GRUPOS DE TRABALHO 📚
O XIII SFS tem como objetivo fomentar o debate e o intercâmbio acadêmico entre estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento.
Confira abaixo quais são os GTs propostos para este ano.
GT 01: Violência de Estado e Desigualdades Raciais
Coordenadores: Juliana Vinuto, Helbson de Ávila, Ana Faulhaber e João Vitor Duarte
Este Grupo de Trabalho pretende reunir resultados parciais ou finais de pesquisas que explorem as múltiplas manifestações que surgem na interface entre desigualdades raciais e violência, com especial atenção ao papel do Estado na produção de violências raciais, às ações de movimentos sociais engajados na denúncia dessas práticas estatais e às políticas públicas que, direta ou indiretamente, contribuem para o enfrentamento ou para a perpetuação da violência racial. Assim, este GT espera contribuir com a virada antirracista nos estudos sobre violência, crime e punição no Brasil (Sinhoretto, 2021) ao enfrentar, com seriedade, a centralidade da dimensão racial na análise da violência de Estado. Valorizaremos abordagens teóricas e metodológicas que permitam complexificar a compreensão das formas pelas quais instituições estatais exercem violência racial, seja por meio da vigilância, do encarceramento, da punição ou, em muitos casos, da letalidade.
GT 02: Educação e desigualdades
Coordenadores: André Vieira e Thiago Matiolli
O papel decisivo da educação como mediadora entre origens e destinos sociais tem sido objeto de longa tradição de estudos sociológicos. Como critério para determinar recompensas sociais como renda, prestígio e poder, os sistemas educacionais constituem elemento central para entender as múltiplas formas de desigualdades nas sociedades contemporâneas. O GT pretende reunir trabalhos que contribuam para o avanço teórico e empírico sobre a relação entre educação e desigualdades, sobretudo no contexto das políticas de expansão e diversificação educacional implementadas nas últimas décadas no Brasil. Também serão acolhidas pesquisas voltadas à formação de professores e ao papel da sociologia na educação básica, reconhecendo esses campos como fundamentais para a compreensão das dinâmicas educacionais e dos desafios para a redução das desigualdades.
GT 03: Pensamento social
Coordenadores: Alessandro Leme, Lucas Carvalho e Patrick Silva dos Santos
A área de pesquisa em Pensamento Social investiga temas centrais da sociedade brasileira — memória, desigualdade, identidade, democracia e justiça social — por meio de diversas modalidades de produção cultural (ensaios visuais, literatura, música, mídias digitais, intervenções urbanas etc.) e em diálogo permanente com os debates teóricos e políticos atuais. O GT propõe revisitar as tradições críticas do pensamento social brasileiro ao mesmo tempo em que incorpora perspectivas emergentes de renovação teórica e metodológica. Dessa forma, queremos criar um espaço de reflexão e debate que articule fronteiras disciplinares, estimule proposições teóricas originais e realce o papel das ideias, da cultura e dos intelectuais na formação das narrativas e das práticas sociais no Brasil contemporâneo.
GT 04: Teoria da Memória e Movimentos Sociais
Coordenadores: Joana D’Arc Ferraz, Fernanda Cristina de Andrade Santos e Samuel Farias da Silva
O objetivo deste GT é abrir debates acerca das diferentes correntes da teoria da memória, no campo da teoria social. Problematizar o conceito de memória e as suas vinculações com as lutas políticas contemporâneas na (re)construção das (re)existências comunitárias. Analisar a produção da memória coletiva , a partir de uma perspectiva ética-poética-política-pedagógica-econômica.
GT 05: Raça e classe: políticas de rua e políticas de Estado
Coordenadores: Flavia Rios, Cristiane Lourenço e Rafael Souza
Esse GT visa discutir pesquisas e experiências que versem sobre políticas no sentido amplo, com ênfase nas formas de atuação coletivas nas ruas e nos gabinetes. O GT está interessado em receber pesquisas sobre protestos, mobilizações, ações e iniciativas populares e coletivas nas cidades brasileiras, que envolvam a dinâmica de raça e classe. Ao mesmo tempo, se interessa por políticas governamentais que apresentem desenhos, implementação e avaliação de políticas públicas de cunho étnicorracial. Serão bem-vindas pesquisas em andamento ou já concluídas, relatos de experiências, planos, projetos e programas que abordem a temática proposta.
