFJF)
A proposta do simpósio é examinar a manifestação da resistência na literatura produzida por mulheres, de todas as épocas, das mais variadas nacionalidades, tendo em vista as diferentes formas de enfrentar as intempéries da trajetória intelectual e literária feminina. A ideia central é abrir espaço para o diálogo entre pesquisadores que investigam variadas autoras, cujas obras expressam traumas e/ou dificuldades de existir, enquanto escritoras e mulheres pensantes, em uma sociedade patriarcal e hostil. A repercussão da contribuição literária feminina ensejou reações de escritores – homens – que revelam os jogos de poder e suas implicações sobre a fortuna das carreiras de mulheres no mundo das letras. Virgínia Woolf, em Um teto todo seu, anotou que a “indiferença do mundo, que Keats, Flaubert e outros homens geniais achavam tão difícil de suportar, não era, no caso d[a mulher], indiferença, mas hostilidade” (Woolf, 2014, p. 78). Sendo assim, interessa-nos o estudo dos mecanismos sociais de exclusão da literatura de autoria feminina do cânone literário e das histórias literárias brasileiras e estrangeiras, bem como as estratégias utilizadas pelas escritoras como enfrentamento dos espaços que lhe foram reservados – o doméstico e desvalorizado, para as mulheres; o público e prestigioso, para os homens. É possível identificar estratégias do feminino que se impõem como procedimentos evidentes para adentrar o meio – predominantemente masculino – das letras. Reedições dos romances, poemas e crônicas dessas autoras têm sido realizadas com intenção de facilitar o acesso aos leitores, já que muitas dessas obras se encontram em raras bibliotecas, em situações de deterioração, beirando ao desaparecimento. Uma vez aferidos os valores estéticos das obras de autoria feminina – que em termos literários não ficam aquém das escritas por homens – buscamos compreender os mecanismos sociais de exclusão das escritoras. Após anos de estudos – relembramos o trabalho das pesquisadoras e pesquisadores do Grupo de Trabalho (GT) Mulher e Literatura, que, desde os anos 1980, vêm contribuindo com os estudos literários, abrindo espaço para análise e consideração de obras escritas por mulheres –, está comprovado que se trata de uma exclusão por viés de gênero. Ao analisar a masculinidade como nobreza, em A dominação masculina, Bourdieu esclarece que “a definição de excelência está, em todos os aspectos, carregada de implicações masculinas” (Bourdieu, [1998] 2002, p. 78). O homem como dominante reconhece o seu modo particular de ser como universal. Um modo que, segundo tal perspectiva, uma mulher jamais atingirá. Ou melhor, um modo de ser que uma mulher jamais terá a chance de atingir. Sem chances de atingir a “nobreza” masculina, as escritoras são vítimas da sofisticação dos mecanismos de exclusão realizada – consciente ou inconscientemente – pelos historiadores e críticos literários, que perpetuam as mesmas listas de eleitos para figurar a História da Literatura. Naturaliza-se essa exclusão no ensino e nas histórias de literatura que alunas e alunos aprendem nas universidades, antes de se tornarem correias de transmissão das mesmas exclusões, nas ementas que organizam para o alunado também das escolas de formação pré-universitária. Este consenso e naturalização devem ser permanentemente questionados, tendo em vista que a relação do campo literário com a literatura de autoria feminina é socialmente construída. Nesse sentido, a produção das escritoras só pode ser devidamente compreendida quando se explicitam as expectativas sociais, em particular as expectativas de escritores homens sobre a escrita literária. Como postulou o sociólogo francês Émile Durkheim (1895), essas expectativas coletivas são usualmente tão naturalizadas que, como uma segunda natureza, sequer são percebidas, exceto quando desafiadas ou quando se lhes tenta alterar o curso. Trata-se de uma coerção doce, porque sua força, embora se exerça de modo permanente, não se percebe. E, sendo coletiva, não é produto de vontades individuais, embora se manifeste nas ações de cada um. A luta da volição individual contra a expectativa do coletivo é desigual. O coletivo dispõe de recursos de coerção de toda sorte, quando vê a norma desafiada. Hoje desafiamos o que nos foi paulatinamente naturalizado, tornando possível a alteração do curso. Embora nosso objeto de estudo seja literário – literatura de autoria feminina –, e não interdisciplinar ou cultural, acredito ser possível dialogar com os estudos culturais, sem abrir mão da teoria literária e do exercício crítico. Se a história da literatura reproduziu seleções arbitrárias, por sua índole essencialmente falonarcísica e patricarcal, ela também é um instrumento para reconstruir narrativas em novas perspectivas. Tal reconstrução, necessária, é um trabalho literário e político. O que se espera é que os trabalhos apresentados no Simpósio “Estratégias do feminino: literatura escrita por mulheres e resistência” abordem questões voltadas tanto para a estética das obras escritas por mulheres, quanto para questões sociológicas pertinentes ao âmbito da teoria feminista para pensar a exclusão das escritoras – segundo uma visão falo-narcísica e um princípio androcêntrico, para usar os termos de Bourdieu – e as estratégias do feminino no intuito de romper com a expectativa de gênero.
