POR UMA UNIVERSIDADE PARA TODAS E TODOS, DIA 7 DE ABRIL VOTE CHAPA 3!
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Confiram a carta do Prof. Tourinho, professor emérito e ex-Reitor da UFRA, em apoio à Ruth Almeida e Luiz Cláudio e à Chapa 3 - Renasce UFRA.
Manoel Tourinho (*)
“Nada na face do tempo era visível a não ser esse rio e sua floresta...” (Paes Loureiro. Água da Fonte, 2008)
Há cerca de 30 anos ouvi a estória de um homem ilustre que palestrava a um grupo de nativos, desnudos, órfãos da ciência normal, mas filhos naturais das experiências cósmicas, como se deveria ocupar a Amazônia. Frente a uma pergunta visceral, cuja resposta os deuses já haviam ensinado àqueles nativos, o ‘homem-ciência’ lhes apresentou um protocolo de medidas, regras, atitudes e ensinamentos alheios à cultura e tradição gentil. Os gentios se entreolhavam e nada diziam, ainda que o medo fosse dominante entre eles. O silencio obsequioso foi a resposta. Um jornalista atrevido e entendido da cultura popular, ao voltar à sede do reinado de onde o ‘homem-ciência’ saíra, escreveu uma matéria: “De que valem os Medalhões”. Fico por aqui como contador do fato. Mas vou aos “Medalhões” para considerar outros fatos, agora tendo como cenário a Universidade, a pequena e ainda ‘quasi- familiar’ UFRA. “Alma-mater.” de milhares de profissionais agraristas em lato e estrito senso.
A expressão “medalhão”, como epíteto, é usado para qualificar e caracterizar uma pessoa. Foi Machado de Assis, em1881, quem nos trouxe à luz a “Teoria do Medalhão” (Contos) e vejam, 140 anos depois, persiste desafiando os mais puros sentimentos de justiça e imparcialidade da burocracia Weberiana ao tentar debater, com Karl Marx, que os sentimentos pessoais não sejam usados como propósitos para a acumulação do poder e do capital. Marx até agora tem vencido a parada.
Machado de Assis, na sua “Teoria do Medalhão” enfatiza a teoria-produto de uma sociedade alienada que vê o “triunfo social carregado sobre o cavalo do pouco esforço” como “sucesso”, embora afastado completamente dos parâmetros weberianos do mérito fundamentado na competência intelectual e não na adesão bajulatória. Isso, podemos perceber no diálogo entre um pai e um filho, apresentado por Assis na sua “Teoria do Medalhão”:
“O filho que completara 21 anos de idade naquela noite, era ensinado a seguir determinados passos para que seja na vida adulta alguém com honraria tal qual o pai jamais pudera alcançar. Dizia então o pai: ‘Vinte e um ano, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, imprensa, na lavoura, na Universidade, (o grifo é nosso), na indústria, no comercio, nas letras ou nas artes. Há infinitas carreiras diante de ti [...] Nenhum [oficio] me parece mais útil e cabido que o do medalhão.[...] Tu, meu filho, se não me engano, parece dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre oficio.[...] No entanto, podendo acontecer que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito.[...] Em todo caso, não transcenda nunca os os limites de uma invejável vulgaridade.” (Machado de Assis. “Teoria do Medalhão”. www.dominiopublico.gov.br)
Andreone Teles Medrado, em Devaneios Filosóficos (2018), por fazer-se tão presente nos dias atuais, aponta dois requisitos básicos a uma pessoa angariar o status de Medalhão: possuir inópia mental e não ter ideias próprias. Roberto da Mata, eminente antropólogo social brasileiro, dizia que existem medalhões em todos os domínios da vida social brasileira: na favela e no Congresso, [...] no futebol; entre policiais e ladrões. [...] Ser filho do Presidente, do Delegado, do Diretor conta como cartão de visita. Consiste em um tipo social exclusivamente pertencente às elites burguesas, ao que acrescento: pela origem geracional-patriarcal ou pela cooptação-servil.
Quaisquer semelhanças com os processos de escolhas eleitoreiras para gestão da UFRA, não é mera coincidência. Por isso o EPITÁFIO do Futuro: “AQUI JAZ UMA UNIVERSIDADE VITIMA DOS MEDALHÕES."
(*) Aposentado. Ex-reitor e Professor Emérito da UFRA (2010). Militante do “Movimento 17 de Abril”. Apoia a luta da Chapa 3 – Renasce UFRA com Ruth Almeida e Luiz Cláudio.