GT 06: Sociologia digital e política
Coordenadores: Jair de Souza Ramos e Marcos Otavio Bezerra
Este Grupo de Trabalho se dedica às pesquisas sobre as tecnologias digitais de comunicação, as práticas políticas, suas relações mútuas e seus efeitos na configuração de socialidades, modos de subjetivação e relações de poder. Essas tecnologias são, simultaneamente, um produto social e um ator em redes sociotécnicas e políticas. O que supõe: 1) como os media digitais são estruturados social e culturalmente e, ao mesmo tempo, participam da estruturação da sociedade e da cultura, prestando particular atenção às articulações de gênero e às lutas políticas; 2) os media não são apenas um conjunto de tecnologias com as quais os agentes lidam segundo sua vontade, ao contrário, essas tecnologias estão organizadas em formatos institucionais, a exemplo das plataformas e aplicativos, também perpassadas por finalidades econômicas e políticas que impactam os modos pelos quais os agentes utilizam mídias digitais. A partir desse último ponto, busca-se ainda compreender o impacto da produção e do armazenamento de grandes volumes de dados – big data – em diferentes esferas sociais, bem como na circulação e recepção do conhecimento científico e modos de percepção do mundo social.
GT 07: Sociologia econômica
Coordenadores: Cristiano Monteiro e Maria Carolina Barcellos
O GT visa reunir pesquisadoras/es que trabalham com teorias e conceitos relacionados à subárea da Sociologia Econômica, enfatizando abordagens que incorporem as dimensões sociais, políticas e culturais da economia. O GT privilegia a recepção de trabalhos que combinem pesquisa empírica com análise teórica e valoriza a diversidade teórico-metodológica que tradicionalmente caracteriza os eventos de Sociologia Econômica. O GT contempla temas como dinheiro(s) e finanças, redes econômicas, inovação, capitalismos comparados, setores econômicos, desenvolvimento, sistemas transnacionais de produção, moralidades e economia, financeirização, mercados de trabalho e organizações.
GT 08: Sociologia da Violência: Intersecções de Raça, Gênero, Classe e Território
Coordenadores: Carolina Grillo
Este GT se dedicará às pesquisas prontas ou em andamento que abordem de forma central a relação entre raça, racismo, gênero, classe e violência urbana, focando assim em fomentar abordagens que ainda seguem marginalizadas tanto no campo da Sociologia da Violência, quanto na de Raça. O objetivo, assim, é que se fale das produções de conflitos e opressões no meio urbano, bem como outras configurações territoriais, a partir de uma perspectiva interseccional que não marginalize as estruturas de poder centrais das relações sociais brasileiras em prol de uma sociologia sobre violência ensimesmada.
