Freudianos clássicos e contemporâneos. Sigmund Freud (1856-1939) criou um modelo da mente com poucas hipóteses básicas: A vida psíquica é ativada pela energia de dois impulsos primitivos (em sua primeira teoria dos impulsos o sexual e o de autopreservação; em sua segunda teoria dos impulsos, o de vida e o de morte, ou sexualidade e agressão). Estes impulsos representam demandas do corpo na mente e tornam-se conhecidos mediante desejos e necessidades que procuram pelo objeto específico para alcançar satisfação. Os traços de memória destas interações (incluindo as representações de objetos e relações importantes) estruturam toda a mente, construindo formações cada vez mais complexas, que são por fim divididas em três seções principais. Em seu primeiro modelo topográfico Freud denominou os sistemas Inconsciente, Pré-consciente e Consciente; em seu segundo modelo estrutural ele referiu Ego, Id e Superego. As estruturas da mente regulam as energias dos impulsos de acordo (homeostático) com o princípio do prazer. Metapsicologia é a teoria da mente que expressa funções psíquicas considerando seus aspectos dinâmico (impulsos), econômico (energias) e tópico (estrutural).
Sándor Ferenczi (1873-1933) e a escola de psicanálise de Budapeste ressaltaram a importância de considerar e reconhecer traumas reais na infância, os específicos da relação inicial da mãe com o bebê, e os da “confusão de línguas” (uma confusão entre a ligação afetiva da criança e as necessidades sexuais do adulto), que impacta severamente no desenvolvimento psíquico e na psicopatologia posterior. Ferenczi enfocou nos mútuos processos intersubjetivos entre o paciente e o analista, e no papel primoroso da honestidade e trabalho interno do analista (auto-análise) no encontro analítico. Mais recentemente seu trabalho tem sido reavaliado e tornou-se um novo foco na psicanálise na França assim como na Escola Relacional (ver Psicanálise Francesa e “Psicanálise Relacional”, abaixo).
Psicologia do Ego. Anna Freud (1895-1982), Heinz Hartmann (1884-1970) e outros, focaram sua atenção no trabalho do ego consciente e inconsciente, seu papel particular nas defesas inconscientes e seu efeito inibitório nos processos psíquicos. Hartmann postulou uma área do ego livre de conflito, que desempenha importantes tarefas como consciência (awareness), controle motor, pensamento lógico, discurso, percepção sensorial e teste da realidade - todas essas, funções vitais que, secundariamente, podem ser envolvidas no conflito neurótico. Ao analisar sistematicamente as defesas do paciente, a psicanálise objetiva fortalecer o ego no sentido de aumentar o controle de impulsos, a resolução do conflito e a capacidade de tolerar a frustração e afetos dolorosos. Hartmann adicionou aos quatro pontos de vista metapsicológicos Freudianos, os aspectos genético e o adaptativo.
Kleinianos clássicos e contemporâneos. Melanie Klein (1882-1960) conceituou a infância como começando com impulsos primitivos experimentados dentro de relações objetais. A pulsão de morte dirigida para o interior (ver acima) é experimentada como uma força que ataca despertando ansiedades persecutórias e o medo de aniquilamento, que é localizado (projetado) fora do self e leva a impulsos destrutivos em direção ao objeto frustrador (seio mau), seguido pelo temor de retaliação. Em contraposição, o objeto que satisfaz (seio bom) é idealizado e de forma protetora excindido (split off) do mau objeto. Esta primeira fase é chamada posição esquizo-paranóide, “PS”, caracterizada por splitting, negação, onipotência e idealização, assim como projeção e introjeção. A capacidade crescente do ego para integração levará a ansiedades depressivas de que os impulsos destrutivos tenham danificado o objeto/seio bom e despertam o desejo por reparação. Esta segunda fase é chamada de posição depressiva, “D”. Kleinianos contemporâneos reconheceram que estas fases não estão limitadas à infância mas formam uma dinâmica contínua dentro da mente, a alternância PS⇔D.
