Capa do livro, imagem de infláveis gerada com IA
Algumas imagens da publicação, criadas por Nivaldo Godoy Jr. com sistemas de IA generativa.
A publicação reúne textos, imagens geradas por sistemas de IA e reflexões críticas sobre os modos contemporâneos de imaginar a cidade, discutindo tecnologias digitais, seus impactos sociais, as desigualdades de acesso e seus reflexos no espaço urbano. Organizada em três seções, articula diferentes regimes de leitura e visualidade: a primeira apresenta crônicas de Mei Hua Soares em diálogo com imagens generativas de Nivaldo Godoy Jr.; a segunda, Espaço Latente, dedica-se à experimentação visual com interpretações de São Paulo; e a terceira reúne textos finais em coautoria, em português, espanhol e inglês, que refletem sobre o processo criativo e os impactos sociais das IAs.
Seção I - exemplos de páginas do livro
Seção II - exemplos de páginas do livro
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Foto: arquivo pessoal
MEI HUA SOARES
São Paulo - SP, 1978
Mestra / Doutora
Bacharel e licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), Mestra e Doutora em Linguagem e Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). Foi docente de cursos de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade e Propaganda), Artes Cênicas, Pedagogia e instituições de ensino superior. É atriz, dramaturga e integrou o grupo Teatro Popular União e Olho Vivo entre 2017 e 2023. É revisora, parecerista e colaboradora de diferentes periódicos científicos e culturais. É co-autora do livro “Bom Retiro, Meu Amor: Ópera-Samba” e tem artigos e capítulos publicados em revistas científicas e livros. Atualmente é docente do curso de Pedagogia da EFLCH, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e desenvolve pesquisas relacionadas à literatura, educação, teatro, comunicação e linguagens. Fez a roteirização do curta-metragem SPITI (prêmio ProAC 2020) dos diretores Marcio Miranda Perez e Nivaldo Godoy Jr.
Foto: Iago Mati
NIVALDO GODOY JR.
São Paulo - SP, 1978
Artista / Arquiteto
Arquiteto e artista interdisciplinar, desenvolve um trabalho que investiga relações entre a linguagem arquitetônica com outras artes. Iniciou sua trajetória artística em meados dos anos 2000 no FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, uma das principais plataformas latino-americanas de arte digital e eletrônica, experiência que marcou de forma decisiva sua prática experimental. Seu trabalho alcançou reconhecimento internacional, incluindo um prêmio da Sitterwerk Foundation (Suíça), que apoiou sua pesquisa na interseção entre arte e tecnologia. Ao longo das últimas duas décadas, consolidou uma prática multidisciplinar que articula audiovisual, mídias imersivas e investigação urbana. Suas animações recentes, criadas com ferramentas de IA, ampliam seu interesse por narrativas híbridas e tecnologias emergentes, enquanto o curta-metragem SPITI (com codireção de Marcio Miranda Perez e roteirização de Mei Hua Soares) aprofunda sua pesquisa sobre memória e território. Seus projetos imersivos IN-PLAZA e SÃO PAULO SONORA exploram as relações entre mapografias, som e narrativas urbanas. Instalações e performances anteriores, como BARRAGEM///SP, evidenciam seu compromisso contínuo com a experimentação e a criação interdisciplinar. Criou a série de livros-objeto VÍTREOFORMAS, que integra os acervos da Pinacoteca de São Paulo e da Biblioteca Mário de Andrade, e é cocriador do livro PALAVRACIDADE, realizado em parceria com Eda Nagayama e Élcio Miazaki, que investiga a fusão entre a linguagem da arquitetura e a literatura.
Com desenhos técnicos e ilustrações arquitetônicas de Nivaldo Godoy Jr., o livro PALAVRACIDADE de 2013, realizado em parceria com a escritora Eda Nagayama e com o artista Élcio Miazaki, insere-se em uma narrativa distópica que imagina uma cidade feita de palavras e textos sendo demolida, dando lugar a um condomínio radical composto pela Casa-Corredor, Casa-Elevador, Casa-Casulo, Casa-Emparedamento, Casa-Labirinto e Casa-Bunker. Espelhando estados problemáticos da contemporaneidade, essas casas operam como metáforas arquitetônicas da condição humana levada ao extremo — fragmentação e perda da individualidade, desorientação e medo, insegurança e incerteza.
