Macedo de Cavaleiros
e Barragem do Azibo
Data: 12 de setembro de 2020
Por: Jorge Ximbra AntunesData: 12 de setembro de 2020
Por: Jorge Ximbra AntunesViagem direta e às 8h30 éramos chegados a Macedo de Cavaleiros. Lá estava el Rei D. Gaspar
Esperei que os repórteres conceituados escrevessem este texto, o Augusto de Sousa ou o José Luís Ramos ou até o Carlos Gomes... mas depois lembrei-me que brindamos a eles de copo na mão incluídos no "aos ausentes"...
Como tem sido habitual, o horário madrugador, 6h30, foi cumprido, o que não acontece quase sempre no matinal 8h15. Na Pícua Doce lá estavam o Rui e o José Luís Costa, o Tiago que transportaria os Paulos, o Costa e o Santos e, a solo, o amigo Hélder, amigo do Tiago e por curiosidade vizinho do meu filho, como o mundo é pequeno......ou eu grande mais. O Jorge Duarte até um holofote trazia apontado à sua nova menina na traseira do seu enlatado que pela primeira mostrava ao mundo a sua nova faísca.
Viagem direta e às 8h30 éramos chegados a Macedo de Cavaleiros. Lá estava el Rei D. Gaspar de Macedo à nossa espera. Atacamos um cafezinho para atacar o passeio, mas o José Luis Costa queria um bolinho regional que lhe disseram que só tinham económicos, ao que ele disse que não importava o preço, queria era um da terra mesmo. Sim, diz o empregado, é regional e económico é o nome do bolo 😁😁😁😁 Bem, lá veio o dito cujo e todos provaram e dividiram, ficando a coisa ainda mais económica!
Arrancamos, tendo o Bento e mais dois amigos juntado ao grupo mais à frente num total de 13 bttistas.
Ora, sendo Macedo uma vila plantada num vale, ora o que acontece de seguida????....subir, pois claro! Há um mês atrás seria algo que eu diria "No problem" e o Jorge Duarte diria "Vou sofrer"... Pois os papeis inverteram-se e era ver o rapaz todo catita a fazer cavalinho a subir e eu com os bofes de fora.
E ainda mais desiludido fiquei quando vi passar por mim os jovens amigos locais de calção de praia, sapatilhas de ténis, biclas de Continente e sem luvas a passarem por mim como se eu estivesse parado. Até um canino, Pastor Alemão, passou por mim e acompanhou-nos durante mais de 5 kms. Só nos deixou já depois de deixarmos para trás a zona Industrial, pois aí descia um pouco e não nos conseguia acompanhar. Quanto a subir... que vergonha!!! Espero que tenha encontrado o caminho para casa.
Depois de passarmos a A4, entramos em estradões que foram praticamente o tipo de percurso deste passeio.
Mas a subida ainda não tinha acabado e como o calor já apertava, um dos jovens quis tirar o capacete, tendo-lhe eu recomendado que não o fizesse. Responde o rapaz "estou farto de capacete, ando toda a semana de capacete de mota. Já fiz competição de mota e não deve ser neste passeio que vou ter problemas... pois, mas ainda bem que ouviu a minha recomendação/exigência, que bem lhe serviu mais à frente.
Aqui começam as sagas da trilogia "desaparecido em combate" com o protagonista "Rui Faisca". No alto de uma subida alguém dá pelo desaparecimento do dito cujo; o Paulo está aqui o Tiago também, o Ximbra mesmo de rastos já cá está, então uma Faísca não pode ter ficado para trás! Mas para a frente, o Bento garantia "por mim nem uma faísca passa"... Não tinha havido grandes cruzamentos, "raios vamos dividir-nos á procura".
Uns para cada lado e, de repente, vem o Jorge Duarte a dirigir-se para nós, no mínimo a 50 km/h, batendo o recorde de velocidade de fuga a um canino... por acaso, até eu, que tenho a mania que enfrento qualquer bobi, fiquei quietinho, se é que bem me entendem...
O Paulo Santos, armado em Rambo, também tentou, mas voltou para trás com o rabinho entre as pernas, que o canino impunha respeito e fazia valer a velha regra de "para cá do Marão, mandam os que cá estão".
Bem, lá apareceu o perdido que depois de encontrado deixou para trás os salvadores. Depois da tentativa de explicação, ninguém ficou esclarecido, mas quando acaba bem tudo fica bem... bem... "quase" bem, que a subida deixou-me a ver o monte a andar à roda, lembrando os velhos tempos pré-faísca.
Menos mal que logo de seguida chegamos à capela de nossa senhora do Campo, onde a bela vista sobre a albufeira do Azibo, recupera até a alma; quero dizer... a vista e o reforço alimentar.
Feitas as fotos de grupo foi um toca a atacar as primeiras descidas a alta velocidade; o pó era tanto que nem um metro víamos...
Raios, nunca estamos bem com o que temos: na última vez que por aqui andei, reclamava do frio e da lama e só pensava no quentinho; agora que estava quentinho, reclamo do pó e do calor... que rezinga!
Passamos por uma aldeia muito bonita e arranjada penso ser Corujas, seu nome... e lá chegamos à estrada onde, no passeio dos Caretos, o Zé decidiu cortar/atalhar e o Gaspar colocou à aprovação, "corta-se aqui ou subimos mais um pouco e temos umas vistas bonitas e uns estradões a descer".
Não sei porquê, mas todos olhavam para mim com aquele olhar de meninos no parque de diversão que não podem atacar porque o pai não os quer sujar... Nem pensei duas vezes, lancei-me à subida com todos atrás aos gritos de alegria.
Afinal a subida não era assim tão ruim, e lá chegamos à tal descida já conhecida da primeira visita dos Caretos.
