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Leviatã - Thomas Hobbes (Edital UFSC - 2026) (Livro I (PRIMEIRA PARTE: Do homem): capítulo XIII (Da condição natural da humanidade relativamente à sua felicidade e miséria). Livro II (SEGUNDA PARTE: Do Estado): Capítulo XVII (Das causas, geração e definição de um Estado) e capítulo XVIII (Dos direitos dos soberanos por instituição).
O Príncipe - Nicolau Maquiavel (Edital UFSC - 2026) (A obra completa)
Ética a Nicômacos - Aristóteles (Edital UFSC - 2025)
A República - Platão (Edital UFSC - 2025)
Educação Após Auschwitz - Theodor Adorno (Edital UFSC - 2024)
Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal - Hannah Arendt (Edital UFSC - 2024)
Janela da Alma (2001)
"Janela da Alma" é um documentário que mergulha profundamente na experiência humana da visão, explorando não apenas o aspecto biológico, mas também as dimensões filosóficas, culturais e emocionais da maneira como percebemos o mundo. Dirigido por João Jardim e Walter Carvalho em 2001, o filme apresenta dezenove entrevistados, cada um com diferentes graus de deficiência visual, desde uma leve miopia até a cegueira total. Para os vestibulandos e candidatos ao Enem, este documentário é uma rica fonte de reflexão sobre questões contemporâneas e filosóficas, oferecendo uma perspectiva única sobre a condição humana e a natureza da percepção.
1) Contextualização e Problemas Contemporâneos:
Vivemos em uma era dominada por imagens. Seja nas redes sociais, na publicidade ou no cinema, somos constantemente bombardeados por visuais que moldam nossa compreensão do mundo. No entanto, "Janela da Alma" nos convida a questionar: o que realmente significa "ver"? E como nossa visão (ou falta dela) molda nossa experiência de vida?
Para os alunos que se preparam para exames como o Enem e vestibulares, o documentário oferece uma oportunidade de refletir sobre a natureza da realidade e a subjetividade da experiência humana. Em um mundo saturado de imagens, o que realmente vemos? E como nossas percepções são moldadas por nossas experiências individuais, culturas e até mesmo limitações físicas?
2) Quem está no documentário?
Os dezenove entrevistados do documentário não são apenas indivíduos que compartilham suas experiências pessoais; eles são figuras proeminentes em seus respectivos campos, cujas obras têm impacto significativo na cultura e na compreensão da natureza humana. Entre eles, destaca-se o escritor e Prêmio Nobel José Saramago, cujas obras frequentemente exploram a condição humana e a natureza da realidade. Suas reflexões no documentário, juntamente com as de outros entrevistados, como o músico Hermeto Paschoal e o neurologista Oliver Sacks, oferecem insights profundos sobre a intersecção da visão, percepção e realidade.
Estes entrevistados, com suas ricas contribuições culturais e acadêmicas, fornecem aos alunos uma base sólida para entender a complexidade da experiência humana. Eles nos lembram que a visão não é apenas um sentido biológico, mas também uma janela para a alma, influenciando profundamente nossa compreensão de nós mesmos e do mundo ao nosso redor.
3) Problemas Filosóficos em "Janela da Alma" e sua Relevância para o ENEM
3.1 Natureza da Percepção e Realidade (Metafísica):
Problema: O documentário levanta questões sobre a natureza da realidade e como a percebemos. Como sabemos o que é real? Nossa percepção é uma representação fiel da realidade?
Filósofos Relacionados: Platão (Alegoria da Caverna), René Descartes (Dúvida Metódica), Immanuel Kant (Fenômeno x Noumenon).
Relação com o ENEM: Ambos os exames frequentemente abordam questões sobre a natureza da realidade e a confiabilidade de nossas percepções.
Possíveis respostas para o problema:
A questão da percepção e da realidade é um dos dilemas mais antigos e persistentes da filosofia. Se nossa percepção é subjetiva e moldada por inúmeras variáveis (como experiências passadas, cultura, e até mesmo nossa biologia), então como podemos ter certeza de que o que percebemos é uma representação fiel da realidade? E, se não podemos confiar plenamente em nossas percepções, como podemos afirmar que conhecemos algo sobre o mundo ao nosso redor?
a) Platão e a Alegoria da Caverna:
Platão, em sua famosa Alegoria da Caverna, descreve seres humanos que passaram toda a sua vida em uma caverna, vendo apenas sombras projetadas na parede e tomando-as como a realidade. Quando um desses prisioneiros é libertado e vê o mundo exterior, ele percebe a diferença entre a sombra (percepção) e a realidade. Para Platão, o mundo que percebemos através de nossos sentidos é apenas uma sombra do mundo das ideias ou formas, que é a verdadeira realidade.
Implicações para "Janela da Alma": No documentário, a visão é explorada não apenas como um sentido físico, mas também como uma metáfora para a compreensão e a consciência. Assim como os prisioneiros da caverna de Platão, somos limitados por nossas percepções. Mas, ao reconhecer essas limitações, podemos buscar uma compreensão mais profunda da realidade.
b) René Descartes e a Dúvida Metódica:
Descartes, em sua busca pela certeza, adotou uma abordagem radical: ele decidiu duvidar de tudo que pudesse ser duvidado. Isso incluía suas próprias percepções sensoriais, pois elas poderiam ser enganosas. Através deste processo, ele chegou à sua famosa conclusão "Cogito, ergo sum" (Penso, logo existo). Para Descartes, a única coisa da qual ele podia estar certo era de sua própria existência como um ser pensante.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário nos desafia a questionar a confiabilidade de nossas percepções. Assim como Descartes, somos levados a considerar até que ponto podemos confiar em nossos sentidos e o que isso significa para nossa compreensão da realidade.
c) Immanuel Kant e Fenômeno x Noumenon:
Kant fez uma distinção entre o "fenômeno" (o mundo como o percebemos) e o "noumenon" (o mundo como ele é em si mesmo). Para Kant, nunca podemos conhecer o noumenon diretamente; só podemos conhecer o fenômeno. Nossa percepção da realidade é sempre mediada por nossas capacidades sensoriais e cognitivas.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário, ao explorar a experiência da visão através de diferentes indivíduos, reflete essa ideia kantiana. Cada pessoa, com sua perspectiva única e suas limitações visuais, percebe o mundo de uma maneira diferente, destacando a natureza subjetiva e mediada de nossa experiência.
3.2 Ética e a Experiência Humana:
Problema: Como tratamos e compreendemos aqueles com deficiências visuais? Qual é a ética envolvida na representação e compreensão da deficiência?
Filósofos Relacionados: Emmanuel Levinas (Ética como Primeira Filosofia), John Rawls (Véu da Ignorância).
Relação o ENEM: Questões éticas, especialmente aquelas relacionadas à inclusão e direitos humanos, são tópicos frequentes nos exames.
Possíveis respostas para o problema:
A ética, enquanto ramo da filosofia, investiga as noções de certo e errado, bem e mal, e como devemos viver nossas vidas. No contexto do documentário "Janela da Alma", a ética se relaciona com a maneira como percebemos, tratamos e compreendemos aqueles com deficiências visuais. Como a sociedade valoriza ou desvaloriza certas experiências sensoriais? E qual é a ética envolvida na representação e compreensão da deficiência?
a) Emmanuel Levinas e a Ética como Primeira Filosofia:
Levinas argumenta que a ética não é apenas um ramo da filosofia, mas a filosofia primordial. Para ele, a responsabilidade para com o "Outro" é fundamental. Antes de qualquer consideração teórica ou abstrata, somos confrontados com a face do Outro, que nos chama à responsabilidade.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário nos apresenta diferentes "rostos", cada um com sua própria experiência e perspectiva sobre a visão. Levinas nos desafiaria a considerar nossa responsabilidade ética para com esses indivíduos, não apenas como sujeitos de curiosidade, mas como seres humanos plenos com sua própria dignidade e valor.
b) John Rawls e o Véu da Ignorância:
Rawls, em sua teoria da justiça, introduz o conceito do "véu da ignorância". Se estivéssemos por trás deste véu, não saberíamos nada sobre nossas próprias características pessoais, incluindo nossa saúde, riqueza, talentos ou deficiências. Rawls argumenta que, ao decidir os princípios de justiça por trás deste véu, escolheríamos princípios que fossem justos para todos, independentemente de suas circunstâncias.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário nos desafia a considerar como tratamos e valorizamos diferentes experiências humanas. A perspectiva de Rawls nos levaria a questionar se nossa sociedade é justa para aqueles com deficiências visuais. Se estivéssemos por trás do véu da ignorância, como gostaríamos que a sociedade tratasse aqueles com deficiências?
3.3 Consequências Epistemológicas:
Problema: Se nossa visão é subjetiva e potencialmente falha, como podemos conhecer e entender o mundo ao nosso redor?
