Estamos iniciando o API Phoenix Infantojuvenil de Campinas e Região com um primeiro encontro online, dia 26 de Outubro. O grupo é gratuito e será mediado por Elisa Perina, Paula Ortolan e Isabel Pereira, psicólogas especialistas no assunto para acolher adolescentes que perderam uma pessoa querida.
Como será online, a participação é aberta para participar de qualquer lugar.
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Cada dia que vivemos nos deixa mais perto da morte e isso faz com que cada dia seja precioso. As crianças e adolescentes acometidos pelo câncer aprendem isso e nos ensinam com intensidade. O conceito de morte é mais natural quando associamos com algo que acontece no final de cada vida (velhice). Nem sempre é assim. Muitas mortes são precoces e é disso que se trata, em parte, os cuidados paliativos pediátricos.
Facilitar discussões claras entre criança, família e equipe afastam um pouco o medo e permite que haja mais honestidade, cumplicidade na dor e no amor, sem desperdiçar o tempo - precioso.
Os profissionais de saúde nunca se sentirão "normais" enquanto lidam com as crianças e adolescentes com câncer em fase terminal. Jamais será confortável estar tão perto do sofrimento humano. Atuar em cuidados paliativos pediátricos é isso: trabalhar frente a frente com a morte, com a certeza de que sentimentos profundos, transcendentais e, talvez esmagadores serão despertados. É por isso que é importante trabalhar em equipe. Afinal, muitas vezes, possibilitar pequenos momentos de serenidade antes do adeus pode ser tudo o que se pode oferecer.
Esse cuidado não é incisivo nem radical, nem preto nem branco, envolve uma nuance de tonalidades para cada criança e sua família. As crianças toleram seus sintomas com coragem. As famílias ajustam suas expectativas. Desistem de evitar a morte a qualquer custo, abraçam o presente e abandonam a tirania dos planos futuros. E então, o trabalho da equipe é de competência profissional e compaixão. O profissional é a principal ferramenta para o cuidado humanizado ao valorizar os silêncios que transpassam as palavras e a linguagem da alma.
Regina Liberato é Psico-Oncologista, mestre em Psicologia Clínica pela PUC/SP, diretora do Núcleo de Programas Multiprofissionais e coordenadora do Comitê de Saúde Emocional do Oncoguia e docente de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.