Mais umas fotos de grupo da praxe e toca a atacar a descida, que sendo larga e em bom estado permitiu o já famoso grito dos T&Empen(h)ados "deslaaaaaargaa".
E tanto "deslargamos" que numa curva fomos todos em frente e noutra curva seguinte um dos jovens caiu em "saída de orelhas", Não foi nada de grave apesar de ter batido com o mesmo joelho a que tinha sido operado há pouco tempo e o mesmo ter inchado...
Estávamos já perto de Podence e decidiu-se a nova reavaliação no local. Se uma não chega, vem logo a segunda queda, agora com o amigo que queria tirar o capacete... Não foi nada de especial, alguma pele rapada, alguma alma e não volta a andar ser luvas, pois a mão molhada, talvez de suor, fez com que a mão escorregasse e... catrapus.
À entrada de Podence paro para esperar pelos atrasados e vejo à direita figos, à esquerda uvas madurinhas... "oh local divino, isto é repasto à fartazana".
Estava eu a delirar com as uvas quando uma velhinha local com cara de Careto começa a mandar vir comigo... "Oh minha senhora, nem sabe o bem que me estão saber..." ao que reponde a senhora "então coma "home, que aqui não deixamos ninguém morrer a fome"... E comi :-)
Podence, sem aquele magote de gente da primeira vez (era carnaval) parecia mais bonita e pitoresca, assim como as bebidas frescas.
O jovem do joelho decidiu não insistir e ficar por ali, tendo o Gaspar arrancado direto para ir buscar o carro. Os amigos por simpatia também por ali ficariam, sendo o grupo agora mais reduzido e guiado pelo Bento.
Já quase a chegar ao Azibo e numa descida que passava por um fio de água, o Paulo Santos, à tolo, passa por mim a dar gás, dando-me um banho de cima a baixo, que saberia bem com aquele calor não fosse a água cheirar mal como o raio! $@^%&#@, Paulo.
Chegámos ao Azibo. Estava bonita, com uma praia nova que eu não conhecia, com muita gente, mas compreenda-se que com aquele calor aquela água apetecia mesmo e o mar ainda fica um bocado para o longe...
Fizemos o percurso paralelo à albufeira a boa velocidade (eu, a rolar, já não chorava pela faísca). Vira à esquerda, agora é a subir para Macedo, "destroca, avozinha a trabalhar" e... Espera, onde está o Rui? Ficou para trás? Impossível, diz o Tiago, estou a fechar e ele de faísca não ficaria para trás... mas ficou! E se não tivéssemos parado, bem que ele estaria agora a chegar ao rio Douro, pois lá seguia em frente e nem nos via à sua espera...
Afinal era mesmo falta de pernas. A faísca estava com os platinados com mau contacto e, mesmo tendo bateria, não ajudava ao pedalar. Agora era a subir e aquelas meninas pesam 25 kg... e está tudo dito!
Bem, lá tivemos de assistir a algo inédito: "acústicas" a empurrar elétricas, vulgo "faíscas"!
Ainda tentei com a minha experiência em aparelhos digitais, reparar a dita cuja com umas meiguices que costumam dar resultados, mas nem isso! Puxa, Rui que Macedo está perto e já cheira à posta.
Lá chegamos à hora prevista com 42 km feitos.
Biclas no armazém e todos no ataque ao banho na casa do Gaspar, era desnudos por todos os lados, uns banhos em cima outros no andar de baixo, outros pela esquerda... iria jurar que até vi tipos a tomar banho na pia da louça 😆😆😆😆
Que bem que soube aquele banho... e ainda melhor o vinho e o queijo que o Gaspar ofertava aos convidados! Começava a desbunda etílica!
Todos catitas, limpinhos e esfomeadas lá fomos até ao restaurante onde tivemos de esperar um pouco, em alegre cavaqueira regada a panachés que já faziam os seus estragos, ficando o mais estragado, o telemóvel do José Luis Costa que, como as gravuras de Foz Coa, também não sabia "voar".
Fomos servidos na esplanada, com uma boa carninha local, ou semi-local, pois segundo o Jorge Duarte, a comida agora divide-se em caseira, semi-caseira e de aviário. Claro, foram muitas as peripécias a que um almoço de 2 horas bem comido e bebido se proporciona, que aquilo no final eram só "dores de joelhos" e ninguém a querer conduzir.
Haveria barco reservado no Azibo para nós às 16h, mas segundo o Paulo Costa poderíamos estar descansados, que o barco passaria no restaurante para nos pegar. O Helder tinha um jantar marcado no Porto, (não sei o que conseguiu jantar) e com uns a querer ficar e outros a terem de regressar, lá tivemos de deixar o restaurante e regressar aos carros.
Já no jardim central, alguém gritou "Falta o Rui, na versão Desaparecido em Combate III, ficado no restaurante, hihihi". Depois, também difícil foi conseguir arrancar o Tiago da montra das massagens brasileiras... não era por nada, mas as pernas precisavam de uma recuperação ativa 😉
Eu e o Jorge Duarte regressamos diretos, chegando a casa pelas 19h30, desta vez sem percalços... ufa! Obrigado JD pela boleia.
Os outros ainda ficaram por Macedo, não sabendo a esta hora se já regressaram, mas eles que contem o "resto do dia".
Gostei do passeio, nada radical tirando o pó. O Gaspar e o Bento preocuparam-se em idealizar um passeio "QB", com vistas bonitas e um programa completo. Obrigado aos dois.
Adorei o convívio à mesa sem preocupação de tempo a lembrar o antigamente, que por tantos foi relembrado. Uma coisa a reter é que poucos não conheciam muitas das nossas historias de passeios passados e todos diziam já cá estou no grupo há algum tempo e agora não há nada disso, tirando o chasco...
Até um próximo,
Jorge Ximbra