Um vislumbre sobre a realidade das pessoas trans no Brasil e a sua luta por reconhecimento em uma sociedade contraditória.
Artigo por Thyago Murad.
Rio de Janeiro, 2025
Quando se fala em pessoas transsexuais, muitos já possuem um estereótipo pronto em mente, apesar disso poucos sabem como é a vivência e os contrastes que marcam as vidas de pessoas trans, especialmente em um país com as dimensões e a diversidade populacional e cultural características do Brasil. Hoje, estima-se que há cerca de 3 milhões de indivíduos transgênero ou não-binários vivendo em todo o território nacional, o que corresponde a cerca de 2% da população brasileira, segundo publicação da Agência Brasil, contudo, apesar do número expressivo, essa comunidade é tida como uma das mais vulneráveis socialmente na contemporaneidade.
Para muitos sinônimo de “promiscuidade”, “imoralidade”, de pecado e até mesmo considerados uma “ameaça direta à formação tradicional familiar normativa”, segundo comentários de internautas nas redes sociais, a realidade é que a população transgênero brasileira vive em extrema situação de vulnerabilidade social. De acordo com a ANTRA, Associação Nacional de Travestis e Transexuais, o Brasil ocupou até 2024 o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos de pessoas trans por 17 anos consecutivos e específicamente no ano de 2023, foram registrados 145 atentados contra as vidas de indivíduos transgênero. Já em 2024, foram relatados 122 assassinatos de pessoas trans, registrando uma queda de 16% em relação ao ano anterior.
Ainda em seu documento oficial, a ANTRA destacou que há inconsistência na coleta de dados oficiais sobre a comunidade LGBTQIAPN+, bem como uma questão de ‘subnotificação’ de crimes cometidos contra esse grupo, especialmente quando se trata da população transgênero. Apesar disso, o órgão afirma que os registros oficiais apontam que os anos nos quais houve o maior número de óbitos de pessoas trans devido à criminalidade foram 2017 e 2020, respectivamente com 181 e 175 casos.
A pesquisa ainda se aprofundou sobre outros fatores que influem na criminalidade contra pessoas transgênero, constatando que questões como idade, raça e condição social das vítimas são, além da transgeneridade, fatores determinantes para que indivíduos tenham suas vidas ceifadas. O relatório produzido pela ANTRA aponta o racismo e a etnia como o segundo maior motivador para que os atentados viessem a ocorrer. Segundo a publicação, 66% das vítimas trans de assassinatos em 2024 eram pessoas pretas, com a idade média de 32 anos de vida e em sua maioria, com a prostituição como fonte de renda. Outro ponto observado pela publicação foi que, em 2024, das 122 vítimas, 117 eram mulheres trans ou travestis, enquanto os outros 5 eram pessoas transmasculinas.
Imagens: Reprodução / Dossiê ANTRA 2025
Esses dados contrastam diretamente com as pesquisas feitas e divulgadas por plataformas de conteúdo adulto, uma vez que anualmente os maiores sites de conteúdo pornográfico do mundo realizam listagens relatando quais foram as categorias mais buscadas nessas plataformas, elencando também os países que mais acessam esses vídeos. Segundo essas listas, o Brasil é o país que mais busca os termos ‘shemale’, ‘transgender’ e ‘ladyboy’ no mundo, palavras que fazem referência direta às mulheres trans, liderando também as buscas pelas terminações travesti e ‘travesti brasileira’. Ainda de acordo com as plataformas, alguns dos vídeos chegam a cifras de acessos impressionantes em terras tupiniquins, como 1 milhão acessos no Red Tube, 20 milhões no PornHub e 50 milhões no XVídeos.
Os estigmas e a falta de conhecimento que cercam a existência de pessoas trans afetam diretamente a posição dessa fatia da população no cotidiano, uma vez que muitos desconhecem o caminho que esses indivíduos percorrem para simplesmente afirmarem a sua cidadania, garantirem os seus direitos básicos e conseguirem sobreviver.
A transição de gênero não é algo simples e muito menos linear, de forma que pode se desenvolver de maneiras distintas e singulares para cada indivíduo. Geralmente, esse ciclo envolve a autodescoberta e o entendimento dos indivíduos transgênero como tal, o que pode ocorrer de forma independente ou com a ajuda de psicoterapia, e um processo médico que pode envolver uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde a fim de iniciar os cuidados básicos necessários para assegurar uma transição segura.
