Essa reflexão se faz urgente em um panorama em que os arranjos tradicionais de intervenção urbana se mostram defasados perante as sucessivas crises de ordem política, econômica e socioambiental. Nas realidades do Sul Global, esses cenários críticos se traduzem em processos severos de segregação espacial, vulnerabilidade nas margens urbanas e marcas persistentes de subordinação colonial e econômica. Sob essa ótica, as correntes do urbanismo subalterno e as táticas de planejamento insurgente ganham força ao descentralizar as referências teóricas eurocêntricas e norte-americanas, direcionando o olhar para o potencial de mobilização comunitária, para a autonomia das periferias e para as ações coletivas cotidianas como instâncias válidas de construção da cidade.