PALAVRAS-CHAVE: Escritoras; resistência; cânone literário.
Jorgelina Ivana Tallei, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ana Elisa Ribeiro, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)
A história editorial brasileira do período correspondente à primeira metade do século XX está razoavelmente narrada em livros e artigos que enaltecem a atuação de editores fundamentais para a emergência de um mercado editorial profissional no Brasil. Essa história, no entanto, não apresenta trajetórias de editoras mulheres, ou ao menos não de maneira sistemática, organizada e equânime. Onde estavam elas? Existiam? O que publicavam? Como se tornavam editoras? As mulheres editoras de livros só começaram a aparecer na narrativa oficial na segunda metade do século XX, sobretudo dos anos 1980 em diante. O trabalho de escavação da história editorial brasileira tem se dedicado, de maneira tímida, a encontrar e a compreender agentes femininas no campo editorial, suas trajetórias e os catálogos sob sua responsabilidade. Os desafios de encontrar registros sobre a atuação dessas mulheres são muitos, e diminuem com o passar das décadas abordadas. Nos anos 2000, as mulheres são muito mais visíveis no setor, em todos os segmentos da edição (universitária, literária, infantil, religiosa, didática, etc.), embora ainda enfrentassem e enfrentem muitas questões relacionadas à sua entrada, escalada e permanência nesse mercado de trabalho. Este ST receberá trabalhos cujo tema principal e inequívoco seja a atuação de mulheres no mercado editorial, sua história, trajetórias individuais e/ou coletivas, formação, entrada no campo, permanência e história de vida e/ou profissional. É indiscutível a importância de escritoras e tradutoras, mas nosso foco aqui recai sobre as editoras e suas propostas editoriais; ou mulheres que, eventualmente, tenham exercido mais de uma atividade (escritoras-editoras, tradutoras-editoras etc.) por força justamente de sua exclusão do campo editorial mais amplo, intensamente ocupado por colegas homens. Receberemos trabalhos que ajudem a compor um mapa da edição no Brasil, considerando as editoras, ontem e hoje, seus projetos editoriais e suas vidas, com base em construtos teóricos diversos.
Palavras-chaves: Mulheres na edição; Editoras; Mulheres editoras.
