Se nas motos carburadas a regulagem da entrada de ar e de combustível na câmara de combustão do motor era feita de modo manual, com base no acionamento do acelerador, nas motos injetadas essa regulagem é eletrônica. As motocicletas que possuem injeção funcionam, basicamente, com a presença de uma central eletrônica, de sensores e de atuadores.
Nesse sistema, os sensores fazem a leitura de vários aspectos da moto, como a temperatura do ar de admissão e a velocidade de rotação do motor, repassam os dados para a central, a qual faz os atuadores trabalharem da maneira mais eficiente possível — a bomba de combustível e os bicos injetores são exemplos de atuadores.
Dessa forma, a injeção eletrônica faz diferentes combinações da mistura de ar e combustível, para tornar o funcionamento do motor econômico.
Os sensores do sistema de injeção eletrônica devem ter precisão na medida de várias situações. Caso contrário, a central poderá fazer uma leitura errada do modo de pilotagem e das necessidades do condutor, por exemplo, para fazer uma ultrapassagem.
Quando há problema no sistema de injeção eletrônica nas motos, é comum a luz de alerta dessa tecnologia no painel de instrumentos ficar acesa de forma permanente. Dessa maneira, o piloto saberá que há algum defeito no sistema.
É bem verdade que a central eletrônica da motocicleta possui algumas configurações pré-programadas, para evitar que o veículo deixe de funcionar repentinamente.
Ainda assim, o registro de falha fica gravado na memória de manutenção da central. Para poder conhecer os defeitos marcados nessa memória, o reparador precisa contar com o auxílio de um scanner. Esse equipamento permite que o diagnóstico de defeitos seja feito de forma rápida e precisa.
Vale lembrar que, por serem uma espécie de computador, as centrais eletrônicas possuem hardware e software, que podem variar conforme a montadora. A vantagem de um scanner atualizado é que ele é multimarca, logo, pode ser usado para fazer diagnósticos em diferentes sistemas de injeção.
Um dos problemas mais comuns ligados à injeção eletrônica é a falha do motor. Afinal, esse é o sinal de que há algo de errado com o sistema de combustão. A origem do problema pode ser desde um fio desconectado na ignição, que impeça o acionamento da bomba de combustível, até um defeito na parte elétrica da moto ou no bico injetor.
Com o uso de equipamento adequado, o reparador pode fazer vários testes nos sensores e nos atuadores, para poder identificar o problema.
Abordamos, acima, os tipos de falha mais comuns nos sistemas de injeção eletrônica das motos. Agora, vamos mostrar como essas falhas costumam se manifestar nas motocicletas, facilitando o diagnóstico e, também, evitando que os problemas se agravem com o tempo. Vamos começar?
Todas as motos têm um pouco de dificuldade para darem a partida em dias muito frios. Porém, quando esse tipo de comportamento começa a aparecer também em dias mais quentes (quase todo o ano aqui no Brasil), pode ser o indício de algum problema.
Nas motos com injeção eletrônica, existe um sensor que envia a temperatura do motor para a central eletrônica da moto, a ECU, que vai calcular a melhor mistura de ar e combustível para fazer a queima com o motor frio.
Porém, se este sensor, conhecido como EOT, apresentar alguma falha, ele pode estar enviando a temperatura errada para a ECU, liberando menos combustível e fazendo a moto ter dificuldades em pegar. Nesses casos, é preciso substituir o sensor.
Nas motos carburadas, o componente responsável por fornecer ar à mistura ar-combustível era mecânico e ficava sempre numa posição fixa. Nas motos injetadas, porém, esse componente é eletrônico e trabalha de maneira distinta, fazendo a moto ter uma marcha lenta irregular e até afogar quando está com algum defeito.
O atuador da marcha lenta, ou IACV, só pode ter um problema diagnosticado quando a moto já apresenta irregularidades na marcha lenta, ou por meio de um scanner de moto, que fará uma varredura no sistema para verificar algum mau funcionamento do atuador.
Por isso, o maior cuidado aqui é com a manutenção preventiva, aconselhando sempre ao cliente a fazer um check-up pelo scanner para evitar que o problema aconteça.
Outro problema comum nas motos injetadas é o excesso de consumo de combustível. Esse problema pode ser causado por diversos fatores e podem ir se agravando com o tempo. Abaixo, selecionamos os principais para você ficar de olho:
Combustível de má qualidade
O combustível ruim não tem a quantidade de gasolina ou etanol adequados para a queima, sem contar que podem conter aditivos nocivos para o sistema de alimentação da moto. Dessa forma, a ECU precisa enviar mais combustível para tentar obter o mesmo desempenho, o que não é ideal.
Falha na sonda lambda
A sonda lambda é responsável por analisar a mistura de combustível que a moto está utilizando. Isso faz com que o ECU calcule a quantidade exata de combustível a ser enviada para os bicos injetores.
Se este sensor falha, o sistema envia muito mais combustível que o necessário para a câmara de combustão, jogando o consumo lá em cima e até fazendo a moto soltar uma fumaça branca como resultado.