Filósofos Relacionados: David Hume (Empirismo), Edmund Husserl (Fenomenologia).
Relação com o ENEM: A natureza do conhecimento e como o adquirimos é um tópico central em filosofia e frequentemente explorado em exames.
Possíveis respostas para o problema:
A epistemologia, enquanto ramo da filosofia, investiga a natureza, origem e limites do conhecimento humano. Se aceitarmos que nossa percepção é subjetiva e potencialmente falha, surge a questão: como podemos afirmar que conhecemos algo sobre o mundo ao nosso redor? E quais são as implicações de confiar em nossas percepções para adquirir conhecimento?
a) David Hume e o Empirismo:
Hume, um filósofo empirista, argumentou que todo o nosso conhecimento deriva da experiência. No entanto, ele também apontou que nossas percepções sensoriais podem ser enganosas. Por exemplo, a continuidade e causalidade que percebemos no mundo não são coisas que podemos observar diretamente, mas são inferências que fazemos com base em nossas experiências passadas.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário explora a natureza subjetiva da visão e, por extensão, de todas as nossas percepções sensoriais. Se aceitarmos a perspectiva de Hume, somos levados a questionar a confiabilidade de nosso conhecimento e a reconhecer que muito do que "sabemos" é, na verdade, inferido e não observado diretamente.
b) Edmund Husserl e a Fenomenologia:
Husserl propôs que, em vez de tentar encontrar uma base objetiva para o conhecimento, deveríamos focar na experiência direta e imediata, ou "fenômenos". Para Husserl, o verdadeiro ponto de partida para o conhecimento é a nossa experiência consciente do mundo.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário, ao explorar a experiência da visão através de diferentes indivíduos, reflete essa abordagem fenomenológica. Cada pessoa, com sua perspectiva única e suas limitações visuais, oferece uma visão íntima de sua experiência consciente do mundo. Isso nos lembra que, embora possamos nunca alcançar uma compreensão "objetiva" do mundo, podemos adquirir um conhecimento profundo e significativo através de nossas experiências diretas.
3.4 Filosofia das Emoções:
Problema: Como a visão (ou falta dela) influencia nossas emoções e experiências? Como as emoções moldam nossa percepção?
Filósofos Relacionados: Baruch Spinoza (Ética), Jean-Paul Sartre (Existencialismo e Emoções).
Relação com o ENEM: A interação entre emoção, razão e experiência é um tópico relevante, especialmente quando se considera a formação integral do indivíduo.
Possíveis respostas para o problema:
As emoções desempenham um papel crucial na maneira como interpretamos e interagimos com o mundo ao nosso redor. Como a visão (ou a falta dela) influencia nossas emoções e experiências? E, inversamente, como nossas emoções e estados internos moldam nossa percepção do mundo exterior?
a) Baruch Spinoza e a Ética das Emoções:
Spinoza, em sua obra "Ética", argumentou que as emoções são entendimentos confusos das coisas. Para ele, as emoções são reações às coisas à medida que as percebemos, e nosso objetivo deveria ser alcançar uma compreensão clara e distinta das coisas para alcançar a paz e a felicidade.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário explora a profunda interconexão entre visão e emoção. Através das experiências compartilhadas dos entrevistados, vemos como a percepção visual pode evocar emoções poderosas, desde alegria e maravilha até tristeza e isolamento. A perspectiva de Spinoza nos desafiaria a considerar como uma compreensão mais clara de nossa visão e de nossas emoções pode levar a uma vida mais plena e equilibrada.
b) Jean-Paul Sartre e a Existência das Emoções:
Sartre, um filósofo existencialista, via as emoções como uma forma de consciência e uma maneira de se relacionar com o mundo. Para ele, as emoções não são meros estados passivos, mas escolhas ativas que fazemos em resposta às situações que enfrentamos.
Implicações para "Janela da Alma": O documentário destaca a natureza ativa e escolhida das emoções. Por exemplo, a maneira como os entrevistados escolhem se relacionar com suas deficiências visuais - seja com aceitação, resistência, tristeza ou alegria - reflete a ideia de Sartre de que as emoções são uma forma de navegar e dar sentido ao mundo. Isso nos lembra da agência que temos em moldar nossa experiência emocional e, por extensão, nossa percepção do mundo.
4. Conexão entre "Janela da Alma", a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o ENEM: Foco nas Ciências Humanas
Visão Geral da BNCC e ENEM em Ciências Humanas:
A BNCC estabelece competências e habilidades que os estudantes devem desenvolver ao longo da escolaridade básica. O ENEM, por sua vez, avalia essas competências e habilidades, especialmente nas Ciências Humanas, que englobam História, Geografia, Filosofia e Sociologia. O documentário "Janela da Alma" pode ser usado como uma ferramenta pedagógica para explorar e aprofundar várias dessas competências e habilidades.
4.1 Competências e Habilidades em Ciências Humanas:
a) Compreender e Analisar a Diversidade da Experiência Humana:
BNCC/ENEM: Os estudantes devem ser capazes de compreender e analisar a diversidade da experiência humana ao longo do tempo e em diferentes contextos.
"Janela da Alma": O documentário oferece uma visão íntima da experiência de pessoas com diferentes graus de deficiência visual, destacando a diversidade e complexidade da experiência humana.
b) Desenvolver Pensamento Crítico e Reflexivo:
BNCC/ENEM: Os estudantes devem ser capazes de analisar, criticar e refletir sobre eventos, situações e conceitos.
"Janela da Alma": Ao explorar a natureza da visão e da percepção, o documentário desafia os espectadores a refletir criticamente sobre a maneira como percebem e compreendem o mundo ao seu redor.
c) Compreender e Analisar a Construção Social da Realidade:
BNCC/ENEM: Os estudantes devem entender como a realidade é socialmente construída e como diferentes grupos e culturas interpretam e dão sentido ao mundo.
"Janela da Alma": O documentário mostra como a visão (ou a falta dela) influencia a maneira como os indivíduos interpretam e dão sentido ao mundo, destacando a natureza socialmente construída da realidade.
d) Desenvolver Empatia e Respeito pela Diversidade:
BNCC/ENEM: Os estudantes devem ser capazes de se colocar no lugar dos outros, compreendendo diferentes perspectivas e respeitando a diversidade.
"Janela da Alma": Ao apresentar as experiências e perspectivas de pessoas com deficiências visuais, o documentário promove a empatia e o respeito pela diversidade.
e) Conclusão:
O documentário "Janela da Alma" é uma ferramenta valiosa para explorar e aprofundar as competências e habilidades estabelecidas pela BNCC e avaliadas pelo ENEM, especialmente no campo das Ciências Humanas. Ao integrar o documentário ao currículo, os educadores podem proporcionar aos estudantes uma compreensão mais rica e matizada das Ciências Humanas, preparando-os de maneira eficaz para o ENEM e para a vida como cidadãos informados e empáticos.
03/09/2023
Dicas de livros, filmes e documentários
"Sociedade do cansaço" é um livro do filósofo e sociólogo sul-coreano Byung-Chul Han, publicado em 2010, que aborda a atual condição humana em uma sociedade que valoriza o desempenho, a produtividade e a eficiência.
Han argumenta que a época contemporânea é caracterizada pela ausência de limites e pelo excesso de positividade, em que tudo é possível, mas também se torna obrigatório. O autor usa o conceito de "excesso de positividade" para descrever uma sociedade em que as pessoas estão constantemente sob pressão para terem uma vida perfeita e feliz, o que leva ao surgimento de transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão.
Além disso, Han discute como a tecnologia e a cultura digital, em vez de tornar a vida mais fácil e simples, na verdade, aumenta a sensação de sobrecarga e fadiga. As pessoas são bombardeadas com informações, e-mails, mensagens, notificações de redes sociais e outras distrações, que dificultam a capacidade de concentração e de reflexão.
O autor propõe uma nova forma de pensamento baseada na negatividade e na resistência, em vez da positividade excessiva que domina a sociedade atual. Han argumenta que devemos aprender a dizer "não" para as distrações e emoções externas e encontrar tempo para o descanso e a contemplação, a fim de preservar nossa saúde mental e bem-estar.
"A sociedade do cansaço" é um livro desafiador e provocativo, que oferece uma crítica profunda da cultura contemporânea e sugere soluções para ajudar as pessoas a lidar com os desafios da vida moderna. Han apresenta uma análise crítica e pertinente da condição humana na era da hiperconectividade, e seus insights são relevantes para todos aqueles que buscam compreender a complexidade do mundo atual.
07/04/2023
Este filme-ensaio, de 2015, envolve o fenômeno do cansaço em nossas sociedades capitalistas e seus sintomas como depressão, esgotamento, burnout. A artista visual Isabella Gresser tece as observações cinematográficas, fotográficas e desenhadas que fez na Coréia e Berlim com textos falados e trechos de palestras de Byung-Chul Han.