GT 09: Religião, Política e Moralidades
Coordenadores:. Christina Vital e Raphael Bispo
A Religião é um tema recorrente em obras de cientistas sociais ao longo da história. Entre os clássicos teve centralidade seja para a explicação das categorias fundamentais da sociedade, para sua organização e coesão, seja como elemento chave na produção de éticas e disciplinas que forjaram condições de possibilidade para o crescimento do capitalismo no ocidente, sobretudo ultramarino. A religião também foi associada à dominação estatal, ao que é sagrado e público, à ação racional ou à paixão. Além disso, o fenômeno religioso também serviu para a constituição da dimensão moral das sociedades estudadas pelos pesquisadores: os ideários de certo e errado, bom e ruim ou bem e mal tiveram sempre na religião um de seus principais alicerces. Com as situações que se impuseram à agenda pública internacional ao longo das primeiras décadas do século XX até meados dos anos 1970, a religião como objeto sofreu declínio nas abordagens de cientistas sociais, especialmente, sociólogos. No entanto, na atualidade a religião novamente emerge como elemento vigoroso para a análise de diferentes dinâmicas sociais, sendo identificada ora a diferentes problemas públicos contemporâneos no Brasil e no mundo ora como força motriz na defesa de justiça social e democracia. Neste Grupo de Trabalho temos como objetivo contemplar estudos no âmbito das Ciências Sociais cuja atenção recaia sobre as interfaces entre religiões (instituições e tradições, discursos e líderes religiosos, organizações e associações para eclesiásticas), política (institucional, eletiva ou movimentos sociais) e moralidades (condutas, comportamentos, ideários, processos de subjetivação, emoções). Sendo assim, interessam as pesquisas empíricas, documentais e bibliográficas originais, concluídas ou em curso, sobre os mais diferentes grupos religiosos em suas dimensões doutrinárias, teológicas, ritualísticas, institucionais em combinação ou contraposição à política institucional ou organizada na forma de movimentos sociais à esquerda ou à direita. Interessam também neste grupo de trabalho as pesquisas que levam em consideração as condutas éticas dos sujeitos, em especial aquelas que tangenciam as temáticas de gênero e sexualidade como componentes fundamentais de retorno da ordem, da unidade e da segurança, como vemos no âmbito da retórica da perda de “masculinidades viris” articulada por atores políticos (religiosos ou não) no Brasil pós-2018. O locus fundamental da idealização, produção e/ou execução dessas imbricações podem ser as cidades, as regiões interioranas ou os espaços virtuais. Os arranjos não evidentes na literatura especializada até então são objeto de grande interesse no debate que pretendemos estabelecer no âmbito deste grupo de trabalho que integra as reflexões conduzidas no LePar – Laboratório de estudos socioantropológicos em política, arte e religião (UFF)
GT 10: Sociologias da Natureza, da Terra e do Meio Ambiente
Coordenadores: André Dumans Guedes, Bruno Telles e Valter Lúcio Cardoso
Ainda que tardiamente, as questões relativas ao “meio-ambiente”, à “ecologia” ou à “natureza” vêm ocupando crescente atenção dos sociólogos. Esses tópicos têm sido abordados pela disciplina a partir de objetos diversos: os avanços das fronteiras de acumulação capitalista; o agronegócio, as plantations e o neoextrativismo; os conflitos socioambientais e os efeitos nocivos de empreendimentos e projetos de desenvolvimento; as lutas de atingidos, indígenas, quilombolas, pescadores, povos e comunidades tradicionais; os racismos e desigualdades socioambientais; as formas de governo e as políticas públicas do meio ambiente; a transição ecológica e a economia verde; as diversas apropriações e transformações dos discursos, práticas e instituições ecológicas; os efeitos das pandemias; as catástrofes climáticas e o aquecimento global; o “Antropoceno”, o “Capitaloceno” e o “Plantationoceno”; as relações entre terra, território e a Terra; as relações humano-animal (e os agenciamentos e composições entre humanos e nãohumanos); os estudos da ciência e tecnologia; as problematizações dos grandes divisores “naturalizando” a separação entre natureza, de um lado, e cultura e sociedade, de outro; os encontros entre a questão ambiental e a questão colonial. Todos esses temas nos interessam, e convidamos os estudantes trabalhando com eles a nos apresentarem propostas para esse GT.
GT 11: Sexo, gênero e desigualdades
Coordenadora: Verônica Toste Daflon
Esse Grupo de Trabalho convida discussões teóricas e empíricas sobre sexo, gênero, poder e desigualdades. Valorizamos desde pesquisas sobre desigualdades e as relações sociais cotidianas até trabalhos que se debruçam sobre o problema nas organizações, instituições, mercado e cotidiano. O GT recebe trabalhos de diversas orientações teóricas e metodológicas, privilegiando o olhar sociológico para os processos, mecanismos e materialidades. As temáticas podem abordar a divisão sexual do trabalho, o controle da reprodução, a guerra, a violência, as políticas públicas, o ordenamento legal e assim por diante.