Relatos em texto e vídeos
Relatos em texto e vídeos
Relato - Giovanna:
"Eu já frequentei a Batalha da Matrix antes de entrar na UFABC. Como fazia um bom tempo desde a minha última visita, confesso que fiquei com aquela ansiedade: "Como vai ser lá? Será que as coisas mudaram? Será que vou me sentir deslocada?". A resposta foi não. A Batalha da Matrix continua a mesma; passe o tempo que for, sempre será um espaço de acolhimento, onde os jovens são livres para serem quem são.
Por ser meu primeiro grande projeto na faculdade, o trajeto de ida foi cheio de pensamentos, onde eu elaborava o que faria na batalha, como registraria os momentos e o que colocaria neste blog. No dia da visita, voltei para casa após a aula na UFABC, preparei minha roupa e os itens que levaria para a batalha, e por volta das 15h saí para uma consulta médica, que terminou às 17h30. Como a batalha só aconteceria às 19h30, decidi ir ao Shopping Metrópole, que fica a 1,8 km da praça onde acontece a Batalha da Matrix. No shopping, comi um lanche enquanto conversava com o pessoal do grupo. Eu decidi ir a pé até a Matrix, mas estava com receio de ir sozinha, já que essa região de São Bernardo é perigosa e já estava escuro. Enquanto eu comia, acompanhava o grupo do trabalho no WhatsApp, onde parte das pessoas estavam em Santo André já indo para o local, e a outra perdida, pois tinham pegado o ônibus errado para a Batalha da Matrix.
Por volta das 18h40, comecei minha caminhada de 30 minutos até a Praça da Matriz (onde acontece a batalha), e como eu disse, estava receosa por causa do horário e do caminho, que não parecia muito confiável, mas, para a minha surpresa, havia bastante movimento, com pessoas correndo na rua e outras voltando de seus trabalhos, o que me fez sentir mais segura. Às 19h10, fui a primeira pessoa do grupo a chegar e aproveitei para estudar mais o local da batalha. Faltavam 20 minutos para o início, e o espaço já estava cheio de jovens, o que começou a me animar.
Antes da batalha começar, me encontrei com parte do grupo no Burger King, que fica em frente à Praça da Matriz. Foi um momento muito bom para mim, já que não costumo me encontrar com o pessoal da faculdade fora do horário das aulas, então ficamos conversando e comendo enquanto esperávamos dar o horário.
Durante o evento, fui me sentindo cada vez mais integrada, já que os MCs e os organizadores interagiam com os espectadores o tempo todo. O engraçado é que normalmente eu não me sinto bem em lugares muito cheios, mas o legal da batalha é que ela acontece em um lugar aberto e bem arejado. Por ser grande, você pode transitar pelo espaço e mesmo assim, continuar curtindo as rimas, ouvindo o som com clareza e vendo os MCs.
Quando o evento acabou (por volta das 22h30), voltei para casa com a sensação de dever cumprido, não apenas porque era mais uma etapa do trabalho concluída, mas também porque já fazia tempo que queria voltar à batalha, então saí de lá com vontade de retornar mais vezes e aproveitar toda a energia que só a Batalha da Matrix tem."
Relato - Beatriz:
"Nunca havia frequentado uma batalha de rima. Estava com altas expectativas mas confesso que fui surpreendida positivamente.
Já assisti a batalhas pelo internet, mas viver a real experiência é algo totalmente diferente e divertido. No dia em que a visitamos, nós (eu e mais dois membros do grupo) almoçamos no restaurante da faculdade, e então pegamos o fretado que nos leva até a UFABC de Santo André, onde optamos por aproveitar o tempo livre para fazer lições. Confesso que estava sem foco nenhum pois estava muito ansiosa para dar o horário de sair. Todos estavam. Sendo sincera. Após o mesmo chegar, nos dirigimos para a estação e então pegamos o trólebus. Me toquei de que se não fosse por esse trabalho nunca entraria em um trólebus na minha vida. Seguimos caminho, enquanto falávamos pelo celular e ríamos com os outros integrantes que haviam se perdido no caminho, até que finalmente chegamos. Decidimos comer em um restaurante fast food , até que encontramos o resto do pessoal do grupo. Iniciou-se a batalha. O público já estava animado mesmo antes dela começar, reunido na praça e toda essa energia me foi contagiante. Estava cansada mas logo me animei. Então, participei ativamente como plateia, busquei um lugar na frente pois me senti totalmente parte daquilo. Voltei mais cedo do que queria, antes do término, pois aproveitei uma carona do pai de um membro do grupo para minha casa. Voltei inspirada. Estava cansada mas com uma sensação muito boa, uma sensação gostosa que só sinto após consumir arte. Cheguei em casa tão animada que a primeira coisa que fiz foi contar tudo para minha mãe (geralmente quando chego em casa tarde vou direto para a cozinha). Estava bem cansada, feliz e cansada, e fui dormir após um banho, acredito que por volta das 23 horas. No dia seguinte, me senti com a sensação de "missão cumprida" e olhei todas as fotos e vídeos gravados com uma alegria no peito, empolgada para o desenvolvimento do trabalho e com vontade de voltar lá e conhecer outras batalhas de rima!