Neste documentário o filósofo traz discussões sobre sociedade disciplinar, sociedade do controle, sociedade do cansaço e sociedade da transparência. Além disso comenta sobre Hegel, Peter Handke, Wim Wenders, conversa com o diretor de cinema Park Chan-wook, fala de sua juventude e visão atual sobre Berlim e Seul. Por fim, cabe destacar também as reflexões que Han faz acerca dos suicídios na Coréia do Sul.
07/04/2023
"21 Lições para o Século 21" é um livro do historiador israelense Yuval Noah Harari que procura discutir os desafios que a humanidade enfrenta no século XXI. O autor mergulha em vários temas, como a ascensão da tecnologia, a crise migratória, o nacionalismo, a religião e a mudança ecológica.
O livro é dividido em três partes. A primeira parte, intitulada "O Desafio Tecnológico", trata das mudanças tecnológicas que estão ocorrendo rapidamente em todo o mundo. Harari argumenta que a tecnologia está mudando o modo como viver e cultivar, e nos encorajar a pensar criticamente sobre essas mudanças.
A segunda parte do livro, "O Desafio Político", é dedicada à política e à sociedade. Harari abordou temas como o nacionalismo, o terrorismo, a democracia e a desigualdade. Ele argumenta que a crescente desigualdade de riqueza e poder está ameaçando a estabilidade social e política em todo o mundo.
A terceira e última parte, "Desespero e Esperança", trata de questões como a mudança climática e a morte. Harari argumenta que a humanidade precisa enfrentar essas questões juntas e com empatia.
Embora o livro tenha muitos pontos fortes, também apresenta algumas fraquezas. Uma das críticas é que Harari não apresenta soluções práticas para os problemas que ele identifica. Em vez disso, ele se concentra em levantar questões e provocar reflexões. Alguns leitores podem achar isso frustrante.
Outra crítica é que, embora Harari seja um historiador altamente apreciado, sua abordagem interdisciplinar pode parecer superficial em alguns momentos. O livro aborda muitos complexos, e alguns leitores podem sentir que Harari não se aprofunda o suficiente em nenhum deles.
No entanto, a escrita de Harari é clara e acessível, o que torna o livro fácil de ler e entender. Ele usa exemplos concretos e histórias para ilustrar seus pontos de vista, o que ajuda a tornar as questões abordadas no livro mais concretos.
No geral, "21 Lições para o Século 21" é uma leitura valiosa para aqueles que buscam entrar em alguma universidade. O livro oferece uma visão ampla e crítica do mundo e provoca reflexões importantes sobre como podemos lidar com esses desafios.
07/04/2023
O filme "Gattaca", lançado em 1997 e dirigido por Andrew Niccol é um filme atual, apesar de já terem se passado 26 anos desde o seu lançamento.
A história se passa em um futuro próximo, onde a manipulação genética é comum e as pessoas são classificadas como "válidos" ou "inválidos" com base em suas características genéticas.
A filosofia apresentada no filme aborda questões como o determinismo genético, a diferença e a busca pelo aprimoramento humano.
Em Gattaca, o personagem principal Vincent é um "inválido", uma pessoa considerada inferior devido a uma condição genética que o impede de realizar seu sonho de se tornar um astronauta. No entanto, ele decide lutar contra a demonstração e manipulação genética, e consegue se infiltrar na sociedade como um "válido" através da utilização de uma identidade falsa.
O filme questiona o determinismo genético, a ideia de que as características de uma pessoa são completamente determinadas por sua herança genética. Ele sugere que a descrição baseada em características genéticas é injusta, e que o valor de uma pessoa deve ser determinado por suas ações e escolhas, e não por sua genética.
Além disso, o filme explora a busca pelo aprimoramento humano através da manipulação genética. A sociedade retratada em Gattaca é obcecada com a ideia de produzir seres humanos "perfeitos", capazes de realizar tarefas específicas com habilidade superior. No entanto, o filme sugere que essa busca pode levar a uma sociedade onde a individualidade e a diversidade são surpreendentes em nome da eficiência e da perfeição.
A filosofia presente em Gattaca é uma reflexão sobre as consequências da manipulação genética e da busca pelo aprimoramento humano. O filme questiona a ideia de que a genética deve ser o único fator determinante na avaliação do valor de uma pessoa e sugere que a diversidade humana é essencial para a sociedade.
14/04/2023
"Blade Runner" é um filme de ficção científica dirigido por Ridley Scott e lançado em 1982. Na minha humilde opinião é o melhor filme de ficção científica já feito. Ele é uma adaptação do clássico "Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?" de Philip K. Dick .
O filme se passa em uma Los Angeles futurista, em que replicantes (uma espécie de androide mais próximo do clone humano do que do robô), são criados para servir como escravos em colônias fora da Terra . O protagonista do filme, Deckard, é um "blade runner", um policial especializado em "aposentar" (ou seja, matar) replicantes que escapam de suas colônias e se escondem na Terra.
Do ponto de vista filosófico, "Blade Runner" levanta questões importantes sobre a natureza da humana, a relação entre a tecnologia e a vida humana, e a ética na ciência. Em primeiro lugar, o filme apresenta uma visão pessimista do futuro, em que a tecnologia avançada não trouxe uma vida melhor para a humanidade, mas sim um mundo ainda mais desigual e opressivo. Isso faz com que o filme seja visto como uma crítica ao avanço desenfreado da tecnologia e à falta de preocupação com as consequências éticas desse avanço.
Além disso, "Blade Runner" também aborda a questão da nossa própria natureza. Os replicantes são tão semelhantes aos humanos que é difícil distinguir entre eles. Eles possuem emoções, pensamentos e desejos (que parecem reais, mas são simulações), o que levanta a questão de que eles não são dignos de se compararem aos humanos por terem sido criados em laboratório. Essa questão é colocada em evidência quando Deckard começa a questionar sua própria humanidade ao se aproximar dos replicantes, especialmente quando se apaixona por um deles, Rachel.
Outra questão importante que o filme levanta é a relação entre a ética e a ciência. O criador dos replicantes, Tyrell, é retratado como um cientista ambicioso e amoral, que criou seres humanos artificiais para servir a seus próprios interesses, sem se preocupar com as consequências éticas de suas ações. O papel de Deckard, como "blade runner", é justamente o de agir como um policial que faz valer a ética em relação aos replicantes, mas que, no fim, acaba se questionando sobre a validade de suas ações.
Por fim, "Blade Runner" também aborda a questão da mortalidade humana e da finitude da vida. A busca dos replicantes pelo prolongamento de sua vida é uma metáfora para a busca humana pela imortalidade, e a busca de Deckard pelo sentido da vida também é uma questão filosófica que permeia todo o filme. Um baita filme com uma icônica trilha sonora do Vangelis, que teve continuação com "Blade Runner 2049" de 2017.
20/04/2023
O livro "A sutil arte de ligar o foda-se", escrito pelo autor Mark Manson, parece um livro idiota. Particularmente, não gosto do título. Quando vi numa livraria, me pareceu charlatanismo ou livro de auto-ajuda, mas de certa forma é um livro útil para quem está vivenciando o ENEM. Para minha surpresa o livro é uma pequena introdução ao pensamento filosófico propondo uma abordagem diferente sobre como podemos lidar com os problemas e dificuldades que encontramos em nossas vidas.
Através de uma linguagem descontraída e direta, Manson apresenta uma visão crítica sobre a cultura contemporânea, que busca incessantemente a felicidade e o sucesso, muitas vezes sem levar em conta as consequências emocionais e psicológicas disso.
Manson defende a ideia de que a felicidade não deve ser o objetivo principal da vida, e sim a realização de valores pessoais e absorvidos, que não dependem do sucesso externo. Ele argumenta que devemos aprender a aceitar a dor e os problemas como algo inevitável, e que, em vez de tentar evitá-los ou reprimi-los, devemos abraçá-los e usá-los como um catalisador para o crescimento e desenvolvimento pessoal.
O autor também faz uma crítica ao excesso de informação e estímulos que ouvimos constantemente, e defende a importância de desligar-se do mundo externo para desenvolver uma reflexão interna e uma conexão com nossos valores pessoais.
Em termos filosóficos, o livro se inspira em correntes como o estoicismo e o existencialismo, que valorizam a aceitação das dificuldades e o compromisso com valores pessoais como forma de encontrar sentido e propósito na vida. O livro também questiona a cultura do consumo e da busca incessante pela felicidade, em detrimento do crescimento pessoal e da realização de valores mais profundos e emocionantes.
O livro é divertido e vale a leitura, apesar do autor adorar usar as variações do verbo "f*der" (talvez também seja pressão da editora escolher adotar o verbo), pois ele tem outro livro com o verbo: "F*deu Geral".
