Questões de Filosofia - ENEM 2023
01 - (ENEM - 2023) Eu poderia concluir que a raiva é um pensamento, que estar com raiva é pensar que alguém é detestável, e que esse pensamento, como todos os outros — assim como Descartes o mostrou —, não poderia residir em nenhum fragmento de matéria. A raiva seria, portanto, espírito. Porém, quando me volto para minha própria experiência da raiva, devo confessar que ela não estava fora do meu corpo, mas inexplicavelmente nele.
MERLEAU-PONTY, M. Quinta conversa: o homem visto de fora. São Paulo: Martins Fontes, 1948 (adaptado).
No que se refere ao problema do corpo, a filosofia cartesiana apresenta-se como contraponto ao entendimento expresso no texto por
A) apresentar uma visão dualista.
B) confirmar uma tese naturalista.
C) demonstrar uma premissa realista.
D) sustentar um argumento idealista.
E) defender uma posição intencionalista.
02 - (ENEM - 2023) Quem se mete pelo caminho do pedido de perdão deve estar pronto a escutar uma palavra de recusa. Entrar na atmosfera do perdão é aceitar medir-se com a possibilidade sempre aberta do imperdoável. Perdão pedido não é perdão a que se tem direito [devido]. É com o preço destas reservas que a grandeza do perdão se manifesta.
RICOEUR, P. O perdão pode curar. Disponível em: www.lusosofia.net. Acesso em: 14 out 2019.
A reflexão sobre o perdão apresentada no texto encontra fundamento na(s)
A) rejeição particular amparada pelo desejo de poder.
B) decisão subjetiva determinada pela vontade divina.
C) liberdade mitigada pela predestinação do espírito.
D) escolhas humanas definidas pelo conhecimento empírico.
E) relações interpessoais mediadas pela autonomia dos indivíduos.
03 - (ENEM - 2023)
TEXTO I - Gerineldo dorme porque já está conformado com o seu mundo. Porque já sabe tudo o que lhe pode acontecer após haver submetido todos os objetos que o rodeiam a um minucioso inventário de possibilidades. Seu apartamento, mais que um apartamento, é uma teoria de sorte e de azar. Melhor que ninguém, Gerineldo conhece o coeficiente da dilatação de suas janelas e mantém marcado no termômetro, com uma linha vermelha, o ponto em que se quebrarão os vidros, despedaçados em estilhaços de morte. Sabe que os arquitetos e os engenheiros já previram tudo, menos o que nunca já aconteceu.
MARQUEZ, G. G. O pessimista. In: Textos do Caribe. Rio de Janeiro: Record, 1981.
ТЕХТО II - A situação é o sujeito inteiro (ele não é nada a não ser a sua situação) e é também a coisa inteira (nunca há mais nada senão as coisas). É o sujeito a elucidar as coisas pela sua própria superação, se assim quisermos; ou são as coisas a reenviar ao sujeito a imagem dele. É a total facticidade, a contingência absoluta do mundo, do meu nascimento, do meu lugar, do meu passado, dos meus redores — e é a minha liberdade sem limites que faz com que haja para mim uma facticidade.
SARTRE, J.-P. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Petrópolis: Vozes, 1997 (adaptado).
A postura determinista adotada pelo personagem Gerineldo contrasta com a ideia existencialista contida no pensamento filosófico de Sartre porque
A) evidencia a manifestação do inconsciente.
B) nega a possibilidade de transcendência.
C) contraria o conhecimento difuso.
D) sustenta a fugacidade da vida.
E) refuta a evolução biológica.
04 - (ENEM - 2023) A economia das ilegalidades se reestruturou com o desenvolvimento da sociedade capitalista. A ilegalidade dos bens foi separada da ilegalidade dos direitos. Divisão que corresponde a uma oposição de classes, pois, de um lado, a ilegalidade mais acessível às classes populares será a dos bens — transferência violenta das propriedades; de outro, à burguesia, então, se reservará a ilegalidade dos direitos: a possibilidade de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; e essa grande redistribuição das ilegalidades se traduzirá até por uma especialização dos circuitos judiciários; para as ilegalidades de bens — para o roubo — os tribunais ordinários e os castigos; para as ilegalidades de direitos — fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares — jurisdições especiais com transações, acomodações, multas atenuadas etc.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petropolis: Vozes, 1987.
O texto apresenta uma relação de cálculo politico-econômico que caracteriza o poder punitivo por meio da
A) gestão das ilicitudes pelo sistema judicial.
B) aplicação das sanções pelo modelo equânime.
C) supressão dos crimes pela penalização severa.
D) regulamentação dos privilégios pela justiça social.
E) repartição de vantagens pela hierarquização cultural.
05 - (ENEM - 2023) Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as cousas a fraseologia, a casca, a ornamentação.
ASSIS, M. Memórias póstumas do Brás Cubas. Belo Horizonte: Autêntica. 1999.
A descrição crítica do personagem de Machado de Assis assemelha-se às características dos sofistas, contestados pelos filósofos gregos da Antiguidade, porque se mostra alinhada à
A) elaboração conceitual de entendimentos.
B) utilização persuasiva do discurso.
C) narração alegórica dos rapsodos.
D) investigação empírica da physis.
E) expressão pictográfica da pólis.
06 - (ENEM - 2023)
TEXTO I
Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no meu mover-me no mundo e, se careço de responsabilidade, não posso falar em ética. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996
ТЕХТО II
Paulo Freire construiu uma pedagogia da esperança. Na sua concepção, a história não é algo pronto e acabado. As estruturas de opressão e as desigualdades, apesar de serem naturalizadas, são sócio e historicamente construídas. Daí a importância de os educandos tomarem consciência da sua realidade para, assim, transformá-la. DEMARCHI, J. L. Paulo Freire. Disponivel em: https://diplomatique.org.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Com base no conceito de ética pedagógica presente nos textos, os educandos tornam-se responsáveis pela
A) participação sociopolítica.
B) definição estético-cultural.
C) competição econômica local.
D) manutenção do sistema escolar.
E) capacitação de mobilidade individual.
GABARITO:
01 - A
02 - E
03 - B
04 - A
05 - B
06 - A
01 - (ENEM - 2022)
Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político. E tudo que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá, talvez, verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.
ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
No trecho, a filósofa Hannah Arendt mostra a importância da linguagem no processo de
a) entendimento da cultura.
b) aumento da criatividade.
c) percepção da individualidade.
d) melhoria da técnica.
e) construção da sociabilidade.
02 - (ENEM - 2022)
O leproso é visto dentro de uma prática de rejeição, ao exílio-cerca; deixa-se que se perca lá dentro como numa massa que não têm muita importância diferenciar; os pestilentos são considerados num policiamento tático meticuloso onde as diferenciações individuais são os efeitos limitantes de um poder que se multiplica, se articula e se subdivide. O grande fechamento por um lado; o bom treinamento por outro. A lepra e a sua divisão; a peste e seus recortes. Uma é marcada; a outra, analisada e repartida. O exílio do leproso e a prisão da peste não trazem consigo o mesmo sonho político.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
Os modelos autoritários descritos no texto apontam para um sistema de controle que se baseia no(a)
a) formação de sociedade disciplinar.
b) flexibilização do regramento social.
c) banimento da autoridade repressora.
d) condenação da degradação humana.
e) hierarquização da burocracia estatal.
03 - (ENEM - 2022)
Advento da Polis, nascimento da filosofia: entre as duas ordens de fenômenos, os vínculos são demasiado estreitos para que o pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais próprias da cidade grega. Assim recolocada na história, a filosofia despoja-se desse caráter de revelação absoluta que às vezes lhe foi atribuído, saudando, na jovem ciência dos jônios, a razão intemporal que veio encarnar-se no Tempo. A escola de Mileto não viu nascer a Razão; ela construiu uma Razão, uma primeira forma de racionalidade. Essa razão grega não é a razão experimental da ciência contemporânea.
VERNANT, J. P. Origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 2002.
Os vínculos entre os fenômenos indicados no trecho foram fortalecidos pelo surgimento de uma categoria de pensadores, a saber:
a) os epicuristas, envolvidos com o ideal de vida feliz.
b) os estoicos, dedicados à superação dos infortúnios.
c) os sofistas, comprometidos com o ensino da retórica.
d) os peripatéticos, empenhados na dinâmica do ensino.
e) os poetas rapsodos, responsáveis pela narrativa do mito.
04 - (ENEM - 2022)
TEXTO I
Uma filosofia da percepção que queira reaprender a ver o mundo restituirá à pintura e às artes em geral seu lugar verdadeiro.
MERLEAU-PONTY, M. Conversas: 1948. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
TEXTO II
Os grandes autores de cinema nos pareceram confrontáveis não apenas com pintores, arquitetos, músicos, mas também com pensadores. Eles pensam com imagens, em vez de conceitos.
DELEUZE, G. Cinema 1: a imagem-movimento. São Paulo: Brasiliense, 1983 (adaptado).
De que modo os textos sustentam a existência de um saber ancorado na sensibilidade?
a) admitindo o belo como fenômeno transcendental.
b) reafirmando a vivência estética como juízo de gosto.
c) considerando o olhar como experiência de conhecimento.
d) apontando as formas de expressão como auxiliares da razão.
e) estabelecendo a inteligência como implicação das representações.
05 - (ENEM - 2022)
Empédocles estabelece quatro elementos corporais – fogo, ar, água e terra –, que são eternos e que mudam aumentando e diminuindo mediante mistura e separação; mas os princípios propriamente ditos, pelos quais são movidos, são o Amor e o Ódio. Pois é preciso que os elementos permaneçam alternadamente em movimento, sendo ora misturados pelo Amor, ora separados pelo Ódio.
SIMPLÍCIO. Física, 25, 21. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
O texto propõe uma reflexão sobre o entendimento de Empédocles acerca da arché, uma preocupação típica do pensamento pré-socrático, porque
a) exalta a investigação filosófica.
b) transcende ao mundo sensível.
c) evoca a discussão cosmogônica.
d) fundamenta as paixões humanas.
e) corresponde à explicação mitológica.
06 - (ENEM - 2022)
Entretanto, nosso amigo Basso tem o ânimo alegre. Isso resulta da filosofia: estar alegre diante da morte, forte e contente qualquer que seja o estado do corpo, sem desfalecer, ainda que desfaleça.
Sêneca, L. Cartas morais. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1990.
O excerto refere-se a uma carta de Sêneca na qual se apresenta como um bem fundamental da filosofia promover a
a) valorização de disputas dialógicas.
b) rejeição das convenções sociais.
c) inspiração de natureza religiosa.
d) exaltação do sofrimento.
e) moderação das paixões.
07 - (ENEM - 2022 - PPL)
Ao longo da história, os movimentos sociais são produtores de novos valores e objetivos, criando novas normas para organizar a vida social. Os movimentos sociais exercem o contrapoder construindo-se mediante um processo de comunicação autônoma, livre do controle dos que detêm o poder institucional.
CASTELLS, M. Redes da indignação e esperança.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2013 (adaptado).
O contrapoder indicado no texto se expressa na
a) adoção de éticas horizontais.
b) rejeição de dissidências morais.
c) negação de estratégias coletivas.
d) promoção de descrenças axiológicas.
e) incorporação de convenções estatais.
08 - (ENEM - 2022 - PPL)
A velha potência de morte em que se simbolizava o poder soberano é agora, cuidadosamente, recoberta pela administração dos corpos. Aparecimento, também,
nos terrenos das práticas políticas e observações econômicas, dos problemas de natalidade, longevidade, saúde pública, habitação e migração.
FOUCAULT, M. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988 (adaptado).
O texto aponta para a emergência, a partir de meados do século XIX, de um novo tipo de gestão da sociedade ocidental, centrado na
a) ordenação calculista das vidas.
b) exposição ostensiva das punições.
c) distribuição igualitária das riquezas.
d) supressão estratégica das fronteiras.
e) espacialização controlada das classes.
09 - (ENEM - 2022 - PPL)
A um príncipe, portanto, não é necessário ter de fato todas as qualidades, mas é indispensável parecer tê-las. Aliás, ousarei dizer que, se as tiver e utilizar sempre, serão danosas, enquanto, se parecer tê-las, serão úteis. Assim, deves parecer clemente, fiel, humano, íntegro, religioso — e sê-lo, mas com a condição de estares com o ânimo disposto a, quando necessário, não o seres, de modo que possas e saibas como tornar-te o contrário.
MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2004 (adaptado).
Segundo o autor, a conquista e a conservação do poder político exigem a
a) flexibilidade moral do monarca.
b) retomada dos valores cristãos.
c) consulta periódica dos cidadãos.
d) adoção do imperativo categórico.
e) liberdade incondicional do estadista.
10 - (ENEM - 2022 - PPL)
TEXTO I
A sociedade cultiva a violência, inculcando-a nos indivíduos como virtude do homem forte, do homem corajoso, do homem honrado, que se arrisca a morrer para defender os “valores” que dão sentido à sua vida.
MULLER, J. M. O princípio da não violência: uma trajetória filosófica. São Paulo: Palas Athena, 2007.
TEXTO II
A ideia de a humanidade tomar seu destino nas próprias mãos somente faz sentido se atribuirmos consciência e propósito à espécie; as espécies são apenas correntes na flutuação aleatória dos genes.
GRAY, J. Cachorros de palha: reflexões sobre humanos e outros animais. São Paulo: Record, 2002.
Os textos articulam argumentos em torno de dois modelos explicativos da condição humana. Esses dois modelos caracterizam-se, respectivamente, por valorizar como determinantes dessa condição elementos
a) estéticos e éticos.
b) místicos e científicos.
c) culturais e biológicos.
d) emocionais e racionais.
e) voluntaristas e possibilistas.
GABARITO
01 - E
02 - A
03 - C
04 - C
05 - C
06 - E
07 - A
08 - A
09 - A
10 - C
01. (ENEM - 2021) Por maioria, nós não entendemos uma quantidade relativa maior, mas a determinação de um estado ou de um padrão em relação ao qual tantos as quantidades maiores quanto as menores serão ditas minoritárias. Maioria supõe um estado de dominação. É nesse sentido que as mulheres, as crianças e também os animais são minoritários.
DELEUZE, G.: GUATTARI, F. Mil platôs. São Paulo: Editora 34, 212 (adaptado).
No texto, a caracterização de uma minoria decorre da existência de
A) ameaças de extinção social.
B) politicas de incentivos estatais.
C) relações de natureza arbitrária.
D) valorizações de conexões simétricas.
E) hierarquizações de origem biológica.
02. (ENEM - 2021) No semiárido brasileiro, o sertanejo desenvolveu uma acuidade detalhada para a observação dos fenômenos, ao longo dos tempos, presenciados na natureza, em especial para a previsão do tempo e do clima, utilizando como referência a posição dos astros, constelação e nuvens. Conforme os sertanejos, a estação vai ser chuvosa quando a primeira lua cheia de janeiro "sair vermelha, por detrás de uma barra de nuvens", mas "se surgir prateada, é sinal de seca".
MAIA, D.; MAIA, A. C. A utilização dos ditos populares e da observação do tempo para a climatologia escolar no ensino fundamental II. GeoTextos, n. 1, JUL. 2010 (adaptado).
O texto expõe a produção de um conhecimento que se constitui pela
A) técnica científica.
B) experiência perceptiva.
C) negação das tradições.
D) padronização das culturas.
E) uniformização das informações.
03. (ENEM - 2021) Ao mesmo tempo, graças às amplas possibilidades que tive de observar a classe média, vossa adversária, rapidamente concluí que vós tendes razão, inteira razão, em não esperar dela qualquer ajuda. Seus interesses são diametralmente opostos aos vossos, mesmo que ela procure incessantemente afirmar o contrário e vos queira persuadir que sente a maior simpatia por vossa sorte. Mas seus atos desmentem suas palavras.
ENGELS, F. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2010.
No texto, o autor apresenta delineamentos éticos que correspondem ao(s)
A) conceito de luta de classes
B) alicerce da ideia de mais-valia
C) fundamentos do método científico
D) paradigmas do processo indagativo
E) domínios do fetichismo da mercadoria
04. (ENEM - 2021) Nos setores mais altamente desenvolvidos da sociedade contemporânea, o transplante de necessidades sociais para individuais é de tal modo eficaz que a diferença entre elas parece puramente teórica. As criaturas se reconhecem em suas mercadorias; encontram sua alma em seu automóvel, casa em patamares, utensílios de cozinha.
MARCUSE, H. A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional. Rio de Janeiro. Zahar, 1979.
O texto indica que, no capitalismo, a satisfação dos desejos pessoais é influenciada por
A) políticas estatais de divulgação.
B) incentivos controlados de consumo.
C) prescrições coletivas de organização.
D) mecanismos subjetivos de identificação.
E) repressões racionalizadas do narcisismo.
05. (ENEM - 2021) Sócrates: "Quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber de que tipo de coisa ele é? Ou te parece ser possível alguém que não conhece absolutamente quem é Mênon, esse alguém saber se ele é belo, se é rico e ainda se é nobre? Parece-te ser isso possível? Assim, Mênon, que coisa afirmas ser a virtude?".
PLATÃO. Mênon. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2001 (adaptado).
A atitude apresentada na interlocução do filósofo com Mênon é um exemplo da utilização do(a)
A) escrita epistolar.
B) método dialético.
C) linguagem trágica.
D) explicação fisicalista.
E) suspensão judicativa.
06. (ENEM - 2021) A filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a metafísica; o tronco, a física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências, que se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral, entendendo por moral a mais elevada e a mais perfeita porque pressupõe um saber integral das outras ciências, e é o último grau de sabedoria.
DESCARTES, R. Princípios da filosofia. Lisboa: Edições 70, 1997 (adaptado).
Essa construção alegórica de Descartes, acerrca da condição epistemológica da filosofia, tem como objetivo
A) sustentar a unidade essencial do conhecimento.
B) refutar o elemento fundamental das crenças.
C) impulsionar o pensamento especulativo.
D) recepcionar o método experimental.
E) incentivar a suspensão dos juízos.
07. (ENEM - 2021) Minha fórmula para o que há de grande no indivíduo é amor fati: nada desejar, além daquilo que é, nem diante de si, nem atrás de si, nem nos séculos dos séculos. Não se contentar em suportar o inelutável, e ainda menos dissimulá-lo, mas amá-los.
NIETZSCHE, apud FERRY, L. Aprender a viver: filosofia para os novos tempos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010 (adaptado).
Essa fórmula indica por Nietzsche consiste em uma crítica à tradição cristã que
A) combate as práticas sociais de cunho afetivo.
B) impede o avanço científico no contexto moderno.
C) associa os cultos pagãos à sacralização da natureza.
D) condena os modelos filosóficos da Antiguidade Clássica.
E) consagra a realização humana ao campo transcendental.
