A cultura e o padrão estético negro, africano e indígena convivem no Brasil de maneira tensa com o padrão estético e cultural branco europeu. Embora a população brasileira seja composta de 45% de população negra, segundo o IBGE, convivemos com ideologias, desigualdades e estereótipos racistas. Predomina aqui um imaginário étnico-racial que privilegia a brancura e valoriza principalmente as raízes europeias da nossa cultura, ignorando ou pouco valorizando as outras que são a africana, a indígena e a asiática.
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“O que existe é a literatura branca brasileira”, denuncia escritor Ronald Augusto sobre racismo na cultura. Infelizmente, contudo, a literatura ainda está longe do ideal quando se trata de representatividade e de diversificação dos protagonistas das histórias que nos são tão caras. Isso porque, diante da realidade, a fantasia parece mais atraente. Fantasia essa que inclui também colocar apenas pessoas brancas como protagonistas, além, é claro, de os próprios escritores serem brancos, em sua maioria. Assim como na estrutura social, a literatura negra também sofre com a marginalização.
Ao longo da história literária do Brasil, vários foram os autores e autoras negras que sofreram com o apagamento. Entre eles, estão nomes como Lima Barreto, Maria Firmino e Cruz e Souza. Neste sentido, o argumento dos críticos no ambiente literário para o preconceito contra autores negros era de que a literatura não teria cor e de que a produção desses autores não teria qualidade literária. “Se questionava a qualidade sem conhecer um espectro amplo dessa produção. Eu via em vários debates fazerem essa afirmação e, quando eram questionados, não conseguiam listar mais do que três livros de autores negros. Então, era uma objeção que já partia do pressuposto que autores negros não teriam capacidade para fazer uma boa literatura. Isso era produto óbvio do preconceito.
Fonte: https://revistacientifica.facmais.com.br