Relato - Julia:
"Normalmente, costumo passar as minhas terças a noite em casa, assistindo filme, lendo um livro, estudando ou jantando com a minha família!
Porém, na terça feira dia 16 de julho, vivi uma experiência nova.
Após o término da aula 12h, eu e aluguns amigos do grupo (todos de São Paulo) almoçamos strogonoff no RU, e depois ficamos a tarde inteira na UFABC SBC estudando, conversando, e matando tempo!
Estava muito frio nesse dia, então passamos todo o tempo dentro do Beta sentados nas mesas em frente a copa.
Por volta das 18h, começamos nosso trajeto para a Batalha da Matrix, o qual, infelizmente, não deu certo de primeira.
Pegamos o 53 no sentido errado, e só fomos perceber depois de uns 5 minutos dentro do ônibus, que desespero hilário de todos nós! Descemos em um lugar desconhecido em São Bernardo, colocamos no Google Maps e foi possível (e um milagre) pegarmos outro ônibus que nos deixariam na praça da matriz correta, já que em SBC existem duas!
Agora sobre a Batalha da Matriz em si, minha nova experiência na terça dia 16: Nosso grupo da aula de Identidade e Cultura (IC) sugeriu que nosso tema do trabalho fosse sobre a "Batalha da Matrix", e posso afirmar que sem essa ideia, eu jamais saberia da existência dessa manifestação cultural.
Na cidade que eu moro, São Paulo, existe uma batalha de RAP na estação Ana Rosa, e é muito famosa, mas mesmo assim, não tenho o costume de frequentar!
Ao passar algumas horas na batalha da matrix, foi diferenciado saber que tantas pessoas lutam pela sobrevivência e identidade do RAP, e que visam a criatividade.
Devo admitir que não seria um programa que voltaria mais vezes, mas com certeza, é um projeto que admiro muito e entendo a importância do mesmo. O RAP traduz a realidade de muitos que vivem na periferia marginalizados, e não tem nada mais importante do que dar voz a eles, todos eles!
Tudo que você vivencia durante a batalha se torna um novo conhecimento e experiência, só pelas letras e rimas cantadas, e também pelo respeito de um com os outros.
Gostei muito de explorar um pouco mais dessa manifestação cultural de grande importância para aqueles que durante grande parte da vida, não tiveram uma voz e uma forma de expressão, mas, que agora e há 11 anos, encontraram um lar na Batalha da Matrix, em São Bernardo do Campo."
Relato - João:
"O dia da batalha teve muitas novidades para mim, começando pelo almoço no restaurante universitário, ainda não tinha comido lá e me surpreendi positivamente com o strogonoff de frango. Após o almoço ficamos até o horário de sair para a batalha conversando e fazendo trabalhos de outras matérias, um momento que foi ótimo para conhecer e me aproximar das pessoas do grupo. O momento de ir até a batalha da matrix foi tenso, pegamos o ônibus errado e ficamos perdidos em uma cidade que não conhecíamos bem, apesar do susto conseguimos rapidamente entrar no ônibus certo, e finalmente chegamos no ponto próximo a praça que acontece a batalha. Ao chegar na batalha, o que mais me surpreendeu foi a quantidade de pessoas, por ser de São Paulo não sabia quase nada sobre a batalha da matrix e achava que teria pouca gente, até por estar muito frio na noite que fomos. O evento foi ótimo, um ambiente tranquilo que além da batalha de rimas, pessoas se reúnem para andar de skate e bicicleta nos arredores da praça. Assistindo a batalha percebi que apesar da agressividade, dos gritos sobre sangue, matar e morrer, os duelos entre os artistas são muito respeitosos, os mcs sempre se cumprimentam e se abraçam durante a batalha, além dos sorrisos e risadas do público e dos cantores no palco, o que torna o ambiente bem leve, mesmo sendo uma batalha na qual o objetivo é derrotar o oponente.Voltar para a casa foi a pior parte, já que moro longe do evento e já estava muito cansado. Por fim, o trabalho foi ótimo para conhecer um evento de rap e resistência que, por morar longe, eu dificilmente iria se não fosse sugerido pelo grupo. Além de aprender mais sobre outra cultura, foi uma ótima oportunidade para conhecer pessoas que eu ainda não havia conversado da turma."
