O ano de 1987 marca o início da história de Ivo Mottin Demiate na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Naquele ano, ele passou no Vestibular e ingressou no curso de Agronomia. “Comecei a fazer as disciplinas e logo no início eu tive uma oportunidade na iniciação científica. Percebi que na universidade pública os estudantes tinham oportunidade de fazer mais do que simplesmente o ensino. Fui fazer estágio e, em seguida, um professor me alertou sobre uma bolsa no CNPq e eu fui atrás”.
Estagiário e bolsista de iniciação científica, esses foram os primeiros passos de Ivo Demiate na UEPG. O professor Gilvan Wosiacki foi uma inspiração. “Ele veio transferido da Universidade Estadual de Londrina e foi meu orientador”. Na época, de acordo com Demiate, a UEPG era uma universidade muito tradicional, muito bem sucedida no ensino, na extensão, mas a pesquisa ainda era muito incipiente.
Mestrado e Doutorado
Terminada a graduação, foi fazer o Mestrado em São Paulo. Demiate relata que viveu uma vida de estudante bem típica, almoçando todos os dias, inclusive aos sábados, no Restaurante Universitário do campus de Piracicaba, da Escola de Agronomia da USP. “Foi um momento muito bom”, conta.
Nessa época, começou a fazer concursos. “Fiz em Maringá, depois aqui. Numa oportunidade, no final do ano de 1993, fiz teste seletivo e entrei como professor colaborador”. Ele relata que, com o passar do tempo, tomando contato com a pesquisa, também se envolveu em projetos de extensão. “Eu fui me animando, então, realmente decidi ser professor”, lembra. Demiate atuou como docente na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos, ministrando disciplinas para os cursos de Agronomia, Ciências Biológicas, Farmácia e, a partir de 1998, no curso de Engenharia de Alimentos. Participou ativamente na criação dos cursos de Mestrado (2003) e Doutorado (2015) em Ciência e Tecnologia de Alimentos.
A experiência no exterior
Estudar fora do país foi muito enriquecedor. “Assim que ingressei no doutorado eu tive oportunidade de ficar no exterior. Fiz uma disciplina que contou como créditos para o doutorado no Japão e estive na Colômbia num centro internacional de pesquisa lá, por conta dos projetos que eu desenvolvia no Mestrado e já também associado à UEPG. Fiz um doutorado sanduíche na Europa. Fiquei na França um tempo terminando a tese de doutorado. Ele relata que foi um divisor de águas. “A experiência no exterior deve ser uma questão que a gente considere para todos os nossos estudantes”.
Experiência e conhecimento da UEPG
Por várias ocasiões, Demiate participou como representante docente do Setor de Engenharia, Ciências Agrárias e Tecnologia (Secate) no Conselho de Ensino e Pesquisa (Cepe), o que, segundo ele, foi fundamental para conhecer a estrutura da Universidade, a legislação, a forma com que a instituição funciona e também para fazer contato com muitas pessoas.
A experiência administrativa de Demiate inclui a atuação como Chefe do Departamento, Coordenador de Programa de Pós-Graduação, Diretor de Pesquisa da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (09/2006 a 08/2010), Pró-Reitor de Planejamento (09/2018 a 01/2019) e Pró-Reitor de Assuntos Administrativos (02/2019 a 08/2022). Além disso, o professor Ivo também é membro do Comitê Assessor da Área de Ciências Agrárias da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná (períodos de 2009 a 2012; 2017 a 2019; e 2020 a 2024). “Fiquei quatro anos como diretor de pesquisa da Propesp, uma experiência muito importante, porque substituí o pró-reitor em diversas ocasiões no Conselho de Administração, que é o coração da Universidade, no sentido da gestão de recursos, das decisões administrativas, enquanto no Cepe, as decisões são voltadas ao aspecto didático, pedagógico, acadêmico”, conta.
Com o ingresso do professor Miguel Sanches Neto, na primeira gestão dele, em 2018, Demiate foi nomeado Pró-reitor de Planejamento. Depois assumiu a Pró-reitoria de Assuntos Administrativos. “O professor Miguel nos desafiou a fazer um planejamento estratégico, que foi um trabalho bastante árduo, muita gente se envolveu. Essa iniciativa nos trouxe até aqui”
Quando assumiu a Pró-Reitoria de Assuntos Administrativos, ele conta que as coisas ficaram bastante desafiadoras por conta da pandemia de Covid-19. “Fazíamos a gestão do Hospital Universitário e eu era o ordenador de despesas. E isso realmente foi um desafio bem difícil, bem grande, mas felizmente a gente conseguiu, com o apoio de toda equipe, contornar. Foi um privilégio enorme ter podido fazer parte daquele momento”.
Uma nova UEPG
“Passamos por uma transformação e é um orgulho, na realidade, fazer parte dessa história. A gente viu uma transformação de uma Universidade que tinha um perfil de ensino e extensão, basicamente, para uma Universidade que tem um perfil completo. Continuamos muito fortes no ensino, com as nossas avaliações muito boas na Extensão e a Pesquisa e Pós-Graduação que vieram na sequência também avançaram bastante”.
Demiate diz que a UEPG é hoje uma universidade bem diferente daquela de 2018. “Estamos crescendo de forma contínua e segura. Chegamos a um ponto de protagonismo no Brasil. Por onde vamos, a gente ouve falar bem da nossa Universidade. Então, aquela imagem que eu tinha quando aluno, que a UEPG era uma universidade local, no máximo regional, agora somos uma universidade nacional com repercussão internacional”.
“Quando eu conheci o professor Miguel Sanches Neto nos tornamos amigos para uma longa caminhada. Tanto é que, a partir de 2022, na segunda gestão do Miguel, eu fui convidado, e fiquei muito feliz, para ser o vice-reitor da chapa Sempre UEPG, que representava nosso grupo à época”, lembra. Fazer parte da gestão como vice-reitor proporcionou a Demiate uma visão complementar àquelas que teve como pró-reitor de Administração e de Planejamento. A posição também foi um importante trânsito político em meio a agendas no Paraná e em Brasília.
“A experiência de ter feito parte do gabinete como vice-reitor me deu realmente uma visão muito mais ampla da Universidade. O convívio com as autoridades do poder Legislativo, Executivo, estadual, federal ou municipal. A importância que a Universidade tem faz com que tenhamos muita aproximação para decisões e políticas públicas, para opinar sobre os mais diversos assuntos.”
A Universidade precisa continuar nesse ciclo de crescimento, explica o candidato. “Chegamos num ponto em que não é possível mais pensar em regredir. Daqui do presente, a gente só avança com destino a um futuro brilhante para nossa querida UEPG”, exalta.