Depois de trabalhado várias vezes as cédulas, folders de supermercado, simulação de compras, montagem de loja e venda de objetos com dinheiro fictício em sala, as crianças questionarem valores, terem opiniões e muita curiosidade sobre esse assunto, surgiu a ideia de irmos até o supermercado, próximo a escola, realizar uma compra verdadeira de lanche para um passeio. Autorizada pelos pais e com todos os combinados sobre comportamento, como agir em um ambiente fora da escola, sobre as estratégias de melhor gasto do dinheiro e o que fazer diante de algumas possíveis situações, cada aluno levou o combinado de R$10,00 (e algumas moedinhas) para realizar a compra de seu lanche.
No dia, cada criança recebeu uma carteira para guardar o dinheiro e fomos até o supermercado, com a ajuda da Profª Patrícia Freitas. Apesar de ser uma turma pequena de 13 alunos, toda ajuda para uma atividade fora do ambiente escolar é bem-vinda. Quando chegamos, pegamos um carrinho e fomos às compras, cada aluno pode ficar livre, fazer sua escolha e comprar seu biscoito, suco, refrigerante, guloseimas ou salgadinho preferido. No corredor do supermercado verificavam os preços, faziam contas se o dinheiro dava para comprar, se assustavam com alguns valores, trocavam de mercadoria quando um colega achava algo de melhor valor, faziam comparações entre quantidades e se divertiam com a autonomia de pegar na prateleira o seu produto.
Depois de todos escolherem e conferirem o que compraram, chegou a hora tão esperada de passar no caixa. Um por um, foi colocando os produtos, conferindo os valores e o total da compra, sempre questionados se o valor daria para pagar e se haveria troco. A maioria teve algumas moedas de troco e ficaram super felizes de saber que o dinheiro deu e sobrou, algumas situações foram bem pertinentes e valem a reflexão. Uma aluna superou os valores e precisou retirar um item, então a atendente pediu para ela escolher o que deveria devolver e cancelou a compra do produto. Outro aluno passou centavos, eu propus a pagar e ele aceitou, em sala quando discutimos sobre tudo que eles haviam vivenciado, diante dessa situação um aluno propôs a ajudar também e me disse que deveríamos dividir a conta do colega, para eu não sair no prejuízo. Além dos R$ 10,00 algumas crianças estavam cheias de moedas e uma outra atendente pediu se elas podiam trocar com notas, pois o supermercado sempre precisa de trocos menores, então algumas crianças que ainda estavam na fila acharam que a atendente estava dando dinheiro às crianças, outra situação que em sala foi esclarecida.
O objetivo do Currículo Paulista em relação ao sistema monetário é desenvolver a compreensão do uso do dinheiro no cotidiano e as habilidades matemáticas ligadas a ele. As competências incluem o reconhecimento de cédulas e moedas, a determinação de equivalências de valor, a capacidade de resolver situações-problema que envolvam dinheiro (como comprar, pagar e conferir o troco) e a aplicação das quatro operações básicas em contextos monetários, como destacado em diversas habilidades essenciais da BNCC.
A maior evidência foi o aprendizado das crianças. Após a ida ao supermercado eles registraram a experiência em folha e compartilharam com funcionários e outros alunos como foi a ida ao supermercado. Os pais aprovaram a iniciativa e muitos disseram que vai ser uma lembrança para sempre. A atividade deu tão certo que outras salas estão se organizando para realizar. Ver as crianças se sentirem parte do mundo em que vivem, poderem ter essa autonomia e decidir sobre uma simples compra que para nós muitas vezes é feita na correria e que para eles foi de forma lúdica, divertida e encantadora, para eu sem dúvida foi a melhor parte. Eram olhinhos brilhantes, sorrisos nos rostos e muita conversa, o que muitos diziam é que não era igual o mercadinho era um Supermercado de verdade. Era tudo real.
Diante do exposto, esta atividade buscou alcançar objetivos didáticos sim, mas mais do que conclusões de aprendizagem, me motivou a ter novas ideias e colocar em prática, sair do ambiente livro, lousa e lembrar que são crianças de 7 e 8 anos e que precisam encontrar prazer em aprender, em descobrir, que não precisam ter medo do novo e buscar sempre uma solução para um cotidiano às vezes tão longe da realidade.