08. (ENEM - 2021) É preciso usar de violência e rebater varonilmente os apetites dos sentidos sem atender ao que a carne quer ou não quer, mas trabalhando por sujeitá-la ao espírito, ainda que se revolte. Cumpre castigá-la e curva-lá à sujeição, a tal ponto que esteja disposta para tudo, sabendo contentar-se com pouco e deleitar-se com a simplicidade, sem resmungar por qualquer incomodo.
Kempis, T. Imitação de Cristo. Petrópolis: Vozes.2015
Qual característica do ascetismo medieval é destacada no texto:
A) exaltação do ritualismo litúrgico.
B) afirmação do pensamento racional.
C) desqualificação da atividade laboral.
D) condenação da alimentação impura.
E) desvalorização da materialidade corpórea.
09. (ENEM - 2021 - PPL)
Para Rawls, a estrutura básica mais justa de uma sociedade é aquela que alguém escolheria se não soubesse qual viria a ser seu papel particular no sistema de cooperação daquela sociedade.
LOVETT, F. Uma teoria da justiça, de John Rawls. Porto Alegre: Penso, 2013.
A teoria da justiça proposta pelo autor, conforme exposto no texto, pressupõe assumir uma posição hipotética chamada de
A) reino de Deus.
B) mundo da utopia.
C) véu da ignorância.
D) estado de natureza.
E) cálculo da felicidade.
10. (ENEM - 2021 - PPL)
Polemizando contra a tradicional tese aristotélica, que via na sociedade o resultado de um instinto primordial, Hobbes sustenta que no gênero humano, diferentemente do animal, não existe sociabilidade instintiva. Entre os indivíduos não existe um amor natural, mas somente uma explosiva mistura de temor e necessidade recíprocos que, se não fosse disciplinada pelo Estado, originaria uma incontrolável sucessão de violências e excessos.
NICOLAU, U. Antologia ilustrada de filosofia: das origens à Idade Moderna. São Paulo: Globo, 2005 (adaptado).
Referente à constituição da sociedade civil, considere, respectivamente, o correto posicionamento de Aristóteles e Hobbes:
A) Instrumento artificial para a realização da justiça e forma de legitimação do exercício da coerção e da violência.
B) Realização das disposições naturais do homem e artifício necessário para frear a natureza humana.
C) Resultado involuntário da ação de cada indivíduo e anulação dos impulsos originários presentes na natureza humana.
D) Objetivação dos desejos da maioria e representação construída para possibilitar as relações interpessoais.
E) Realização da razão e expressão da vontade dos governados.
11. (ENEM - 2021 - PPL)
Queremos tratar da tirania de animais humanos sobre animais não humanos. Essa tirania causou e ainda causa dor e sofrimento apenas comparáveis aos que resultaram de séculos de violência de seres humanos brancos sobre seres humanos negros. A luta contra ela é tão importante quanto outras disputas morais e sociais.
SINGER, P. Libertação animal. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
O trecho apresenta características de uma importante corrente da ética contemporânea que se designa:
A) Ecoética — visão superior da natureza.
B) Bioética — implicação biológica das ações.
C) Antiespecismo — definição igualitária das espécies.
D) Existencialismo — valorização crescente da subjetividade.
E) Relativismo — compreensão diferenciada das alteridades.
12. (ENEM - 2021 - PPL) A maior parte dos primeiros filósofos considerava como os únicos princípios de todas as coisas os que são da natureza da matéria. Aquilo de que todos os seres são constituídos, e de que primeiro são gerados e em que por fim se dissolvem. Pois deve haver uma natureza qualquer, ou mais do que uma, donde as outras coisas se engendram, mas continuando ela a mesma.
ARISTÓTELES. Metafísica. São Paulo: Abril Cultural, 1973. O texto aristotélico, ao recorrer à cosmogonia dos pré - socráticos, salienta a preocupação desses filósofos com a
a) mutação ontológica dos entes.
b) alteração estética das condutas.
c) transformação progressiva da ascese.
d) sistematização crítica do conhecimento.
e) modificação imediata da espiritualidade.
13. (ENEM - 2021 - PPL) Os verdadeiros filósofos, tornados senhores da cidade, sejam eles muitos ou um só, desprezam as honras como as de hoje, por julgá-las indignas de um homem livre e sem valor algum, mas, ao contrário, têm em alta conta a retidão e as honras que dela decorrem e, julgando a justiça como algo muito importante e necessário, pondo-se a serviço dela e fazendo-a crescer, administram sua cidade.
PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2006 (adaptado).
No contexto da filosofia platônica, o texto expressa uma perspectiva aristocrática acerca do exercício do poder, uma vez que este é legitimado pelo(a)
A) prática da virtude.
B) consenso da elite.
C) decisão da maioria.
D) riqueza do indivíduo.
E) pertencimento de sangue.
GABARITO:
01 - C
02 - B
03 - A
04 - D
05 - B
06 - A
07 - E
08 - E
09 - C
10 - B
11 - C
12 - A
13 - A
Questão 1 (ENEM 2020)
A arte pré-histórica africana foi incontestavelmente um veículo de mensagens pedagógicas e sociais. Os San, que constituem hoje um povo mais próximo da realidade das representações rupestres, afirmam que seus antepassado lhes explicaram sua visão do mundo a partir desse gigantesco livro que são as galerias. A educação dos povos que desconhecem a escrita está baseada sobretudo na imagem e no som, no audiovisual.
KI-ZERBO, J. A arte pré-histórica africana. In: KI-ZERBO, J. (Org.) História geral da África. Brasília: Unesco, 2010.
De acordo com o texto, a arte mencionada é importante para os povos que a cultivam por colaborar para o(a)
a) transmissão dos saberes acumulados.
b) surgimento dos laços familiares.
c) expansão da propriedade individual.
d) ruptura da disciplina hierárquica.
e) rejeição de práticas exógenas.
Questão 2 (ENEM 2020)
Será que as coisas lhe pareceriam diferentes se, de fato, todas elas existissem apenas na sua mente – se tudo o que você julgasse ser o mundo externo real fosse apenas um sonho ou alucinação gigante, de que você jamais fosse despertar? Se assim fosse, então é claro que você nunca poderia despertar, como faz quando sonha, pois significaria que não há mundo “real” no qual despertar. Logo, não seria exatamente igual a um sonho ou alucinação normal.
NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
O texto confere visibilidade a uma doutrina filosófica contemporânea conhecida como:
a) Personalismo, que vincula a realidade circundante aos domínio do pessoal.
b) Falsificacionismo, que estabelece ciclos de problemas para refutar uma conjectura.
c) Solipsismo, que reconhece limitações cognitivas para compreender uma experiência compartilhada.
d) Falibilismo, que rejeita mecanismos mentais para sustentar uma crença inequívoca.
e) Idealismo, que nega a existência de objetos independentemente do trabalho cognoscente.
Questão 3 (ENEM 2020)
Em A morte de Ivan Ilitch, Tolstoi descreve com detalhes repulsivos o terror de encarar a morte iminente. Ilitch adoece depois de um pequeno acidente e logo compreende que se encaminha para o fim de modo impossível de parar. “Nas profundezas de seu coração, ele sabia estar morrendo, mas em vez de se acostumar com a ideia, simplesmente não o fazia e não conseguia compreendê-la”.
KAZEZ, J. O peso das coisas: filosofia para o bem-viver. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2004.
O texto descreve a experiência do personagem de Tolstoi diante de um aspecto incontornável de nossas vidas. Esse aspecto foi um tema centra na tradição filosófica
a) existencialista, na questão do reconhecimento de si.
b) marxista, no contexto do materialismo histórico.
c) pós-modernista, na discussão da fluidez das relações.
d) utilitarista, no sentido da racionalidade das ações.
e) logicista, no propósito de entendimento dos fatos.
Questão 4 (ENEM 2020)
Desde o mundo antigo e sua filosofia, que o trabalho tem sido compreendido com expressão de vida e degradação, criação e infelicidade, atividade vital e escravidão, felicidade social e servidão. Trabalho e fadiga. Na Modernidade, sob o comando do mundo da mercadoria e do dinheiro, a prevalência do negócio (negar o ócio) veio sepultar o império do repouso, da folga e da preguiça, criando uma ética positiva do trabalho.
ANTUNES, R. O século XX e a era da degradação do trabalho. In: SILVA, J. P. (Org). Por uma sociologia do século XX: São Paulo, Annablume, 2007 (adaptado).
O processo de ressignificação do trabalho nas sociedades modernas teve início a partir do surgimento de uma nova mentalidade, influenciada pela
a) Reforma Protestante, que expressou a importância das atividades laborais no mundo secularizado.
b) força do sindicalismo, que emergiu no esteio do anarquismo reivindicando direitos trabalhistas.
c) participação das mulheres em movimentos sociais, defendendo o direito ao trabalho.
d) visão do catolicismo, que, desde a Idade Média, defendia a dignidade do trabalho e do lucro.
e) reforma higienista, que combateu o caráter excessivo e insalubre do trabalho fabril.
Questão 5 (ENEM 2020)
A sociedade como um sistema justo de cooperação social consiste em uma das ideias familiares fundamentais, que dá estrutura e organização à justiça como equidade. A cooperação sociais guia-se por regras e procedimentos publicamente reconhecidos e aceitos por aqueles que cooperam como sendo apropriados para regular a sua conduta. Diz-se que a cooperação é justa porque seus termos são tais que todos os participantes podem razoavelmente aceitar, desde que todos os demais também o aceitem.
FERES JR., J.; POGREBINSCHI, T. Teoria política contemporânea: uma introdução. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
No contexto do pensamento político, a ideia apresentada mostra-se consoante o(a)
a) entendimento do contratualismo moderno.
b) corrente tripartite dos poderes.
c) legitimidade do absolutismo monárquico.
d) ideal republicano de governo.
e) posicionamento crítico do socialismo.
Questão 6 (ENEM 2020)
Montaigne deu o nome para um novo gênero literário; foi dos primeiros a instituir na literatura moderna um espaço privado, o espaço do “eu”, do texto íntimo. Ele cria um novo processo de escrita filosófica, no qual hesitações, autocríticas, correções entram no próprio texto.
COELHO, M. Montaigne. São Paulo: Publifolha, 2001 (adaptado).
O novo gênero de escrita aludido no texto é o(a)
a) confissão, que relata experiências de transformação.
b) meditação, que propõe preparações para o conhecimento.
c) carta, que comunica informações para um conhecido.
d) diálogo, que discute assuntos com diferentes interlocutores.
e) ensaio, que expõe concepções subjetivas de um tema.
Questão 7 (ENEM 2020)
Declaração de Salamanca – 1994
Acreditamos e proclamamos que: toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas; sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br Acesso em: 4 out. 2015.
Como signatário da Declaração citada, o Brasil comprometeu-se com a elaboração de políticas públicas educacionais que contemplem a
a) pluralidade dos sujeitos.
b) contenção dos gastos.
c) valorização da meritocracia.
d) padronização do currículo.
e) criação de privilégios.
Questão 8 (ENEM 2020)
TEXTO I
Os meus pensamento são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
PESSOA, F. O guardados de rebanhos – IX. In: GOLHOZ, M. A. (Org.). Obras poéticas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999 (fragmento).
TEXTO II
Tudo aquilo que sei do mundo, mesmo por ciência, eu sei a partir de uma visão minha ou de uma experiência do mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderiam dizer nada.
MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (adaptado).
Os textos mostram-se alinhados a um entendimento acerca da ideia de conhecimento, numa perspectiva que ampara a
a) verificabilidade de proposições no campo da lógica.
b) possibilidade de contemplação de verdades atemporais.
c) confirmação da existência de saberes inatos.
d) anterioridade da razão no domínio cognitivo.
e) valorização do corpo na apreensão da realidade.
Questão 9 (ENEM 2020)
Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhe parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens.
ARISTÓTELES Política. Brasília: UnB, 1988.
No fragmento, Aristóteles promove uma reflexão que associa dois elementos essenciais à discussão sobre a vida em comunidade, a saber:
a) Retórica e linguagem, pois cuidam dos discursos na ágora.
b) Democracia e sociedade, pois se referem a relações sociais.
c) Geração e corrupção, pois abarcam o campo da physis.
d) Ética e política, pois conduzem à eudaimonia.
e) Metafísica e ontologia, pois tratam da filosofia primeira.
Questão 10 (ENEM 2020)
Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão – 1789
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.
Disponível em: www.direitoshumanosusp.com.br Acesso em: 7 jun. 2018 (adaptado).
Esse documento, elaborado no contexto da Revolução Francesa, reflete uma profunda mudança social ao estabelecer a
a) falência da sociedade burguesa.
b) supressão do poder constituinte.
c) paridade do tratamento jurídico.
d) abolição dos partidos políticos.
e) manutenção das terras comunais.
Questão 11 (ENEM 2020)
Na Grécia, o conceito de povo abrange tão somente aqueles indivíduos considerados cidadãos. Assim é possível perceber que o conceito de povo era muito restritivo. Mesmo tendo isso em conta, a forma democrática vivenciada e experimentada pelos gregos atenienses nos século IV e V a.C. pode ser caracterizada, fundamentalmente, como direta.
MANDUCO, A. Ciência política. São Paulo: Saraiva, 2011.
Naquele contexto, a emergência do sistema de governo mencionado no excerto promoveu o(a)
a) campanha pela revitalização das oligarquias.
b) participação no exercício do poder.
c) competição para a escolha de representantes.
d) estabelecimento de mandatos temporários.
e) declínio da sociedade civil organizada.
Questão 12 (ENEM 2020)
Adão, ainda que supuséssemos que suas faculdades racionais fossem inteiramente perfeitas desde o início, não poderia ter inferido da fluidez e transparência da água que ela o sufocaria, nem da luminosidade e calor do fogo que este poderia consumi-lo. Nenhum objeto jamais revela, pelas qualidade que aparecem aos sentidos, nem as causas que o produziram, nem os efeitos que dele porvirão; e tampouco nossa razão é capaz de extrair, sem auxílio da experiência, qualquer conclusão referente à existência efetiva de coisas ou questões de fato.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Unesp, 2003.
Segundo o autor, qual é a origem do conhecimento humano?
a) A potência inata da mente.
b) A vivência dos fenômenos do mundo.
c) A revelação da inspiração divina.
d) O estudo das tradições filosóficas.
e) O desenvolvimento do raciocínio abstrato.
GABARITO:
01 - A
02 - C
03 - A
04 - A
05 - A
06 - E
07 - A
08 - E
09 - C
10 - D
11 - B
12 - B
Questão 1 (ENEM 2019)
TEXTO I
A centralização econômica, o protecionismo e a expansão ultramarina engrandeceram o Estado, embora beneficiassem a burguesia incipiente.
ANDERSON, P. In: DEYON, P. O mercantilismo. Lisboa: Gradiva,1989 (adaptado).
TEXTO II
As interferências da legislação e das práticas exclusivistas restringem a operação benéfica da lei natural na esfera das relações econômicas.
SMITH, A. A riqueza das Nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (adaptado).
Entre os séculos XVI e XIX, diferentes concepções sobre as relações entre Estado e economia foram formuladas. Tais concepções, associadas a cada um dos textos, confrontam-se, respectivamente, na oposição entre as práticas de
a) eliminação das tarifas alfandegárias — incentivo ao livre-cambismo.
b) defesa dos monopólios régios — apoio à livre concorrência.
c) abandono da acumulação metalista — estímulo ao livre-comércio.
d) formação do sistema metropolitano — crítica à livre navegação.
e) valorização do pacto colonial — combate à livre-iniciativa.
Questão 2 (ENEM 2019)
De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usar para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada?
AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a)
a) desvio da postura celibatária.
b) violação dos preceitos do Velho Testamento.
c) insuficiência da autonomia moral.
d) distanciamento das práticas de sacrifício.
e) afastamento das ações de desapego.
Questão 3 (ENEM 2019)
Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora, os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado).
A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à naturalização do(a)
a) segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos.
b) alienação ideológica, que justifica as ações individuais.
c) enquadramento cultural, que favorece os comportamentos punitivos.
d) ideário nacional, que legitima as desigualdades sociais
e) cosmologia religiosa, que sustenta as tradições hierárquicas.
Questão 4 (ENEM 2019)
A hospitalidade pura consiste em acolher aquele que chega antes de lhe impor condições, antes de saber e indagar o que quer que seja, ainda que seja um nome ou um “documento” de identidade. Mas ela também supõe que se dirija a ele, de maneira singular, chamando-o portanto e reconhecendo-lhe um nome próprio: “Como você se chama?” A hospitalidade consiste em fazer tudo para se dirigir ao outro, em lhe conceder, até mesmo perguntar seu nome, evitando que essa pergunta se torne uma “condição”, um inquérito policial, um fichamento ou um simples controle das fronteiras. Uma arte e uma poética, mas também toda uma política dependem disso, toda uma ética se decide aí.
DERRIDA, J. Papel-máquina. São Paulo: Estação Liberdade, 2004 (adaptado).
Associado ao contexto migratório contemporâneo, o conceito de hospitalidade proposto pelo autor impõe a necessidade de
a) cristalização da biografia.
b) anulação da diferença.
c) supressão da comunicação.
d) incorporação da alteridade.
e) verificação da proveniência.
Questão 5 (ENEM 2019)
Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da região sulamericana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes.
ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos.
São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado).
A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica:
a) Materialismo dialético.
b) Pluralismo epistemológico.
c) Existencialismo fenomenológico.
d) Racionalismo cartesiano.
e) Relativismo cognitivo.
Questão 6 (ENEM 2019)
TEXTO I
Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação deste Deus todo perfeito, ponderar totalmente à vontade seus maravilhosos atributos, considerar, admirar e adorar a incomparável beleza dessa imensa luz.
DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
TEXTO II
Qual será a forma mais razoável de entender como é o mundo? Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? Não podemos dizer que a crença em Deus é “apenas” uma questão de fé.
RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
Os textos abordam um questionamento da construção da modernidade que defende um modelo:
a) centrado na razão humana.
b) baseado na explicação mitológica.
c) focado na legitimação contratualista.
d) configurado na percepção etnocêntrica.
e) fundamentado na ordenação imanentista.
Questão 7 (ENEM 2019)
Penso que não há um sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos encontrar em todos os lugares. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através das práticas de sujeição ou, de maneira mais autônoma, através de práticas de liberação, de liberdade, como na Antiguidade – a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, que podemos encontrar no meio cultural.
FOUCAULT, M. Ditos e escritos V: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
O texto aponta que a subjetivação se efetiva numa dimensão:
a) contingencial, processada em interações sociais.
b) racional, baseada em pressupostos lógicos.
c) legal, pautada em preceitos jurídicos.
d) transcendental, efetivada em princípios religiosos.
e) essencial, fundamentada em parâmetros substancialistas.
Questão 8 (ENEM 2019)
TEXTO I
Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim.
KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, s/d (adaptado).
