COP 30
A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), em novembro de 2025, representou um marco histórico ao trazer para a Amazônia o centro das negociações climáticas globais. O Relatório Executivo da Conferência reafirma que o enfrentamento das mudanças climáticas depende da integração entre ciência, governança, inovação tecnológica e cooperação internacional, destacando que o maior desafio não é mais definir compromissos, mas implementá-los com urgência.
O documento alerta que o tempo para evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas é limitado. O adiamento das ações poderá comprometer a estabilidade dos ecossistemas, intensificar eventos climáticos extremos e reduzir a capacidade do planeta de manter as condições ambientais que sustentam a vida. Nesse contexto, a ciência assume papel fundamental na produção de evidências capazes de orientar políticas públicas eficazes e subsidiar estratégias de mitigação e adaptação.
A seguir, apresentam-se os principais destaques do Relatório Executivo da COP30, cujas diretrizes dialogam diretamente com os desafios científicos abordados pela III Semana Brasileira de Física Ambiental.
Relatório Executivo da COP30: https://cop30.br/pt-br/relatorio-executivo-da-cop30.pdf
A seguir, apresentam-se os principais pontos destacados no Relatório Executivo da COP30, os quais refletem as prioridades definidas pela comunidade internacional para acelerar a implementação das ações climáticas e fortalecer a interface entre ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade.
Implementação do Acordo de Paris: a COP30 marcou a transição da fase de negociação para a fase de implementação, consolidando 56 decisões aprovadas por consenso, voltadas à execução efetiva dos compromissos climáticos assumidos pelos países.
Financiamento climático: foi reafirmada a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, incluindo pelo menos US$ 300 bilhões em financiamento público, além da decisão de triplicar os recursos destinados à adaptação climática.
Mitigação das mudanças climáticas: incentivo à atualização das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), ampliação da ambição na redução das emissões de gases de efeito estufa e fortalecimento dos mecanismos de monitoramento e transparência. Ao final da conferência, 122 países já haviam apresentado suas novas NDCs.
Adaptação climática: estabelecimento de indicadores globais para acompanhar a adaptação, fortalecimento dos planos nacionais de adaptação e maior atenção à resiliência de populações, cidades, sistemas produtivos e infraestrutura diante dos impactos climáticos.
Transição energética: lançamento de um Mapa do Caminho para a Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis, orientando uma transição justa, ordenada e equitativa para sistemas energéticos de baixa emissão de carbono.
Florestas e uso da terra: destaque para o Mapa do Caminho para a Reversão do Desmatamento e da Degradação Florestal até 2030, reforçando o papel das florestas tropicais como componentes essenciais da estabilidade climática global e da conservação da biodiversidade.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF): lançamento de uma iniciativa destinada a criar financiamento permanente e previsível para a conservação e o uso sustentável das florestas tropicais, especialmente nos países em desenvolvimento.
Implementação acelerada: criação do Acelerador Global de Implementação, mecanismo destinado a apoiar os países na execução de suas metas climáticas, priorizando ações de rápida implementação e elevado impacto.
Ciência, tecnologia e inovação: o relatório reconhece a ciência como fundamento para a tomada de decisões climáticas, destacando a importância da observação sistemática da Terra, do monitoramento ambiental, da modelagem climática, da transferência de tecnologia e da cooperação científica internacional.
Natureza e povos indígenas: reforço da integração entre conservação da biodiversidade, soluções baseadas na natureza e participação dos povos indígenas e comunidades locais como atores estratégicos na implementação das políticas climáticas.
Agenda de implementação: o relatório estrutura as ações futuras em três grandes vertentes: avanços políticos, voltados ao fortalecimento da cooperação internacional; avanços normativos, relacionados ao aperfeiçoamento do Acordo de Paris; e avanços de implementação, destinados a transformar os compromissos assumidos em resultados concretos.
Para a III Semana Brasileira de Física Ambiental, esses resultados dialogam diretamente com temas centrais da área, como monitoramento ambiental, modelagem climática, dinâmica do carbono, interação biosfera-atmosfera, aerossóis, eventos extremos, sensoriamento remoto, inteligência artificial aplicada ao clima e desenvolvimento de soluções científicas para mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A realização do evento em 2026 ocorre, portanto, em um momento particularmente oportuno, no qual a comunidade científica é chamada a contribuir ativamente para a implementação das metas estabelecidas na COP30.
Para saber mais:
Site oficial da UNFCCC – COP 28: https://unfccc.int/cop28
Nações Unidas – “COP 28 termina com apelo à “transição” dos combustíveis fósseis”: https://news.un.org/pt/story/2023/12/1824862
Observatório do Clima – “Grupo especial de Presidentes de COPs dá largada em Missão 1.5”: https://www.oc.eco.br/grupo-especial-de-presidentes-de-cops-da-largada-em-missao-1-5/
Planalto/BR – “Rumo ao COP 30”: https://www.gov.br/planalto/pt-br/assuntos/cop28/cop-30-no-brasil
____ – “Governo celebra resultados da COP 28 nos Emirados Árabes”: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/12/governo-celebra-resultados-da-cop-28-nos-emirados-arabes