O ramo Bioniano da escola kleiniana. Wilfred Bion (1897-1979), relacionado com e partindo de Freud e Klein desenvolveu uma nova linguagem para sua teoria do pensar. Ele introduziu a ideia de que a mente do bebê inicialmente experimenta um ataque violento de impressões sensoriais e emoções cruas, chamadas elementos beta, que não portam significado e necessitam ser evacuadas. É essencial que o objeto cuidador (continente) aceite estes elementos beta (conteúdos), os metabolize e transforme em elementos alfa, e os devolva para o bebê como tais. A mente do bebê os introjeta junto com a função alfa transformadora, assim construindo sua própria função alfa, um aparelho capaz de simbolizar, memorizar, sonhar e pensar pensamentos; isto também desenvolve os conceitos de tempo e espaço e permite a discriminação entre o consciente e o inconsciente. Distúrbios psíquicos estão relacionados a perturbações nestas funções básicas deste aparelho parapensar.
O ramo de Winnicott da Teoria das Relações de Objeto. Donald Winnicott (18961971) delineou a forma como o ambiente de holding de uma mãe suficientemente boa capacitará a mente do bebê a criar representações de si e do outro. No espaço intermediário entre a mãe e o bebê a criança encontra e cria o que ele chama um objeto transicional (cheirinho) que é e não é a mãe. É este espaço intermediário ou potencial entre a realidade interna subjetivamente criada e a realidade externa objetivamente percebida que permanecerá disponível como um espaço interno para experienciar vida, criar novas ideias, imagens, fantasias e arte, e formar as muitas apresentações da cultura. Se a mãe pode responder empaticamente ao gesto espontâneo do bebê, esse construirá a representação de um verdadeiro self com capacidade para brincar e ser criativo. Entretanto, se a mãe continuamente traduz mal os gestos do bebê de acordo com as necessidades dela, o verdadeiro self da criança permanecerá escondido sob o escudo de um falso self que é criado para sobreviver e pode levar, mais tarde na vida, a um sentimento de não ser capaz de ser verdadeiro.
Psicanálise Francesa tem-se desenvolvido delineada a partir de e em disputa com Jacques Lacan (1901-81) e suas ideias (o significado da linguagem, o phallus, desejo e o outro, e seus conceitos do imaginário, do simbólico e o [inacessível] real). Seu chamamento por um retorno a Freud iniciou um sério debate e elaboração dos conceitos nucleares de Freud e, finalmente, estabeleceu o papel primordial da metapsicologia Freudiana na compreensão da psique humana. Isto, por sua vez, foi particularmente frutífero no avanço de uma nova concepção da teoria da sedução, a ênfase nas pulsões de vida e de morte e a teoria do narcisismo em suas várias apresentações. O reconhecimento da importância da teoria dos impulsos, pressionou por uma ênfase na sexualidade, subjetividade, a linguagem do desejo e a função estrutural do Complexo de Édipo, em particular a respeito da posição do terceiro e terceiridade. Isto, então, levou à ideia de um processo terciário, em que os processos inconscientes (primários) e conscientes (secundários) coexistem e são criativamente combinados.
Psicologia do Self foi fundada nos Estados Unidos por Heinz Kohut (1913-81), que enfocou no sentido de self do indivíduo, em particular considerando o desenvolvimento e regulação do narcisismo. Ele salientou o papel necessário dos pais cuidadores (e posteriormente do analista) para espelhar de forma empática os estados do self da criança e permitir a idealização de transferências alter-ego/gemelares, assim dando suporte à criança (o paciente posteriormente) como um self-objeto, até que essa tenha internalizado suas funções reguladoras. Com o passar do tempo, Kohut veio a rejeitar o modelo estrutural de Ego, Id e Superego, assim como a teoria dos impulsos propostos por Freud, e sugeriu em lugar destes o seu modelo de self tripartido.
Psicanálise Relacional, fundada por Steven Mitchell (1946-2000) nos Estados Unidos, rejeita a biologicamente enraizada teoria dos impulsos de Freud, sugerindo em seu lugar uma teoria do conflito relacional, que combina interações reais, internalizadas e imaginadas com outros significativos. A personalidade deriva de e é construída a partir de estruturas que refletem interações aprendidas e expectativas com os cuidadores primários. Uma vez que a motivação primária do indivíduo é estar em relacionamentos com outros, ele tenderá a recriar e encenar estes padrões relacionais através da vida. A Psicanálise, então, consiste em explorar estes padões e confrontá-los com o que é espontaneamente e autenticamente cocriado no setting psicanalítico entre analista e paciente.