Embora exista considerável variação no aspecto de pessoas com Síndrome de Down, elas apresentam um grupo de características que ajudam o clínico a fazer um diagnóstico.
Aspectos diferentes na face, os cabelos lisos, as diferenças no tônus muscular, no pescoço, nos pés e nas mãos, a baixa estatura, a hipotonia (o que leva ao atraso e/ou dificuldade da fala), são algumas das diferenças notáveis nos humanos que possuem a síndrome, proporcionado pela ocorrência de um desequilíbrio gênico. Tal fato resulta no excesso de material genético, alterando, dessa forma, o fenótipo. Além disso, existem problemas clínicos peculiares e o indivíduo, provavelmente, terá algum grau de deficiência mental, podendo apresentar comprometimento intelectual e de aprendizado, variando de uma criança para outra. O portador tende a possuir certas patologias do sistema respiratório, cardíaco, endócrino, refluxo esofágico, otites, apneia do sono e tendência à infecções. [1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 10]
Características clínicas e malformações:
braquicefalia;
prega epicântica (dobra de pele da pálpebra superior que recobre o canto interno/medial do olho);
fenda palpebral oblíqua;
hipotonia muscular e o retardo mental em graus variáveis também estão presentes na quase totalidade dos casos da SD.
Distância entre 1º e 2º pododáctilos.
Ponte nasal plana;
Orelha displásica e dobrada;
Boca entreaberta;
Perfil facial plano;
Anomalias dentárias;
Pescoço curto;
Orelha de implantação baixa;
Mancha de Brush Fields (olhos);
Língua com Sulcos;
Palato estreito;
Língua protusa;
Excessiva pele cervical;
Mão curta e curvada -5º quirodáctilo curvado e com falange média curvada hipoplásica- prega palmar transversal e única;
*Figura 16 - Mão de um adulto mostrando uma única dobra palmar transversal. Fonte: Wikipedia
*Figura 17 - Pés com o típico grande espaço entre o dedo grande e o segundo dedo do pé de um menino de 10 anos com Síndrome de Down. Fonte: Wikipedia
Figura 16*
Figura 17*
A grande maioria dos portadores de SD possui retardo mental leve ou moderado, com quociente de inteligência (QI) na faixa de 50–70 (leve) e 35–50 (moderado);
Transtorno de hiperatividade com déficit de atenção;
Distúrbio de conduta e comportamento agressivo são comuns;
O autismo é uma comorbidade que afeta até 7% das crianças com SD;
A doença de Alzheimer (DA) é a mais comum causa de demência associada nesses indivíduos, quando eles alcançam a idade avançada.
A otite média aguda de repetição é muito prevalente, acometendo até 70% das crianças, e tem como principal consequência a perda auditiva.
Problemas visuais:
Erros de refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo);
Estrabismo;
Nistagmo.
Problemas respiratórios:
Frouxidão muscular em orofaringe e músculos faciais;
Obesidade;
Hipertrofia de amígdalas e adenóides, facilitando a ocorrência de obstrução de vias aéreas superiores;
Hipotrofia de faringe.
Figura 18 - Szymon Tomczak, bebê com Síndrome de Down. Fonte: Wikipedia
Malformações encontradas:
defeito de septo atrioventricular completo;
comunicação interventricular;
comunicação interatrial;
defeito de septo atrioventricular parcial;
tetralogia de Fallot;
persistência do ducto arterial.
Problemas dentários:
atraso na erupção dos dentes;
diastema, microdontia;
alta suscetibilidade a doenças periodontais;
incidência aumentada de bruxismo.
hiperqueratose palmoplantar;
dermatite seborreica;
cutis marmorata;
alopecia areata.
hipospadia;
criptorquidia;
câncer testicular;
malformações renais.
Problemas ortopédicos:
Crianças com SD têm risco aumentado de apresentar subluxação atlantoaxial, devido à instabilidade dessa articulação, isto é, uma excessiva mobilidade entre as vértebras C1 e C2.
Problemas imunológicos:
A SD é associada a uma variedade de deficiências imunológicas, que podem estar relacionadas ao aumento da susceptibilidade às infecções, a doenças autoimunes e a neoplasias.
As malformações mais encontradas são:
atresia ou estenose duodenal;
ânus imperfurado;
atresia esofágica com fístula traqueoesofágica.
grande variação na prevalência de hipotireoidismo (4 e 18%);
o risco de diabetes tipo 1 também é aumentado, cerca de três vezes maior do que na população geral;
aumento da prevalência de obesidade.
a policitemia é encontrada em aproximadamente 65% dos recém-nascidos com SD
anemia por carência de ferro;
a leucemia transitória é uma forma de leucemia assintomática com resolução espontânea(acomete os recém-nascidos).
Figura 19 - Algumas das características de indivíduos com Síndrome de Down. Imagem por: Fernanda R. Angelotto
Em virtude do maior conhecimento sobre todos os aspectos que envolvem a Síndrome de Down, nas duas últimas décadas a expectativa de vida das pessoas com SD mais que dobrou. [6] Ainda hoje, o preconceito e a discriminação continuam sendo os piores inimigos dos pacientes com a condição. Avanços recentes mostram que pode ser possível em breve decifrar as bases genéticas e moleculares da SD e a criação de tratamentos eficazes. Novos estudos e maiores investimentos em pesquisa sobre terapia gênica e bloqueio de algumas moléculas deletérias ao paciente com Síndrome de Down são a esperança de transformar a vida dessas pessoas. [9]
A condição pode ser detectada através de exames na gravidez, como ultrassom (Figura 20) ou amniocentese. Contudo, apenas um exame cariótipo após o nascimento pode comprovar a síndrome. É muito importante que bebês com SD sejam acompanhados desde cedo, para que quaisquer anormalidades – cardiovasculares, intestinais, de visão, de audição, entre outras – que possam estar ligadas à condição sejam detectadas o quanto antes. Indivíduos com SD apresentam alterações perceptíveis e características fenotípicas muito similares, além do comprometimento da aprendizagem. A partir das características observadas, logo após o nascimento, o médico consegue reconhecer o indivíduo portador da síndrome, encaminhando-o para o acompanhamento necessário com profissionais, como fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapia ocupacional, psicólogos, visando ajudar a criança a descobrir o mundo, ter autonomia, desenvolver suas capacidades intelectuais e pessoais. Vale ressaltar que a síndrome não apresenta cura, porém o tratamento, fornecido pelo trabalho conjunto dos profissionais supracitados, age de forma individual e de modo a melhorar a qualidade de vida do indivíduo.
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