USA --> 1. front of EU , 2. front of CHINA , 3. front of BRICS
USA --> 1. front of EU , 2. front of CHINA , 3. front of BRICS
Domínio: Macroeconomia, Prática de Avaliação de Dados (Datavaluation Practice) Conceito Central: Desconstrução metodológica e estatística da métrica "Dívida sobre Oferta Monetária M2".
À primeira vista, o rácio Dívida / M2 dos EUA (~3,95) e da UE/Zona Euro (~3,60) sugere uma alavancagem sistémica relativamente comparável. No entanto, para um analista rigoroso, estes valores não são perfeitamente fungíveis. Eles assentam em definições de "Dívida" (Numerador) e "M2" (Denominador) geridas por diferentes entidades, com regras de consolidação distintas.
Fonte Principal: US Treasury / Reserva Federal (FRED).
Parâmetro Estatístico: O indicador mais usado é a Total Public Debt (Dívida Pública Total) ou a Debt Held by the Public (Dívida detida pelo público).
Especificidade: A métrica principal federal não consolida a dívida dos estados e municípios (State and Local Government Debt). Se adicionarmos a dívida estadual (como a da Califórnia ou Nova Iorque), o rácio real seria consideravelmente superior.
Base de Valor: Valor nominal (Face value).
Fonte Principal: Eurostat / Banco Central Europeu (BCE).
Parâmetro Estatístico: Dívida Bruta Consolidada das Administrações Públicas (Maastricht Debt).
Especificidade: É altamente abrangente e consolidada. Inclui o governo central, governos estaduais (ex: Länder na Alemanha), governos locais (municípios) e fundos de segurança social. A consolidação significa que a dívida que um sub-sector do governo deve a outro é anulada.
Conclusão sobre o Numerador: A métrica europeia é mais holística em relação ao estado como um todo, enquanto a métrica dos EUA geralmente citada subestima o peso total do Estado ao excluir dívidas locais.
Definição: Inclui o M1 (moeda física + depósitos à ordem) + depósitos de poupança + depósitos a prazo de pequeno montante + fundos do mercado monetário de retalho.
Alteração Metodológica Recente: Em maio de 2020, a Fed aboliu a "Regulation D" (que limitava levantamentos de contas de poupança). Como resultado, os depósitos de poupança foram reclassificados como M1. O M2 total não mudou de volume, mas a sua composição interna sofreu uma rutura estatística.
Definição: Inclui o M1 (moeda em circulação + depósitos overnight) + depósitos com prazo acordado até 2 anos + depósitos resgatáveis com pré-aviso até 3 meses.
Especificidade: O BCE tende a focar-se mais no M3 como o seu agregado monetário amplo preferencial para decisões de política monetária, embora o M2 seja perfeitamente rastreado. Os limites exatos de maturidade (ex: "até 2 anos") criam ligeiras diferenças face ao que os bancos nos EUA reportam para a Fed.
EUA: Fiabilidade Alta. Os dados do Tesouro e da Fed são contabilizados com extrema transparência e os mercados globais confiam neles implicitamente. Não há incentivo político direto para "esconder" a dívida federal, pois o teto da dívida (Debt Ceiling) exige debate público constante.
UE: Fiabilidade Atual: Muito Alta / Histórica: Média-Alta.
O Contexto Político: Como os rácios de dívida determinam penalizações no âmbito do Pacto de Estabilidade e Crescimento (Critérios de Maastricht), houve no passado (ex: Grécia nos anos 2000) ocultação de dívida através de swaps cambiais e contabilidade criativa fora do balanço ("off-balance-sheet").
A Correção: Após a crise da dívida soberana de 2010-2012, o Eurostat ganhou poderes de auditoria draconianos. Hoje, a fiabilidade estatística da dívida da UE é indiscutível e possivelmente mais escrutinada de forma cruzada do que a dos EUA.
Aqui reside a maior diferença prática para a análise quantitativa e modelização (Machine Learning / Time Series Analysis):
EUA - "A Vantagem da Continuidade":
As séries temporais da Fed e do FRED estendem-se décadas para o passado com a mesma fronteira soberana e moeda.
Pode obter dados mensais do M2 de forma contínua e fiável desde 1959 e dados da dívida pública desde a fundação do país, permitindo backtesting de longo prazo abrangendo vários super-ciclos económicos.
UE - "O Problema da Fronteira Dinâmica":
O Euro só existe desde 1999 (como moeda contábil) e 2002 (moeda física).
A composição da Zona Euro mudou (começou com 11 países, hoje são 20).
Quando analisamos a série temporal "Dívida/M2 da Zona Euro", temos de decidir se usamos uma série de Composição Fixa (calculando o que os 20 países atuais teriam tido no passado, usando taxas de câmbio sintéticas para liras, francos, marcos pré-1999) ou uma série de Composição Variável (que reflete o tamanho geográfico real do bloco em cada ano).
Consequência: Qualquer análise pré-1999 para a UE requer a utilização de dados agregados sintéticos criados pelo BCE, cuja fiabilidade em espelhar a "oferta monetária" real de uma união que não existia é questionável.
Ao considerar estratégias de reserva de valor (Cashkeeping), o facto do rácio dos EUA estar mais alto do que o da UE (mesmo com os EUA a não contabilizarem dívidas locais no headline) sublinha uma política fiscal e de expansão de base monetária mais agressiva em dólares do que em euros. No entanto, o histórico milimétrico, contínuo e ininterrupto dos dados americanos torna o dólar muito mais fácil de modelar para previsões algorítmicas do que o agregado fragmentado e em evolução do bloco europeu.