Esse site é fruto do Curso A História do teatro na Bahia - A História do teatro São João. ministrado pela professora Lídia Ramos do Nascimento, na Atividade Curricular Complementar do Colégio Estadual Rotary , Salvador- Bahia, no período de setembro a novembro de 2021. Foi elaborado de forma colaborativa pelos alunos com o intuito de divulgar informações sobre a História do Teatro na Bahia sua origem até o século XIX e início do século XX, tendo como foco principal de estudo a história do Teatro São João da Bahia.
O teatro na Bahia - Breve Histórico
A origem do teatro baiano remonta ao século XVI, quando os primeiros jesuítas chegaram a Salvador, a primeira capital do Brasil. O objetivo desses jesuítas, que vinham em nome da Igreja Católica, era o de educar e catequizar os índios, ou seja, eles queriam "salvar as almas dos primeiros habitantes do Brasil". Para alcançar esse fim, um dos recursos utilizados era a promoção de encenações, uma maneira de tentar fazer os índios entenderem o que eles estavam querendo ensinar. Depois, os próprios indígenas passaram a ser treinados para, eles próprios, participarem e executarem a encenação. Dessa forma, começaram a surgir os primeiros indícios do teatro no Brasil.
No século XVIII surgem as primeiras casas de espetáculo do país. De acordo com os historiadores baianos, a primeira sala permanente de exibição apareceu em Salvador em 1729, O Teatro da Câmara, com a adaptação de um dos recintos da Câmara de Vereadores, na Praça Municipal. O lugar recebia os espetáculos que passavam pela cidade. O teatro mais importante de Salvador, no século XIX fora o São João, construído onde hoje está o Palácio dos Esportes, na Praça Castro Alves, antigo Largo do Teatro ou Largo da Quitanda. O edifício de influência colonial resistiu à independência, mas, na República, já era considerado ultrapassado, desaparecendo em 1923, num incêndio misterioso.
O Teatro São João era o grande ponto de encontro da aristocracia e intelectualidade locais. Nele funcionou, entre 1857 e 1874, o Conservatório Dramático da Bahia (CDB), fundado pelo dramaturgo Agrário de Menezes, com o objetivo de incentivar escritores e amparar grupos dramáticos na cidade. No São João, se apresentaram grandes nomes do teatro baiano como: Xisto Bahia, considerado um dos maiores comediantes do Brasil, comparado ao carioca João Caetano, que também atuou no teatro. Carlos Gomes que em 1880, regeu "O Guarani", para uma plateia lotada, tendo esse evento uma grande repercussão na época. O poeta Castro Alves era um dos mais assíduos frequentadores da casa, onde estreou "Gonzaga", em 1867.
O século XX presenciou a criação da Escola de Teatro e a construção do Teatro Castro Alves, maior investimento estatal nesse setor, até hoje. A Escola de Teatro foi viabilizada através de verbas do governo estadual, universidades e empresas internacionais. Já o TCA foi inexplicavelmente consumido por incêndio pouco antes de sua inauguração, em 1958. O teatro foi inaugurado em 1967. A gestão da cultura e da educação com a Reforma no Poder Executivo do Estado, coube a secretarias específicas, que anos mais tarde foi substituída para a administração da cultura e do turismo. A Fundação Cultural do Estado, criada em 1972, passou a apoiar novas montagens e projetos de espetáculos.
No começo dos anos 80 com a abertura política , cursos livres como o do Teatro Castro Alves e várias oficinas trazem novas técnicas que valorizam e treinam o ator.
Há um significativo aumento da qualidade técnica dos atores, contudo nesta época ainda não havia um público cativo. Há um nível de profissionalização com o surgimento das primeiras pessoas na função específica de produtores. Em 1989, estreou a peça representante do estágio atual e profissional do teatro baiano: A Bofetada que, através da Cia. Baiana de Patifaria, iria enfrentar mais uma década em cartaz, já através do reconhecimento de empresas, imprensa e público.