Dra. Adriana Ap. de Figueiredo Fiuza (UEL/UNIOESTE)
Dra. Kátia Ap. da Silva Oliveira (UNIFAL-MG)
A literatura escrita por mulheres em língua espanhola e/ou em línguas outras faladas em países onde o espanhol é oficial, frequentemente reflete um olhar sobre as experiências vivenciadas por mulheres e suas relações com espaços hostis, reflexo da misoginia patriarcal e de sistemas sociais que relegam o feminino às margens e ao silenciamento. Nos estudos literários e de história da literatura não é frequente identificar discussões ou menções aos trabalhos literários de autoria feminina, permitindo até mesmo questionamentos relacionados à (in)existência de grandes escritoras, como bem pontua Duarte (1990). A construção desses discursos, como se sabe, especialmente no que se refere à constituição do cânone, embora defendida como neutra ou centrada em aspectos técnicos e estéticos, foi sendo pautada por valores patriarcais que ainda hoje se sustentam em muitos espaços acadêmicos ou não. Nesse sentido, como comenta Zinani (2010), a inclusão das mulheres e de outros grupos desprivilegiados no cânone exige uma revisão que deve se associar a uma redefinição de literatura, questionando e reavaliando as relações de poder que lhe são implícitas. O que se propõe aqui, assim, é que a literatura de autoria feminina seja lida, a partir de um ponto de vista “confessadamente empenhado” (Zolin, 2011), como construção artística na qual incide o registro, a resistência e reelaboração de imagens e percepções do ser mulher, como (re ou des)construção estética do corpo, das emoções, da sexualidade, da formação, da exploração e da (sobre)vivência. No caso das literaturas hispânicas, ainda que estejam elaboradas na mesma língua, essa leitura atenta da produção feminina deve reconhecer as possíveis aproximações e distanciamentos entre culturas, valores, histórias, classes sociais e raças que se imprimem nos textos, identificando e destacando suas intersecções. Isso posto, o presente simpósio busca discutir as obras escritas por mulheres nos contextos hispânicos, buscando reconhecer as abordagens estéticas e experimentações literárias adotadas por escritoras de diferentes épocas, bem como a construção das perspectivas que revelam sobre experiências, eventos ou ideias representadas. Pesquisas que problematizem relações de poder, colonialidade, apagamentos e silenciamentos, resistência e permanência são desejáveis. Serão aceitos trabalhos que abordem diferentes gêneros literários a partir de múltiplas perspectivas teóricas e críticas, estabelecendo intersecções com outras áreas do conhecimento como as ciências sociais, a história, a filosofia, a psicologia, os estudos da memória, as artes e a tradução, entre outras. Da mesma maneira, considera-se importante receber propostas que examinem as obras de autoras estudadas em relação comparada ou não, dando visibilidade e reconhecimento para estas escritoras e sua produção, muitas vezes negligenciadas pela crítica literária tradicional.
Maria do Rosário Alves Pereira (CEFET-MG)
Cristiane Felipe Cortes (CEFET-MG)
Na literatura de autoria feminina brasileira, sobretudo nas últimas décadas, percebe-se que o corpo feminino se consolida como um tema central, ao adquirir crescente relevância sócio-histórica e crítica. Dos anos 2000 para cá, observa-se uma perspectiva mais ampla no modo como as escritoras têm retratado esse corpo – não que essa temática estivesse ausente na escrita de autoria feminina, mas na contemporaneidade explicitam-se perspectivas até então apenas delineadas no texto literário. Nesse contexto, ganham destaque estudos que buscam responder à instigante indagação formulada por Elódia Xavier: “que corpo é esse” na literatura escrita por mulheres no Brasil? Tal questionamento abre caminho para reflexões que compreendem o corpo feminino para além de sua dimensão biológica, compreendendo-o também como um espaço simbólico no qual se inscrevem discursos culturais, políticos e sociais, atravessados por relações de poder. É sabido que esse corpo feminino, em suas múltiplas representações, constitui-se como um território de disputas e significações. Nos dias de hoje, diferentes vertentes dos feminismos têm enfatizado o corpo como performance, linguagem e instrumento de reivindicação política. Esse movimento também se manifesta de forma expressiva na literatura de autoria feminina, em que se observa um aumento significativo de narrativas – especialmente contos e romances – centradas em temas considerados espinhosos, como a violência física e simbólica, incluindo estupro, feminicídio e outras formas de opressão. A historiadora Michele Perrot contribui de maneira fundamental para esse debate ao evidenciar como o corpo da mulher tem sido historicamente alvo de controle, vigilância e normatização. Ao afirmar que “o corpo das mulheres não lhes pertence”, Perrot aponta para uma realidade em que o corpo feminino é constantemente regulado por padrões sociais que abrangem desde aspectos estéticos até dimensões psicossociais. Nessa perspectiva, tornam-se particularmente relevantes os estudos que investigam o corpo como espaço de silenciamento, disciplinamento e exposição. Além disso, a literatura contemporânea oferece um campo fértil para a problematização das múltiplas representações dos corpos femininos, permitindo análises críticas que visam denunciar e desnaturalizar estruturas de dominação. Ao explorar personagens diversas, essas narrativas evidenciam questões como gordofobia, maternidade, envelhecimento, interseccionalidade e sexualidade, e ainda a forma como são construídas e percebidas socialmente. Assim, o objetivo deste simpósio é acolher comunicações que abordem as diferentes formas de violência que incidem sobre os corpos femininos – sejam elas físicas, psicológicas ou simbólicas –, bem como discutir processos de invisibilização, erotização e também de emancipação desses corpos. As reflexões poderão dialogar com aportes teóricos de autoras como Elódia Xavier, Regina Dalcastagnè, Eurídice Figueiredo, Lélia Gonzalez, Michele Perrot, entre outras, em perspectiva transdisciplinar, ampliando o debate crítico sobre o corpo feminino na literatura brasileira contemporânea.