A assistente social Marcia Brasil, coordenadora do serviço ambulatorial de atendimento às pessoas trans na UERJ, aponta que um dos principais desafios encontrados por indivíduos transgênero é encontrar um atendimento especializado para darem atenção aos cuidados primários no início da transição, que incluem a psicoterapia e a hormonização. Segundo a profissional, o acompanhamento psicossocial é parte imprescindível dos cuidados para qualquer indivíduo transsexual.
“O acompanhamento psicossocial é fundamental para o bem-estar emocional das pessoas trans. A terapia não é apenas para laudar, mas para cuidar das pessoas, porque a vivência da transfobia e das violências aumenta o sofrimento dos indivíduos trans e o acompanhamento psicossocial contribui para que eles se sintam mais fortes, mais seguros, e consigam lidar melhor com esses obstáculos que possam encontrar no dia a dia”, reforça a assistente social. Brasil também aponta que o uso de nome social, da retificação de nome e das documentações de identificação é de suma importância para as pessoas trans, uma vez que as resguarda de passar por situações desconfortáveis no cotidiano, além de poder ser feito de forma gratuita em muitos locais.
Falando sobre a hormonização, que assim como a psicoterapia é um dos processos considerados vitais para o bem-estar de indivíduos transgênero, a terapia hormonizante é o que garante que aconteça o alinhamento entre as características biológicas, físicas e a identidade de gênero de um indivíduo, dando o pontapé inicial nas alterações corporais através do auxílio da administração dos hormônios progesterona e testosterona, juntamente com um bloqueador de hormônio, segundo a Dra. Angela Regina Nazario, médica endocrinologista e professora da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná. A profissional da saúde aponta que através do tratamento hormonizante, um indivíduo trans consegue desenvolver características físicas do gênero com o qual se sente identificado.
A médica também explica que nos dias atuais o tratamento de hormonização é mais acessível e é possível que indivíduos transgênero encontrem ambulatórios para realizar o seu acompanhamento básico e especializado em diversos locais do país através do SUS. A profissional reforça que a terapia hormonizante é um processo que deve ser feito de forma vitalícia e é imprescindível contar com acompanhamento profissional, jamais recorrendo à automedicação.
“A automedicação é um processo muito arriscado, eu o desaconselho totalmente. É importante que a pessoa passe por uma boa avaliação hormonal e de doenças pré-existentes para evitar situações que podem fazer com que o tratamento seja mais delicado. Um médico precisa acompanhar esses pormenores e por isso, é de suma importância esse acompanhamento”, adverte a endocrinologista.
Bernardo Ribeiro, de 33 anos, morador de Petrópolis, interior do Rio de Janeiro, e editor de imagem, iniciou o seu processo de transição aos 19 anos, em 2011, quando ainda morava no interior do Espírito Santo, mas apenas conseguiu ingressar no tratamento de hormonização posteriormente.
O editor de imagem, que leva pouco menos de 15 anos vivendo com a sua verdadeira identidade de gênero, pontua que no momento em que começou o seu processo de transição, a maior parte das fontes de informação acerca da transgeneridade que estavam disponíveis eram provenientes de conteúdo estrageiro, o que acabou prejudicando a compreensão de seus familiares acerca da jornada pessoal que o então jovem de 19 anos estava enfrentando.
Abaixo, confira o relato de Bernardo acerca do seu processo de hormonioterapia, aceitação familiar e auto aceitação:
Para além da auto aceitação e do suporte de seus familiares, Bernardo descreve que ter se descoberto trans e ido atrás de suporte profissional naquele momento, em 2012, foi complexo. Segundo Ribeiro, o começo de seu tratamento hormonizante foi realizado em uma clínica popular, na qual pode obter assistência psicológica e endocrinológica, mas devido ao pouco conhecimento dos profissionais acerca da transexualidade, foi desafiador.
“A endocrinologista não tinha muito tato, mas ainda assim eu fiquei agradecido por ela conseguir me acompanhar, uma vez que naquela época era muito difícil conseguir algum médico, mesmo no particular, que topasse acompanhar uma transição”, pontua, reforçando como a acessibilidade aos tratamentos e acompanhamento para pessoas trans era dificultoso, ainda que a hormonização seja um processo essencial para a saúde desses indivíduos.