Relato - Lia:
"Nós estávamos tentando marcar de ir à batalha da matrix há semanas, até que finalmente deu certo dia 16/7. Após a aula dessa terça-feira, eu voltei para a minha casa, em São Caetano, e descansei um pouco antes de voltar à ufabc. Meu plano inicial era pegar o fretado e encontrar o Jon, Celys e Bia na ufabc de Santo André, mas não foi possível devido ao trânsito que tava no caminho a São Bernardo; quando mandei mensagem no grupo avisando, o João disse que ele, Luisa, Júlia e Diego estavam na ufabc desde o término das aulas e eu poderia ir com eles. Conversamos muitos até pegarmos o ônibus no sentido errado à igreja da Matriz e só percebermos 5 minutos depois, estando numa área que não conhecíamos e, quando conseguimos pegar o ônibus certo, o motorista fechou a porta na nossa cara, o que levou a descermos um ponto depois.
Após andarmos um caminho mais longo até chegar na igreja, finalmente estávamos na batalha. A experiência foi única - no completo sentido da palavra, pois nunca havia ido numa batalha de rima e não costumo acompanhar nem mesmo por redes sociais, eu não sabia o que esperar disso. Quando chegamos e fomos tentar interagir com o pessoal e conseguir entrevistas, estava tocando funk (o qual era o tema desse dia) e foi muito legal! Todos cantamos as músicas e foi um momento muito divertido, até de fato começar a batalha. O que mais me encantou foram os bordões, como por exemplo quando o cara pergunta "vai morrer ou vai matar?" e nós na plateia respondemos "vai matar ou vai morrer?" e "o que vocês querem ver?" "sangue!". Foram momentos em que de fato nos sentíamos pertencentes a tudo e ocorria uma interação muito legal, e, além de responder aos bordões, a plateia também tem o poder de escolher o vencedor. Foi muito emocionante ver como eles são acolhedores e é um local em que muitos se sentem em casa, por simplesmente terem voz lá dentro, poderem se expressar de dentro para fora.
Apesar de tudo, também estava muito frio e fiquei muito tempo em pé esperando o ônibus e dentro do ônibus, além de quase 3 horas na batalha, o que me deu muita dor nas costas no dia seguinte e fez minha garganta acordar um pouco irritada.
Eu gostei muito de ter ido e vivido tudo isso, com certeza encorajaria a todos irem pelo menos uma vez, porque vale muito a pena!"
Relato - Jon:
"Eu já cheguei a frequentar batalhas de rima antes, mas nada tão aprofundado ou com olhares diferentes, a princípio fazia parte de um passatempo, junto de amigos meus. No dia que fomos na batalha da Matrix, tivemos aula de manhã, ficamos na UFABC de Santo André, até porque eu e a Cely tínhamos escolinha da infanteria. Essa ida à batalha estava em decisão por muitas semanas, até que nesse dia deu tudo certo.
Pela primeira vez eu peguei o trólebus, pois por ter vindo de Osasco, nunca tinha ouvido falar nele, e foi uma coisa muito boa porque eu não sabia como que funcionava, e me surpreendi demais!
Chegando no local estava ainda tudo tranquilo, com alguns grupos de amigos conversando, comendo e bebendo. Nós encontramos com a Giovanna, que já estava há um tempo no local, decidimos ir comer no Burguer King que fica na frente da praça. Enquanto esperamos o lanche, do nada surgiu a Marcela lá, membro do outro grupo da batalha da Matrix, foi muito engraçado a cena, porque não teve nada de combinado. Depois desse ocorrido fomos correndo assistir a batalha, já estava começando. No geral, foi uma experiência muito boa, me senti seguro, bem, junto de pessoas que vieram e são de lugares parecidos com o meu, da periferia. Entender, poder estar presente e curtir esses momentos, seja de lazer, advindos de movimentos culturais periféricos, é uma força de resistência ao sistema opressor.
Todos os sentimentos de paz, de alegria, euforia e satisfação foram colocados no meu coração de modo de libertação, o poder, o sorriso e esses momentos são únicos na vida daqueles que são excluídos da alta sociedade."
