Em meados do século XV, no processo de colonização, negros eram escravizados, devido a valorização e hegemonia das características do povo europeu, em que estes não eram considerados gente e sim objeto. Nesse ínterim, surge o racismo estrutural, discriminação/preconceito que se repete na sociedade, são naturalizados e enraizados, sendo vistos como correto.
Em primeira análise, após o processo abolicionista, os negros foram libertos, mas não houve preocupação em inseri-los na educação e no mercado de trabalho, gerando um sistema de marginalização que permanece até hoje. Nesse contexto, o sociólogo Karl Marx afirma: “As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes, isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força intelectual dominante” constatando que o poder de dominação é que dá origem a essas desigualdades.
No mercado de trabalho, a perspectiva de crescimento de um negro é menor do que a de um branco. A estereotipização da mídia em relação aos personagens afrodescendentes, que estão, na maioria das vezes, ocupando papéis de bandidos, favelados, domésticas e etc. Esse fato demonstra bem o racismo no Brasil, apresentado pelas menores oportunidades que os negros possuem em relação aos brancos, isso em todos os setores, como educação, segurança e saúde. De acordo a pesquisa do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (GEMAA-IESP-UERJ), sobre o cinema brasileiro nos quesitos raça e gênero, onde foram analisados os lançamentos de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2014, a função de direção é ocupada por 84% de homens brancos, a função de roteirista é ocupada por 69% de homens brancos, e na atuação, há um universo de 45% de atores brancos, sendo somado outros 35% de mulheres brancas, restando nestas funções 15% de homens negros e 5% mulheres negras. Segundo dados da pesquisa, as mulheres negras estão totalmente ausentes nas funções de direção e roteirização e possuem baixa representatividade no elenco principal dos filmes (5%), não tendo protagonizado nenhuma obra de grande bilheteria nos anos de 2002, 2008 e 2013. Os dados notabilizam o problema da questão racial no Brasil, porquanto, se as mulheres brancas têm participação desigual em relação aos homens brancos por causa do gênero, muito mais expressivo é esse número quanto às mulheres negras, que sofrem dupla discriminação, de gênero e cor.
São visíveis os avanços ocorridos devido às políticas que pretendem promover a igualdade racial. Porém, ainda fica evidente a necessidade ampliação de medidas ao combate à desigualdade. Além dos projetos já em vigor, o governo deve investir no ensino fundamental público, no qual a maioria dos alunos é negra. As escolas e a mídia devem estimular iniciativas para o combate a todas as formas de discriminação, igualdade e valorização racial, a fim de promover a integração das minorias à sociedade.