TEXTO II
Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim.
FONTELA, O. Kant (relido). In: Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.
A releitura realizada pela poeta inverte as seguintes ideias centrais do pensamento kantiano:
a) Necessidade da boa vontade e crítica da metafísica.
b) Aprioridade do juízo e importância da natureza.
c) Possibilidade da liberdade e obrigação da ação.
d) Prescindibilidade do empírico e autoridade da razão.
e) Interioridade da norma e fenomenalidade do mundo.
Questão 9 (ENEM 2019)
Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco a própria integridade física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado, os critérios pessoais não são mais adequados para decidir sobre ações cujas consequências se tornam tão amplas, já que o prejuízo não será apenas individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o melhor para o bem comum seja mentir.
ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo: Moderna, 2006 (adaptado).
O texto aponta uma inovação na teoria política na época moderna expressa na distinção entre:
a) idealidade e efetividade da moral.
b) objetividade e subjetividade do conhecimento.
c) ilegalidade e legitimidade do governante.
d) verificabilidade e possibilidade da verdade.
e) nulidade e preservabilidade da liberdade.
Questão 10 (ENEM 2019)
A lenda diz que, em um belo dia ensolarado, Newton estava relaxando sob uma macieira. Pássaros gorjeavam em suas orelhas. Havia uma brisa gentil. Ele cochilou por alguns minutos. De repente, uma maçã caiu sobre a sua cabeça e ele acordou com um susto. Olhou para cima. “Com certeza um pássaro ou um esquilo derrubou a maçã da árvore”, supôs. Mas não havia pássaros ou esquilos na árvore por perto. Ele, então, pensou: “Apenas alguns minutos antes, a maçã estava pendurada na árvore. Nenhuma força externa fez ela cair. Deve haver alguma força subjacente que causa a queda das coisas para a terra”.
SILVA, C. C.; MARTINS, R A. Estudos de história e filosofia das ciências. São Paulo: Livraria da Física, 2006 (adaptado).
Em contraponto a uma interpretação idealizada, o texto aponta para a seguinte dimensão fundamental da ciência moderna:
a) Proposição de hipóteses.
b) Negação da observação.
c) Falsificação de teses.
d) Universalização de conclusões.
e) Contemplação da natureza.
Questão 11 (ENEM 2019)
Em sentido geral e fundamental, Direito é a técnica da coexistência humana, isto é, a técnica voltada a tornar possível a coexistência dos homens. Como técnica, o Direito se concretiza em um conjunto de regras (que, nesse caso, são leis ou normais); e tais regras têm por objeto o comportamento intersubjetivo, isto é, o comportamento recíproco dos homens entre si.
ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
O sentido geral e fundamental do Direito, conforme foi destacado, refere-se à
a) legitimação de decisões políticas.
b) mediação de conflitos econômicos.
c) aplicação de códigos legais.
d) regulação do convívio social.
e) representação da autoridade constituída.
GABARITO:
01 - B
02 - C
03 - A
04 - D
05 - D
06 - A
07 - A
08 - E
09 - A
10 - A
11 - D
01 - (Enem 2018)
A tribo não possui um rei, mas um chefe que não é chefe de Estado. O que significa isso? Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção, de nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum dever de obediência. O espaço da chefia não é o lugar do poder. Essencialmente encarregado de eliminar conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias e linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e a concórdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidentemente prestígio não significa poder, e os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra.
CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982 (adaptado).
O modelo político das sociedades discutidas no texto contrasta com o do Estado liberal burguês porque se baseia em:
a) Imposição ideológica e normas hierárquicas.
b) Determinação divina e soberania monárquica.
c) Intervenção consensual e autonomia comunitária.
d) Mediação jurídica e regras contratualistas.
e) Gestão coletiva e obrigações tributárias.
02 - (Enem - 2018)
O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da ambiguidade. Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempre aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente positiva, sô conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o direito de se instalar no saber absoluto. O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento.
MERLEAU-PONTY, M. Elogio da filosofia. Lisboa: Guimarães, 1998 (adaptado).
O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade do fllósofo, que se caracteriza por
a) reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético.
b) ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias.
c) associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade.
d) conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento.
e) compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais.
03 - (Enem - 2018)
Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.
TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002.
O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por
a) reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
b) sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
c) explicar as virtudes teologais pela demonstração.
d) flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
e) justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
04 - (Enem - 2018)
Texto 1 -
Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983
Texto 2 -
Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente
ao gênero humano.
ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado).
Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma
a) predisposição ao conhecimento.
b) submissão ao transcendente.
c) tradição epistemológica.
d) condição original.
e) vocação política.
05 - (Enem - 2018)
O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado. Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado. O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão. É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história.
ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.
No ambiente cultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a
a) aproximação entre inovação e saberes antigos.
b) conciliação entre revelação e metafísica platônica.
c) vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa.
d) separação entre teologia e fundamentalismo religioso.
e) contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.
06 - (Enem - 2018)
A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela.
DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.
Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no texto é o(a)
a) valorização dos conhecimentos acumulados.
b) exposição nos meios de comunicação.
c) aprofundamento da vivência espiritual.
d) fortalecimento das relações interpessoais.
e) reconhecimento na esfera artística.
07 - (Enem - 2018)
“A quem não basta pouco, nada basta.”
EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985.
Remanescente do período helenístico, a máxima apresentada valoriza a seguinte virtude:
a) Esperança, tida como confiança no porvir.
b) Justiça, interpretada como retidão de caráter.
c) Temperança, marcada pelo domínio da vontade.
d) Coragem, definida como fortitude na dificuldade.
e) Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão.
08 - (Enem - 2018)
Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e nada realizava”, dizem eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda ação? Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criara, como pode haver verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma vontade que antes não existia?”
AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril Cuitural, 1984.
A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo da reflexão filosófica sobre a(s)
a) essência da ética cristã.
b) natureza universal da tradição.
c) certezas inabaláveis da experiência.
d) abrangência da compreensão humana.
e) interpretações da realidade circundante.
09 - (Enem - 2018)
O anúncio publicitário da década de 1940 reforça os seguintes estereótipos atribuídos historicamente a uma suposta natureza feminina:
a) Pudor inato e instinto maternal.
b) Fragilidade física e necessidade de aceitação.
c) Isolamento social e procura de autoconhecimento.
d) Dependência econômica e desejo de ostentação.
e) Mentalidade fútil e conduta hedonista.
10 - (Enem - 2018)
No início da década de 1990, dois biólogos importantes, Redford e Robinson, produziram um modelo largamente aceito de “produção sustentável” que previa quantos indivíduos de cada espécie poderiam ser caçados de forma sustentável baseado nas suas taxas de reprodução. Os seringueiros do Alto Juruá tinham um modelo diferente: a quem lhes afirmava que estavam caçando acima do sustentável (dentro do modelo), eles diziam que não, que o nível da caça dependia da existência de áreas de refúgio em que ninguém caçava. Ora, esse acabou sendo o modelo batizado de “fonte-ralo” proposto dez anos após o primeiro por Novaro, Bodmer e o próprio Redford e que suplantou o modelo anterior.
CUNHA, M. C. Revista USP, n. 75, set.-nov. 2007.
No contexto da produção científica, a necessidade de reconstrução desse modelo, conforme exposto no texto, foi determinada pelo confronto com um(a)
a) conclusão operacional obtida por lógica dedutiva.
b) visão de mundo marcada por preconceitos morais.
c) hábito social condicionado pela religiosidade popular.
d) conhecimento empírico apropriado pelo senso comum.
e) padrão de preservação construído por experimentação dirigida.
11 - (Enem - 2018)
Um dos teóricos da democracia moderna, Hans Kelsen, considera elemento essencial da democracia real (não da democracia ideal, que não existe em lugar algum) o método da seleção dos líderes, ou seja, a eleição. Exemplar, neste sentido, é a afirmação de um juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, por ocasião de uma eleição de 1902: “A cabine eleitoral é o templo das instituições americanas, onde cada um de nós é um sacerdote, ao qual é confiada a guarda da arca da aliança e cada um oficia do seu próprio altar^’.
BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: EIsevier, 2000 (adaptado)
As metáforas utilizadas no texto referem-se a uma concepção de democracia fundamentada no(a)
a) justificação teísta do direito.
b) rigidez da hierarquia de classe.
c) ênfase formalista na administração.
d) protagonismo do Executivo no poder.
e) centralidade do indivíduo na sociedade.
12 - (Enem PPL - 2018)
Demócrito julga que a natureza das coisas eternas são pequenas substâncias infinitas, em grande número. E julga que as substâncias são tão pequenas que fogem às nossas percepções. E lhes são inerentes formas de toda espécie, figuras de toda espécie e diferenças em grandeza. Destas, então, engendram-se e combinam-se todos os volumes visíveis e perceptíveis.
SIMPLÍCIO. Do Céu (DK 68 a 37). In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1996 (adaptado).
A Demócrito atribui-se a origem do conceito de
a) porção mínima da matéria, o átomo.
b) princípio móvel do universo, a arché.
c) qualidade única dos seres, a essência.
d) quantidade variante da massa, o corpus.
e) substrato constitutivo dos elementos, a physis.
13 - (Enem PPL - 2018)
O justo e o bem são complementares no sentido de que uma concepção política deve apoiar-se em diferentes ideias do bem. Na teoria da justiça como equidade, essa condição se expressa pela prioridade do justo. Sob sua forma geral, esta quer dizer que as ideias aceitáveis do bem devem respeitar os limites da concepção política de justiça e nela desempenhar um certo papel.
RAWLS, J. Justiça e democracia. São Paulo: Martins Fontes, 2000 (adaptado).
Segundo Rawls, a concepção de justiça legisla sobre ideias do bem, de forma que
a) as ações individuais são definidas como efeitos determinados por fatores naturais ou constrangimentos sociais.
b) o estudo da origem e da história dos valores morais concluem a inexistência de noções absolutas de bem e mal.
c) o próprio estatuto do homem como centro do mundo é abalado, marcando o relativismo da época contemporânea.
d) as intenções e bens particulares que cada indivíduo almeja alcançar são regulados na sociedade por princípios equilibrados.
e) o homem é compreendido como determinado e livre ao mesmo tempo, já que a liberdade limita-se a um conjunto de condições objetivas.
14 - (Enem PPL - 2018)
Em Utopia, tudo é comum a todos. A distribuição dos bens lá não é um problema, não se vê nem pobre nem mendigo e, embora ninguém tenha nada de seu, todos são ricos. Haverá maior riqueza do que levar uma existência alegre e pacífica, livre de ansiedades e sem precisar se preocupar com a subsistência?
MORUS, T. Utopia. Brasília: UnB, 2004.
Retirado da obra de Thomas Morus, escrita no século XVI, esse trecho influenciou movimentos sociais do século XIX que lutaram para
a) evitar a destruição da natureza.
b) inibir a ascensão da burguesia.
c) combater o domínio do capital.
d) eliminar a intolerância religiosa.
e) superar o atraso tecnológico.
15 - (Enem PPL - 2018)
A maioria das necessidades comuns de descansar, distrair-se, comportar-se, amar e odiar o que os outros amam e odeiam pertence a essa categoria de falsas necessidades. Tais necessidades têm um conteúdo e uma função determinada por forças externas, sobre as quais o indivíduo não tem controle algum.
MARCUSE, H. A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
Segundo Marcuse, um dos pesquisadores da chamada Escola de Frankfurt, tais forças externas são resultantes de
a) exposição cibernética crescente.
b) interesses de ordem socioeconômica.
c) hegemonia do discurso médico-científico.
d) aspirações de cunho espiritual.
e) propósitos solidários de classes.
16 - (Enem PPL - 2018)
Uma criança com deficiência mental deve ser mantida em casa ou mandada a uma instituição? Um parente mais velho que costuma causar problemas deve ser cuidado ou podemos pedir que vá embora? Um casamento infeliz deve ser prolongado pelo bem das crianças?
MURDOCH, I. A soberania do bem. São Paulo: Unesp, 2013.
Os questionamentos apresentados no texto possuem uma relevância filosófica à medida que problematizam conflitos que estão nos domínios da
a) epistemologia e dos limites do conhecimento.
b) ética e dos padrões de comportamento.
c) política e da esfera pública.
d) lógica e da validade dos raciocínios.
e) teologia e dos valores religiosos.
17 - (Enem PPL - 2018)
Jamais deixou de haver sangue, martírio e sacrifício, quando o homem sentiu a necessidade de criar em si uma memória; os mais horrendos sacrifícios e penhores, as mais repugnantes mutilações (as castrações, por exemplo), os mais cruéis rituais, tudo isto tem origem naquele instinto que divisou na dor o mais poderoso auxiliar da memória.
NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.
O fragmento evoca uma reflexão sobre a condição humana e a elaboração de um mecanismo distintivo entre homens e animais, marcado pelo(a)
a) racionalidade científica.
b) determinismo biológico.
c) degradação da natureza.
d) domínio da contingência.
e) consciência da existência.
18 - (Enem PPL - 2018)
Quando analisamos nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos e sublimes que sejam, sempre descobrimos que se resolvem em ideias simples que são cópias de uma sensação ou sentimento anterior. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram, a um exame mais atento, ser derivadas dela.
HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
Depreende-se deste excerto da obra de Hume que o conhecimento tem a sua gênese na
a) convicção inata.
b) dimensão apriorística.
c) elaboração do intelecto.
d) percepção dos sentidos.
e) realidade trascendental.
GABARITO:
01 - C
02 - D
03 - B
04 - D
05 - E
06 - B
07 - C
08 - D
09 - B
10 - D
11 - E
12 - A
13 - D
14 - C
15 - B
16 - B
17 - E
18 - D
01) (ENEM - 2017) A moralidade, Bentham exortava, não é uma questão de agradar a Deus, muito menos de fidelidade a regras abstratas. A moralidade é a tentativa de criar a maior quantidade de felicidade possível neste mundo. Ao decidir o que fazer, deveríamos, portanto, perguntar qual curso de conduta promoveria a maior quantidade de felicidade para todos aqueles que serão afetados.
RACHELS, J. Os elementos da filosofia moral. Baruer-SP: Manole, 2006
Os parâmetros da ação indicados no texto estão em conformidade com uma
a) Fundamentação científica de viés positivista.
b) Transgressão comportamental religiosa.
c) Inclinação de natureza passional.
d) Convenção social de orientação normativa.
e) Racionalidade de caráter pragmático.
02) (ENEM - 2017) Fala-se muito nos dias de hoje em direitos do homem. Pois bem: foi no século XVIIl – em 1789, precisamente que uma Assembleia Constituinte produziu e proclamou em Paris a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Essa Declaração se impôs como necessária para um grupo de revolucionários, por ter sido preparada por uma mudança no plano das ideias e das mentalidades: o Iluminismo.
FORTES, L.R.S. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense, 1981 (adaptado).
Correlacionando temporalidades históricas, o texto apresenta uma concepção de pensamento que tem como uma de suas bases a
a) Modernização da educação escolar
b) Atualização da disciplina moral cristã.
c) Divulgação de costumes aristocráticos.
d) Socialização do conhecimento científico.
e) Universalização do princípio da igualdade civil.
03) (ENEM - 2017) Uma sociedade é uma associação mais ou menos autossuficiente de pessoas que em suas relações mútuas reconhecem certas regras de conduta como obrigatórias e que, na maioria das vezes, agem de acordo com elas. Uma sociedade é bem ordenada não apenas quando está planejada para promover o bem de seus membros, mas quando é também efetivamente regulada por uma concepção pública de justiça. Isto é, trata-se de uma sociedade na qual todos aceitam, e sabem que os outros aceitam, o mesmo princípio de justiça.
RAWLS, J. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1997 (adaptado)
A visão expressa nesse texto do século XX remete a qual aspecto do pensamento moderno?
a) A relação entre liberdade e autonomia no Liberalismo.
b) A independência entre poder e moral no Racionalismo.
c) A convenção entre cidadãos e soberano do Absolutismo.
d) A dialética entre o indivíduo e governo autocrata do Idealismo.
e) A contraposição entre bondade e condição selvagem do Naturalismo.
04) (ENEM - 2017) Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. Sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação.
BREHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977.
O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na
a) Contemplação da tradição mítica.
b) Sustentação do método dialético.
c) Relativização do saber verdadeiro.
d) Valorização da argumentação retórica.
e) Investigação dos fundamentos da natureza.
05) (ENEM - 2017) A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em que um infinitamente múltiplo é a origem, mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si. Por exemplo, partículas de came e de ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece como figura.
HEGEL, G. W. F. Crítica moderna. In: SOUZA, J. C. (Org.) Os pré-socráticos: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural, 2000 (adaptado)
O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensamento de Demócrito, segundo o qual o “princípio constitutivo das coisas” estava representado pelo(a)
a) Número, que fundamenta a criação dos deuses.
b) Devir, que simboliza o constante movimento dos objetos.
c) Água, que expressa a causa material da origem do universo.
d) Imobilidade, que sustenta a existência do ser atemporal.
e) Átomo, que explica o surgimento dos entes.
06) (ENEM - 2017) O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão.
VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado).
O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a)
a) Participação direta periódica do cidadão.
b) Debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
c) Interlocução entre os poderes governamentais.
d) Eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
e) Controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.
07) (ENEM - 2017) Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, l. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo. Abril Cultural, 1980
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
a) Assegura que a ação seja aceita por todos a partir livre discussão participativa.
b) Garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.
c) Opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
d) Materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
e) Permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.
08) (ENEM - 2017) Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento grande influência sobre essa vida? Se assim é esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as duas outras, de modo que essa finalidade será o bem humano.
ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (adaptado)
Para Aristóteles, a relação entre o sumo em e a organização da pólis pressupõe que
a) O bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.
b) O sumo em é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade.
c) A política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade.
d) A educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente.
e) A democracia protege as atividades políticas necessárias para o em comum.
09) (ENEM - 2017 PPL) A definição de Aristóteles para enigma é totalmente desligada de qualquer fundo religioso: dizer coisas reais associando coisas impossíveis. Visto que, para Aristóteles, associar coisas impossíveis significa formular uma contradição, sua definição quer dizer que o enigma é uma contradição que designa algo real, em vez de não indicar nada, como é de regra.
COLLI, G. O nascimento da filosofia. Campinas: Unicamp, 1996 (adaptado).
Segundo o texto, Aristóteles inovou a forma de pensar sobre o enigma, ao argumentar que
a) a contradição que caracteriza o enigma é desprovida de relevância filosófica.
b) os enigmas religiosos são contraditórios porque indicam algo religiosamente real.
c) o enigma é uma contradição que diz algo de real e algo de impossível ao mesmo tempo.
d) as coisas impossíveis são enigmáticas e devem ser explicadas em vista de sua origem religiosa.
e) a contradição enuncia coisas impossíveis e irreais, porque ela é desligada de seu fundo religioso.