Relato - Celys:
"A batalha da Matrix sempre teve um lugar especial no meu coração. Por já ter tido contato com a BDM antes, foi, como em todas as vezes, gratificante e importante dividir um espaço com tanta autenticidade e tanto potencial de identificação. Tivemos a sorte de conseguir pegar uma edição especial de funk, então os beats e as músicas que tocaram pré e durante o intervalo da batalha foram, pelo menos pra mim, mais animadas. O processo de ir até a batalha foi divertido. Acompanhei o Jon e a Bia, que nunca andaram de trólebus, e fomos rindo e brincando. Acho que foi uma experiência divertida pra todo mundo, não só pela batalha, mas também por passar um tempo com o pessoal da faculdade mas fora da faculdade.
No dia seguinte eu fiquei pensando em como aquele espaço era um lugar de identificação pra mim. A cada MC que subia no banco e contava a partir do rap suas vivências eu entendi que eu não era só mais uma – eu fazia parte de um grupo, e de um grupo muito bonito. A partir da BDM eu entendi que eu era uma das partes que constituíam a força do coletivo do jovem preto periférico. A BDM para mim foi sempre um lugar de aconchego desde que fui pra lá. Como moro em Diadema, meu município tem a Batalha da Central, mas ironicamente eu não vou muito lá pelo meu apego com a Batalha da Matrix. Então eu acho que a sensação de pertencimento foi a que prevaleceu e prevalece até hoje. Eu tenho certeza que, em qualquer terça feira que eu pisar meus pés naquele lugar vou ser acolhida e, pra uma minoria que sofre constantes preconceitos e é alvo de violência, isso é muito gratificante."
Relato - Diego:
"O dia da batalha foi cheio de experiências muito boas para mim.
Depois da aula de terça, eu e os outros do grupo que são de São Paulo, fomos almoçar no RU e, depois disso, ficamos na faculdade, conversando durante a tarde.
No trajeto, acabamos cometendo um erro no ônibus e fomos na direção errada, mas depois conseguimos nos encontrar e chegar no destino.
Eu nunca tinha ouvido sobre a Batalha da Matrix, foi um evento novo pra mim, ainda mais por ser fora da cidade onde moro. Apesar de já ter acompanhado outras batalhas, como a da Norte, por meio de relatos de amigos e redes sociais, estar presente no evento foi completamente diferente e enriquecedor.
Foi muito interessante estar no papel de observador dentro de um espaço cultural e de resistência extremamente importante para a população em geral.
O ambiente e as pessoas presentes são muito acolhedoras e faz com que tenhamos vontade de voltar mais vezes
A volta foi difícil, já que moro em uma direção completamente oposta da faculdade, me deixando com uma sensação de cansaço gigantesca no dia seguinte, mas também com uma boa lembrança dos momentos que tive com meu grupo."
Relato - Luísa:
"Eu nunca tinha ouvido falar sobre a batalha da matrix, tanto por morar em São Paulo, quanto por não frequentar esse tipo de evento. Depois da aula de terça, eu almocei pela primeira vez no RU, e confesso que me surpreendi, tinha ouvido coisas piores sobre a comida. Passei a tarde na faculdade, estudei um pouco e também conversei com a Julia, Lia, Joao e o Diego. Um pouco depois das 18h nós saimos da faculdade e fomos para a praça, mas acabamos pegando o ônibus errado, pegamos o 53 no sentido contrario. Quando percebemos descemos no próximo ponto e pegamos o 149 e fomos até a batalha. Chegando lá, o motorista abriu a porta para um passageiro descer, mas logo em seguida fechou a porta na nossa cara, e tivemos que descer no próximo ponto e ir andando. Quando finalmente chegamos na batalha, encontramos o resto do grupo: Giovanna, Jon, Cecilia e a Beatriz. Tiramos varias fotos e passamos muito frio, estava 8 graus aquele dia.
Sobre a batalha de rima em si, eu achei muito interessante, nunca tinha frequentado uma. A plateia é uma parte essencial da batalha, já que é ela que escolhe quem ganhou, achei essa parte muito legal e diferente, porque isso dá valor a todas as pessoas que estão presente, não somente as pessoas que estao batalhando. Percebi que ao redor havia muitas motos estacionadas, assim conclui que uma grande parte das pessoas usam esse meio de transporte, e provavelmente podem usá-las para trabalhar, por exemplo como entregador de aplicativo. Também tinha muitos jovens andando de skate e de bicicleta, fazendo diversas manobras."
No dia da visita, encontramos outro grupo que também estava fazendo o trabalho de Identidade e Cultura. No vídeo, Jon diz como foi esse encontro:.