Palavras-chave: corpo feminino; literatura brasileira; literatura contemporânea.
Luciana Borges – Universidade Federal de Catalão - UFCAT
Suely Leite – Universidade Estadual de Londrina - UEL
O campo do erotismo é um dos mais desafiadores no contexto literário, uma vez que, a partir dos pressupostos da filosofia cartesiana, da moralidade patriarcal e do cristianismo, a sociedade ocidental, não raras vezes, confinou as manifestações do erótico e da sexualidade ao imaginário do pecado ou da inferioridade intelectual. Transformar erotismo em textualidade perpassa pelo atravessamento de transgressões e proposições que desconstroem as amarras do pudor e os tabus do objeto, especialmente quando se trata de autoria de mulheres. Trata-se, como diria Audre Lorde (2019), de fazer um uso do erótico como um tipo específico de poder. Dentre as possibilidades transgressoras, a escrita e estudo de textos que apresentam temática sexual, escritos eróticos e/ou pornográficos por mulheres cis, trans ou não-binárias, são uma vertente profícua de investigação, uma vez que indicam procedimentos de ruptura com as investiduras e repetições de gênero (Butler, 2003) e com o cânone instaurado sobre a tradição fálica da literatura e a ancestral repressão sobre a sexualidade feminina. Os estudos sobre erotismo na autoria de mulheres incluem o reconhecimento de três principais linhas de estudos pertinentes ao universo feminino: uma que tenta identificar e resgatar as vozes femininas silenciadas no cânone literário; outra que busca reconhecer o que faz um texto literário ser identificado como uma escritura de autoria feminina; e, por último, uma linha que procura analisar o papel da mulher na literatura em determinadas funções: a de narrar, a de criar, a de compor o perfil feminino por meio de personagens que problematizem a questão de gênero, evidenciam um discurso que oferece vários planos de leitura. Nesse sentido, o presente Simpósio Temático acolherá trabalhos que versem sobre a expressão do erotismo (e suas modalidades amplas e correlatas, como a pornografia e a obscenidade) em textos literários escritos por mulheres em todas as épocas, no Brasil e em outros países, considerando as diversas possibilidades de representação do corpo, do desejo, das identidades de gênero e das relações eróticas no contexto da poesia, da ficção narrativa ou de outras modalidades de texto de autoria feminina. Serão também aceitos estudos que façam a aproximação da literatura com outras modalidades de arte erótica, no campo teórico-analítico específico e nos campos transdisciplinares pertinentes. Especialmente, estudos que se apresentem em perspectiva decolonial, privilegiando autorias e arcabouços teóricos que se originem do sul global, os quais expandam as costumeiras visões do erotismo ocidental e apresentem possibilidades interseccionais de leitura do erotismo, como as interfaces de raça e classe social, dentre outras, também são bem-vindas.
Palavras-chave: Erotismo. Sexualidade. Interseccionalidade. Decolonialidade.
Catarina Caldeira Martins (Universidade de Coimbra)
Maximiliano Torres (UERJ)
Simone Schmidt (UFSC)
Em décadas recentes, a crítica feminista e a crítica pós-colonial / decolonial vêm desenvolvendo propostas teóricas e trabalhos analíticos no âmbito dos estudos literários que transformaram profundamente a leitura e a compreensão das literaturas. Visando a desconstrução do cânone e dos sistemas literários pela produção de autoria feminina, dos sujeitos colonizados e racializados, das literaturas periféricas no sistema-mundo, em línguas e linguagens não imperiais e não hegemônicas, inclinaram-se, portanto, para a constituição de novas linhagens de escrita, em oposição ao modelo eurocêntrico, branco, masculino e suas respectivas estéticas materializadas. Com isso, a proposta de análise crítica das representações das mulheres, das identidades sexuais e de gênero dissidentes, bem como das personagens negras e indígenas, incluiu, não só, dimensões interseccionais, mas desvelou, sobretudo, intrigas e linhas de sentido de feição colonial. Ao interrogar o que seria “o sexo dos textos” e/ou “a raça dos textos”, as próprias nomenclaturas de literatura feminina, literatura negra ou afrodescendente, literatura indígena, literatura gay, entre outras, foram postas em questão.
