Introdução
A escola como espaço privilegiado para a formação cívica, ativismo social e ambiental, deve reconhecer a necessidade de ajudar os nossos jovens a compreender a urgência de intervir na defesa do seu próprio futuro.
Sabendo isso e as consequências do acelerar das alterações climáticas, é necessário facilitar a participação ativa dos nossos alunos em iniciativas que permitam mitigar os seus efeitos nefastos.
As secas, as inundações, as tempestades e os fogos passaram a ser uma rotina mediática, com consequências para as vidas das populações. Mas quando falamos nos fogos, é importante reconhecer que os recursos florestais em Portugal tem sido alvo de alterações significativas no último século, em especial nos últimos 50 anos com a proliferação de espécies em regime de monocultura, que não são originais do mediterrânico. Essa ausência de diversidade florestal e agrícola deixaram o país abandonado ao “cuidado” do eucalipto e da acácia.
Compreendo a necessidade de ajudar as populações que sofreram com os fogos no ano de 2017, e na vontade de promover a diversidade florestal foi criado um projeto de pequena dimensão no ano letiva 17/18 com os alunos do 1.º ciclo da escola da Torreira. Com essa iniciativa conseguiram testar a capacidade de germinar espécies autóctones em contexto de sala de aula. Revelando-se um sucesso quando a maioria das plantas começaram a crescer e o seu cuidado passou a ser uma rotina de grande agrado e afeto dos alunos e professores. No entanto esse trabalho ficou perdido por má gestão das plantas na pausa letiva do verão.
Com a repetição dos fogos neste último verão e com a experiência adquirida considerou-se importante lançar novamente este desafio às várias escolas do 1.º ciclo do agrupamento.
Objetivos
· Promover e reconhecer espécies autóctones, compreendendo-as como elementos diferenciadores no panorama florestal Português;
· Capacitar o reconhecimento de espécies e os seus vários tipos de germinação e crescimento;
· Valorizar a partilha social do trabalho comunitário em prol de outros e da natureza;
· Reconhecer a necessidade de intervir ambientalmente para mitigar os efeitos nefastos das alterações climáticas;
· Criar autonomia para desenvolver projetos de germinação de espécies nativas;
· Compreender a interligação entre a natureza com diversidade e o bem comum da espécie humana.
Atividades
· Aulas de campo para recolha de sementes e reconhecimentos de espécies no meio envolvente;
· Coleta, seleção e partilha de sementes por doação;
· Criação de viveiros, análise e manutenção das plantas;
· Dar nomes e etiquetar às várias plantas. Exemplos: “Maria Carvalho”; “António Sobreiro” ou “Miguel Castanheiro”;
· Desenvolvimento de conteúdos para divulgação e promoção do projeto;
· Desenvolver um programa de cuidadores externos à escola;
· Plantação e doação das plantas a proprietários/instituições de zonas ardidas.
Recursos
· Num contexto de sustentabilidade, será promovido a reciclagem de materiais para a criação de viveiros e a comunicação do projeto será através da internet. No entanto será necessário terra, água e utensílios de jardinagem/agricultura.
Implementação, articulação e desenvolvimento
Numa fase inicial este projeto será implementado pelos professores do 1.º ciclo/pré que desejarem participar. Mas com uma progressiva implementação que deve ser alargado a outros ciclos.
No 1.º ciclo haverá uma articulação entre as várias áreas do conhecimento, mas com uma maior implementação no Estudo do Meio, Oferta Complementar e Educação para a Cidadania.