Enquanto algumas publicações, como um artigo publicado na revista SPPA, Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, afirmam que a descoberta sobre a identidade de gênero e a sexualidade se dá ainda na infância e se estende até a adolescência, como foi o caso de Bernardo, que se descobriu aos 19 anos, outros, apontam que não há uma regra sobre quando esse processo deverá ocorrer e é totalmente possível que indivíduos transgênero possam vir a descobrir sua identidade de gênero de forma tardia.
Marcia Rosa, médica e moradora do Rio de Janeiro, iniciou o seu processo de transição apenas aos 29 anos de idade, quando de fato se entendeu como uma mulher transexual, mas já questionava a sua identidade de gênero desde os 19, totalizando 10 anos de incerteza acerca do seu auto entendimento, o que acabou desencadeando um processo de grande conflito psicológico até o momento no qual ela pode realizar a sua transição.
Assista o relato de Marcia narrando o seu processo de descoberta como mulher trans e falando um pouco sobre a sua terapia hormonizante:
Apesar dos percalços causados pelos 10 anos vividos antes de assumir a sua real identidade de gênero, Marcia ressalta que esse período serviu para que ela conseguisse organizar a sua vida pessoal e profissional, para que a mesma pudesse terminar sua graduação e se estabelecer financeiramente de forma independente para então transicionar de forma independizada, uma vez que a profissional da saúde não sabia se teria aceitação familiar durante o processo de transição.
“Acho que foi um privilégio eu poder ter vivido a vida que eu vivi antes de transicionar por poder ter feito uma faculdade, poder ter me estabelecido financeiramente antes de assumir minha identidade de gênero, apesar de estar vivendo como se fosse um personagem, uma pessoa que não representava a mulher que tem dentro de mim. Mas nesse quesito foi um privilégio eu ter podido me estabelecer e ter a minha independência para poder começar a transição um pouco mais tranquila”, revela a médica.
Em relação a sua família, que inicialmente Rosa revelou ter sido motivo de apreensão durante o seu processo de entendimento de sua identidade de gênero, ela destaca ter tido acolhimento e aceitação por parte de seus familiares mais próximos, o que suavizou todo esse processo.
“Eu acreditava que ia ser o fim do mundo quando eu contasse para a minha família que eu era trans e foi exatamente o contrário, foi outra coisa com a qual eu fui privilegiada, eles me aceitaram, principalmente minha mãe e irmã, que são minhas familiares mais próximas. Houve um primeiro momento de choque, mas após isso, tive muita aceitação”, pontua a médica.
Marcia ainda complementa dizendo que o único ponto negativo que consegue pensar em relação à sua transição tardia é a questão da ação dos hormônios em seu corpo. A médica destaca que as mudanças ocasionadas pelo processo de hormonização podem ser um pouco mais lentas em organismos mais velhos, o que dificulta o processo de feminilização do seu corpo. A moça ainda pontua que por conta desse processo, se encontra em um impasse em relação à estética e autoestima.
“Transicionar mais velha afeta especialmente a parte da autoestima, por conta da estética. As mudanças físicas demoram mais para vir, e no meu caso, que estou há um ano fazendo hormonização, é mais complicado ainda”, coloca Rosa.
Abaixo, a Dra. Angela explica os motivos pelos quais o processo de transição e os efeitos da hormonioterapia acabam sendo mais fáceis em indivíduos mais jovens:
Os processos de adequação corporal, que incluem a hormonização, também a transpassam, e são encarados como um caminho natural a fim da obtenção da auto identificação de gênero. Dentre os procedimentos médicos mais invasivos e comuns realizados com este propósito estão a implantação de próteses de silicone, bastante popular entre as mulheres trans, e a mastectomia, procedimento de retirada das mamas, comumente realizado em homens transgênero.
A seguir, Bernardo Ribeiro fala sobre a importância da realização da mastectomia para a construção e afirmação da sua identidade de gênero:
Essas adequações físicas feitas através de intervenções podem frequentemente ser parte da construção da confiança de um indivíduo transgênero, mas também podem atuar como uma espécie de escudo social que os blinda das violências e preconceitos no cotidiano. Isso se dá através da obtenção da ‘passabilidade social’, conceito que transcende os indivíduos transexuais e se traduz como o ato de pertencer a algo, se mesclar socialmente a determinado grupo.