Em consonância, tais literaturas e suas autoras e autores passaram a propor novas estéticas, as quais vêm colocar em xeque temas e conceitos-chave da teoria literária, como autoria, representação, voz narrativa, etc. Em última instância, o que acaba por ser desafiado é a própria concepção do que é o literário.
A teoria, enquanto sistematização, é uma imposição de ordem, a partir de um ponto de vista de poder. Ora, se a teoria literária e os métodos e conceitos analíticos que empregamos ainda remontam a um paradigma cristalizado, é necessário que repensemos tais métodos e conceitos, no sentido de desvelar as relações de poder que reproduzem. Nesse sentido, princípios teóricos que embasam conceitos tais como os de ficção e testemunho, pacto ficcional, a distinção autor/narrador, leitor real/ leitor implícito, a própria noção de autoria, autoficção versus autobiografia, dentre outros mais, precisam ser questionados e redimensionados.
Diante dessa avalanche de questionamentos, o objetivo do presente Simpósio é propor uma discussão dos caminhos que poderão ser percorridos num repensar da teoria da literatura (desmontando a sua associação histórica a um lugar de enunciação determinado), dos conceitos e métodos constituídos segundo o modelo eurocêntrico, a partir de reflexões exploratórias, com base feminista, sobre os desafios das literaturas que abalam o edifício consagrado dos estudos literários.
Palavras-chave: Crítica Feminista, Revisionismos, Teoria Literária
Christina Bielinski Ramalho (UFS)
Anélia Montechiari Pietrani (UFRJ)
Adriana de Fátima Alexandrino Lima Barbosa (UnB)
A proposta deste simpósio é reunir reflexões sobre a inserção de temáticas e questões sociais em obras líricas ou híbridas assinadas por mulheres de diversas línguas e nacionalidades, dando destaque a elaborações poéticas da resistência e da revolução, imagens de violência do corpo e da mente, releituras da tradição, abordagens ecocríticas, dinamicidades entre oralidade e escrita, irrupções da/na linguagem. O objetivo precípuo deste simpósio é pensar “com” o discurso poético e observar “como” ele lida com essas questões sob o viés crítico feminista e decolonizador da mente, do gênero, da língua, do espaço, do saber e, mesmo, da própria crítica literária. Para isso, são bem-vindas análises de poemas isolados e/ou de obras completas de diferentes gêneros poéticos (poemas líricos, épicos, curtos, longos, prosa poética, poema em prosa), escritas em uma única língua ou multilíngues, produzidas individual ou coletivamente, com abordagem comparativa ou não.
Palavras-chave: poesia de autoria feminina, poesia e sociedade, crítica literária feminista.