Na década de 90, as artes cênicas começam, por fim, a recuperar seu fôlego. Crescem-se os cursos para atores e surgem cursos técnicos, principalmente promovidos por órgãos públicos com apoio de organizações classistas. Em meados da década, surgem as leis de incentivo. Através delas, foi possível perceber mais atentamente a participação de setores ligados à negociação cultural: os empresários. Houve um crescimento significativo na quantidade de peças , assim como a atenção para o setor, com cursos profissionalizantes, novos espaços, novos produtos e público.
A Bahia, ao longo de todos esses anos, tem sido um palco de revelação de talentos a nível nacional. Sua trajetória, do Teatro São João ao Vila Velha e ao Castro Alves, não deixam dúvidas. Entretanto, não se pode deixar de apontar os problemas que ainda continuam no novo século XXI. O teatro baiano precisa de estímulo, de patrocínio e de lei de incentivo , que garantam a continuidade do sucesso que ele sempre teve.
O teatro São João na Bahia foi construído em 1806 no Largo da quitanda (atual praça Castro Alves), o mesmo foi inaugurado pelo governador Marcos de Noronha e Brito no ano de 1812 que na época era a maior casa de espetáculo do país.
Ele foi construído com a venda de títulos de propriedades e a implantação de uma loteria, sua entrada ficava na frente da praça e sua lateral ficava a rua a direita do palácio na atual rua Chile.
A arquitetura do teatro São João seguiu o estilo Luiz 15, tinha uma boa acústica utilizava jacarandá e cedro exibia várias pinturas ornamentais e esculturas e sua capacidade era de aproximadamente oitocentos lugares, embora fontes registrem que dois mil espectadores pudessem estar ali presentes.
O Teatro foi o local onde as camadas da sociedade tinham seu lazer, e foi palco não somente de apresentações teatrais, como de momentos históricos importantes da cidade. Em 1923 o teatro foi destruído por um incêndio.
Nos anos de 1920 o teatro foi supostamente demolido por causa de um incêndio . O teatro não só foi demolido por causa do incêndio em 1923. Ele perdeu elementos, mas a estrutura já estava em ruína. Antes do incêndio, já se falava na demolição e construção de outro teatro no lugar dele. Depois que ele pegou fogo e foi colocado abaixo, a área foi aterrada e transformada em uma praça, que tinha essa fonte. A fonte foi construída acima do foyer do antigo teatro, entre os anos de 1926 e 1927.
(1923 - Inauguração da Estátua de Catro Alves em Frente ao Teatro São João) --- Fonte da imagem: blogs.ibahia.com
Hoje, no lugar do São João, está o prédio conhecido como Palácio dos Esportes, que também foi sede da Secretaria de Agricultura do Estado. Do outro lado, a antiga sede do jornal A Tarde, hoje Hotel Fasano, completam o cenário na região. Atualmente no espaço funciona vinte e cinco federações esportivas, daí o nome, com o intuito de agregá-las, como a Federação Baiana de Tênis de Mesa, Fundação do Esporte Amador da Bahia, Federação Baiana de Boxe, Federação Baiana de Atletismo, Federação Baiana de Basketball, Federação de Automobilismo da Bahia, Federação Baiana de Capoeira, Federação Baiana de Futebol, Federação Baiana de Futsal, dentre outras.
As estruturas das construções antigas encontradas durante escavações na Praça Castro Alves, no Centro Histórico de Salvador, deverão ser reformadas e reabertas ao público como uma nova concha acústica, quando a obra terminar. Os equipamentos encontrados no mês de dezembro de 2019 são o antigo Teatro São João e uma fonte de água que foi implementada depois do fechamento e aterramento do teatro.
De acordo com o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, o espaço será aberto ao público. “A ideia é usar a estrutura para fazer uma pequena concha acústica. Essa concha será voltada para pequenas apresentações, voz e violão. Pensamos até em colocar o palco dos poetas, brincar um pouco com isso, já que a gente está na Praça Castro Alves. E também para virar um palco de contemplação, que tem o pôr do sol aqui que é super bonito. A ideia é justamente usar esse espaço para a construção de uma pequena concha acústica, já que o desenho dela [estrutura inicial] é perfeita para isso", pontuou.
(Obras da Praça Castro Alves - Cleber Sandes - 27/12/2019) --- Fonte da imagem: folhapress.folha.com.br