28/04/2023
"Ideias para adiar o fim do mundo", de Ailton Krenak, é uma das leituras obrigatórias para a UNICAMP em 2024. Além disso, o livro propõe uma reflexão profunda sobre a crise civilizatória que a humanidade enfrenta atualmente, e apresenta ideias e perspectivas que buscam construir um futuro mais justo, equitativo e sustentável.
Do ponto de vista filosófico, o livro de Krenak apresenta uma crítica contundente ao paradigma da modernidade ocidental, que se baseia na visão antropocêntrica e utilitarista da natureza, e que tem gerado uma degradação ambiental, uma desigualdade social e perda da diversidade cultural.
Krenak argumenta que é necessário repensar a relação entre os seres humanos e a natureza, adotando uma perspectiva mais ética e cuidadosa, que valoriza a biodiversidade, os ecossistemas e os modos de vida tradicionais dos povos indígenas e outras comunidades que vivem em harmonia com o meio ambiente .
A proposta de Krenak envolve a construção de um novo modelo de desenvolvimento, que leve em conta não apenas os interesses psicológicos e comerciais, mas também as necessidades sociais, culturais e ambientais das pessoas e das comunidades. Nesse sentido, Krenak defende a importância da imaginação e da criatividade como formas de enfrentar os desafios do presente e do futuro, e de construir um mundo mais justo e sustentável.
Em sua crítica à modernidade ocidental, Krenak também apontou para a necessidade de reconhecer os direitos dos povos indígenas e outras comunidades tradicionais, que têm sido historicamente excluídos e marginalizados pela visão antropocêntrica da natureza. Para ele, é preciso defender a diversidade cultural e a pluralidade de modos de vida, reconhecendo que as diferentes culturas e tradições possuem saberes e práticas que podem contribuir para a construção de um mundo mais equitativo e sustentável.
Tive o prazer de entrevistar o Ailton Krenak na 50ª Feira do Livro de Santa Maria, no dia 07/05/2023. Divulgo aqui quando tiver acesso ao vídeo de gravação que certamente cairá no YouTube daqui uns dias.
10/05/2023
"O Olho Mais Azul" é um poderoso romance e um baita soco na cara. Escrito pela incrível Toni Morrison, primeira mulher negra vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Publicado pela primeira vez em 1970, o livro trata do impacto fatal do racismo e das normas de beleza eurocêntricas na vida de uma jovem negra.
A história se centra em Pecola Breedlove, uma menina negra que cresce na América do pós-Guerra. Pecola tem um desejo profundo e doloroso de ter olhos azuis - uma marca de beleza que ela acredita que lhe trará amor, aceitação e uma vida melhor. Este desejo é tanto uma reação ao abuso e à negligência que sofre em casa quanto à constante marginalização racial e social que experimenta na sociedade em geral.
Morrison usa a história de Pecola para explorar a forma como o racismo internalizado pode afetar a autoimagem e a identidade. O desejo de Pecola por olhos azuis é uma metáfora poderosa da internalização das normas de beleza brancas e da rejeição da própria identidade.
O livro também examina as maneiras como as experiências de raça, classe e gênero se sobrepõem e interagem, ilustrando o conceito de interseccionalidade antes mesmo de o termo ter sido cunhado. Pecola enfrenta não apenas o racismo, mas também a pobreza e a misoginia, e Morrison mostra como essas diferentes formas de opressão estão interligadas e reforçam uma à outra.
"O Olho Mais Azul" é uma leitura intensa e emocionalmente desafiadora, mas também uma visão importante e necessária sobre o impacto do racismo e da opressão. É um excelente recurso para discussões sobre raça, beleza e identidade, e pode ser particularmente útil para estudantes se preparando para abordar esses tópicos no ENEM.
Contudo, é importante lembrar que, apesar de "O Olho Mais Azul" trazer uma perspectiva valiosa sobre questões de raça e opressão, ele não representa todas as experiências de pessoas negras ou de outras pessoas marginalizadas. Portanto, deve ser complementado com outras leituras e discussões que ofereçam uma gama diversificada de perspectivas.
20/05/2023
Nigel Warburton, em "Uma Breve História da Filosofia", realiza uma notável proeza: tornar a filosofia acessível, compreensível e, acima de tudo, interessante para leitores de todos os níveis de familiaridade com o assunto.
Warburton apresenta um olhar panorâmico sobre a filosofia ocidental, começando com Sócrates e Platão e chegando até os filósofos contemporâneos. A cada capítulo, um filósofo ou corrente filosófica é retratado, e suas ideias e contribuições são exploradas e analisadas de maneira aprofundada, porém concisa.
Uma das principais forças do livro é a linguagem clara e acessível de Warburton. Ele consegue expor conceitos complexos e abstratos de uma maneira que é fácil de entender, sem sacrificar a profundidade ou precisão. Além disso, Warburton não se esquiva de críticas e controvérsias, oferecendo uma visão equilibrada de cada filósofo e corrente filosófica.
No entanto, uma limitação do livro é seu foco na filosofia ocidental. Embora o título seja "Uma Breve História da Filosofia", a obra explora majoritariamente os pensadores ocidentais, deixando de lado filosofias de outras partes do mundo, como a África, a Ásia e a América do Sul.
"Uma Breve História da Filosofia" é uma leitura fundamental para qualquer pessoa que está preocupada em ir bem em humanas no Enem. A escrita de Warburton é clara, envolvente e acessível, tornando a filosofia menos chata e prolixa.
26/05/2023
O livro "A Arte de Argumentar", de Anthony Weston, é uma excelente recomendação para estudantes se prepararem para uma prova de redação do ENEM. Deixando claro, que não se trata de um livro com técnicas de redação para o ENEM, mas um livro sobre "argumentação".
Esse livro é um guia prático para a argumentação eficaz, ensinando os leitores a construir argumentos sólidos, evitar falácias lógicas e se comunicar de maneira eficaz. Ele oferece ferramentas valiosas para se organizar e estruturar um argumento coerente e persuasivo - uma habilidade essencial na redação de uma dissertação para o ENEM.
5 razões para lê-lo:
1 - Desenvolvimento de pensamento crítico: Este livro oferece uma visão abrangente sobre como identificar e formular argumentos sólidos. Isso é essencial na redação do ENEM, onde os avaliadores estão buscando estudantes que possam apresentar e defender seus pontos de vista de maneira lógica e convincente.
2 - Entendimento da estrutura do argumento: Weston detalha como os argumentos são estruturados, o que ajuda a entender e a criar linhas de raciocínio coerentes e bem fundamentadas. Para o ENEM, isso é vital, pois uma boa redação deve ter um encadeamento lógico e coerente de ideias.
3 - Identificação de falácias lógicas: Uma das partes mais úteis do livro é a que trata das falácias lógicas, erros de raciocínio que tornam um argumento inválido. Reconhecer essas falácias é fundamental não apenas para evitar cometê-las na própria escrita, mas também para refutar argumentos falaciosos que possam surgir em textos motivadores da prova.
4 - Melhora da persuasão: Além de ensinar a desenvolver argumentos lógicos, o livro também fornece ferramentas para tornar a argumentação mais persuasiva. Isso é particularmente relevante para a redação do ENEM, onde os examinadores buscam textos que defendam um ponto de vista de maneira convincente.
5 - Aumento do repertório sociocultural: Ao longo do livro, Weston usa uma variedade de exemplos para ilustrar pontos sobre argumentação. Isso pode contribuir para o repertório sociocultural do estudante, algo valorizado na avaliação do ENEM.
Outra sugestão é "Como Escrever Bem: Guia para Redação de Não Ficção", de William Zinsser. Este livro oferece orientações sobre vários aspectos do processo de escrita, desde a escolha das palavras até a organização das ideias, passando por dicas de como evitar a prolixidade e manter a clareza, todos os aspectos muito importantes para uma boa redação, apesar de ser um livro sobre escrita jornalística.
5 razões para lê-lo:
1 - Clareza e concisão: Zinsser enfatiza a importância de escrever de maneira clara e concisa, eliminando palavras e frases desnecessárias. Isso é vital na redação do ENEM, onde a clareza de expressão é muito valorizada e a quantidade de palavras é limitada.
2 - Estilo de escrita: Este livro fornece dicas práticas sobre como desenvolver um estilo de escrita atraente e autêntico. No ENEM, embora a redação deva seguir uma estrutura formal de dissertação, ainda é importante que o texto seja envolvente e demonstre a personalidade do autor.
3 - Estrutura do texto: Zinsser oferece orientações valiosas sobre como estruturar um texto de maneira lógica e coerente. Essa habilidade é fundamental para a redação do ENEM, que deve apresentar uma progressão temática clara e um bom encadeamento de ideias.
4 - Uso de exemplos e detalhes: O livro incentiva o uso de exemplos específicos e detalhes para apoiar os argumentos. Isso é algo que os avaliadores do ENEM apreciam, pois demonstra a capacidade do estudante de pensar de maneira concreta e aplicar conceitos abstratos a situações da vida real.