10) (ENEM - 2017 PPL) Dado que, dos hábitos racionais com os quais captamos a verdade, alguns são sempre verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, como a opinião e o cálculo, enquanto o conhecimento científico e a intuição são sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro gênero de conhecimento é mais exato que o conhecimento científico, exceto a intuição, e, por outro lado, os princípios são mais conhecidos que as demonstrações, e dado que todo conhecimento científico constitui-se de maneira argumentativa, não pode haver conhecimento científico dos princípios, e dado que não pode haver nada mais verdadeiro que o conhecimento científico, exceto a intuição, a intuição deve ter por objeto os princípios.
ARISTÓTELES. Segundos analíticos. In: REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994.
Os princípios, base da epistemologia aristotélica, pertencem ao domínio do(a)
a) opinião, pois fazem parte da formação da pessoa.
b) cálculo, pois são demonstrados por argumentos.
c) conhecimento científico, pois admitem provas empíricas.
d) intuição, pois ela é mais exata que o conhecimento científico.
e) prática de hábitos racionais, pois com ela se capta a verdade.
11) (ENEM - 2017 PPL) XI. Jamais, a respeito de coisa alguma, digas: “Eu a perdi”, mas sim: “Eu a restituí”. O filho morreu? Foi restituído. A mulher morreu? Foi restituída. “A propriedade me foi subtraída”, então também foi restituída. “Mas quem a subtraiu é mau”. O que te importa por meio de quem aquele que te dá a pede de volta? Na medida em que ele der, faz uso do mesmo modo de quem cuida das coisas de outrem. Do mesmo modo como fazem os que se instalam em uma hospedaria.
EPICTETO. Encheirídion. In: DINUCCI, A. Introdução ao Manual de Epicteto. São Cristóvão: UFS, 2012 (adaptado).
A característica do estoicismo presente nessa citação do filósofo grego Epicteto é
a) explicar o mundo com números.
b) identificar a felicidade como prazer.
c) aceitar os sofrimentos com serenidade.
d) questionar o sabe científico com veemência.
e) considerar as convenções sociais com desprezo.
12) (ENEM - 2017 PPL) A crítica é uma questão de distância certa. O olhar hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no coração das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espaço livre da contemplação e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em direção a nós. E, do mesmo modo que o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação crítica completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina proximidade, também a propaganda autêntica transporta as coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao de bom filme.
BENJAMIN, W. Rua de mão única: infância berlinense – 1900. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 (adaptado).
O texto apresenta um entendimento do filósofo Walter Benjamin, segundo o qual a propaganda dificulta o procedimento de análise crítica em virtude do(a)
a) caráter ilusório das imagens.
b) evolução constante da tecnologia.
c) aspecto efêmero dos acontecimentos.
d) conteúdo objetivo das informações.
e) natureza emancipadora das opiniões.
13) (ENEM - 2017 PPL) O povo que exerce o poder não é sempre o mesmo povo sobre quem o poder é exercido, e o falado self-government [autogoverno] não é o governo de cada qual por si mesmo, mas o de cada qual por todo o resto. Ademais, a vontade do povo significa praticamente a vontade da mais numerosa e ativa parte do povo — a maioria, ou aqueles que logram êxito em se fazerem aceitar como a maioria.
MILL, J. S. Sobre a liberdade. Petrópolis: Vozes, 1991 (adaptado).
No que tange à participação popular no governo, a origem da preocupação enunciada no texto encontra-se na
a) conquista do sufrágio universal.
b) criação do regime parlamentarista.
c) institucionalização do voto feminino.
d) decadência das monarquias hereditárias.
e) consolidação da democracia representativa.
14) (ENEM - 2017 PPL)
TEXTO I - Frantz Fanon publicou pela primeira vez, em 1952, seu estudo sobre colonialismo e racismo, Pele negra, máscaras brancas. Ao dizer que “para o negro, há somente um destino” e que esse destino é branco, Fanon revelou que as aspirações de muitos povos colonizados foram formadas pelo pensamento colonial predominante.
BUCKINGHAM, W. et al. O livro da Filosofia. São Paulo: Globo, 2011 (adaptado).
TEXTO II - Mesmo que não queiramos cobrar desses estabelecimentos (salões de beleza) uma eficácia política nos moldes tradicionais da militância, uma vez que são estabelecimentos comerciais e não entidades do movimento negro, o fato é que, ao se autodenominarem “étnicos” e se apregoarem como divulgadores de uma autoimagem positiva do negro em uma sociedade racista, os salões se colocam no cerne de uma luta política e ideológica.
GOMES, N. Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Disponível em: www.rizoma.ufsc.br. Acesso em: 13 fev. 2013.
Os textos apresentam uma mudança relevante na constituição identitária frente à discriminação racial. No Brasil, o desdobramento dessa mudança revela o(a)
a) valorização de traços culturais.
b) utilização de resistência violenta.
c) fortalecimento da organização partidária.
d) enfraquecimento dos vínculos comunitários.
e) aceitação de estruturas de submissão social.
Gabarito:
01 - E
02 - E
03 - A
04 - B
05 - E
06 - B
07 - C
08 - C
09 - C
10 - D
11 - C
12 - A
13 - E
14 - A
01) (ENEM - 2016) Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha de ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.
ADORNO, T; HORKHEIMER, M. A dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.
A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a):
a) legado social.
b) ilusão da contemporaneidade.
c) produto da moralidade.
d) conquista da humanidade.
e) patrimônio político.
02) (ENEM - 2016) Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.
SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à
a) fugacidade do conhecimento empírico.
b) consagração de relacionamentos afetivos.
c) administração da independência interior.
d) liberdade de expressão religiosa.
e) busca de prazeres efêmeros.
03) (ENEM - 2016) Vi os homens sumirem-se numa grande tristeza. Os melhores cansaram-se das suas obras. Proclamou-se uma doutrina e com ela circulou uma crença: Tudo é oco, tudo é igual, tudo passou! O nosso trabalho foi inútil; o nosso vinho tornou-se veneno; o mau olhado amareleceu-nos os campos e os corações. Secamos de todo, e se caísse fogo em cima de nós, as nossas cinzas voariam em pó. Sim; cansamos o próprio fogo. Todas as fontes secaram para nós, e o mar retirou-se. Todos os solos se querem abrir, mas os abismos não nos querem tragar.
NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Ediouro, 1977.
O texto exprime uma construção alegórica, que traduz um entendimento da doutrina niilista, uma vez que
a) reforça a liberdade do cidadão.
b) desvela os valores do cotidiano.
c) exorta as relações de produção.
d) destaca a decadência da cultura.
e) amplifica o sentimento de ansiedade.
04) (ENEM - 2016)
Ser ou não ser – eis a questão.
Morrer – dormir – Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão
Que dá Pa desventura uma vida tão longa.
SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2007.
Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre
a) consciência de si e angústia humana.
b) inevitabilidade do destino e incerteza moral.
c) tragicidade da personagem e ordem do mundo.
d) racionalidade argumentativa e loucura iminente.
e) dependência paterna e impossibilidade de ação.
05) (ENEM - 2016) Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.
DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
Em busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da
a) investigação da natureza empírica.
b) retomada da tradição intelectual.
c) imposição de valores ortodoxos.
d) autonomia do sujeito pensante.
e) liberdade do agente moral.
06) (ENEM - 2016)
TEXTO I
Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcança duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.
HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza) São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).
TEXTO II
Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se?
PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).
Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das
a) investigações do pensamento sistemático.
b) preocupações do período mitológico.
c) discussões de base ontológica.
d) habilidade da retórica sofística.
e) verdades do mundo sensível.
07) (ENEM - 2016) A democracia deliberativa afirma que as partes do conflito político devem deliberar entre si, e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a um acordo sobre as políticas que seja satisfatória para todos. A democracia ativista desconfia das exortações à deliberação por acreditar que no mundo real da política, onde as desigualdades estruturais influenciam procedimento e resultados, processos democráticos que parecem cumprir as normas de deliberação geralmente tendem a beneficiar os agentes mais poderosos. Ela recomenda portanto, que aqueles que se preocupam com a promoção de mais justiça devem realizar principalmente a atividade de oposição crítica, em vez de tentar chegar a um acordo com quem sustenta estruturas de poder existentes ou delas se beneficia.
YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan. abr. 2014.
As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativista apresentadas no texto tratam como imprescindíveis, respectivamente,
a) a decisão da maioria e a uniformização de direitos.
b) a organização de eleições e o movimento anarquista.
c) a obtenção do consenso e a mobilização das minorias.
d) a fragmentação da participação e a desobediência civil.
e) a imposição de resistência e o monitoramento da liberdade.
08) (ENEM - 2016) A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de ninguém.
JONAS, H. O princípio de responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto: Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado).
As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)
a) pragmatismo da escolha individual.
b) sobrevivência de gerações futuras.
c) fortalecimento de políticas liberais.
d) valorização de múltiplas etnias.
e) promoção da inclusão social.
09 - (ENEM - 2016 PPL) Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o antropoceno: uma nova era geológica com altíssimo poder de destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do sistema-Terra. Como enfrentar esta nova situação nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda? Temos pessoalmente trabalhado os paradigmas da sustentabilidade e do cuidado como relação amigável e cooperativa para com a natureza. Queremos, agora, agregar a ética da responsabilidade.
BOFF, L. Responsabilidade coletiva. Disponível em: http://leonardoboff.wordp ress.com. Acesso em: 14 maio 2013.
A ética da responsabilidade protagonizada pelo filósofo alemão Hans Jonas e reivindicada no texto é expressa pela máxima:
a) “A tua ação possa valer como norma para todos os homens.”
b) “A norma aceita por todos advenha da ação comunicativa e do discurso.”
c) “A tua ação possa produzir a máxima felicidade para a maioria das pessoas.”
d) “O teu agir almeje alcançar determinados fins que possam justificar os meios.”
e) “O efeito de tuas ações não destrua a possibilidade futura da vida das novas gerações.”
10 - (ENEM - 2016 PPL) Ninguém delibera sobre coisas que não podem ser de outro modo, nem sobre as que lhe é impossível fazer. Por conseguinte, como o conhecimento científico envolve demonstração, mas não há demonstração de coisas cujos primeiros princípios são variáveis (pois todas elas poderiam ser diferentemente), e como é impossível deliberar sobre coisas que são por necessidade, a sabedoria prática não pode ser ciência, nem arte: nem ciência, porque aquilo que se pode fazer é capaz de ser diferentemente, nem arte, porque o agir e o produzir são duas espécies diferentes de coisa. Resta, pois, a alternativa de ser ela uma capacidade verdadeira e raciocinada de agir com respeito às coisas que são boas ou más para o homem.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
Aristóteles considera a ética como pertencente ao campo do saber prático. Nesse sentido, ela difere-se dos outros saberes porque é caracterizada como
a) conduta definida pela capacidade racional de escolha.
b) capacidade de escolher de acordo com padrões científicos.
c) conhecimento das coisas importantes para a vida do homem.
d) técnica que tem como resultado a produção de boas ações.
e) política estabelecida de acordo com padrões democráticos de deliberação.
11 - (ENEM - 2016 PPL)
Arrependimentos terminais
Em Antes de partir, uma cuidadora especializada em doentes terminais fala do que eles mais se arrependem na hora de morres.
“Não deveria ter trabalhado tanto”, diz um dos pacientes.
“Desejaria ter ficado em contato com meus amigos”, lembra outro.
“Desejaria ter coragem de expressar meus sentimentos.”
“Não deveria ter levado a vida baseando-me no que esperavam de mim”, diz um terceiro.
Há cem anos ou cinquenta, quem sabe, sem dúvida seriam outros os arrependimentos terminais.
“Gostaria de ter sido mais útil à minha pátria.”
“Deveria ter sido mais obediente a Deus.”
“Gostaria de ter deixado mais patrimônio aos meus descendentes.”
COELHO, M. Folha de São Paulo , 2 jan. 2013.
O texto compara hipoteticamente dois padrões morais que divergem por se basearem respectivamente em
a) satisfação pessoal e valores tradicionais.
b) relativismo cultural e postura ecumênica.
c) tranquilidade espiritual e costumes liberais.
d) realização profissional e culto à personalidade.
e) engajamento político e princípios nacionalistas.
12 - (ENEM - 2016 PPL)
TEXTO I - Até aqui expus a natureza do homem (cujo orgulho e outras paixões o obrigaram a submeter-se ao governo), juntamente com o grande poder do seu governante, o qual comparei com o Leviatã, tirando essa comparação dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde Deus, após ter estabelecido o grande poder do Leviatã, lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra, disse ele, que se lhe possa comparar. HOBBES, T. O Leviatã. Sao Paulo: Martins Fontes, 2003.
TEXTO II - Eu asseguro, tranquilamente, que o governo civil é a solução adequada para as inconveniências do estado de natureza, que devem certamente ser grandes quando os homens podem ser juízes em causa própria, pois é fácil imaginar que um homem tão injusto a ponto de lesar o irmão dificilmente será justo para condenar a si mesmo pela mesma ofensa. LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: Vozes, 1994.
Thomas Hobbes e John Locke, importantes teóricos contratualistas, discutiram aspectos ligados à natureza humana e ao Estado. Thomas Hobbes, diferentemente de John Locke, entende o estado de natureza como um(a)
a) condição de guerra de todos contra todos, miséria universal, insegurança e medo da morte violenta.
b) organização pré-social e pré-política em que o homem nasce com os direitos naturais: vida, liberdade, igualdade e propriedade.
c) capricho típico da menoridade, que deve ser eliminado pela exigência moral, para que o homem possa constituir o Estado civil.
d) situação em que os homens nascem como detentores de livre-arbítrio, mas são feridos em sua livre decisão pelo pecado original.
e) estado de felicidade, saúde e liberdade que é destruído pela civilização, que perturba as relações sociais e violenta a humanidade.
13 - (ENEM - 2016 PPL) Os andróginos tentaram escalar o céu para combater os deuses. No entanto, os deuses em um primeiro momento pensam em matá-los de forma sumária. Depois decidem puni-los da forma mais cruel: dividem-nos em dois. Por exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta forma, até hoje as metades separadas buscam reunir-se. Cada um com saudade de sua metade, tenta juntar-se novamente a ela, abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, desejando formar um único ser.
PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
No trecho da obra O banquete, Platão explicita, por meio de uma alegoria, o:
a) bem supremo como fim do homem.
b) prazer perene como fundamento da felicidade.
c) ideal inteligível como transcendência desejada.
d) amor como falta constituinte do ser humano.
e) autoconhecimento como caminho da verdade.
14 - (ENEM - 2016 PPL) Pode-se admitir que a experiência passada dá somente uma informação direta e segura sobre determinados objetos em determinados períodos do tempo, dos quais ela teve conhecimento. Todavia, é esta a principal questão sobre a qual gostaria de insistir: por que esta experiência tem de ser estendida a tempos futuros e a outros objetos que, pelo que sabemos, unicamente são similares em aparência. O pão que outrora comi alimentou-me, isto é, um corpo dotado de tais qualidades sensíveis estava, a este tempo, dotado de tais poderes desconhecidos. Mas, segue-se daí que este outro pão deve também alimentar-me como ocorreu na outra vez, e que qualidades sensíveis semelhantes devem sempre ser acompanhadas de poderes ocultos semelhantes? A consequência não parece de nenhum modo necessária.
HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Abril Cuttural, 1995.
O problema descrito no texto tem como consequência a
a) universabilidade do conjunto das proposições de observação.
b) normatividade das teorias científicas que se valem da experiência.
c) dificuldade de se fundamentar as leis científicas em bases empíricas.
d) inviabilidade de se considerar a experiência na construção da ciência.
e) correspondência entre afirmações singulares e afirmações universais.
15 - (ENEM - 2016 PPL) A justiça e a conformidade ao contrato consistem em algo com que a maioria dos homens parece concordar. Constitui um princípio julgado estender-se até os esconderijos dos ladrões e às confederações dos maiores vilões; até os que se afastaram a tal ponto da própria humanidade conservam entre si a fé e as regras da justiça.
LOCKE, J. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural. 2000 (adaptado).
De acordo com Locke, até a mais precária coletividade depende de uma noção de justiça, pois tal noção
a) identifica indivíduos despreparados para a vida em comum.
b) contribui com a manutenção da ordem e do equilíbrio social.
c) estabelece um conjunto de regras para a formação da sociedade.
d) determina o que é certo ou errado num contexto de interesses conflitantes.
e) representa os interesses da coletividade, expressos pela vontade da maioria.
16 - (ENEM - 2016 PPL)
[ ... ] O SERVIDOR — Diziam ser filho do rei. ..
ÉDIPO — Foi ela quem te entregou a criança?
O SERVIDOR — Foi ela, Senhor.
ÉDIPO — Com que intenção?
O SERVIDOR — Para que eu a matasse.
ÉDIPO — Uma mãe! Mulher desgraçada!
O SERVIDOR — Ela tinha medo de um oráculo dos deuses.
ÉDIPO — O que ele anunciava?
O SERVIDOR — Que essa criança um dia mataria seu pai.
ÉDIPO — Mas por que tu a entregaste a este homem?
O SERVIDOR — Tive piedade dela, mestre. Acreditei que ele a levaria ao país de onde vinha. Ele te salvou a vida, mas para os piores males! Se és realmente aquele de quem ele fala, saibas que nasceste marcado pela infelicidade.
ÉDIPO — Oh! Ai de mim! Então no final tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te veja aqui pela última vez, já que hoje me revelo o filho de quem não devia nascer, o esposo de quem não devia ser, o assassino de quem não deveria matar!
SÓFOCLES. Édipo Rei. Porto Alegre· L&PM, 2011.
O trecho da obra de Sófocles, que expressa o núcleo da tragédia grega, revela o(a)
a) condenação eterna dos homens pela prática injustificada do incesto.
b) legalismo estatal ao punir com a prisão perpétua o crime de parricídio.
c) busca pela explicação racional sobre os fatos até então desconhecidos.
d) caráter antropomórfico dos deuses na medida em que imitavam os homens.
e) impossibilidade de o homem fugir do destino predeterminado pelos deuses.
17 - (ENEM - 2016 PPL) O processo de justiça é um processo ora de diversificação do diverso, ora de unificação do idêntico. A igualdade entre todos os seres humanos em relação aos direitos fundamentais é o resultado de um processo de gradual eliminação de discriminações e, portanto, de unificação daquilo que ia sendo reconhecido como idêntico: uma natureza comum do homem acima de qualquer diferença de sexo, raça, religião etc.
BOBBIO, N. Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Rio de Janeiro:Campus, 2000.
De acordo com o texto, a construção de uma sociedade democrática fundamenta-se em:
a) A norma estabelecida pela disciplina social.
b) A pertença dos indivíduos à mesma categoria.
c) A ausência de constrangimentos de ordem pública.
d) A debilitação das esperanças na condição humana.
e) A garantia da segurança das pessoas e valores Sociais.