Segundo Bernardo Ribeiro, todos os procedimentos realizados em sua trajetória como pessoa transmasculina, isto é, quando iniciou hormonização até a realização da mastectomia para retirada das mamas, o concederam uma alta passabilidade e uma maior proximidade dos padrões visuais esperados socialmente de um homem. Ribeiro destaca acreditar que se encaixar nesses padrões e se mesclar socialmente diminui de forma significativa as chances de sofrer hostilizações nas ruas.
“A passabilidade me permite ir e vir. O ideal seria que nós não precisássemos disso, que todas as identidades fossem legitimadas por si só, mas sabemos que a realidade para as pessoas trans é muito cruel e a passabilidade diminui as chances de sofrermos hostilidades. Parece que estamos suscetíveis a isso 24 horas por dia, sete dias por semana”, declara Bernardo.
Marcia Rosa também afirma acreditar que apesar do conceito de passabilidade ser algo bastante subjetivo, um indivíduo trans estar dentro das expectativas estéticas esperadas de cada um dos gêneros pode os resguardar de viver situações violentas no cotidiano.
“Eu acredito que a passabilidade ajuda muitas pessoas trans no dia a dia. Eu, como uma mulher trans que considero não ter tanta passabilidade, me vejo como uma pessoa de grande sorte por não sofrer violências mais severas. Mas pessoas falando, risadas e homens gritando a gente tem que se acostumar, colocar o fone de ouvido e seguir a vida”, pontua.
As hostilizações e violências mencionadas por ambos transpassam o âmbito físico e podem se esconder até mesmo nos meandros das interações sociais mais banais. Bernardo, por exemplo, cita já ter vivido situações nas quais teve os seus pronomes de tratamento desrespeitados após informar ser um homem transsexual, mesmo possuindo uma alta passabilidade, fato que afeta a sua estima e o fere. “Sinto que eu posso atingir o máximo de imagem masculina possível e ainda assim não vou estar blindado de sofrer transfobia”, exclama.
A assistente social Marcia Brasil disserta sobre a importância da passabilidade para a comunidade trans, mas também aponta que há aqueles indivíduos que questionam a necessidade de se enquadrar em padrões de gênero a fim de poderem ser aceitas socialmente, mas sim em estarem fisicamente da forma com a qual elas se sentem confortáveis. Ouça abaixo:
Para acessar os procedimentos de alteração física e o processo transsexualizador através do Sistema Único de Saúde, é necessário solicitar encaminhamento especializado após atendimento em uma unidade básica de saúde. De acordo com as diretrizes divulgadas pelo Ministério da Saúde em 2013, qualquer indivíduo maior de 18 anos pode iniciar o processo de acompanhamento psicoterápico e a terapia hormonizante, enquanto os procedimentos mais invasivos, tal qual a cirurgia de redesignação sexual, só podem ser feitos em pessoas com mais de 21 anos.
Confira publicação do site da ANTRA com instruções completas acerca do atendimento médico para indivíduos transgênero. Conheça também uma lista elaborada pelo portal Saúde LQBTQIAPN+ contendo informações e contatos de ambulatórios especializados em atendimento de pessoas trans e centros de acolhimento em todo o país.
Apesar dos procedimentos citados poderem ser acessados de forma gratuita, Marcia Brasil destaca que há uma série de barreiras e entraves burocráticos que, por muitas vezes, impedem a fácil acessibilidade a esses recursos médicos. Por isso, a assistente social destaca que é preciso repensar esse sistema, simplificar os processos e ampliar as unidades de atendimento a fim de proporcionar maior cobertura para aqueles que necessitam, o que amplia a necessidade de se discutir as carências da comunidade transexual.
Se até mesmo a acessibilidade à saúde pode ser algo dificultoso para quem é transgênero devido a falta de informação e uma estrutura limitada da qual pouco se fala sobre, pouquíssimo se tem consciência acerca da importância de levar essa realidade adiante e suscitar discussões acerca dos entraves que cercam estes indivíduos. A representatividade da comunidade trans vem crescendo exponencialmente e vem se discutindo cada vez mais acerca da pauta, especialmente na internet.
Apesar disso, os debates sobre a realidade e as necessidades das pessoas transgênero no Brasil acabam ficando dentro de uma bolha. Marcia Rosa destaca que de acordo com a sua experiência como mulher trans, há avanços que foram conquistados no quesito representatividade, contudo, ainda estamos longe de possuir uma quantidade boa o suficiente de indivíduos trans em espaços diversos. Rosa ainda destaca acreditar que esse trabalho deve começar na política e se estender para a educação e a sociedade.