5 - Revisão: Zinsser destaca a importância da revisão no processo de escrita. Ele ensina como revisar o próprio trabalho de maneira eficaz, o que é uma habilidade inestimável para melhorar a redação antes de finalizar o ENEM.
Ambos os livros ajudam a aprimorar o raciocínio crítico e as habilidades de escrita, fundamentais para um bom desempenho na redação do ENEM.
04/06/2023
Hoje vamos embarcar em uma viagem emocionante e profunda para entender melhor a nossa sociedade. Não estou falando de uma viagem de avião ou carro, mas sim de uma jornada através das páginas de um livro - e que livro! "O Povo Brasileiro", do inigualável Darcy Ribeiro.
Se você ainda não ouviu falar de Darcy Ribeiro, prepare-se para uma grata surpresa. Ribeiro foi um dos mais importantes antropólogos, escritores e políticos brasileiros do século XX, e sua contribuição para a nossa compreensão da formação étnica e cultural do Brasil é incomparável.
"O Povo Brasileiro" é um verdadeiro tratado sobre a formação e a identidade do Brasil. Ribeiro investiga nossas raízes indígenas, africanas e europeias, e tece uma narrativa rica e complexa sobre como esses elementos se combinaram para formar a nossa nação multicultural e multirracial.
Agora, você deve estar se perguntando, por que é importante ler "O Povo Brasileiro" para o ENEM? Bem, é simples. Se você quer entender os desafios e as complexidades que enfrentamos como nação hoje, você precisa entender como chegamos até aqui. E não existe um guia melhor para essa jornada do que "O Povo Brasileiro".
Este livro é uma leitura obrigatória para quem quer se destacar na prova de Ciências Humanas. Ele aborda uma ampla variedade de tópicos - de questões raciais a conflitos territoriais, da migração interna à formação de nossa cultura sincrética - que são frequentemente cobertos no ENEM.
Além disso, "O Povo Brasileiro" é uma ferramenta extremamente útil para a redação. Ele te ajudará a desenvolver um profundo entendimento de questões sociais e culturais, permitindo que você discuta esses tópicos de forma informada e crítica. Não é exagero dizer que este livro pode ser a diferença entre uma redação mediana e uma redação que realmente se destaca.
Depois de todas essas razões, reserve algum tempo para ler "O Povo Brasileiro". É mais do que um livro, é uma introdução à alma do Brasil, uma ferramenta valiosa para entender o nosso passado, presente e futuro. Boa leitura!
Obs.: Não deixe de conhecer a Fundação Darcy Ribeiro.
19/06/2023
Olá, futuros universitários! Preparem-se para um roteiro que vai além das fazendas e sítios. Hoje, vamos falar sobre "A Revolução dos Bichos" de George Orwell. Agora, não se deixem enganar pelo título. Esse livro não é uma versão de fazendinha do Discovery Kids, é um clássico da literatura mundial que traz uma análise aguda e crítica sobre política e poder.
Para quem nunca ouviu falar dele, George Orwell é um dos mais renomados escritores britânicos do século XX. Ele é conhecido por suas obras fortemente críticas ao totalitarismo e à manipulação política, como "1984" e "A Revolução dos Bichos", essas são suas obras mais notáveis.
"A Revolução dos Bichos" é uma fábula satírica que retrata uma rebelião de animais de fazenda contra seu fazendeiro. A principio, os animais buscam criar uma sociedade igualitária, mas conforme o tempo passa, alguns começam a assumir mais poder que outros, e as coisas começam a dar errado. A história é uma alegoria da Revolução Russa de 1917 e do subsequente regime soviético, mas as suas lições podem ser aplicadas a muitas outras situações políticas.
E por que "A Revolução dos Bichos" é tão relevante para o ENEM, você pergunta? Bem, para começar, o ENEM adora questões que envolvem análise e compreensão de questões sociais e políticas. Entender a crítica de Orwell ao autoritarismo e à corrupção é um passo importante para desenvolver suas próprias habilidades de análise crítica.
Então, se você quer encher de orgulho quem se importa com você, indo bem na prova do Enem e, de quebra, ter uma visão mais crítica do mundo político, "A Revolução dos Bichos" é um livro essencial. Aproveite a leitura e lembre-se: "Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros". Isso vai fazer mais sentido depois da leitura, prometo!
Bons estudos!
27/06/2023
Hoje, eu tenho o prazer de apresentar a vocês uma obra-prima cinematográfica que não só vai agitar o pensamento, mas também enriquecer o repertório cultural de vocês, indispensável para ir melhor na prova de redação. Se segure na poltrona, porque estamos falando de ninguém menos que Akira Kurosawa e seu filme excepcional: "Sonhos". Realizado em 1990, é um filme único, uma tapeçaria de cores e pensamentos que vai deixar seu cérebro afiado. (é só clicar no link para assistir) Vindo do brilhante diretor japonês Akira Kurosawa, o cara que influenciou diretores ocidentais como George Lucas e Steven Spielberg, "Sonhos" é uma coleção de oito curta-metragens. Agora, o que faz esse filme ser excepcional? Cada uma dessas histórias é baseada em sonhos reais que Kurosawa teve durante sua vida. Isso mesmo! É como se tivéssemos um vislumbre exclusivo do subconsciente desse diretor lendário, abordando temas que vão desde a natureza da vida e da morte até as relações entre a humanidade e o mundo natural, e o impacto potencialmente devastador da tecnologia moderna.
O filme começa com "Um raio de sol através da chuva", onde um menino desobedece a sua mãe e testemunha uma procissão de espíritos da floresta sob a chuva. A referência a lenda do Kitsune e do teatro "butô" é muito interessante, onde se nota nas pausas dos espíritos da floresta. Na cultura japonesa essas pausas são explicadas no conceito estético de "Ma". O segundo curta, "O jardim das pessegueiras", explora a interação entre o humano e a natureza através da visão de uma dança realizada por espíritos de pêssego. O terceiro sonho, "A nevasca", trata de um grupo de alpinistas lutando contra uma nevasca e a proximidade da morte. O quarto segmento, "O túnel", mostra um comandante retornando da guerra e sendo confrontado pelos homens que ele ordenou para a morte. O quinto segmento, "Corvos", é uma exploração artística na qual um homem interage com o mundo das pinturas de Vincent Van Gogh. O sexto sonho, "Monte Fuji em chamas", apresenta uma visão apocalíptica de uma catástrofe nuclear no Japão. O sétimo segmento, "O demônio que chora", mostra um mundo pós-apocalíptico onde humanos se transformaram em demônios como resultado da radiação nuclear. Finalmente, o último segmento, "Vilarejo dos moinhos", apresenta uma aldeia que rejeitou a tecnologia moderna em favor de um estilo de vida simples e em harmonia com a natureza (lembra bastante o modo de vida estóico).
Cada uma dessas histórias aborda temas filosóficos e sociológicos significativos que são relevantes para estudantes do ENEM. Eles tratam de questões como a relação entre o homem e a natureza, a ética da guerra e da tecnologia, a natureza da arte e da criatividade, e a interação entre vida e morte. Essas questões se enquadram na categoria das ciências humanas, o que torna "Sonhos" uma rica fonte de conhecimento e inspiração para quem busca enriquecer seu repertório cultural para a prova de redação do ENEM. Além disso, a forma como Kurosawa aborda esses temas em seu filme pode servir como um exemplo de como apresentar argumentos complexos de maneira clara e atraente, uma habilidade crucial para o sucesso na prova de redação do ENEM.
Tem esse outro texto aqui, que foi produzido pelo grupo de estudos de arte japonesa da Unifesp, onde é feita uma análise com mais detalhes sobre os 8 curtas do filme "Sonhos".
04/07/2023
Hoje vamos falar sobre um livro que é um verdadeiro soco no estômago do machismo: "Sejamos Todos Feministas" da incrível Chimamanda Ngozi Adichie. Agora, antes que alguém comece a revirar os olhos e dizer "Ah, não, lá vem o professor com esse papo de feminismo de novo", deixa eu te contar uma coisa: este livro é para todos nós, independente do gênero. É uma chamada para a igualdade, e quem não gosta de igualdade, certo? Então, o que é esse livro? Bem, é um ensaio adaptado de uma palestra TEDx que Adichie deu em 2012. Ela começa contando uma história de quando foi chamada de feminista pela primeira vez na Nigéria, e não de uma maneira legal. A partir daí, ela nos leva em uma jornada através de suas experiências pessoais, mostrando como o gênero afeta todos os aspectos de nossas vidas, desde as expectativas de comportamento até as oportunidades de carreira. Agora, você pode estar pensando: "Mas professor, o que isso tem a ver com o ENEM?" Bem, meu caro estudante, o ENEM adora questões sociais, e o feminismo é uma das grandes questões sociais do nosso tempo. Além disso, entender o feminismo e a igualdade de gênero pode te ajudar a entender melhor muitas das questões que você verá na prova, seja em ciências humanas, linguagens ou até mesmo em matemática e ciências da natureza. Fora o fato de que a Chimamanda caiu na UFSM (procure na questão 8) agora, no meio do ano.