Isabel Lousada (Universidade Nova de Lisboa)
Ria Lemaire (Université de Poitiers)
Fernanda Cardoso Nunes (UECE)
Desde a fundação do GT Mulher e Literatura da ANPOLL (1985/1986) e com 20 seminários internacionais Mulher e Literatura, a prática e o conceito de RESGATE têm tido um lugar de relevo no debate. As três proponentes desta mesa trazem diferentes gerações de pesquisadoras com diferentes perspectivas, abarcando geografias literárias no feminino. Com a comemoração, neste ano de 2026, dos cinquenta e cinco anos dos estudos acadêmicos acerca de mulheres e gênero, quarenta de fundação do GT, possuímos tanto um imenso tesouro de publicações e de estudos sobre autoras. Apoiadas nos termos “escrevivência”, cunhado por Conceição Evaristo, e “memoricídio”, cunhado por Constância Lima Duarte, ambicionamos neste simpósio trazer à luz nomes, vidas, obra, textos, polêmicas, controvérsias, desafio, barreiras, impedimentos e conquistas cuja gênese se encontra na e pela literatura escrita para e por mulheres. Sem balizas temporais, nem limitações de gêneros literários, pelos vieses de diversas áreas disciplinares, aguardamos as contribuições de discentes, discentes e pesquisadores (as) motivados(as) pela temática. À propósito das comemorações, evocamos Zahidé Lupinacci Muzart (1939-2015) dedicando-lhe o nosso ST. O pioneirismo de que se revestiu o labor de Zahidé foi, é e será sempre, digno de especial menção. A afirmação: "Zahidé Muzart era a Editora Mulheres" é por nós trazida à colação de modo a ilustrar como mulher e obra se fundem numa liga inextricável. As autoras que do passado emergiram para a atualidade fizeram uma improvável travessia somente possível pelo denodado empenho e saber de Zahidé Muzart dando ao prelo o/s resultado/s de aturadas pesquisas numa plataforma maioritariamente dedicada aos homens. De Inês Sabino, Nísia Augusta Floresta, Júlia Lopes de Almeida, Christine de Pizan, Carmen Dolores, entre tantas outras mulheres "desarquivadas", resgatadas e salvas do "memoricídio" na expressão de Constância Lima Duarte, a que teriam ficado votadas inúmeras escritoras, pretendemos saber mais, de suas estratégias, escrevivências, escritas de si ou de outra(o)s através dos estudos que vierem a ser propostos para apresentação no âmbito deste Simpósio Temático intitulado: Resgate sim! E agora? Oxalá sejamos capazes de nos tornarmos as continuadoras do trabalho hercúleo que nos legou Zahidé Muzart e que continua a ser hoje, para tantas de nós e a um só tempo, inspiração e força motriz. Registamos a título de exemplo as palavras de Zahidé a Risolete Maria Hellmann: "Não basta resgatar as escritoras e obras do século XIX, republicá-las, colocar em circulação esses livros, é preciso estudá-las à fundo para consolidar uma tradição literária de autoria feminina no Brasil e revelar o valor literário de toda essa produção. E essa produção literária de mulheres não pode ser avaliada usando os mesmos critérios usados pela crítica canônica. É preciso considerar suas condições de produção e publicação da literatura que escreveram". Assim, esse ST pretende propor um repensar, através do resgate, do cânone literário, trazendo a contribuição das vozes femininas muitas vezes “esquecidas” e “silenciadas” e mostrando o seu protagonismo nas letras.
Palavras-chave: Literatura de autoria feminina. Resgate. Escrevivência. Memoricídio.
Cecil Jeanine Albert Zinani (UCS)
Cristina Löff Knapp (UCS)
O acesso à escrita ocorreu tardiamente para as mulheres, devido a imposições sociais, religiosas, médicas ou culturais. Com as transformações ocorridas no âmbito da família, surgiu a necessidade de que a mãe de família ampliasse seus conhecimentos para melhor educar os filhos, formando assim, cidadãos úteis à pátria. Dessa maneira, implementou-se a educação feminina com a criação de escolas privadas, depois públicas, uma vez que, anteriormente, essa modalidade de ensino era reduzida a preceptores contratados por famílias abastadas que acreditavam em educação, como também aos conventos, onde as jovens permaneciam até terem idade para casar. Com o tempo, houve o alargamento dessas fronteiras e a apropriação de meios expressivos. Assim, figuras femininas tornaram-se, primeiramente, secretárias das famílias, ficando a correspondência a seu cargo, lembrando a importância desse gênero de comunicação para aquele período. Posteriormente, elas avançaram para as mídias disponíveis, no caso jornais e revistas. Iniciando pelos rodapés, nos quais publicavam poemas, pequenas crônicas ou narrativas incipientes, passaram para a escrita de folhetins, modalidade muito apreciada no século