Gabarito:
01 - B
02 - C
03 - E
04 - A
05 - D
06 - C
07 - D
08 - B
09 - E
10 - A
11 - A
12 - A
13 - D
14 - C
15 - B
16 - E
17 - B
01 -
Fotografia da avó bordada
SCARELI, G. A máquina de costura e os fios da memória. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, n. 18, maio-ago. 2021.
A definição de Sertão descrita no bordado associa esse recorte espacial a
A) percursos e roteiros turísticos.
B) trajetos e movimentos holísticos.
C) vivências e itinerários socioafetivos.
D) fronteiras e demarcações territoriais.
E) profissões e interesses econômicos.
02 -
Felizes tempos eram esses! As moças iam à missa de madrugada. De dia ninguém as via e se alguma, em dia de festa, queria passear com a avó ou a tia, havia de ir de cadeirinhas. Bem razão têm os nossos velhos de chorar por esses tempos, em que as filhas não sabiam escrever, e por isso não mandavam nem recebiam bilhetinhos.
Novo Correio de Modas, 1853, apud DONEGÁ, A. L. Publicar ficção em meados do século XIX: um estudo das revistas femininas editadas pelos irmãos Laemmert. Campinas: Unicamp, 2013 (adaptado).
Na perspectiva do autor, as tradições e os costumes sociofamiliares sofreram alterações, no século XIX, decorrentes de quais fatores?
A) Hábitos de leitura e mobilidade regional.
B) Circulação de impressos e trânsito religioso.
C) Valorização da língua e imigração estrangeira.
D) Práticas de letramento e transformação cultural.
E) Flexibilização do ensino e reformismo pedagógico.
03 - TEXTO I
Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no meu mover-me no mundo e, se careço de responsabilidade, não posso falar em ética.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
ТЕХТО II
Paulo Freire construiu uma pedagogia da esperança. Na sua concepção, a história não é algo pronto e acabado. As estruturas de opressão e as desigualdades, apesar de serem naturalizadas, são sócio e historicamente construídas. Daí a importância de os educandos tomarem consciência da sua realidade para, assim, transformá-la.
DEMARCHI, J. L. Paulo Freire. Disponivel em: https://diplomatique.org.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Com base no conceito de ética pedagógica presente nos textos, os educandos tornam-se responsáveis pela
A) participação sociopolítica.
B) definição estético-cultural.
C) competição econômica local.
D) manutenção do sistema escolar.
E) capacitação de mobilidade individual.
04 - A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado para se pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias destinadas à diversão que essa pessoa não pode mais perceber outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo de trabalho.
ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
No texto, o tempo livre é concebido como
A) consumo de produtos culturais elaborados no mesmo sistema produtivo do capitalismo.
B) forma de realizar as diversas potencialidades da natureza humana.
C) alternativa para equilibrar tensões psicológicas do dia a dia.
D) promoção da satisfação de necessidades artificiais.
E) mecanismo de organização do ócio e do prazer.
05 -
A charge ilustra um anseio presente na sociedade contemporânea, que se caracteriza pela
A) situação de revolta individual.
B) satisfação de desejos pessoais.
C) participação em ações decisórias.
D) permanência em passividade social.
E) conivência em interesses partidários.
06 - Do século XVI em diante, pelo menos nas classes mais altas, o garfo passou a ser usado como utensílio para comer, chegando através da Itália primeiramente à França e, em seguida, à Inglaterra e à Alemanha, depois de ter servido, durante algum tempo, apenas para retirar alimentos sólidos da travessa. Henrique III introduziu-o na França, trazendo-o provavelmente de Veneza. Seus cortesãos não foram pouco ridicularizados por essa maneira “afetada” de comer e, no princípio, não eram muito hábeis no uso do utensílio: pelo menos se dizia que metade da comida caía do garfo no caminho do prato à boca. Em data tão recente como o século XVII, o garfo era ainda basicamente artigo de luxo, geralmente feito de prata ou ouro.
ELIAS. N. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.
O processo social relatado indica a formação de uma etiqueta que tem como principio a
A) distinção das classes sociais.
B) valorização de hábitos de higiene.
C) exaltação da cultura mediterrânea.
D) consagração de tradições medievais.
E) disseminação de produtos manufaturados.
07 - Negar o pedido por dinheiro indispensável para necessidades pessoais ou comprar bens usando o nome da pessoa sem o consentimento dela. Ameaçar o corte de recursos dependendo de atitudes pessoais, esconder documentos ou trocar senhas do banco sem avisar. Ou, ainda, proibir a pessoa de trabalhar ou destruir seus pertences. As histórias são comuns, mas às vezes não são reconhecidas como abuso. Mas é uma das cinco formas de conduta contra a mulher previstas na Lei Maria da Penha.
LEWGOY. J. Conduta quase invisível destrói a vida de mulheres. Disponível em: https://valorinveste.globo.com. Acesso em: 23 out. 2021 (adaptado).
O texto apresenta tipos de conduta sujeitos a punição, conforme previsto na Lei Maria da Penha, porque consistem em formas de
A) ação difamatória.
B) desvio comportamental.
C) expressão preconceituosa.
D) violência patrimonial.
E) desentendimento matrimonial.
08 -
Nas reportagens publicadas sobre a inauguração de Museu de Arte de São Paulo, em 1947, quando ele ainda ocupava um edifício na rua Sete de Abril, Lina Bo Bardi não foi mencionada nenhuma vez. A arquiteta era responsável pelo projeto do museu que mudaria para sempre a posição de São Paulo no circuito mundial das artes. Mas não houve nenhum registro disso. O louvor se concentrou em seu marido e parceiro profissional, o respeitado crítico de arte Pietro Maria Bardi. Passados 75 anos, a mulher então ignorada recebeu um Leão de Ouro póstumo, a maior homenagem da Bienal de Arquitetura de Veneza, e tem agora sua história contada em duas biografias de peso, que procuram destrinchar uma carreira marcada pela ousadia e pela contradição.
PORTO, W. Lina Bo Bardi tem sua arquitetura contraditória destrinchada em biografias. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).
As transformações pelas quais passaram as sociedades ocidentais e que possibilitaram o reconhecimento recente do trabalho da arquiteta mencionada no texto foram resultado das mobilizações sociais pela
A) equidade de gênero.
B) liberdade de expressão.
C) admissibilidade de voto.
D) igualdade de oportunidade.
E) reciprocidade de tratamento.
09 - Elas foram as pioneiras dos direitos das mulheres no Afeganistão. Defensoras ferrenhas da lei, buscaram justiça para os mais marginalizados. Mas, agora, mais de 220 juízas afegãs estão escondidas por medo de retaliação sob o regime do Talibã. Uma delas condenou centenas de homens por violência contra as mulheres, incluindo estupro, assassinato e tortura. Mas poucos dias depois que o Talibã assumiu o controle de sua cidade e milhares de criminosos condenados foram libertados da prisão, as ameaças de morte começaram. O país sempre foi considerado um dos lugares mais difíceis e perigosos do mundo para as mulheres. De acordo com estudos de organizações não governamentais, cerca de 87% das mulheres e meninas serão vítimas de abuso durante a vida.
Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 12 out. 2021 (adaptado).
O texto evidencia situação representativa de
A) afronta às estruturas sociais.
B) desprezo aos valores religiosos.
C) transgressão às normas morais.
D) desrespeito à dignidade humana.
E) oposição aos princípios hierárquicos.
10 - A torcida do Fluminense inicia um movimento para mudar a letra de uma das músicas mais populares das arquibancadas tricolores. Grupos pedem a remoção do termo “mulambo imundo”, em uma provocação direta ao Flamengo. Mulambo é um termo que surgiu em Angola, na época da escravatura, e eles eram chamados de mulambos pelos senhores de engenho, os patrões das fazendas.
Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 23 nov. 2021.
Qual mudança no comportamento social a proposta reportada no texto reflete?
A) Rejeição de costumes elitistas.
B) Repulsão de condutas misóginas.
C) Condenação do preconceito racial.
D) Criminalização de práticas homofóbicas.
E) Contestação do comportamento machista.
11 - Durante a Revolução Francesa, um certo padre Niollant escondeu-se no pequeno castelo de L’Escarbas. Pagou amplamente a hospitalidade do velho fidalgo ocupando-se da educação de sua filha, Anaïs. A presença da mãe em nada modificou essa educação masculina dada a uma jovem criatura já muito inclinada à independência em virtude da vida no campo. O padre transmitiu à aluna sua intrepidez de opiniões e sua facilidade de julgamento, sem pensar que essas qualidades, tão necessárias num homem, se tornam defeitos numa mulher destinada aos humildes afazeres de mãe de família. Embora o padre recomendasse continuamente à aluna ser tanto mais graciosa e modesta quanto seu saber era mais extenso, a senhorita de Nègrepelisse ficou com excelente opinião de si mesma.
BALZAC. H. Ilusões perdidas. São Paulo: Penguin Classics: Cia. das Letras, 2011 (adaptado).
O comportamento desenvolvido pela personagem evidencia uma postura de
A) abandono de laços afetivos.
B) negação da ideia de subjetividade.
C) aceitação da hierarquia de gênero.
D) consolidação da estratificação social.
E) ruptura de valores institucionalizados.
GABARITO:
01 - C
02 - D
03 - A
04 - A
05 - C
06 - A
07 - D
08 - A
09 - D
10 - C
11 - E
01 - (ENEM - 2022)
Espera, resignado, o dia 13 daquele mês porque, em tal data, usança avoenga lhe faculta sondar o futuro, interrogando a providência. É a experiência tradicional de Santa Luzia. No dia 12 ao anoitecer expõe ao relento, em linha, seis pedrinhas de sal, que representam, em ordem sucessiva da esquerda para a direita, os seis meses vindouros, de janeiro a junho. Ao alvorecer de 13 observa-as: se estão intactas, pressagiam a seca; se a primeira apenas se deliu, transmudada em aljôfar límpido, é certa a chuva em janeiro; se a segunda, em fevereiro; se a maioria ou todas, é inevitável O inverno benfazejo. Esta experiência é belíssima.
CUNHA, E. Os sertões. São Paulo: Editora Três, 1984.
No experimento descrito, a relação com a paisagem e com a religiosidade permite que o sertanejo seja
A - afeito à devoção ao aceitar destinos sacralizados.
B - acostumado à pobreza ao admitir acasos naturais.
C - habituado ao solo ao conhecer terrenos cultiváveis.
D - íntimo à Caatinga ao interpretar condições ambientais.
E - próximo à vegetação ao identificar espécies arbustivas.
02 - (ENEM - 2022)
Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político. E tudo que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá, talvez, verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.
ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
No trecho, a filósofa Hannah Arendt mostra a importância da linguagem no processo de
A - entendimento da cultura.
B - aumento da criatividade.
C - percepção da individualidade.
D - melhoria da técnica.
E - construção da sociabilidade.
03 - (ENEM - 2022)
Eu estava pagando o sapateiro e conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa árvore. O guarda civil é branco. E há certos brancos que transforma o preto em bode expiatório. Quem sabe se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos em regime de chibata?
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.
O texto que guarda a grafia original da autora, expõe uma característica da sociedade brasileira, que é o(a):
A - Racismo estrutural.
B - Desemprego latente.
C - Concentração de renda.
D - Exclusão informacional.
E - Precariedade da educação.
04 - (Enem - 2022)
TEXTO I
Imagem (clique para acessar)
CAZO. Disponível em: www.humorpolitico.com.br. Acesso em: 21 nov. 2021 (adaptado).
TEXTO II
É como se os problemas fossem criados pela pandemia quando, em verdade, isso só demonstra o quanto eles sofrem uma tentativa de serem naturalizados. Eles estavam lá, empurrados para debaixo de vários tapetes. Diversos levantamentos realizados indicam que parcela significativa dos estudantes não têm acesso à internet em suas casas, não têm computadores; têm celulares, mas com pacotes baratos que não permitem assistir a todas as aulas. E, caso tenham celulares e dados, pergunta-se: É possível elaborar um texto no celular? É possível interagir na aula remota pelo celular?
ASSIS. A. E. S. Q. Educação e pandemia. Educação em Revista, n. 37, 2021 (adaptado).
A crítica contida no texto e na figura evidencia o seguinte aspecto da sociedade contemporárea:
A - exclusão social.
B - expansão digital.
C - manifestação cultural.
D - organização espacial.
E - valorização intelectual.
05 - (ENEM - 2022)
O leproso é visto dentro de uma prática de rejeição, ao exílio-cerca; deixa-se que se perca lá dentro como numa massa que não têm muita importância diferenciar; os pestilentos são considerados num policiamento tático meticuloso onde as diferenciações individuais são os efeitos limitantes de um poder que se multiplica, se articula e se subdivide. O grande fechamento por um lado; o bom treinamento por outro. A lepra e a sua divisão; a peste e seus recortes. Uma é marcada; a outra, analisada e repartida. O exílio do leproso e a prisão da peste não trazem consigo o mesmo sonho político.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
Os modelos autoritários descritos no texto apontam para um sistema de controle que se baseia no(a)
A - formação de sociedade disciplinar.
B - flexibilização do regramento social.
C - banimento da autoridade repressora.
D - condenação da degradação humana.
E - hierarquização da burocracia estatal.
06 - (ENEM - 2022)
Um experimento denominado FunFit foi desenvolvido com o objetivo de fazer com que os membros de uma comunidade local se tornassem mais ativos fisicamente. Todos os participantes do estudo foram vinculados a dois outros membros da comunidade que receberiam pequenos incentivos em dinheiro para serem estimulados a aumentar a sua atividade física, que era medida por acelerômetros nos celulares fornecidos pelo estado. Assim, se a pessoa andasse mais do que o habitual, seus conhecidos receberiam o dinheiro. Os resultados foram assombrosos: o esquema mostrou-se de quatro a oito vezes mais eficaz do que o método de oferecer incentivos individuais.
MOROZOV, E. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da politica. São Paulo: Ubu, 2018 (adaptado).
Contrariando a visão prevalente sobre o impacto tecnológico nas relações humanas, o texto revela que os celulares podem desempenhar uma função
A - recreativa, promovendo o lazer em redes integradas.
B - social, estimulando a reciprocidade por meios digitais.
C - laboral, convertendo o desenvolvedor em usuário final.
D - comercial, direcionando a escolha por produtos industrializados.
E - cognitiva, favorecendo ferramentas virtuais.
07 - (ENEM - 2022)
Imagem (clique para acessar)
Disponível em:https://hdmais.com.br. Acesso em: 8 out. 2021.
O ápice da ilustração se traduz por uma conduta social caracterizada pela
A - cultura do cancelamento.
B - prática do feminicídio.
C - postura negacionista.
D - ação involuntária.
E - defesa da honra.
08 - (ENEM - 2022)
TEXTO I
A primeira grande lei educacional do Brasil, de 1827, determinava que, nas “escolas de primeiras letras” do Império, meninos e meninas estudassem separados e tivessem currículos diferentes. No Senado, o Visconde de Cayru foi um dos defensores de que o currículo de matemática das garotas fosse o mais enxuto possível. Nas palavras dele, o “belo sexo” não tinha capacidade intelectual para ir muito longe: – Sobre as contas, são bastantes [para as meninas] as quatro espécies, que não estão fora do seu alcance e lhes podem ser de constante uso na vida.
TEXTO II
No Senado, o único a defender publicamente que as meninas tivessem, em matemática, um currículo idêntico ao dos meninos foi o Marquês de Santo Amaro (RJ). Ele argumentou: – Não me parece confome, às luzes do tempo em que vivemos, deixarmos de facilitar às brasileiras a aquisição desses conhecimentos [mais aprofundados de matemática]. A oposição que se manifesta não pode nascer senão do arraigado e péssimo costume em que estavam os antigos, os quais nem queriam que suas filhas aprendessem a ler.
WESTIN, R. Senado Notícias. Disponível em: www12.senado.leg.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado).
Os discursos expressam pontos de vista divergentes respectivemerte pela oposição entre
A - liberdade de gênero e controle social.
B - equidade de escolha e imposição cultural.
C - dominação de corpos e igualdade humana.
D - geração de oportunidade e restrição profissional.
E - exclusão de competências e participação política.
09 - (ENEM - 2022)
TEXTO I
Interseccionalidade: intercruzamento de desigualdades que gera padrões complexos de discriminação
TEXTO II
Imagem (clique para acessar)
Disponível em: www.agenciadenoticias.ibge.gov.br. Acesso em: 2 dez. 2018.
Considerando o conceito apresentando no Texto I e os dados apresentados no Texto II, no Brasil, são fatores que intensificam o fenômeno da discriminação
A - raça e gênero.
B - etnia e habitação.
C - idade e nupcialidade.
D - profissão e sexualidade.
E - escolaridade e fecundidade.
10 - (ENEM - 2022)
O princípio básico do Estado de direito é o da eliminação do arbítrio no exercício dos poderes públicos, com a consequente garantia de direitos dos indivíduos perante esses poderes. Estado de direito significa que nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum está acima da lei. Os governos democráticos exercem a autoridade por meio da lei e estão eles próprios sujeitos as constrangimentos impostos pela lei.
CANOTILHO, J. J. G. Estado de direito, Lisboa: Gradiva, 1999 (adaptado).
Nas sociedades contemporâneas, consiste em violação do princípio básico enunciado no texto:
A - supressão de eleições de representantes políticos.
B - intervenção em áreas de vulnerabilidade pela Igreja.
C - disseminação de projetos sociais em universidades.
D - ampliação dos processos de concentração de renda.
E - regulamentação das relações de trabalho pelo Legislativo.
11 - (ENEM - 2022)
O povo Kambeba é o povo da águas. Os mais velhos costumam contar que o povo nasceu de uma gota-d’água que caiu do céu em uma grande chuva. Nessa gota estavam duas gotículas: o homem e a mulher. “Por essa narrativa e cosmologia indígena de que nós somos o povo das águas é que o rio nos tem fundamental importância”, diz Márcia Wayna Kambeba, mestre em Geografia e escritora. Todos os dias, ela ia com o pai observar o rio. Ia em silêncio e, antes que tomasse para si a palavra, era interrompida. “Ouço o rio”, o pai dizia. Depois de cerca de duas horas a ouvir as águas do Solimões, ela mergulhava. “Confie no rio e aprenda com ele”. “Fui entender mais tarde, com meus estudos e vivências, que meu pai estava me apresentando à sabedoria milenar do rio”.
Rios amazônicos influenciam no agro e em reservatórios do Sudeste. Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 14 out. 2021.
Pelo descrito no texto, o povo Kambeba tem o rio como um(a)
A - objeto tombado e museográfico.
B - herança religiosa e sacralizada.
C - cenário bucólico e paisagístico
D - riqueza individual e efêmera
E - patrimônio cultural e afetivo.