Adichie não apenas compartilha suas experiências pessoais, mas também nos desafia a questionar as normas e expectativas de gênero que muitas vezes tomamos como garantidas. Por exemplo, ela fala sobre como as meninas são frequentemente ensinadas a se encolher, a serem submissas e a priorizar o casamento acima de tudo. Os meninos, por outro lado, são ensinados a serem duros, a esconderem suas emoções e a verem as mulheres como seres inferiores. Esses estereótipos de gênero não são apenas prejudiciais, mas também limitam o potencial de todos nós. E aí você me pergunta: "Mas professor, isso ainda acontece hoje em dia?" E eu te respondo: "Com certeza, jovem!" Basta olhar para os salários desiguais entre homens e mulheres, a falta de mulheres em posições de liderança e a violência de gênero que ainda é tão prevalente em nossa sociedade.
Mas não se desespere! Adichie não apenas identifica os problemas, mas também nos dá uma visão de como podemos mudar as coisas. Ela nos lembra que todos nós - homens e mulheres - devemos ser feministas. Que devemos questionar e desafiar as normas de gênero e lutar pela igualdade.
Então, quando você estiver fazendo o ENEM ou o vestibular da UFSM e se deparar com uma questão sobre gênero ou igualdade, lembre-se do que aprendeu com Adichie. Lembre-se de que o feminismo não é sobre odiar os homens ou querer ser superior, mas sobre lutar por direitos iguais. E lembre-se de que, como disse Adichie, "todos nós devemos fazer melhor".
E aí está, pessoal! "Sejamos Todos Feministas" em um resumo bem apertado. Agora, vá lá, leia o livro, desafie suas próprias crenças e, quem sabe, mude o mundo um pouquinho.
19/07/2023
Olá, povo! Hoje, vamos nos encontrar com uma obra que não só vai enriquecer sua bagagem cultural, mas também pode ser uma ferramenta valiosa para a prova de humanas do ENEM: "Justiça*", de Michael Sandel.
Michael Sandel, professor de Harvard, é um dos filósofos contemporâneos mais influentes quando se trata de ética e moral. Em "Justiça", ele nos convida a refletir sobre o que é o certo a fazer em diversas situações, desde dilemas éticos até questões políticas e sociais. E aí você se pergunta: "Mas por que isso é relevante para o ENEM?" Simples! O ENEM, especialmente na prova de humanas e na redação, busca avaliar sua capacidade de analisar, argumentar e posicionar-se diante de temas atuais e relevantes. E a obra de Sandel é um guia para entendermos os princípios que norteiam nossas decisões e ações.
"O que é justo?" - essa é a pergunta central do livro. Sandel explora três abordagens principais à justiça: o utilitarismo (fazer o que resulta no maior bem para o maior número de pessoas), a liberdade (respeitar a liberdade de escolha das pessoas, mesmo que isso não resulte no melhor para todos) e a virtude (fazer o que é moralmente correto, independentemente das consequências).
Mas o que torna "Justiça" tão especial é a maneira como Sandel conecta essas teorias filosóficas a questões práticas do nosso dia a dia. Ele discute temas como distribuição de riqueza, direitos individuais, discriminação e até mesmo o papel do mercado em nossas vidas. Em um mundo globalizado e repleto de desafios éticos, como o século XXI, compreender essas noções é fundamental para sermos cidadãos conscientes e atuantes.
Agora, vamos ao que interessa: como esse livro pode te ajudar no ENEM?
Proposta de Redação: Ao entender os princípios da justiça, você terá mais repertório para argumentar em qualquer tema proposto. Imagine que o tema seja sobre desigualdade social. Com Sandel, você pode discutir se é justo que poucos tenham muito enquanto muitos têm pouco, baseando-se nas teorias apresentadas no livro.
Prova de Humanas: As questões dessa prova muitas vezes envolvem dilemas éticos e sociais. Ao compreender as diferentes perspectivas de justiça, você terá mais clareza para interpretar e responder a essas questões.
Noções Básicas de Filosofia e Cidadania: O livro não só te introduz a conceitos filosóficos, mas também te ajuda a refletir sobre seu papel enquanto cidadão. E isso, queridos alunos, é uma habilidade valiosa, não só para o ENEM, mas para a vida!
Então, fica a dica: dê uma chance a "Justiça" de Michael Sandel. Além de ser uma leitura envolvente, pode ser o diferencial que você precisa para o ENEM! Boa leitura e bons estudos!
*Esse link dá acesso a todo texto, mas para ler o texto completo é necessário fazer um cadastro/conta no portal "Academia.edu", se você não tem ou não quer fazer o cadastro, dá para ler apenas o primeiro capítulo aqui.
08/08/2023
Já imaginou o que aconteceria se um grupo de crianças ficasse preso em uma ilha deserta, sem adultos por perto? Parece o roteiro de um filme de aventura, certo? Mas, na verdade, é a premissa de "O Senhor das Moscas", um livro de William Golding (prêmio Nobel) que nos faz refletir sobre a natureza humana e o que acontece quando a civilização desmorona. Esse livro é bibliografia básica nas escolas americanas e também já teve duas versões para o cinema, uma em 1963 e outra em 1990.
A história começa com um grupo de garotos britânicos que sobrevivem a um acidente de avião e se encontram em uma ilha tropical. Sem regras ou supervisão adulta, eles tentam criar sua própria sociedade. No início, tudo parece bem, mas à medida que o tempo passa, as coisas começam a desandar. A luta pelo poder, o medo e a selvageria tomam conta, mostrando que, por baixo da fina camada de civilização, a natureza humana pode ser bem sombria.
Agora, vamos conectar isso com Thomas Hobbes e seu conceito de contrato social. Hobbes acreditava que, no estado natural, os seres humanos são brutais e egoístas. Para evitar o caos, eles entram em um "contrato" para formar uma sociedade e estabelecer regras. Em sua obra "Leviatã", Hobbes descreve o estado de natureza como um lugar de "guerra de todos contra todos", onde a vida é "solitária, pobre, desagradável, brutal e curta". Sem a presença de uma autoridade central ou de leis, os seres humanos agiriam de acordo com seus instintos mais básicos e egoístas.
A ilha deserta onde os garotos são deixados após o acidente de avião serve como uma representação do estado de natureza de Hobbes. Inicialmente, os garotos tentam estabelecer uma forma de governo e ordem, mas à medida que o tempo passa, a anarquia toma conta e os instintos mais primitivos emergem. Para evitar o caos do estado de natureza, Hobbes argumenta que os seres humanos entram em um contrato social, concordando em ceder parte de sua liberdade a um soberano (o Leviatã) em troca de proteção e ordem. No início, os garotos tentam estabelecer uma forma de ordem, com Ralph como líder e a concha como símbolo de autoridade e civilidade. No entanto, à medida que as tensões aumentam, a necessidade de uma autoridade mais forte e coercitiva (semelhante ao Leviatã de Hobbes) torna-se evidente. O filósofo acreditava que, sem o contrato social e a presença de um soberano, a civilização seria frágil e poderia facilmente reverter ao estado de natureza. Golding ilustra essa fragilidade através da progressiva desintegração da ordem na ilha. A concha, que inicialmente é respeitada como símbolo de autoridade, eventualmente é destruída, marcando o colapso completo da civilização entre os garotos.
E se eu te disser que há uma série chamada "Yellowjackets" que também explora essa ideia? Enquanto "O Senhor das Moscas" foca em garotos e, portanto, explora a masculinidade e a agressão entre jovens do sexo masculino, "Yellowjackets" traz uma perspectiva feminina. Isso oferece uma oportunidade para explorar temas de feminilidade, sororidade e as expectativas sociais em relação ao comportamento feminino em situações extremas. Uma diferença significativa entre as duas histórias é a estrutura narrativa. "Yellowjackets" alterna entre o passado (o tempo na floresta) e o presente (as vidas adultas das sobreviventes). Isso permite que a série explore as repercussões a longo prazo do trauma e das decisões tomadas durante o período de isolamento.
Por fim, temos "Natureza Humana" de P. M. S. Hacker. Este livro nos oferece uma análise profunda sobre o que realmente significa ser humano. Hacker argumenta que muitas das nossas noções sobre a natureza humana são equivocadas. Enquanto Hacker discute a complexidade da natureza humana e como ela é moldada por fatores biológicos e culturais, "O Senhor das Moscas" ilustra essa tensão em ação. A ilha torna-se um microcosmo onde os garotos inicialmente tentam replicar a ordem e a cultura da sociedade de onde vieram, mas eventualmente sucumbem a impulsos mais básicos. Hacker observa que nossa autocompreensão é muitas vezes falha. Em "O Senhor das Moscas", essa ideia é evidente na maneira como os garotos subestimam sua capacidade para a crueldade e a violência. Eles acreditam que são fundamentalmente "bons" e civilizados, mas a ilha revela uma verdade mais sombria sobre sua natureza. Ao comparar "O Senhor das Moscas" e "Yellowjackets" com as ideias de Hacker, podemos questionar: será que realmente conhecemos nossa própria natureza?
