Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ofertada pela Unidade Acadêmica de Educação (UAE) do Centro de Formação de Professores (CFP), nasce do compromisso histórico da universidade pública com a democratização do acesso ao ensino superior e com a garantia do direito à educação para as populações do campo. Sua criação resulta do diálogo entre a trajetória institucional da UFCG na formação de professores e das lutas empreendidas pelos povos do campo, das águas e das florestas em defesa de uma educação vinculada aos seus territórios, culturas, formas de trabalho e modos de vida.
A implementação do curso responde aos desafios históricos vivenciados no Alto Sertão Paraibano, região marcada por profundas desigualdades sociais e educacionais, pelo fechamento sistemático de escolas do campo, pela nucleação de unidades escolares, pelo deslocamento diário de estudantes para os centros urbanos e pela insuficiência de políticas públicas voltadas à formação específica de professores para atuar nas escolas do campo. Esses processos comprometem o direito à educação, enfraquecem os vínculos comunitários e contribuem para o êxodo rural, afetando diretamente as condições de permanência das populações em seus territórios.
Inserido em uma região estratégica do Nordeste brasileiro, o Centro de Formação de Professores da UFCG possui uma consolidada tradição na formação docente, atendendo, há mais de quatro décadas, às demandas educacionais do Alto Sertão Paraibano e de municípios dos estados da Paraíba, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Nesse contexto, a Licenciatura em Educação do Campo amplia o compromisso institucional da UFCG e da Unidade Acadêmica de Educação com a formação de educadores comprometidos com a justiça social, a valorização dos territórios campesinos e o fortalecimento das escolas públicas do campo.
Mais do que formar professores, a LeCampo assume o compromisso político de contribuir para a construção de um projeto de desenvolvimento territorial que reconheça o campo como espaço de produção de conhecimentos, de cultura, de trabalho, de identidade e de vida. A formação oferecida pelo curso fundamenta-se na compreensão de que a Educação do Campo deve articular os conhecimentos científicos aos saberes produzidos pelas comunidades, valorizando as experiências dos agricultores familiares, assentados, povos tradicionais, quilombolas, pescadores artesanais e demais sujeitos que produzem suas condições materiais de existência no campo.
Organizada em Regime de Alternância, por meio da articulação entre Tempo Universidade e Tempo Comunidade, a Licenciatura possibilita que os processos formativos permaneçam vinculados às realidades vividas pelos estudantes, fortalecendo a relação entre universidade, escolas, comunidades, associações, cooperativas e movimentos sociais. Essa organização pedagógica reafirma o compromisso da UFCG com uma formação contextualizada, crítica e socialmente referenciada, capaz de produzir conhecimento comprometido com a transformação da realidade e com a permanência digna das populações em seus territórios.
A LeCampo reafirma, ainda, o compromisso institucional da UFCG e da Unidade Acadêmica de Educação com a defesa das escolas do campo como patrimônio social, cultural e educativo das comunidades rurais. Em um contexto nacional marcado pelo fechamento dessas escolas, o curso compreende que defender a Educação do Campo significa defender o direito de crianças, jovens e adultos de aprenderem em seus territórios, fortalecendo suas identidades, sua participação política e suas possibilidades de desenvolvimento humano. A escola do campo não constitui apenas um espaço de escolarização: ela representa um elemento estruturante da organização comunitária, da cidadania, da permanência das famílias no campo e da construção de projetos coletivos de futuro.
Por essa razão, a Licenciatura em Educação do Campo orienta suas ações de ensino, pesquisa e extensão pela defesa da vida no campo, compreendendo que a melhoria da qualidade da educação está indissociavelmente ligada à ampliação das condições materiais de existência dos povos do campo. Formar professores para as escolas do campo significa contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar, da economia solidária, da agroecologia, da organização comunitária e das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à justiça social. É nessa perspectiva que a LeCampo afirma um princípio que sintetiza sua identidade político-pedagógica: escola no campo é vida. Porque onde existe escola, existem possibilidades estratégicas de permanência das famílias no Campo, produção de conhecimentos, fortalecimento das comunidades, instância de mobilização territorial, afirmação de direitos e construção de futuros para os Povos do Campo.
A Coordenação de Curso