12 - (ENEM - 2022)
Em Vitória (ES), no bairro Goiabeiras, encontramos as paneleiras, mulheres que são conhecidas pelos saberes/fazeres das tradicionais panelas de barro, ícones da culinária capixaba. A tradição passada de mãe para filha é de origem indígena e sofreu influência de outras etnias, como a afro e a luso. Dessa mistura, acredita-se que a fabricação das panelas de barro já tenha 400 anos. A fabricação das panelas de barro se dá em várias etapas, desde a obtenção de matéria-prima à confecção das panelas. As matérias-primas tradicionalmente utilizadas são provenientes do meio natural, como: argila, retirada do barreiro no Vale do Mulembá; madeira, atualmente proveniente das sobras da construção civil; e tinta, extraída da casca do manguezal, o popular mangue-vermelho.
TRISTÃO, M. A educação ambiental e o pós-colonialismo. Revista de Educação, n. 53, ago. 2014.
Uma característica de práticas tradicionais como a exemplificada no texto é vinculação entre os recursos do mundo natural e a
A - manutenção dos modos de vida.
B - conservação dos plantios da roça.
C - atualização do modelo de gestão.
D - participação na sociedade de consumo.
E - especialização nas etapas de produção.
GABARITO:
01 - D
02 - E
03 - A
04 - A
05 - A
06 - B
07 - B
08 - C
09 - A
10 - A
11 - E
12 - A
01 - ENEM 2021 – O torém dependia de organização familiar, sendo brincado por pessoas com vínculos de parentesco e afinidade que viviam no local. Era visto como uma brincadeira, um entretenimento feito para os próprios participantes e seus conhecidos. O tempo do caju era o pretexto para sua realização, sendo chamadas várias pessoas da região a fim de tomar mocororó, bebida fermentada do caju.
VALLE. C. G. O. Torém/Toré: tradições e invenção no quadro de multiplicidade étnica do Ceará contemporâneo. In: GRÜNEWALD. R. A. (Org.). Toré: regime encantado dos índios do Nordeste. Recife: Fundaj-Massangana. 2005.
O ritual mencionado no texto atribui à manifestação cultural de grupos indígenas do Nordeste brasileiro a função de
a) celebrar a história oficial.
b) estimular a coesão social.
c) superar a atividade artesanal.
d) manipular a memória individual.
e) modernizar o comércio tradicional.
02 - ENEM 2021 – Numa sociedade em transição, a marcha da mudança, em diferentes graus, está impressa em todos os aspectos da ordem social, especialmente no jogo político, que nessas sociedades sempre apresenta padrões característicos de ambivalência, cujas raízes sociais se encontram na coexistência de dois padrões de estrutura social: o padrão tradicional, em declínio, e o novo, emergente, em expansão. Em tais situações, é possível encontrar, simultaneamente, apoio para uma orientação política ou para outra que seja exatamente o seu oposto. O padrão ambivalente do processo político, nas sociedades em desenvolvimento, é o que explica um dos seus traços mais salientes, e que consiste na tendência ao adiamento das grandes decisões. Resulta daí que a inércia política ou a convulsão política podem se suceder uma à outra em períodos surpreendentemente curtos.
PINTO, L A. C. Sociologia e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975 (adaptado).
De acordo com a perspectiva apresentada, central no pensamento social brasileiro dos anos 1950 e 1960, o desenvolvimento do país foi marcado por
a) radicalidade nas agendas de reforma das elites dirigentes.
b) anomalias na execução dos planos econômicos ortodoxos.
c) descompassos na construção de quadros institucionais modernos.
d) ilegitimidade na atuação dos movimentos de representação classista.
e) vagarosidade na dinâmica de aperfeiçoamento dos programas partidários.
03 - ENEM 2021 – Houve crescimento de 74% da população brasileira encarcerada entre 2005 e 2012. As análises possibilitaram identificar o perfil da população que está nas prisões do país: homens, jovens (abaixo de 29 anos), negros, com ensino fundamental incompleto, acusados de crimes patrimoniais e, no caso dos presos adultos, condenados e cumprindo regime fechado e, marjoritariamente, com penas de quatro até oito anos.
BRASIL. Mapa do encarceramento: os jovens do Brasil. Brasília: Presidência da República, 2015.
Nesse contexto, as políticas públicas para minimizar a problemática descrita devem privilegiar a
a) flexibilização do Código Civil.
b) promoção da inclusão social.
c) redução da maioridade penal.
d) contenção da corrupção política.
e) expansão do período de reclusão.
04 - ENEM 2021 – O protagonismo indígena vem optando por uma estratégia de “des-invisibilização”, valendo-se da dinâmica das novas tecnologias. Em outubro de 2012, após receberem uma liminar lhes negando o direito a permanecer em suas terras, os Guarani de Pyelito Kue divulgaram uma carta na qual se dispunham a morrer, mas não a sair de suas terras. Esse fato foi amplamente divulgado, gerando uma grande mobilização na internet, que levou milhares de pessoas a escolherem seu lado, divulgando a hashtag “#somostodosGuarani-Kaiowá” ou acrescentando o sobrenome Guarani-Kaiowá a seus nomes nos perfis das principais redes sociais.
CAPIBERIBE, A; BONILLA, O. A ocupação do Congresso: contra o que lutam os índios? Estudos Avançados, n. 83, 2015 (adaptado).
A estratégia comunicativa adotada pelos indígenas, no contexto em pauta, teve por efeito.
a) enfraquecer as formas de militância política.
b) abalar a identidade de povos tradicionais.
c) inserir as comunidades no mercado global.
d) distanciar os grupos de culturas locais.
e) angariar o apoio de segmentos étnicos externos.
05 - ENEM 2021 – Ao mesmo tempo, graças às amplas possibilidades que tive de observar a classe média, vossa adversária, rapidamente conclui que vós tendes razão, inteira razão, em não esperar dela qualquer ajuda. Seus interesses são diametralmente opostos aos vossos, mesmo que ela procure incessantemente afirmar o contrário e vos queira persuadir que sente a maior simpatia por vossa sorte. Mas seus atos desmentem suas palavras.
ENGELS, F. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2010.
No texto, o autor apresenta delineamentos éticos que correspondem ao(s)
a) conceito de luta de classes.
b) alicerce da ideia de mais-valia.
c) fundamentos do método científico.
d) paradigmas do processo indagativo.
e) domínios do fetichismo da mercadoria.
06 - ENEM 2021 – Nos setores mais altamente desenvolvidos da sociedade contemporânea, o transplante de necessidades sociais para individuais é de tal modo eficaz que a diferença entre elas parece puramente teórica. As criaturas se reconhecem em suas mercadorias; encontram sua alma em seu automóvel, casa em patamares, utensílios de cozinha.
MARCUSE H. A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
O texto indica que, no capitalismo, a satisfação dos desejos pessoais é influenciada por
a) políticas estatais de divulgação.
b) incentivos controlados de consumo.
c) prescrições coletivas de organização.
d) mecanismos subjetivos de identificação.
e) repressões racionalizadas do narcisismo.
07 – ENEM 2021 –
Vocês que fazem parte dessa massa
Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
Êh, ô, ô, vida de gado
Povo marcado
Ê, Povo feliz!
ZÉ RAMALHO. A peleja do diabo com o dono do céu. Rio de Janeiro: Sony, 1979 (fragmento).
Qual comportamento coletivo é criticado no trecho da letra da canção lançada em 1979?
a) Militância política.
b) Passividade social.
c) Altruísmo religioso.
d) Autocontrole moral.
e) Inconformismo eleitoral.
08 - ENEM 2021 – Famoso por ser o encantador de viúvas da cidade de Cabaceiras, na Paraíba, Zé de Sila é um contador de histórias parecido com o personagem Chicó, do Auto da Compadecida. Ele defende veementemente que a oração da avó sustentava mais a chuva. “Quando era pequeno e chovia por aqui, ajudava minha avó colocando os pratos emborcados no terreiro para diminuir o vento. Ela fazia isso e rezava para a chuva durar mais”, diz Zé de Sila.
GALDINO, V.; BARBOSA, R. C. Artistas por um dia? João Pessoa: Editora Universitária, 2009.
Ao destacar expressões e vivências populares do cotidiano, o texto mobiliza os seguintes aspectos da diversidade regional:
a) Alianças afetivas conectadas ao ritual matrimonial.
b) Práticas místicas associadas ao patrimônio cultural.
c) Manifestações teatrais atreladas ao imaginário político.
d) Narrativas fílmicas relacionadas às intempéries climáticas.
e) Argumentações literárias interligadas às catástrofes ambientais.
09 - ENEM 2021 – O uso de novas tecnologias envolve a assimilação de uma cultura empresarial na qual haja a integração entre as propostas de modernização tecnológica e a racionalização. Nem sempre o uso de novas tecnologias é apenas um processo técnico na medida em que pressupõe uma nova orientação no controle do capital, no processo produtivo e na qualificação da mão de obra. Dos diversos efeitos que derivaram dessa orientação, a terceirização, a precarização e a flexibilização aparecem com constância como características do paradigma flexível, em substituição ao modelo taylorista-fordista.
HERÉDIA, V. Novas tecnologias nos processos da trabalho: efeito, da reestruturação produtiva. Scripta Nova, n. 170, ago. 2004 (adaptado).
O uso de novas tecnologias relacionado ao controle empresarial é criticado no texto em razão da
a) operacionalização da tarefa laboral.
b) capacitação de profissionais liberais.
c) fragilização das relações de trabalho.
d) hierarquização dos cargos executivos.
e) aplicação dos conhecimentos da ciência.
10 - ENEM 2021 – Seu turno de trabalho acabou, você já está em casa e é hora do jantar da família. Mas, em vez de relaxar, você começa a pensar na possibilidade de ter recebido alguma mensagem importante no e-mail profissional ou no grupo de WhatsApp da empresa. Imediatamente, você fica distante. Momentos depois, com alguns toques na tela do celular, você está de volta ao ambiente de trabalho. O jantar e a família ficaram em segundo plano. A simples vontade de checar menagens de trabalho pós-expediente prejudica sua saúde — e a de sua família.
Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 4 dez. 2018.
O texto indica práticas nas relações cotidianas do trabalho que causam para o indivíduo a
a) proteção da vida privada.
b) ampliação de atividades extras.
c) elevação de etapas burocráticas.
d) diversificação do lazer recreativo.
e) desobrigação de afazeres domésticos.
11 - ENEM 2021 – Quando a taxa de remuneração do capital excede substancialmente a taxa de crescimento da economia, pela lógica, a riqueza herdada aumenta mais rápido do que a renda e a produção. Então, basta aos herdeiros poupar uma parte limitada da renda de seu capital para que ele cresça mais rápido do que a economia como um todo. Sob essas condições, é quase inevitável que a riqueza herdada supere a riqueza constituída durante uma vida de trabalho, e que a concentração do capital atinja níveis muito altos.
PIKETTY, T. O capital no século XXI. Rio de Janeiro Intrínseca, 2014 (adaptado).
Considerando os princípios que letigimam as democracias liberais, a lógica econômica descrita no texto enfraquece o(a)
a) ideologia do mérito.
b) direito de nascimento.
c) eficácia da legislação.
d) ganho das financeiras.
e) eficiência dos mercados.
GABARITO:
01 - Letra B.
02 - Letra A.
03 - Letra B.
04 - Letra E.
05 - Letra A.
06 - Letra D.
07 - Letra B.
08 - Letra B.
09 - Letra C.
10 - Letra B.
11 - Letra A.
01 - (ENEM - 2020 - PROVA AZUL) Nas últimas décadas, uma acentuada feminização no mundo do trabalho vem ocorrendo. Se a participação masculina pouco cresceu no período pós-1970, a intensificação da inserção das mulheres foi o traço marcante. Entretanto, essa presença feminina se dá mais no espaço dos empregos precários, onde a exploração, em grande medida, se encontra mais acentuada.
NOGUEIRA, C. M. As trabalhadoras do telemarketing: uma nova divisão sexual do trabalho? In: ANTUNES, R. et al. Inforproletários: degradação real do trabalho virtual. São Paulo; Boitempo, 2009.
A transformação descrita no texto tem sido insuficiente para o estabelecimento de uma condição de igualdade de oportunidade em virtude da(s)
A) estagnação de direitos adquiridos e do anacronismo da legislação vigente.
B) manutenção do status quo gerencial e dos padrões de socialização familiar.
C) desestruturação da herança patriarcal e mudanças de perfil ocupacional.
D) disputas na composição sindical e da presença na esfera político-partidária
E) exigências de aperfeiçoamento profissional e de habilidades na competência diretiva.
02 - (ENEM - 2020 - PROVA AZUL) A propriedade compreende, em seu conteúdo e alcance, além do tradicional direito de uso, gozo e disposição por parte de seu titular , a obrigatoriedade do atendimento de sua função social, cuja definição é inseparável do requisito obrigatório do uso racional da propriedade e dos recursos ambientais que lhe são integrantes. O proprietário, como membro integrante da comunidade, se sujeita a obrigações crescentes que, ultrapassando os limites do direito de vizinhança, no âmbito do direito privado, abrangem o campo dos direitos da coletividade, visando o bem-estar geral, no âmbito do direito público.
JELINEK. R. O princípio da função social da propriedade e sua repercussão sobre o sistema do Código Civil. Disponível em www.mp.rs.gov.br. Acesso em 20 fev 2013.
Os movimentos em prol da reforma agrária, que atuam com base no conceito de direito à propriedade apresentado no texto, propõem-se a
A) reverter o processo de privatização fundiária.
B) ressaltar a inviabilidade da produção latifundiária.
C) defender a desapropriação dos espaços improdutivos.
D) impedir a produção exportadora nas terras agricultáveis.
E) coibir o funcionamento de empresas agroindustriais no campo.
03 - (ENEM - 2020 - PROVA AZUL) Desde o mundo antigo e sua filosofia, que o trabalho tem sido compreendido como expressão de vida e degradação, criação e infelicidade, atividade vital e escravidão, felicidade social e servidão. Trabalho e fadiga. Na modernidade, sob o comando do mundo da mercadoria e do dinheiro, a prevalência do negócio (negar o ócio) veio sepultar o império do repouso, da folga e da preguiça, criando uma ética positiva do trabalho.
ANTUNES, R. O século XX e a era da degradação do trabalho. In: SILVA, J. P. (Org.). Por uma sociologia do século XX. São Paulo: Annablume, 2007 (adaptado).
O processo de ressignificação do trabalho nas sociedades modernas teve início a partir do surgimento de uma nova mentalidade, influenciada pela
A) reforma higienista, que combateu o caráter excessivo e insalubre do trabalho fabril.
B) Reforma Protestante, que expressou a importância das atividades laboriais no mundo secularizado.
C) força do sindicalismo, que emergiu no esteio do anarquismo reivindicando direitos trabalhistas.
D) participação das mulheres em movimentos sociais, defendendo o direito ao trabalho.
E) visão do catolicismo, que, desde a Idade Média, defendia a dignidade do trabalho e do lucro.
04 - (ENEM - 2020 - PROVA AZUL) Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia. O abrasileiramento de termos franceses deu origem, por exemplo, ao saruê (soirèe - reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão), anarriê (en arrière - para trás) e anavã (en avant - para frente).
Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 6 jul. 2015.
A característica apresentada dessa manifestação popular resulta do seguinte processo socio-histórico
A) Massificação da arte erudita.
B) Rejeição de hábitos elitistas.
C) Laicização dos rituais religiosos.
D) Restauração dos costumes antigos.
E) Apropriação de práticas estrangeiras.
05 - (ENEM - 2020 - PROVA AZUL) A sociedade como um sistema justo de cooperação social consiste em uma das ideias familiares fundamentais, que dá estrutura e organização à justiça como equidade. A cooperação social guia-se por regras e procedimentos publicamente reconhecidos e aceitos por aqueles que cooperam como sendo apropriados para regular a sua conduta. Diz-se que a cooperação é justa porque seus termos são tais que todos os participantes podem razoavelmente aceitar, desde que todos os demais também o aceitem.
Feres JR., J.; POGREBINSchi, T. Teoria política contemporânea: uma introdução. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
No contexto do pensamento político, a ideia apresentada mostra-se consoante o(a)
A) ideal republicano de governo.
B) corrente tripartite dos poderes.
C) posicionamento crítico do socialismo.
D) legitimidade do absolutismo monárquico.
E) entendimento do contratualismo moderno.
06 - (ENEM - 2020 - PROVA AZUL)
Declaração de Salamanca - 1994
Acreditamos e proclamamos que: toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem: toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas; sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br. Acesso em: 4 out. 2015.
Como signatário da Declaração citada, o Brasil comprometeu-se com a elaboração de políticas públicas educacionais que contemplam a
A) criação de privilégios.
B) contenção dos gastos.
C) pluralidade dos sujeitos.
D) padronização do currículo.
E) valorização da meritocracia.
GABARITO:
01 - Letra B.
02 - Letra C.
03 - Letra B.
04 - Letra E.
05 - Letra E.
06 - Letra C.
01 - (ENEM - 2019) A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) como uma política para todos constitui-se uma das mais importantes conquistas da sociedade brasileira no século XX. O SUS deve ser valorizado e defendido como um marco para a cidadania e o avanço civilizatório. A democracia envolve um modelo de Estado no qual políticas protegem os cidadãos e reduzem as desigualdades. O SUS é uma diretriz que fortalece a cidadania e contribui para assegurar o exercício de direitos, o pluralismo político e o bem-estar como valores de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, conforme prevê a Constituição Federal de 1988.
RIZZOTO, M. L. F. et al. Justiça social, democracia com direitos sociais e saúde: a luta do Cebes. Revista Saúde em Debate, n. 116, jan-mar. 2018 (adaptado)
Segundo o texto, duas características da concepção da política pública analisada são:
A) Paternalismo e filantropia
B) Liberalismo e meritocracia
C) Universalismo e igualitarismo
D) Nacionalismo e individualismo
E) Revolucionarismo e coparticipação
02 - (ENEM - 2019) A comunidade de Mumbuca, em Minas Gerais, tem uma organização coletiva de tal forma expressiva que coopera para o abastecimento de mantimentos da cidade do Jequitinhonha, o que pode ser atestado pela feira aos sábados. Em Campinho da Independência, no Rio de Janeiro, o artesanato local encanta os frequentadores do litoral sul do estado, além do restaurante quilombola que atende aos turistas.
ALMEIDA, A. W. B. (Org). Cadernos de debates nova cartografia social: territórios quilombolas e conflitos.Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia; UEA Edições, 2010 (adaptação)
No texto, as estratégias territoriais dos grupos de remanescentes de quilombo visam garantir:
A) Perdão de dívidas fiscais.
B) Reserva de mercado local.