Se você quer entender mais sobre a complexidade da natureza humana e como a sociedade influencia nosso comportamento, "O Senhor das Moscas" é uma leitura obrigatória. E, quem sabe, pode até te ajudar no ENEM e na UFSM!
15/08/2023
Conheci o Itamar Vieira Júnior na feira do livro de Santa Maria. Batemos um papo sobre sua obra "Torto Arado*", que em 2021 foi a obra literária mais vendida na Amazon brasileira. Essa baita obra literária que mostra de maneira crua o sertão baiano, traz à tona as vidas de duas irmãs, Bibiana e Belonísia. Estas irmãs, filhas de trabalhadores rurais, vivem em uma fazenda onde a herança da escravidão ainda é palpável, e a luta pela terra e pela dignidade é uma constante.
A narrativa se desenrola em torno de um segredo de família, revelado após um acidente trágico que deixa marcas profundas em uma das irmãs. Através das décadas, o livro acompanha as trajetórias de Bibiana e Belonísia, suas lutas, sonhos e desafios em um ambiente marcado pela opressão, pela desigualdade e pela resistência.
O autor habilmente entrelaça as vozes das duas irmãs, permitindo que o leitor se aprofunde em suas perspectivas individuais e, ao mesmo tempo, compreenda a complexidade do contexto em que estão inseridas. A terra, neste romance, não é apenas um cenário, mas um personagem em si, carregado de significados, memórias e conflitos.
A obra não é apenas uma história sobre duas irmãs no sertão baiano; é uma representação literária das tensões sociais e históricas que permeiam o Brasil. A luta pela terra, tão central na trama, é emblemática da questão agrária no país, onde a concentração fundiária e os conflitos por terras são persistentes.
A herança da escravidão, tão palpável na fazenda onde as irmãs vivem, ressoa na atual estrutura social brasileira. A desigualdade racial, a marginalização de comunidades negras e a persistente luta por reconhecimento e justiça são temas que, embora enraizados no passado, continuam relevantes no Brasil contemporâneo.
Além disso, a figura feminina, representada por Bibiana e Belonísia, traz à luz as múltiplas opressões enfrentadas pelas mulheres, especialmente as mulheres negras no Brasil. Suas trajetórias refletem as dificuldades, resistências e resiliências de muitas mulheres que, diariamente, enfrentam o machismo, o racismo e a pobreza.
Para os vestibulandos e candidatos ao ENEM, "Torto Arado" é mais do que uma obra literária; é um convite à reflexão sobre o Brasil, suas desigualdades históricas e os desafios que ainda precisam ser enfrentados. Ao se debruçar sobre esta narrativa, o estudante é convidado a compreender e questionar o tecido social do país, preparando-se não apenas para uma prova, mas para ser um cidadão consciente e crítico.
*Venceu o prêmio Jabuti em 2020 e o prêmio Oceanos.
22/08/2023
O documentário "Janela da Alma", uma obra profunda e introspectiva, serve como uma ferramenta valiosa para os alunos que estão se preparando para enfrentar desafios acadêmicos significativos, como o ENEM e o vestibular da UFSM. Acima, você encontrará uma análise filosófica detalhada que explora as complexas interseções entre visão, percepção e emoção apresentadas no documentário, uma análise que pode enriquecer significativamente seu repertório cultural e compreensão das ciências humanas.
No "Janela da Alma", os diretores João Jardim e Walter Carvalho apresentam uma série de entrevistas com 19 personalidades variadas, incluindo escritores, músicos, cineastas, e até um neurologista, cada uma discutindo sua experiência e perspectiva sobre a visão e a percepção. O documentário não apenas explora as experiências físicas da visão, mas também se aprofunda nas implicações filosóficas e psicológicas da visão, oferecendo uma análise profunda da maneira como percebemos e interpretamos o mundo ao nosso redor.
Para os alunos que estão se preparando para o ENEM e o vestibular da UFSM, este documentário pode servir como uma fonte rica de insights e discussões sobre problemas contemporâneos nas ciências humanas. Ele aborda questões cruciais de inclusão, diversidade e empatia, temas que são cada vez mais pertinentes em nossa sociedade atual. Além disso, ao explorar a natureza subjetiva da percepção, o documentário oferece uma oportunidade para refletir sobre questões filosóficas complexas relacionadas à realidade, conhecimento e ética, temas frequentemente abordados em exames acadêmicos.
"Janela da Alma" não é apenas um documentário, mas uma janela para uma compreensão mais profunda da condição humana, uma ferramenta que pode ajudar a aprimorar sua análise crítica e reflexiva, habilidades essenciais para alcançar o sucesso no ENEM e no vestibular da UFSM. Ao assistir a este documentário, você estará dando um passo significativo para expandir seu repertório cultural e aprofundar sua compreensão das complexidades do mundo humano.
03/09/2023
Se você está se preparando para o ENEM e busca um repertório cultural que vá além do convencional, que te desafie a pensar criticamente sobre questões sociais urgentes e te proporcione uma visão mais profunda sobre a realidade brasileira, "O Avesso da Pele" de Jeferson Tenório é a sua leitura obrigatória. O livro é uma obra contemporânea que se aprofunda nas complexidades das relações raciais no Brasil. A narrativa segue a trajetória de Pedro, um professor universitário, que após a morte trágica de seu pai, um ex-boxeador, se vê confrontado com as memórias de sua infância e as feridas abertas pelo racismo. Através de sua jornada, o livro explora a dor, o luto e a busca por identidade em uma sociedade que frequentemente marginaliza e silencia vozes negras.
1. Temas Relevantes para o ENEM:
Racismo Estrutural: A obra aborda o racismo não apenas como um ato individual, mas como uma estrutura enraizada na sociedade brasileira. Esse é um tema recorrente nas discussões contemporâneas e pode ser um ponto central em questões ou tema de redação do ENEM.
Identidade e Pertencimento: A busca de Pedro por compreender sua identidade em meio a uma sociedade que frequentemente o marginaliza é um reflexo das lutas diárias de muitos brasileiros. Esse tema é fundamental para entender as dinâmicas sociais do Brasil.
Relações Familiares: A relação de Pedro com seu pai e as memórias associadas a ela oferecem uma perspectiva sobre como as relações familiares são moldadas e afetadas pelo contexto social e racial.
2. Por que "O Avesso da Pele" é essencial para sua preparação?
Ampliação de Repertório: A obra te proporciona uma visão profunda sobre questões raciais no Brasil, enriquecendo seu repertório cultural e argumentativo.
Desenvolvimento Interpretativo: A narrativa complexa e rica de Tenório desafia sua capacidade interpretativa, uma habilidade crucial para a prova de Humanas do ENEM.
Conexão com Atualidades: O livro dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre racismo, identidade e sociedade, temas frequentemente abordados no ENEM.
Provocação: Se você quer realmente estar preparado para o ENEM, não pode ignorar as vozes e histórias que moldam a realidade brasileira. "O Avesso da Pele" não é apenas uma obra literária; é um convite para entender, refletir e questionar a sociedade em que vivemos. Ignorar essa leitura é abrir mão de uma ferramenta poderosa para sua preparação. Então, desafio você: mergulhe nas páginas de Jeferson Tenório e permita-se ser transformado por elas.
09/10/2023
O amor, em suas diversas manifestações, é uma experiência universal que tem intrigado e inspirado filósofos, artistas e pensadores ao longo dos séculos. Em "Ensaios de Amor", Alain de Botton oferece uma análise contemplativa sobre o amor romântico, explorando suas complexidades e paradoxos através de uma lente filosófica. Este livro não é uma mera narrativa sobre o amor, mas sim uma obra que convida à reflexão. Botton, com sua prosa clara e perspicaz, aborda temas como a natureza do desejo, as expectativas sociais em torno dos relacionamentos e a busca por significado nas conexões humanas. Ele apresenta a filosofia como uma ferramenta valiosa para entender e interpretar as emoções e experiências humanas, tornando conceitos filosóficos acessíveis e relevantes para o leitor contemporâneo. Para aqueles que estão se preparando para o ENEM, "Ensaios de Amor" é uma leitura enriquecedora. O livro aborda alguns temas que são frequentemente explorados nas questões do exame (expectativas sociais, idealização, natureza humana, cultura, busca por um significado na vida), e sua abordagem filosófica estimula o desenvolvimento do pensamento crítico e analítico. Além disso, a obra destaca a relevância da filosofia no entendimento de questões humanas fundamentais, mostrando que a filosofia não é apenas uma disciplina acadêmica, mas uma maneira de se aproximar e compreender o mundo.
