Minicurso 1
Escrita de mulheres e diversidade sexual: representações e autorias
Prof. Dr. Carlos Eduardo Albuquerque Fernandes (UFAPE)
Partindo da reflexão de Gayatri Spivak de que determinados grupos subalternos não tem direito a voz, este minicurso consiste numa reflexão inicial de como a escrita de mulheres foi porta voz das minorias homoafetivas (gays e lésbicas) e transgêneros nos primeiros movimentos da literatura brasileira (século XIX e XX, nesse primeiro momento, vamos investigar como a escrita das mulheres foram representações positivo-afirmativas desses grupos subalternos e em seguida passar a observar, a partir do século XX, a escrita de mulheres lésbicas e de mulheres trans. Em tempo, ainda partilharemos sobre categorias específicas dos estudos feministas aplicadas em textos literários brasileiros.
Objetivos: a) Breve estudo panorâmico das relações entre a literatura brasileira e os feminismos e osestudos de gênero; b) Leitura e interpretação de contos e poemas de autoria feminina que configuram e problematizam o tema da diversidade sexual; c) Discussão de conceitos como: corpo, sexualidade, heterossexualidade compulsória, armário
Minicurso 2
Wirî’sanyamî – As mulheres indígenas na literatura
Prof. Dra. Sonyellen Fonseca Ferreira Fiorotti (UFRR)
Neste minicurso iremos abordar as vozes das mulheres indígenas na poesia brasileira. De vozes silenciadas e mortas pela literatura considerada canônica em obras como O Uraguai (Basílio da Gama), Caramuru (Santa Rita Durão), Iracema (José de Alencar) até as vozes de autoras como Eliane Potiguara, Graça Graúna, Ellen Lima, Trudruá Dorrico, Márcia Kambeba, Sony Ferseck, Vanessa Sagica, Bernaldina José Pedro e Ita Tabajara que versam sobre a retomada identitária, a presença das línguas indígenas, a reconexão com os saberes ancestrais e o diálogo com a chamada contemporaneidade. Iremos discutir como as mulheres indígenas vêm resistindo desde 1500 através de poderosos meios: a arte e o afeto.
Minicurso 3
Dramaturgias de língua francesa de autoras do Sul global: leitura e criação contra a violência de gênero
Prof. Dra. Josilene Pinheiro Mariz (UFCG)
Pensar a violência contra a mulher na literatura deve integrar as ações de professores, estudantes, pós-graduandos e demais pesquisadores, diante de números alarmantes que exigem enfrentamento. No Brasil e no mundo, políticas públicas têm sido implementadas a fim de dar um fim a este mal social. Mas, como abordar esse flagelo no ensino de literatura? Ora, a sala de aula de literatura é um espaço privilegiado para debates e reflexões. Quando trazemos a dramaturgia para esse espaço, percebemos uma possível potencialização das discussões, sobretudo, quando pensadas pelo viés do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal. Para o dramaturgo brasileiro Augusto Boal, quando o espectador deixa a passividade e se torna espect-ator, engajando-se na ação, abre-se a possibilidade de construção de caminhos emancipatórios (Boal, 1996). Neste minicurso, abordaremos o tema da violência contra a mulher a partir de uma seleção de peças teatrais de dramaturgas de língua francesa da conhecida Francofonia-Sul. O propósito é instigar os/as leitores/as participantes a identificarem formas diversas de violência contra a mulher, muitas vezes estruturais e, portanto, quase imperceptíveis para que sejam combatidas. A partir do corpus selecionado, traduzido para o português, composto por excertos de peças de espaços geográficos diversos, propomos leitura dramatizada em um primeiro momento; e, em seguida, provocamos o grupo à produção de escrita criativa. Estes dois procedimentos, provocados pela leitura das obras são fundamentais para se provocar espec-atores e encontrar caminhos para superar esse infortúnio que atinge mulheres de todas as idades, raças e classes
Palavras-chave: Violência contra mulher; Teatro do Oprimido; Emancipação social.
Minicurso 4
Tensões poéticas e políticas na literatura de mulheres negras no Brasil e na América Latina
Prof. Dr. Paulo Valente (UEMA)
Este minicurso propõe uma reflexão crítica sobre as formas de representação da violência na escrita de mulheres negras, tomando como recorte produções literárias do Brasil e da América Latina contemporânea. Parte-se da compreensão de que a violência, longe de ser apenas temática, constitui um operador estético e político que atravessa as narrativas, conformando modos específicos de enunciação, memória e resistência. O curso buscará analisar como diferentes autoras elaboram, tensionam e ressignificam experiências de violência, seja colonial, racial, de gênero e de classe, por meio de estratégias narrativas que desestabilizam o cânone e interrogam regimes hegemônicos de representação. Serão discutidos obras que evidenciam tanto a inscrição do trauma quanto a construção de epistemologias insurgentes, nas quais o corpo, a memória e o território assumem centralidade. Do ponto de vista teórico-metodológico, o minicurso dialoga com perspectivas dos feminismos negros e decoloniais, privilegiando abordagens que compreendem a literatura como espaço de disputa simbólica e produção de conhecimento. Ao articular análise textual e debate crítico, pretende-se não apenas mapear recorrências temáticas, mas também evidenciar a potência estética dessas escritas na reconfiguração do imaginário social. Como resultado, espera-se contribuir para o fortalecimento de leituras críticas comprometidas com a ampliação do cânone e com o reconhecimento da literatura de mulheres negras como campo fundamental de elaboração política e estética na contemporaneidade.
Palavras-chave: feminismos negros. Feminismos decoloniais. Literatura brasileira. Literatura latinoamericana