Desde os primeiros exemplares surgidos em finais do século VII a.C. entre os gregos e os lídios até as versões mais recentes em forma de bitcoins, a moeda possui uma longa trajetória junto às sociedades humanas. Além de medida de valor, aglutinadora de riquezas e meio de pagamento, ela também carrega os traços culturais do contexto em que foi produzida. Tradicionalmente, uma moeda é um disco metálico com gravuras e eventuais legendas. Originada no ambiente grego, se espalhou em uma velocidade razoável por todo o Mediterrâneo durante a Antiguidade, alcançando as terras orientais. Muito cedo, se tornou um veículo de construção de identidades, expressão de religiosidade e instrumento de propaganda política, auxiliando a fomentar alianças ou rivalidades. A Numismática, nesse sentido, é uma área da produção de conhecimento que se dedica ao estudo da moeda, considerando suas características físicas e contexto de produção e circulação.
Em 2018, foi realizado o O I Congresso Internacional de Numismática – Novos diálogos e perspectivas na Universidade de São Paulo. O evento promoveu debates atualizados com especialistas nacionais e internacionais sobre a área, relacionando-a com os mais diversos temas, como Economia, Política, Religião, Humanidades Digitais e Colecionismo.
O evento terá sua 2º edição entre os dias 23 e 26 de abril de 2024, também na Universidade de São Paulo. O II Congresso Internacional de Numismática – Moedas em contexto: abordagens históricas e arqueológicas tem como proposta trazer ao público brasileiro os estudos mais atuais nessas duas áreas de conhecimento, a Numismática e a Arqueologia, ambas em interface com a história da Antiguidade.
Destaca-se que Arqueologia é a ciência que possui como objeto de estudo a cultura material, os artefatos fabricados pelo homem e as transformações humanas na natureza. Com isso, a moeda se tornou uma fonte de vastas e preciosas informações. Por outro lado, desde o século passado a História vem incorporando a cultura material como uma evidência capaz de fornecer elementos para a construção dos fatos históricos, de modo que as moedas tornaram-se também documentos relevantes para os historiadores.
O Congresso objetiva reunir pesquisadores renomados internacionais e nacionais no estudo da Numismática; congregar pesquisadores de Numismática antiga que atuam no Brasil; ampliar a colaboração entre os pesquisadores brasileiros e estrangeiros; expandir o debate sobre a Numismática antiga na Academia Brasileira; reunir numismatas, arqueólogos e historiadores para discussões aprofundadas em temas sociológicos; inserir o debate numismático no campo da Arqueologia Global na Academia Brasileira; contribuir para a interação de alunos de graduação e pós-graduação com pesquisadores renomados estrangeiros.
O campo da Numismática continua em crescimento no Brasil. O país possui importantes coleções de moedas antigas salvaguardadas em várias instituições e ainda um atuante mercado privado de colecionadores e pesquisadores independentes. Universidades e centros de pesquisa abrigam pesquisadores e docentes com pesquisas no campo da Numismática e da Arqueologia, em nível de pós-graduação, graduação e extensão. Torna-se assim necessário um diálogo permanente da produção nacional com a academia internacional visando dar visibilidade aos trabalhos que sem sendo feitos no Brasil e fomentar novas propostas de atuação e novos projetos de investigação em território nacional.
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Há possibilidade de hospedagem e alimentação na USP para inscritos de outros estados e do interior de São Paulo. Para tirar dúvidas, entre em contato pelo e-mail: vagnerporto@usp.br