A abordagem de Botton em "Ensaios de Amor" é cirúrgica, pois ele não apenas analisa o amor através de uma perspectiva filosófica, mas também o contextualiza em situações cotidianas. Ele desvenda as camadas do amor, desde o primeiro encontro até os desafios da convivência a longo prazo, e nos faz questionar as idealizações e expectativas que muitas vezes temos sobre os relacionamentos. Além de sua análise perspicaz, o livro também é uma celebração da humanidade em toda a sua imperfeição. Botton nos lembra que o amor, com todas as suas falhas e incertezas, é uma jornada de autoconhecimento e crescimento. Ele nos encoraja a abraçar a vulnerabilidade, a aceitar nossas falhas e a encontrar beleza nas imperfeições do amor. Para aqueles que buscam uma compreensão mais profunda da filosofia e de como ela se aplica à vida cotidiana, "Ensaios de Amor" é uma leitura essencial. Ele não apenas enriquece nossa compreensão do amor, mas também nos oferece insights valiosos sobre a natureza humana e nossa busca incessante por significado e conexão. O livro é mais do que um livro sobre amor; é uma obra que nos desafia a pensar, refletir e, acima de tudo, a sentir. Para aqueles interessados em explorar ainda mais esta obra-prima de Botton e se preparar para o Enem de uma forma mais leve (é interessante não pegar pesado nos estudos, faltando apenas três semanas para a prova; entre uma questão resolvida e outra, leia o livro), o texto completo está disponível no link "Ensaios de Amor" mencionado lá na segunda linha do texto. No entanto, vale ressaltar que o texto disponível está em inglês, o que pode ser uma excelente oportunidade para aprimorar suas habilidades linguísticas enquanto se aprofunda em uma análise filosófica do amor.
14/10/2023
Você, aluno, prestes a enfrentar o desafio do ENEM, já se perguntou como tomar melhores decisões sob pressão? Como entender as armadilhas que sua própria mente coloca no caminho do sucesso? A chave pode estar em um livro revolucionário, uma leitura obrigatória para qualquer um que busque não apenas sucesso acadêmico, mas uma compreensão profunda sobre a natureza humana: "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar", de Daniel Kahneman.
Nesta obra monumental, Kahneman, laureado com o Nobel de Economia, nos leva em uma jornada pelo funcionamento da mente humana, dividindo-a em dois sistemas: o rápido, intuitivo e emocional; e o devagar, mais deliberativo e lógico. Com esta compreensão, torna-se possível entender não apenas como tomamos decisões, mas como podemos aprimorá-las, habilidade fundamental para quem está se preparando para um exame tão complexo quanto o ENEM.
Por que este livro é indispensável? Primeiro, porque ele abre portas para técnicas de estudo e memorização mais eficazes, ao entender como seu cérebro funciona. Segundo, ao compreender seus vieses cognitivos, você pode melhorar significativamente seu julgamento crítico, habilidade incessantemente testada no ENEM, seja na interpretação de textos, na análise de gráficos ou na resolução de questões de múltipla escolha.
Mas "Rápido e Devagar" vai além de um simples guia para o sucesso acadêmico. Ele oferece insights sobre a natureza humana, sobre como e por que nos enganamos, e como superar esses obstáculos. Esse conhecimento é vital em um mundo inundado de informações, onde a habilidade de filtrar o essencial do irrelevante pode determinar não apenas o sucesso no ENEM, mas em muitos aspectos da vida.
Hoje, dia 27 de março, lamentamos profundamente a perda de Daniel Kahneman, um gigante no campo da psicologia e da economia comportamental. Seu legado, no entanto, permanece vivo, influenciando não apenas acadêmicos e profissionais, mas qualquer um que busque entender melhor a si mesmo e ao mundo ao seu redor. "Rápido e Devagar" não é apenas um livro; é uma ferramenta de transformação pessoal e um tributo ao poder do pensamento humano. Ao embarcar nesta leitura, você não apenas presta homenagem a um dos grandes intelectuais de nosso tempo, mas também dá um passo gigantesco em direção ao seu próprio crescimento e sucesso. Não deixe de ler.
27/03/2024
"Religião para Ateus", de Alain de Botton, pode oferecer consolo em tempos de grande aflição, como o experimentado pelo povo gaúcho, que enfrenta a maior catástrofe natural de sua história, resultando em uma devastação sem precedentes. Diante dessa realidade, muitas pessoas perderam tudo, encarando o desafio de reconstruir suas vidas sem seus pertences materiais e, frequentemente, lutando para manter a esperança e o otimismo para o futuro.
Neste livro envolvente, de Botton discute como os aspectos mais mundanos das religiões — aqueles que não exigem fé em elementos sobrenaturais — podem ser valiosos para todos, até para ateus ou agnósticos. Ele propõe que rituais, tradições e ética religiosa podem oferecer conforto, senso de comunidade e meios para encontrar sentido e propósito, até nos momentos mais escuros.
A noção de comunidade é essencial em várias tradições religiosas e pode ser crucial para os gaúchos que se veem isolados em seu sofrimento. A reconstrução das áreas atingidas envolve não só a reconstrução de estruturas físicas, mas também a recriação de laços comunitários, proporcionando suporte emocional e prático mútuo.
"Religião para Ateus" também trata de como as religiões lidam com o sofrimento e a dor, oferecendo lições sobre como a adversidade é um elemento natural da existência humana. Aprender a achar dignidade e um vislumbre de esperança, mesmo na dor, é uma mensagem poderosa para quem só enxerga ruínas.
De Botton não visa converter seus leitores ao sobrenatural, mas sim ilustrar como elementos das religiões podem auxiliar na recuperação emocional e na reconstrução de vidas. Para aqueles que buscam reerguer não só suas residências, mas também a alma do povo gaúcho, este livro pode ser um recurso precioso, trazendo conforto, compreensão e um caminho para avançar com afeto e nova esperança.
07/05/2024
Preparar-se para o ENEM é um desafio que exige não apenas dedicação aos estudos, mas também a capacidade de relacionar conceitos filosóficos com diversas formas de expressão cultural. Hoje, convidamos vocês a assistir ao clássico filme "Groundhog Day" (1993), conhecido no Brasil como "Feitiço do Tempo". Este filme oferece uma rica oportunidade para explorar a filosofia de Friedrich Nietzsche e ainda toca em aspectos do budismo.
Groundhog Day conta a história de Phil Connors, um meteorologista que, inexplicavelmente, fica preso no mesmo dia, vivendo-o repetidamente. Este enredo aparentemente simples esconde profundas lições filosóficas e existenciais, especialmente quando analisado à luz da filosofia de Nietzsche.
Friedrich Nietzsche é um dos filósofos mais influentes do século XIX e suas ideias frequentemente aparecem nas provas do ENEM. Um conceito central em sua filosofia é o eterno retorno, a ideia de que a vida deve ser vivida como se cada momento pudesse se repetir eternamente. Este pensamento nos desafia a viver de forma autêntica e significativa, buscando constantemente o aprimoramento pessoal.
No filme, Phil Connors experimenta o eterno retorno de maneira literal. Preso em um ciclo interminável do mesmo dia, ele passa por diversas fases — desde a negação e hedonismo até o desespero e, finalmente, a aceitação e melhoria de si mesmo. Esta jornada reflete a transformação que Nietzsche acredita ser necessária para que cada indivíduo atinja seu potencial máximo e viva de acordo com seus valores mais profundos.
Além das ideias nietzschianas, "Groundhog Day" também apresenta elementos importantes do budismo. O budismo ensina que a vida é cíclica e que o sofrimento é parte integrante dessa existência. Através da prática da atenção plena (mindfulness) e da compaixão, é possível encontrar a iluminação e a paz interior.
Phil Connors inicialmente luta contra seu destino, mas, à medida que abraça seu novo estado, começa a se transformar internamente. Ele aprende a importância da empatia, da bondade e do autoconhecimento — valores centrais tanto no budismo quanto na jornada de autotransformação proposta por Nietzsche.
Assistir a "Groundhog Day" não é apenas um exercício de entretenimento, mas uma oportunidade de refletir sobre questões filosóficas profundas que podem aparecer no ENEM. O filme convida a uma reflexão sobre como vivemos nossas vidas e como podemos transformar nossa realidade através de escolhas conscientes e autênticas. Além disso, ele ajuda a entender como diferentes tradições filosóficas e religiosas podem oferecer perspectivas valiosas sobre o significado da vida e o crescimento pessoal.
Convidamos você a assistir "Groundhog Day" e refletir sobre as transformações de Phil Connors à luz das ideias de Nietzsche e dos ensinamentos budistas. Esta experiência não só enriquecerá seu entendimento filosófico, mas também preparará você para possíveis questões interdisciplinares no ENEM. Boa sessão e bons estudos!
24/05/2024