XIX, para, finalmente, publicarem livros. Com o passar do tempo, essa espécie de publicação ampliou seus horizontes, saindo daquela “literatura desejável para senhoras” para abarcar, praticamente, qualquer assunto de autoria masculina. Mulheres escritoras passaram a tematizar em suas narrativas temas tabus, como a violência sexual contra mulheres e meninas, a maternidade não romantizada, o envelhecimento, o erotismo e a saúde mental, entre outros. Merece, também, uma atenção especial o papel desempenhado por jornais e revistas dirigidos por mulheres, como é o caso de O Jornal das Senhoras, fundado e dirigido por Joana Paula Manso de Noronha, O Sexo Feminino, de Francisca Senhorinha da Motta Diniz, A Família, de Josephina Alvares de Azevedo ou A Mensageira, de Presciliana Duarte de Almeida, para citar apenas alguns. Destacou-se o Rio Grande do Sul em dois aspectos: por publicar o primeiro jornal fundado e dirigido por uma mulher e pelo mais longevo periódico feminino do Brasil. No primeiro caso, trata-se de Maria Josefa Barreto que publicou o jornal político Belona Irada contra os Sectários de Momo; no segundo, do periódico O Corymbo, que perdurou por 60 anos, entre 1884 e 1944, fundado pelas irmãs Revocata Heloísa de Mello e Julieta de Mello Monteiro e dirigido por Revocata até seu falecimento. A trajetória das escritoras foi bastante árdua, pois precisaram vencer uma série de preconceitos, desde as restrições de pais, maridos e filhos, até a rejeição de outras mulheres. Superando esses entraves, as autoras destacaram-se, tendo recebido prêmios expressivos, como o Prêmio Nobel de Literatura, ou para língua portuguesa, o Prêmio Camões, ou, ainda, no Brasil, o Prêmio Jabuti. A partir dessas considerações, este simpósio acolhe propostas de comunicação que versem sobre: obras escritas por mulheres brasileiras ou hispano-americanas, desde o século XIX até a contemporaneidade, que contemplem o acesso aos direitos civis, à educação, à dignidade e à liberdade de expressão. Também serão bem-vindos trabalhos relativos ao gênero insólito, à fantasia, à imprensa e à decolonialidade, escritos por mulheres.
Palavras-chave: Escrita de mulheres; imprensa; insólito.
Vânia Ma F.Vasconcelos – UECE
Marília Nogueira Carvalho – UECE
Maria do Socorro Pinheiro – UECE
O presente Simpósio Temático acolherá trabalhos que versem sobre narrativas ou textos poéticos de autoria feminina que trabalhem com o tema da maternidade em autoras de qualquer época. Compreendemos que, sobretudo a partir da discussão levantada por Badinter, que defende que o interesse da mãe pelo filho, longe de ser um sentimento natural e incontrolável, varia de acordo com os costumes de cada época, as escritoras tem, quase sempre, abordado o tema a partir de uma visão não romantizada, expressando a complexidade que tais relações estabelecem, inclusive trazendo temas relacionados à experiência das relações maternas, tais como o abandono, a depressão, o envelhecimento, a solidão, a sobrecarga social e econômica, a culpabilização, entre outros. O século XX foi um período de organização, divulgação e resgate da literatura escrita por mulheres, estudada hoje como componente fundamental na expressão da cultura brasileira. A maternidade, compreendida hoje como algo imposto culturalmente e romantizada na experiência que proporciona, tem levado as escritoras a criarem enredos e versos que discutem mais profundamente as repercussões de ser ou não ser mãe no mundo contemporâneo, assim como a refletirem sobre os sentidos e aspectos dessa escolha ou imposição ontem e hoje. As personagens transitam por posturas diversas diante das questões que envolvem a maternagem, já que esse é um tema que interessa como discussão à toda sociedade, mas que pertence como decisão às mulheres. Portanto, considerando que a relação das mulheres com a maternidade consiste em um tema complexo sob o aspecto psicanalítico, social ou político, que ainda foi pouco abordado pela crítica literária feminista, embora comece a transbordar de variedade e importância na escrita de mulheres, propomos discutir essas escritas neste simpósio temático.
Cronograma de Inscrições e Retornos
Até 30/04/2026 - Submissão de propostas para participação em Simpósio temáticos, na modalidade de apresentação de pôster (Discentes de graduação)
10/05/2026 - Carta de aceite pelo comitê científico
15/05/2026 - Inscrição (1a chamada)
15/06/2026 - Inscrição (2a chamada)
15/07/2026 - Inscrição (3a chamada)
15/09/2026 - Publicação da programação completa
15/10/2026 - Publicação do caderno de resumos
09/11/2026 - Início do evento
15/03/2027 - Prazo para submissão de texto para os anais do evento