C) Inserção econômica regional
D) Protecionismo comercial tarifário
E) Benefícios assistenciais públicos
03 - (ENEM - 2019) Em nenhuma outra época o corpo magro adquiriu um sentido de corpo ideal e esteve tão em evidência como nos dias atuais: esse corpo, nu ou vestido, exposto em diversas revistas femininas e masculinas, está na moda: é capa de revistas, matérias de jornais, manchetes publicitárias, e se transformou em sonho de consumo para milhares de pessoas. Partindo dessa concepção, o gordo passa a ter um corpo visivelmente sem comedimento, sem saúde, um corpo estigmatizado pelo desvio, o desvio pelo excesso. Entretanto, como afirma a escritora Marylin Wann, é perfeitamente possível ser gordo e saudável. Frequentemente os gordos adoecem não por causa da gordura, mas sim pelo estresse, pela opressão a que são submetidos.
VASCONCELOS, N. A.; SUDO, I.; Um peso na alma: o corpo gordo e a mídia. Revista Mal-estar e Subjetividade, n.1, mar. 2004 (adaptado).
No texto, o tratamento predominante na mídia sobre a relação entre saúde e corpo recebe a seguinte crítica:
A) Difusão das estéticas antigas.
B) Exaltação das crendices populares.
C) Propagação das conclusões científicas.
D) Reiteração dos discursos hegemônicos.
E) Contestação dos estereótipos consolidados.
04 - (ENEM - 2019) No sistema capitalista, as muitas manifestações de crise criam condições que forçam a algum tipo de racionalização. Em geral, essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva e de renovar as condições de acumulação. Podemos conceber cada crise como uma mudança do processo de acumulação para um nível novo e superior.
HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005 (adaptado)
A condição para a inclusão dos trabalhadores no novo processo produtivo descrito no texto é a
A) associação sindical.
B) participação eleitoral.
C) migração internacional.
D) qualificação profissional.
E) regulamentação funcional.
05 - (ENEM - 2019)
Fala-se aqui de uma arte criada nas ruas e para as ruas, marcadas antes de tudo pela vida cotidiana, seus conflitos e suas possibilidades, que poderiam envolver técnicas, agentes e temas que não fossem encontrados nas instituições mais tradicionais e formais.
VALVERDE, R. R. H. F. Os limites da inversão: a heterotopia do Beco do Batmam. Boletim Goiano de Geografia (online). Goiânia, v. 37, n. 2, maio/ago. 2017 (adaptado).
A manifestação artística expressa na imagem e apresentada no texto integra um movimento contemporâneo de
A) regulação das relações sociais.
B) apropriação dos espaços públicos.
C) padronização das culturas urbanas
D) valorização dos formalismos estéticos.
E) revitalização dos patrimônios históricos.
06 - (ENEM - 2019) A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Assembleia Geral da ONU na Resolução 217-A, de 10 de dezembro de 1948, foi um acontecimento histórico de grande relevância. Ao afirmar, pela primeira vez em escala planetária, o papel dos direitos humanos na convivência coletiva, pode ser considerada um evento inaugural de uma nova concepção de vida internacional.
LAFER, C. Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). In: MAGNOLI, D. (Org.). História da Paz. São Paulo: Contexto, 2008.
A declaração citada no texto introduziu uma nova concepção nas relações internacionais a possibilitar a
A) superação da soberania estatal.
B) defesa dos grupos vulneráveis.
C) redução da truculência belicista.
D) impunidade dos atos criminosos.
E) inibição dos choques civilizacionais.
07 - (ENEM - 2019) O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou 248 ações fiscais e resgatou um total de 1590 trabalhadores da situação análoga à de escravo, em 2014, em todo país. A análise de enfrentamento do trabalho em condições análogas às de escravo materializa a efetivação de parcerias inéditas no trato da questão, podendo ser referenciadas ações fiscais realizadas com Ministério da Defesa, Exército Brasileiro, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Disponível em: http://portal.mte.gov.br Acesso em: 4 de fev. 2015 (adaptado).
A estratégia defendida no texto para reduzir o problema social apontado consiste em:
A) Articular os órgãos públicos
B) Pressionar o poder legislativo
C) Ampliar a emissão das multas
D) Limitar a autonomia das empresas
E) Financiar as pesquisas acadêmicas
08 - (ENEM 2019) A maior parte das agressões e manifestações discriminatórias contra as religiões de matrizes africanas ocorrem em locais públicos (57%). É na rua, na via pública, que tiveram lugar mais de 2/3 das agressões, geralmente em locais próximos às casas de culto dessas religiões. O transporte público também é apontado como um local em que os adeptos das religiões de matrizes africanas são discriminados, geralmente quando se encontram para- mentados por conta dos preceitos religiosos.
REGO,L. F.; FONSECA, D. P.R.; GIACOMINI, S. M. Cartografia social de terreiros no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2014.
As práticas descritas no texto são incompatíveis com a dinâmica de uma sociedade laica e democrática porque
A) asseguram as expressões multiculturais.
B) promovem a diversidade de etnias.
C) falseiam os dogmas teológicos.
D) estimulam os rituais sincréticos.
E) restringem a liberdade de credo.
GABARITO:
01 - Letra C.
02 - Letra C.
03 - Letra E.
04 - Letra D.
05 - Letra B.
06 - Letra B.
07 - Letra A.
08 - Letra E.
01 - (ENEM - 2018)
A tribo não possui um rei, mas um chefe que não é chefe de Estado. O que significa isso? Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção, de nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum dever de obediência. O espaço da chefia não é o lugar do poder. Essencialmente encarregado de eliminar conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias e linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e a concórdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidentemente prestígio não significa poder, e os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra.
CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro. Francisco Alves, 1982 (adaptado).
O modelo político das sociedades discutidas no texto contrasta com o do Estado liberal burguês porque se baseia em:
A) Imposição ideológica e normas hierárquicas.
B) Determinação divina e soberania monárquica.
C) Intervenção consensual e autonomia comunitária.
D) Mediação jurídica e regras contratualistas.
E) Gestão coletiva e obrigações tributárias.
02 - (ENEM - 2018)
Esse ônibus relaciona-se ao ato praticado, em 1955, por Rosa Parks, apresentada em fotografia ao lado de Martin Luther King. O veículo alcançou o estatuto de obra museológica por simbolizar o(a)
A) Impacto do medo da corrida armamentista.
B) Democratização do acesso à escola pública.
C) Preconceito de gênero no transporte coletivo.
D) Deflagração do movimento por igualdade civil.
E) Eclosão da rebeldia no comportamento juvenil.
03 - (ENEM - 2018)
Foi-se o tempo em que era possível mostrar um mundo econômico organizado em camadas bem definidas, onde grandes centros urbanos se ligavam, por si próprios, a economias adjacentes "lentas", com o ritmo muito mais rápido do comércio e das finanças de longo alcance. Hoje tudo ocorre como se essas camadas sobrepostas estivessem mescladas e interpermeadas. Interdependências de curto e longo alcance não podem mais ser separadas umas das outras.
BRENNER, N. A globalização como reterritorialização. Cadernos Metrópole. n. 24, jul.-dez. 2010 (adaptado).
A maior complexidade dos espaços urbanos contemporâneos ressaltada no texto explica-se pela
A) expansão de áreas metropolitanas.
B) emancipação de novos municípios.
C) consolidação de domínios jurídicos.
D) articulação de redes multiescalares.
E) redefinição de regiões administrativas.
04 - (ENEM - 2018)
A poetisa Emilia Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir títulos nem conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que "sem ser hábil, é, em compensação, guiada pelo poder da vontade". Maria Tomásia pronunciava orações que levantavam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas. Aquelas "angélicas senhoras", "heroínas da caridade", levantavam dinheiro para comprar liberdades e usavam de seu entusiasmo a fim de convencer os donos de escravos a fazerem alforrias gratuitamente.
MIRANCIA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br. Acesso em: 10 jun 2015.
As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento
A) Feminista
B) Sufragista
C) Socialista
D) Republicano
E) Abolicionista
05 - (ENEM - 2018)
A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela.
DEBORG, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.
Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no texto é o(a)
A) Valorização dos conhecimentos acumulados.
B) Exposição nos meios de comunicação.
C) Aprofundamento da vivência espiritual.
D) Fortalecimento das relações interpessoais.
E) Reconhecimento na esfera artística.
06 - (ENEM - 2018)
O marco inicial das discussões parlamentares em torno do direito do voto feminino são os debates que antecederam a Constituição de 1824, que não trazia qualquer impedimento ao exercício dos direitos políticos por mulheres, mas, por outro lado, também não era explicitada quanto à possibilidade desse exercício. Foi somente em 1932, dois anos antes de estabelecido o voto aos 18 anos, que as mulheres obtiveram o direito de votar, o que veio a se concretizar no ano seguinte. Isso ocorreu a partir da aprovação do Código Eleitoral de 1932.
Disponível em: http://tse.jusbrasil.com.br. Acesso em: 14 maio 2018.
Um dos fatores que contribuíram para a efetivação da medida mencionada no texto foi a
A) Superação da cultura patriarcal.
B) Influência de igrejas protestantes.
C) Pressão do governo revolucionário.
D) Fragilidade das oligarquias regionais
E) Campanha de extensão da cidadania.
07 - (ENEM - 2018)
Em algumas línguas de Moçambique não existe a palavra “pobre”. O indivíduo é pobre quando não tem parentes. A pobreza é a solidão, a ruptura das relações familiares que, na sociedade rural, servem de apoio à sobrevivência. Os consultores internacionais, especialistas em elaborar relatórios sobre a miséria, talvez não tenham em conta o impacto dramático da destruição dos laços familiares e das relações de entreajuda. Nações inteiras estão tornando-se “órfãs”, e a mendicidade parece ser a única via de uma agonizante sobrevivência.
COUTO, M. E se Obama fosse africano? & outras intervenções. Portugal: Caminho, 2009 (adaptado).
Em uma leitura que extrapola a esfera econômica, o autor associa o acirramento da pobreza à
A) Afirmação das origens ancestrais.
B) Fragilização das redes de sociabilidade.
C) Padronização das políticas educacionais.
D) Fragmentação das propriedades agrícolas.
E) Globalização das tecnologias de comunicação.
08 - (ENEM - 2018)
TEXTO I
As fronteiras ao mesmo tempo que se separam, unem a articulam, por elas passando discursos de legitimação da ordem social tanto quanto do conflito.
CUNHA, L. Terras lusitanas e gentes dos brasis: a nação e seu retrato literário. Revista Ciências Sociais, n. 2, 2009.
TEXTO II
As últimas barreiras ao livre movimento de dinheiro e das mercadorias e informação que rendem dinheiro andam de mãos dadas com a pressão para cavar novos fossos e erigir novas muralhas que barrem o movimento daqueles que em consequência perdem, física ou espiritualmente, suas raízes.
BAUMAN, Z. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 1999.
A ressignificação contemporânea de ideia de fronteira compreende a
A) Liberação da circulação de pessoas.
B) Preponderância dos limites naturais.
C) Supressão dos obstáculos aduaneiros.
D) Desvalorização da noção de nacionalismo.
E) Seletividade dos mecanismos segregadores.
09 - (ENEM - 2018)
O anúncio publicitário da década de 1940 reforça os seguintes estereótipos atribuídos historicamente a uma suposta natureza feminina:
A) Pudor inato e instinto maternal.
B) Fragilidade física e necessidade de aceitação.
C) Isolamento social e procura de autoconhecimento.
D) Dependência econômica e desejo de ostentação.
E) Mentalidade fútil e conduta hedonista.
10 - (ENEM - 2018)
Um dos teóricos da democracia moderna, Hans Kelsen, considera elemento essencial da democracia real (não da democracia ideal, que não existe em lugar nenhum) o método da seleção dos líderes, ou seja, a eleição. Exemplar, neste sentido, é a afirmação de um juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, por ocasião de uma eleição de 1902: "A cabine eleitoral é o templo das instituições americanas, onde cada um de nós é um sacerdote, ao qual é confiada a guarda da arca da aliança e cada um oficia do seu próprio altar".
BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 (adaptado).
As metáforas utilizadas no texto referem-se a uma concepção de democracia fundamentada no(a)
A) justificação teísta do direito.
B) rigidez da hierarquia de classe.
C) ênfase formalista na administração.
D) protagonismo do Executivo no poder.
E) centralidade do indivíduo na sociedade.
GABARITO
01 - C
02 - D
03 - D
04 - E
05 - B
06 - E
07 - B
08 - E
09 - B
10 - E
PSI - 2014 - Filosofia
46 - “Uma criança se machuca e grita; então os adultos falam com ela e lhe ensinam exclamações e, posteriormente, frases. Ensinam à criança um novo comportamento perante a dor.”
Fonte: WITTGENSTEIN, L. . São Paulo: Editora Abril, 1974. p. 95. Investigações Filosóficas
As frases que compõem a linguagem humana tiveram um papel essencial para o desenvolvimento da cultura. Alguns usos linguísticos (de frases e palavras) são mais complexos e outros mais simples. Na passagem apresentada, o filósofo Wittgenstein explica que há um uso da linguagem em que adultos ensinam as crianças a substituir ou colocar palavras no lugar de sensações. No lugar de dizer “ai!” e chorar, as crianças são ensinadas a dizer: “mamãe, machuquei o joelho” (quando caem de uma bicicleta, por exemplo). O uso da linguagem que ocorre nesses contextos é o
a) expressivo.
b) descritivo.
c) normativo.
d) lógico.
e) performativo.
47 - A questão anterior trata das diferentes funções que frases podem desempenhar. Em “Hoje o dia está quente e ensolarado; vamos passear de bicicleta”, a parte da frase que se refere ao estado ou à condição do tempo é um enunciado
a) descritivo.
b) hipotético.
c) normativo.
d) analítico.
e) existencial.
46A
47A
PSII - 2014 - Filosofia
01 - Na Bíblia (Mt 5.13) é dito que os cristãos são "o sal da terra e a luz do mundo". Essa passagem tem um significado antropológico. Os preceitos do cristianismo tiveram, além de um significado antropológico, um importante papel na formação moral do Ocidente, onde as parábolas e os evangelhos da Bíblia são tomados como mecanismos de orientação da vida cristã. Considerando essas informações, é correto afirmar que a ética cristã é
a) utilitarista, uma vez que busca oferecer aos homens o maior de felicidade possível, quantum através da realização das ações que produzem as melhores consequências.
b) hedonista, uma vez que prioriza os aspectos mais frugais da vida, como a vida comunitária, preocupada com o preparo da terra e o alimento.
c) deontológica, uma vez que é centrada num imperativo universal extraído da razão pura,
livre de todas as inclinações subjetivas.
d) contratualista, uma vez que a comunidade cristã adota preceitos que produzem os resultados racionais pretendidos por todos.
e) teológica, uma vez que os preceitos orientadores são extraídos de fontes heterônomas,
como revelações e profecias.
06 - Na vida comum, pode haver erros de deliberação ou raciocínio prático. Esses erros costumam levar a julgamentos e ações erradas. Alguns erros de raciocínio lógico têm também uma dimensão moral, como a falácia do apelo à autoridade, que frequentemente está na base de abusos de autoridade e algumas formas de diferenciação social injustas. Qual dos argumentos a seguir comete a falácia do apelo à autoridade?
a) O professor Antônio Lavoisier afirmou que sódio é um metal que faz parte da composição do sal de cozinha. Pode-se concluir que isso é verdade, pois esse professor é um especialista em química.
b) O professor Antônio Lavoisier analisou amostras de sal de cozinha comum nos laboratórios de Química da UFSM e concluiu que essa substância é composta principalmente por cloreto de sódio.
c) Se uma amostra do sal de cozinha comum, ao ser analisada em laboratórios de Química, mostrar não conter sódio, pode-se concluir que o sal de cozinha comum não é composto principalmente por cloreto de sódio.
d) Segundo especialistas ligados ao Ministério da Saúde, o consumo excessivo de sal é prejudicial à saúde. Logo, é recomendável que o consumo excessivo dessa substância seja evitado.
e) Se todos comem sal regularmente, então se pode concluir que não faz mal à saúde.
29 -
Fonte: Disponível em: http//vikmuniz.net. Acesso em: 10 set. 2014.
A obra apresentada foi elaborada pelo artista brasileiro Vik Muniz. Ele utiliza em suas obras alimentos, como açúcar, sal, geleia, chocolate, xarope, materiais recicláveis e sucata. Tais materiais são empregados para produzir obras belas e alcançar pessoas comuns, excluídas do circuito cultural tradicional. Considerando essas informações, é correto afirmar que o prazer estético derivado da contemplação do belo tem, para artistas como Vik Muniz, uma função
a) metafísica, através da neutralização do sofrimento ou apaziguamento do absurdo da vida.
b) sociopolítica, despertando inquietação e reconhecimento de problemas associados à vida
cotidiana.
c) de mimese ou imitação da realidade, visando a apreender a perfeição e harmonia das formas naturais.
d) estético-formal, porque compete ao artista manifestar a beleza sem nenhum tipo de comprometimento com causas externas.
e) socioeconômica, uma vez que a arte em geral tem compromisso com processos de geração de renda e inserção social.
35 - Filósofos utilizam frutas (maçãs, abacaxis, tomates) para ilustrar suas teorias. Numa maçã, por exemplo, alguns filósofos afirmaram que é possível separar propriedades ou qualidades secundárias (cor, cheiro, doçura) de qualidades primárias (como a extensão). Essas últimas servem de suporte às qualidades secundárias. Na metafísica tradicional, esse elemento que sustenta as qualidades secundárias é o(a)
a) substância.
b) acidente.
c) causalidade.
d) racionalidade.
e) necessidade.
44 - “Na arte, assim como na filosofia e na política, houve por muitos séculos um apelo consciente a padrões objetivos, cuja forma extrema foi a doutrina dos protótipos eternos, padrões cristãos ou platônicos imutáveis, com base nos quais tanto a vida como o pensamento, tanto a teoria como a prática tendiam a ser julgados.”
Fonte: BERLIN, Isaiah. . São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Estudos sobre a Humanidade
O texto apresenta uma concepção objetivista, fundada em padrões eternos, sobre a condução da vida social e moral que foi amplamente defendida no Ocidente. Essa concepção foi radicalmente desafiada no século XVIII. Houve um movimento ou tendência filosófica que considerou essa concepção da vida e do homem "insossa", ou seja, "sem sal", por ser excessivamente racionalista e não deixar lugar para a expressão do "eu", dos potenciais individuais e da impetuosidade da vontade. O movimento de crítica referido é o
a) cientificismo, movimento que fazia a validação de regras e leis sociais depender da experiência e observação regular dos agentes sociais.
b) formalismo, movimento responsável pela defesa de uma matematização ou da confiança na quantificação como mecanismo de apreensão das leis e estruturas da realidade.
c) romantismo, movimento de defesa de uma espontaneidade criadora, imaginativa e voltada para a realização estética do homem.
d) pós-modernismo, movimento caracterizado pela celebração da ausência de grandes narrativas sobre o homem, da fragmentação das identidades e do fim da história.
e) especismo, movimento caracterizado por sustentar que boa parte da nossa história e organização socioeconômica está centrada nos interesses da espécie humana, que escraviza e nega direitos e dignidade a outros seres vivos (animais).
