História
História
A formação pré-acadêmica voltada à inserção de grupos socialmente vulneráveis nos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) faz parte de um conjunto de iniciativas afirmativas que vêm sendo desenvolvidas no Brasil desde o início dos anos 2000.
O marco inicial foi o Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford, conhecido como International Fellowship Programme (IFP), criado em 2001 (Rosemberg, 2013). A proposta do programa era promover a formação de lideranças comprometidas com alternativas de desenvolvimento voltadas à justiça social e à equidade (Rosemberg, 2008, p.4).
Em 2003, foi lançado o Programa de Dotações para Mestrado em Direitos Humanos no Brasil, financiado pela Fundação Carlos Chagas (Unbehaum, 2014), ampliando o alcance das ações afirmativas na pós-graduação. Com o objetivo de dar continuidade a essas ações e consolidá-las nas universidades brasileiras, a professora Fúlvia Rosemberg, com apoio da Fundação Ford, articulou uma nova estratégia de incentivo: a criação, em 2010, do Programa de Dotações para Formação Pré-Acadêmica para Seleção na Pós-Graduação, conhecido como Equidade na Pós-Graduação (Rosemberg, 2013; Unbehaum, 2017, p. 10).
Além da UFPR, outras 14 universidades brasileiras foram contempladas com o financiamento da Fundação Ford para oferecer cursos preparatórios voltados a pessoas oriundas dos mesmos grupos sociais beneficiados pelas políticas de ações afirmativas na graduação. O objetivo era prepará-las para os processos seletivos da pós-graduação (Unbehaum, 2017).
No contexto da UFPR, o curso Pré-Pós UFPR foi criado com carga horária de 179 horas, voltado à preparação de candidatos para os processos seletivos de programas de mestrado e doutorado no Brasil. Até 2024 o curso foi organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da universidade e já formou 12 turmas. A primeira edição foi realizada em 2013, com base no edital lançado em 2012. Em formato presencial, a turma contou com até 50 alunos, com foco na igualdade étnico-racial e ênfase no atendimento a pessoas negras, negras e indígenas (Silva et al., 2020).
Embora tenha sido inicialmente concebido para atender a esses grupos, o curso tem, ao longo dos anos, acolhido pessoas com outros marcadores sociais, mas com o mesmo objetivo: o ingresso na pós-graduação. Assim, passaram a participar também pessoas não negras, homens e mulheres, pessoas LGBTI, surdos, migrantes e refugiados, egressos de políticas de cotas e pessoas em situação de vulnerabilidade social sob diversas formas interseccionais.
A trajetória do Pré-Pós UFPR teve sua primeira edição vinculada ao Programa Equidade na Pós-Graduação, executado pela Fundação Carlos Chagas com financiamento da Fundação Ford. A segunda edição, realizada em 2014, foi viabilizada com recursos do Programa Abdias do Nascimento e contou com duas turmas, dando continuidade à proposta do ano anterior.
Em 2017, a terceira edição foi financiada pelo Ministério da Educação, por meio da então Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com apoio da Coordenação de Políticas Inovadoras de Graduação (CEPIGRAD) e do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE). As aulas ocorreram tanto no campus da UFPR em Curitiba quanto na Comunidade Quilombola de João Surá, em Adrianópolis/PR.
Já a quarta edição, iniciada em maio de 2019, ocorreu exclusivamente nas dependências da UFPR em Curitiba. Contou com apoio da Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade (SIPAD), por meio da Unidade de Igualdade Racial, que era vinculada ao NEAB/UFPR. A formação incluiu aulas de inglês instrumental, minicursos sobre métodos e metodologias científicas, palestras e tutoria especializada para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, preparando os participantes para os processos seletivos da pós-graduação em todo o país.
Desde 2020, motivados pela pandemia, o curso acontece em ambiente remoto, primeiro na UFPR Virtual da UFPR e agora na UFPR ABERTA. São ofertadas aulas remotas síncronas que acontecem aos sábados pela manhã e outras 20 atividades discursivas com objetivo de desenvolver o projeto de pesquisa, elemento essencial para o acesso à maioria dos cursos de pós-graduação. Também são trabalhadas habilidades de leitura de editais, montagem do currículo lattes, construção do memorial dentre outras competências tão relevantes.
Desde então já tivemos ofertas de 12 turmas e somente nas turmas a partir do ano de 2020, 1722 pessoas se matricularam e 899 finalizaram sua formação.