“A sociedade tem que saber que nós existimos para além dos estereótipos e nos permitir ocupar todos os espaços possíveis, porque podemos ser tudo que a gente quiser, diferente do que nos fizeram acreditar”, conclui.
Bernardo Ribeiro, por sua vez, reconhece que embora haja avanço em relação à questão das representações trans e do tratamento público da pauta, quando se trata de homens trans, a situação é ainda mais insatisfatória. O editor de imagens revela enxergar disparidade na prospecção e visibilidade do recorte dos homens trans na mídia e dentro até mesmo da comunidade LGBTQIAPN+, citando, por exemplo, o movimento ‘Protect the Dolls’, que se popularizou em 2025 e faz referência direta a proteger as mulheres trans. Bernardo cita que por mais necessárias, legítimas e válidas que esse tipo de manifestações sejam, é preciso pensar na inclusão de todos os membros da comunidade trans e garantir visibilidade por igual a fim de que todos possam se sentir representados.
“Desde 2011, quando comecei a minha transição, eu conheci figuras transfemininas, mas não conhecia figuras transmasculinas e ainda hoje, 13 anos depois, eu não me sinto representado de muitas formas, seja na mídia ou até mesmo dentro da própria comunidade”, pontua.
Hoje, o Brasil conta com figuras públicas que levam para a massa o debate acerca das vivências das pessoas transsexuais e é possível encontrar transgêneros, maioritariamente transfemininas, ocupando espaços de poder altamente relevantes para o país, como é o caso das Deputadas Federais Erika Hilton, PSOL, e Duda Salabert, PDT. Hilton, eleita pelo Estado de São Paulo, é tida como uma das maiores referências quando se pensa em representatividade transgênero em espaços de destaque.
Em entrevista à agência ‘Pública’, conduzida por Mariana Correia em 2022, a parlamentar chegou a destacar que há historicamente uma grande falta de mulheres e homens trans como figuras de destaque, o que dificulta a quebra dos estereótipos e paradigmas que a população tem acerca de indivíduos transgênero. Porém, a Deputada pontuou que essa realidade está sendo modificada de forma gradual.
“Nos faltam referenciais positivos, mas creio que estamos em um processo de subverter essa condição que já não pode ser parado ou revertido. Somos muitas que estamos chegando, não sozinhas, em espaços de liderança. Na cultura, na política, na moda, na gastronomia, na educação, na saúde. E não só no Brasil”, colocou Hilton na ocasião.
Específicamente falando do estado do Rio de Janeiro, Dani Balbi, PCdoB, é um grande exemplo de figura relevante para a comunidade trans. Balbi é a primeira Deputada Estadual trans a ser eleita na história do Estado do Rio de Janeiro e um dos principais vocais quando se trata da defesa desta comunidade dentro do território fluminense.
Em um artigo da autoria de Balbi, intitulado ‘Visibilidade Trans: resistência, conquistas e os desafios da luta por direitos’, publicado em 2025 no portal ‘Brasil de Fato’, a parlamentar chama a atenção para o fato de que 78% dos indivíduos transgênero abandonam a escola devido ao que ela chama de ‘transfobia institucional’ e aponta que a expectativa de vida de pessoas trans é em média 30 anos. A Deputada Federal ainda sinaliza que há uma instrumentalização das pautas e costumes tradicionais para atacar as minorias, especialmente a comunidade trans, reforçando as desigualdades e marginalizando cada vez mais esses indivíduos.
Todavia, a Deputada Estadual destaca que apesar disso, houve um crescimento positivo em relação à representatividade ao longo dos últimos anos, indicando que há figuras cujas conquistas pessoais refletem no coletivo desta comunidade, tal qual dito por Erika Hilton, como é o caso de personalidades como a cantora Liniker, que obteve grande destaque na indústria musical ao longo de 2025.
“Diante desse cenário, seguimos resistindo: vivas, fortes e articuladas. Fortalecemos nossos movimentos sociais e reafirmamos a politização de nossas vidas”, pontuou a parlamentar, reforçando a necessidade de seguir discutindo coletivamente acerca dos obstáculos enfrentados por essa comunidade a fim de assegurar melhorias para a mesma.