Imagens do livro PALAVRACIDADE. Link para o projeto do livro na plataforma futurearchitectureplatform.org
O filme foi exibido com destaque na Mostra Limite do 34º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum em 2023, na sessão Hiperrealidades, dedicada a obras que exploram o espaço urbano por meio de camadas poéticas, texturas e sensorialidades, e também integrou a Mostra do Filme Livre no CCBB-SP em 2025.
A obra de 2014, em colaboração com os artistas Panais Bouki e Marcos Martins Lopes é uma série numerada de livros-objeto translúcidos e manipuláveis, composta por quatro blocos de objetos encapsulados, resultantes de uma investigação sobre as camadas temporais sobrepostas na região central da cidade de São Paulo, incorporando relatos de moradores e frequentadores ao longo de diferentes épocas. A série integra acervos institucionais, com exemplares na Coleção de Obras Raras e Especiais da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, na Biblioteca de Artes Visuais da Pinacoteca de São Paulo e na Kunstbibliothek da Sitterwerk Foundation, na Suíça.
Link para a chamada do evento Ciclos de Leituras: Livros de Artistas com a participação de Nivaldo Godoy Jr. e Antonio Ewback
Texto curatorial: Érica Burini
O título ecoa Domingo no Parque, de Gilberto Gil, cuja letra ostenta uma narrativa visual e cinematográfica, descritiva de uma cena de assassinato por ciúme em um dia e local pacato. A paisagem sonora do Elevado — sonho de tantos projetos de que se transforme em parque — possui sons metálicos, ruídos, vozes, conversas, ora mais nítidas, ora ininteligíveis. A imagem é sintetizada em campos de cor retangulares, que pulsam, ritmados. Eles viram blocos que se agrupam e vão revelando figuras. Sob a forma de enormes pixels, em breves momentos, sugerem a imagem de prédios, com uma qualidade pictórica e amplas massas monocromáticas, como uma pintura minimalista, ainda que inequivocamente contemporânea e virtual. Surgem, então, várias noções de paisagem: urbana, digital, sonora e enquanto gênero da pintura.
DOMINGO NO ELEVADO, manipulação de sons registrados numa tarde de domingo
Projeto do curtametragista Marcio Miranda Perez e de Nivaldo Godoy Jr., IN-PLAZA investiga a edição audiovisual e a trilha sonora como agentes críticos de transformação, confrontando imagem, documento e realidade a partir de fragmentos de documentários, peças publicitárias e registros da extinta estatal EMPLASA. O projeto desmonta o discurso burocrático original e propõe leituras críticas sobre o tecido social urbano de São Paulo.
Link para o ambiente imersivo 360º criado por Nivaldo Godoy Jr. e Fernando de França.
IN-PLAZA – audiovisual dividido em quatro capítulos: Sé, São Bento, Campos Elíseos e Transportes
O projeto nasceu de experimentações realizadas no Google Earth, a partir de testes com modelos 3D em escala, indexados a pontos específicos da cidade de São Paulo. Esses estudos iniciais deram origem a um território ficcional que reflete sobre mudanças climáticas, controle, exclusão e reorganização social, utilizando a barragem como metáfora de proteção e isolamento. Com coordenação de Nivaldo Godoy Jr., o trabalho foi desenvolvido por um coletivo de cinco artistas — Marcos Martins Lopes, André Lenz, Élcio Miazaki e Panais Bouki — e apresentado na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. O projeto teve ainda um desdobramento na Casa do Baile, em Minas Gerais, durante a Bienal Digital de Belo Horizonte.
Barragem e Cidade Alagada, de Nivaldo Godoy Jr.
Link para uma matéria sobre a exposição BARRAGEM///SP na plataforma Archdaily