1E
6A
29B
35A
44C
PSIII - 2014 - Filosofia
06 - Há muitas razões para valorizar a ciência. A importância de prever e explicar fenômenos naturais e facilitar nosso controle de ambientes hostis, facilitando nossa adaptação, é uma delas. Em função do sucesso que a ciência tem em explicar muitos fenômenos, a maioria das pessoas não diretamente envolvidas com atividades científicas tendem a pensar que uma teoria científica é um conjunto de leis verdadeiras e infalíveis sobre o mundo natural. Mudanças teóricas radicais na história da ciência (como a substituição de um modelo geocêntrico por um modelo heliocêntrico de explicação do movimento planetário) levaram filósofos a suspeitar dessa imagem das teorias científicas. A teoria da ciência do físico e filósofo austríaco Karl Popper se caracterizou por sustentar que as leis científicas possuem um caráter
I - hipotético e provisório.
II - assistemático e irracional.
III - matemático e formal.
IV - contraditório e tautológico.
É/São verdadeira(s) a(s) assertiva(s)
a) I apenas.
b) I e II apenas.
c) III apenas.
d) II e IV apenas.
e) III e IV apenas.
08 - Há diversos indícios empíricos da evolução das. Alguns desses indícios são conhecidos desde Darwin, tais como o registro fóssil, as variações entre indivíduos de uma mesma espécie e a distribuição geográfica das espécies. Outros indícios de estudos mais recentes, notadamente em genética. O conjunto desses indícios torna a teoria da evolução mais provavelmente verdadeira que qualquer outra hipótese alternativa. Essa inferência, em que se parte de indícios empíricos e se conclui com teorias ou enunciados gerais, é comumente chamada de inferência
a) lógica.
b) dedutiva.
c) analógica.
d) indutiva.
e) biológica.
10 - A necessidade de conviver em grupo fez o homem desenvolver estratégias adaptativas diversas. Darwin, num estudo sobre a evolução e as emoções, mostrou que o reconhecimento de emoções primárias, como raiva e medo, teve um papel central na sobrevivência. Estudos antigos e recentes têm mostrado que a moralidade ou comportamento moral está associado a outros tipos de emoções, como a vergonha, a culpa, a compaixão e a empatia. Há, no entanto, teorias éticas que afirmam que as ações boas devem ser motivadas exclusivamente pelo dever e não por impulsos ou emoções. Essa
teoria é a ética
a) deontológica ou kantiana.
b) das virtudes.
c) utilitarista.
d) contratualista.
e) teológica.
12 - O biólogo Edward Wilson sustenta que a teoria da evolução explica não apenas a evolução das características físicas predominantes em uma espécie, mas também a evolução de traços sociais (como a divisão social do trabalho, a evolução da linguagem
e da moralidade). Se isso é verdade, então aquilo que hoje tendemos a considerar moralmente correto pode ser um produto de nosso passado evolutivo. Se nosso passado evolutivo tivesse sido diferente, é possível que nossa sensibilidade moral hoje também fosse diferente. Observe as afirmações a seguir, considerando as que são compatíveis com o enunciado da questão.
I - O fato de hoje tendermos a valorizar atos de bondade e compaixão e a desvalorizar atos de crueldade é um traço biológico de nossa espécie que
deve ter trazido vantagens adaptativas aos nossos
antepassados.
II - Há um conjunto de normas morais que não mudam e que sempre foram adotadas universalmente.
III - A evolução moral está correlacionada com a capacidade adaptativa dos indivíduos e grupos ao ambiente em que vivem.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
20 - A antropologia empírica e social faz, dentre outras coisas, uma descrição da visão de mundo de outros povos, povos isolados, com outras línguas e concepções da realidade. A antropologia filosófica é a atividade reflexiva que busca tornar transparentes os conceitos fundamentais associados à nossa própria visão de mundo. Esses conceitos são, posteriormente, utilizados por outras partes da filosofia, como a filosofia política, ética e a filosofia do direito.
Qual par de conceitos a seguir se ajusta à antropologia filosófica e à filosofia política?
a) Ato e potência.
b) Adaptação e reprodução.
c) Pessoa e corporeidade.
d) Causa e efeito.
e) Classe social e estamento.
25 - O conhecimento é uma ferramenta essencial para a sobrevivência humana. Os principais filósofos modernos argumentaram que nosso conhecimento do mundo seria muito limitado se não pudéssemos ultrapassar as informações que a percepção sensível oferece. No período moderno, qual processo cognitivo foi ressaltado como fundamental, pois
permitia obter conhecimento direto, novo e capaz de antecipar acontecimentos do mundo físico e também do comportamento social?
a) Dedução.
b) Indução.
c) Memorização.
d) Testemunho.
e) Oratória e retórica.
32 - Complete a tabela da verdade a seguir.
p q p→ (q→ p)
V V ?
V F ?
F V ?
F F ?
a) V b) V c) V d) V e) V
V F V F V
V V F F V
V V V V F
47 - Revoltas e movimentos sociais, como os ocorridos recentemente no Brasil, estão frequentemente envolvidos no aperfeiçoamento da vida social e podem ter papel adaptativo. Na história da filosofia política moderna, alguns filósofos conceberam seres humanos como átomos individuais movidos por apetites ou desejos guiados pelo prazer e dor, sendo o apetite fundamental do homem a autopreservação. Numa situação de escassez de bens, com pessoas guiadas exclusivamente por desejos antecipadores de prazer e voltados à autopreservação, haverá, inevitavelmente, conflito social.
Que alternativa(s) racional(is) soluciona(m) o conflito?
I - Uso da força e violência.
II - Uso da ideologia e controle da informação.
III - Acordo e deliberação coletiva.
IV - Apelo à tradição e costume.
Está(ão) correta(s) a(s) alternativa(s)
a) I e II apenas.
b) I, II e III apenas.
c) III apenas.
d) III e IV apenas.
e) IV apenas.
6A
8D
10A
12C
20C
25B
32A
47C
PSII - 2015 - Filosofia
03 - Água suja, poeira e outros objetos “feios” do cotidiano são utilizados com frequência em obras de arte contemporâneas. Essa característica tem levado muitos filósofos a sustentar a tese de que o valor da arte é formal e não tem nenhum compromisso independente ou extra-artístico. Com relação ao formalismo acerca da arte, assinale V (verdadeira) ou F (falsa) em cada afirmativa a seguir.
( ) A arte adquire sentido enquanto crítica das injustiças sociais.
( ) O objetivo da arte é conhecer aspectos de nossa existência inacessíveis através de outras estratégias, tais como a filosofia e a ciência.
( ) A arte tem como propósito produzir prazer estético no fruidor.
A sequência correta é
a) F F F.
b) V F V.
c) V V V.
d) F V F.
e) V V F.
35 - Os primeiros filósofos tinham como um de seus principais interesses cognitivos identificar o princípio (água, fogo, etc) responsável pelo comportamento e pela constituição da natureza (physis). Eles são convencionalmente chamados de ____________ e
contribuíram, ao abandonar o discurso mítico e adotar um padrão de resposta ____________, para a instituição do modelo de investigação da natureza que conhecemos hoje.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a) pré-socráticos - racional
b) positivistas - verificacionista
c) aristotélicos - lógico
d) céticos - provável
e) platônicos - idealista
47 - O texto defende uma tese ______________ acerca do livre-arbítrio humano e gera dificuldades para a ______________ de pessoas. Uma consequência importante dessa tese é que ela transforma a sensação de ser livre em uma ____________. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a) determinista - responsabilização - ilusão
b) relativista - condenação das ações - verdade
c) existencialista - angústia interior - contradição
d) emotivista - afetividade - fraqueza
e) lógica - compreensão - necessidade
48 - Leia o diálogo a seguir.
Otávio: Ontem peguei um livro na biblioteca da universidade e esqueci de passar no setor de empréstimo. Estava distraído; o alarme não disparou e acabei saindo com o livro. Só me dei conta quando já estava dentro do ônibus.
Pedro: Bah, que sorte!
Otávio: Como assim?
Pedro: Você pegou o livro sem querer. Não precisa, então, devolvê-lo.
Otávio: Não, isso seria errado! Meus pais sempre insistiram que temos o dever de
não pegar o que não nos pertence. Além disso, é um bem público e outros estudantes podem precisar dele. Isso também precisa ser considerado.
Pedro: Tudo bem, é errado, mas não vai acontecer nada se você não devolver. Então, não precisa perder tempo pensando no que é certo ou errado.
Levando em conta que o texto expressa uma série de posições filosóficas acerca da moralidade, considere as assertivas a seguir.
I - A moralidade é um sistema de obrigações de uma dada comunidade moral.
II - Certo ou errado são comandos divinos.
III - Não há razão para sermos morais, se pudermos fazer coisas imorais impunemente.
IV - A intenção de agentes é um fator moralmente relevante.
Quais posições filosóficas indicadas nas assertivas estão presentes no diálogo entre Otávio e Pedro?
a) Apenas I e II.
b) Apenas II e III.
c) Apenas III e IV.
d) Apenas I, II e IV.
e) Apenas I, III e IV.
50 - Se você guia suas ações morais por uma ética ____________, você considera especialmente as consequências futuras das ações e o ____________ de todos os envolvidos. Seguindo esse modelo ético, você decidirá economizar água, pois economizar
água é bom quando avaliamos nossas práticas cotidianas de um ponto de vista ____________.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a) kantiana - amor - hipotético
b) cristã - prazer sensível - humano
c) utilitarista - bem-estar - imparcial
d) sentimentalista - gosto - racional
e) contratualista - destino - particular
3A
35A
47A
48E
50C
PSIII - 2015 - Filosofia
03 - Antônio é um menino de 10 anos que foi estimulado por seus pais a ler desde pequeno. Seu gênero literário preferido é ficção científica. Influenciado pelos relatos de viagens interestelares, ele passou a acreditar que existe vida fora da terra. Para que sua crença na vida fora da terra torne-se conhecimento, quais condições devem ser satisfeitas?
I - Que ele encontre outras pessoas que acreditem na vida extraterrestre.
II - Que ele disponha de boas evidências da existência de vida fora da terra.
III - Que a crença de que extraterrestres existem seja verdadeira.
IV - Que ele tenha certeza subjetiva acerca da existência de extraterrestres.
Está(ão) correta(s)
a) apenas II.
b) apenas I e IV.
c) apenas II e III.
d) apenas I, III e IV.
e) I, II, III e IV.
15 - Encontramos, nos livros de ciência natural, descrições de leis da natureza. Essas leis, embora tenham aplicação universal, são geralmente testadas pelos cientistas por meio de um número limitado de experimentos e observações. O tipo de inferência realizado por esses cientistas é
a) indutivo.
b) dedutivo.
c) quantitativo.
d) qualitativo.
e) analógico.
30 - A leitura de obras filosóficas ajuda a compreender os fundamentos de muitas políticas sociais contemporâneas. No livro “Uma Teoria da Justiça”, o filósofo John Rawls argumentou que podemos desenhar uma sociedade justa, adotando um ponto de vista “onde não podemos saber, de antemão, se seremos pretos ou brancos, homens ou mulheres, jovens ou velhos, saudáveis ou doentes, se teremos pouca ou muita inteligência ou se seremos feios ou bonitos”. O ponto de vista teórico que ocuparíamos e que nos permitiria pensar uma sociedade justa foi chamada por Rawls de ____________ e era uma situação onde cada pessoa deveria julgar a justiça de uma lei atrás de um ____________.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a) a posição original - véu da ignorância
b) estado de natureza - contrato social
c) utopia - modelo ideal
d) naturalista - padrão natural
e) teológica - comando divino
44 - A tese de Foucault segundo a qual o poder é uma estratégia e um conjunto de práticas que varia conforme as instituições em que é exercido foi formulada para criticar, entre outras coisas, os postulados políticos do marxismo. Sua teoria foi construída a partir do exame de instituições como hospitais e escolas. Essas instituições revelam, segundo Foucault, que as relações de poder se exercem
a) prioritariamente a através de Deus, que confere aos homens autoridade e domínio.
b) por práticas disciplinares e de controle, que visam ao uso eficaz do corpo.
c) por meio da utilidade das leis, que promove a felicidade do maior número de pessoas.
d) mediante a vontade popular, que é concretizada na figura do contrato social.
e) mediante estratégias repressivas, que envolvem o uso da força e violência pelos detentores do poder.
50 - Suponha que você esteja lendo o Prefácio de um livro e, ao final, você encontra a seguinte declaração: “Embora nós, autores, tenhamos feito esforços para eliminar todos os erros deste livro, é provável que ele ainda contenha alguns”. Essa declaração expressa
a) a um fato que os autores constataram.
b) uma atitude contraditória por parte dos autores.
c) uma tautologia.
d) um raciocínio dedutivo por parte dos autores.
e) uma expectativa dos autores, baseada em raciocínio indutivo.
3C
15A
30A
44B
50E
PSIII - 2016 - Filosofia
03 - O letramento científico diz respeito à compreensão da ciência e suas aplicações na sociedade. No senso comum, é frequente a confusão entre opiniões pessoais e leis científicas. Nas teorias indutivistas da ciência, para que uma afirmação adquira um estatuto de cientificidade, é suficiente que ela
a) resulte de um consenso entre as pessoas.
b) seja admitida por cientistas renomados.
c) tenha sido obtida através de métodos confiáveis.
d) atenda às demandas de grupos econômicos.
e) concorde com as crenças e práticas tradicionais.
11 - Como parte de um esforço para aprimorar o letramento científico de seus alunos, a escola de Pedro ofereceu um curso de história da ciência. Nesse curso, ele aprendeu que o método de investigação científica defendido por Bacon, no surgimento da ciência moderna, consistia em elencar o maior número de observações particulares de um determinado fenômeno e, a partir daí, extrair uma lei ou conclusão geral. Esse método é usualmente conhecido como
a) dedutivo.
b) indutivo.
c) sintético.
d) analítico.
e) intuitivo.
20 - Admite-se usualmente que o traço que distingue o conhecimento da crença é a presença de boas razões. Assim, se alguém acredita que há extraterrestres ou descendentes deles vivendo entre os humanos, para que sua crença seja conhecimento, é preciso mostrar boas evidências. Se uma pessoa tem uma crença para a qual não dispõe de boas evidências, essa pessoa não detém conhecimento, mas apenas
a) opinião ou convicção subjetiva.
b) falácia ou argumento inválido.
c) princípio ou verdade moral.
d) sentimento ou princípio estético.
e) crença religiosa ou profissão de fé.
28 - Nas propagandas televisivas é comum a apresentação de produtos de uso doméstico (como sabão em pó ou creme dental) ao lado de cientistas vestindo jalecos brancos. Esse tipo de publicidade promove uma imagem da ciência como um conjunto de leis verdadeiras descobertas por cientistas e válidas eternamente. A teoria da ciência desenvolvida pelo físico e filósofo austríaco Karl Popper contesta essa imagem e caracteriza-se por sustentar que a ciência é um(a)
a) conjunto de hipóteses corroboradas por testes empíricos.
b) atividade social regulada pela presença de paradigmas.
c) conjunto de processos assistemáticos de descoberta.
d) grupo de crenças não muito mais consistente do que o vodu ou a magia.
e) conjunto de leis verdadeiras apoiadas em processos de observação e indução.
29 - “O córtex tem grande influência sobre o restante do cérebro e vem sendo mudado
por pressões evolucionárias a fim de desenvolver habilidades cada vez mais aprimoradas para prover, criar laços, comunicar, cooperar e amar.”
Fonte: HANSON, Rick. . São Paulo: Alaude, 2009. O cérebro de Buda
A detecção de relações entre fenômenos diversos no mundo constitui parte essencial do empreendimento científico. A relação entre o córtex e a habilidade de cooperar indicada no texto é chamada, em filosofia da ciência, de uma relação
a) causal.
b) social.
c) formal.
d) necessária.
e) humana.
42 - Considere as afirmativas acerca das democracias contemporâneas que abraçaram ideais feministas de igualdade sexual e antidiscriminação da mulher.
I - Os papéis nas instituições sociais são construídos em torno de interesses masculinos.
II - A violência doméstica e agressão sexual das mulheres diminuíram nos últimos anos.
III - O valor do salário e as posições de comando nas empresas não têm relação com o gênero.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e II.
d) apenas I e III.
e) apenas II e III.
43 - “A vida diária apresenta toda sorte de problemas, e a menos que os indivíduos se comportem de modo compassivo em relação aos demais, as perspectivas de uma sociedade sadia tornam-se muito reduzidas. A compaixão tem de ser recompensada para que seja imitada.”
DAMÁSIO, Antônio. . E o cérebro criou o homem São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
O texto faz uma defesa da importância do estímulo às emoções corretas para a qualidade de nossas vidas em sociedade. Dos fenômenos sócio-políticos a seguir, qual está associado com a emoção do nojo ou da repulsa e poderia ser minimizado através de uma cultura centrada em emoções altruístas?
a) A atenção às vítimas de crimes violentos com o desejo de reparação equilibrada dos danos sofridos.
b) O preconceito acompanhado de atitudes de rejeição de grupos ou minorias sociais.
c) O cuidado atencioso a refugiados vítimas de conflitos civis ou religiosos.
d) A preocupação com necessidades de membros de um mesmo grupo familiar ou prole.
e) O engajamento entusiasmado em atividades de minimização de sofrimento de grupos carentes.
47 - “Os atenienses eram homens livres porque governavam a si mesmos coletivamente, embora carecessem de independência e de liberdades civis pessoais e fosse esperado que sacrificassem seus prazeres em nome da polis. Para os modernos, o ser livre encontra-se na desimpedida busca da felicidade em suas ocupações e apegos pessoais.”
Fonte: KYMLICKA, W. Filosofia Política contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
A doutrina política moderna que estabelece limites estritos à capacidade do Estado de intervir na vida dos cidadãos é o
a) marxismo ‒ doutrina fundada na consideração crítica da igualdade formal entre cidadãos.
b) utilitarismo ‒ legislação orientada pela igual ponderação dos interesses dos envolvidos.
c) contratualismo ‒ regulação legal das vontades individuais como fundamento da liberdade civil.
d) comunitarismo ‒ precedência da comunidade sobre os direitos de determinação individual dos sujeitos.
e) liberalismo ‒ separação entre o poder público do Estado e as relações privadas da sociedade civil.
3C
11B
20A
28A
29A
42A
43B
47E
Envie um direct para @andreicerentini com a foto da questão e a explicação sobre o que não foi compreendido.