Cidadania conquistada através de decreto aprovado pela Câmara de Vereadores de Bagé, no ano de 1977, proposta do Vereador Iolando Maurente.
Discurso proferido pelo vereador Iolando Maurente, autor da proposta, quando da entrega do título de "Cidadão Bageense", cuja cópia lhe foi enviada pelo próprio autor, com a dedicatória: "Ao amigo Galego, como recordação". Bagé, 28.12.1977. Sr. Presidente Senhoras e Senhores Ilustres Vereadores Nesta Casa e nesta tribuna, se ouviu e se viu sempre muita solenidade, discursos, homenagens e manifestações de personalidades do mundo oficial bageense, riograndense e nacional. Nesta Casa e nesta tribuna foram vividos momentos diversos, quer em emoções, em trabalho ou em homenagens. Para um ato como o de hoje, aqui já estiveram ministros, parlamentares, profissionais, profissionais liberais, enfim ilustres figuras que nas suas atividades olharam, protegeram, ajudaram e engrandeceram esta terra e seu povo. Sr. Prefeito Municipal Sr. Juiz de Direito Sr. General Sr. Presidente Grêmio Bagé Sr. Bispo Diocesano Na noite de hoje, Bagé acolhe oficialmente seu cidadão, um desportista. Sim senhores. Apenas um desportista. Como outros tantos também um profissional. E como profissional, mais que um desportista. Um desprendido homem que sendo pago para ministrar futebol e fabricar vitórias para alegrar o povo, também forma ideais, cuida do homem pelo homem, ensina a vida pela vida, revela talentos, exerce liderança e assume, contesta, explica, entende. Muito digno homenageado Paulo de Souza Lobo. Tenha certeza que esta Casa não estava acostumada a reconhecer simplesmente o treinador de futebol. Saiba também que esta Casa, comumente palco das grandes decisões políticas e administrativas da cidade, raras vezes tem tempo para dizer obrigado em nome do povo que representa. Feliz momento este, através do qual reunimos um grupo de pessoas, ilustres convidados, que estão a dividir conosco a honra de agradecer e homenagear o homem que o povo chama de Galego. Ilustre e novo conterrâneo. Sabemos não ser comum, no seu temperamento avesso a solenidades no protocolo de um ato oficial, ouvir discursos e citações elogiosas. Mas aqui e agora a regra é esta. É certo que lhe faltará no cenário, as bandeiras tremulando, o alarido da torcida que vibra. Aqui apenas se ouve e se fala. Esta plateia, silenciosa por respeito, é aquela mesma dos estádios de futebol. Esta plateia também é povo. Aquele mesmo povo que há anos está ao seu lado. Parte dela é sua amiga, parte dela sabe de sues feitos. Todos no entanto comungam com os senhores vereadores, que representam o povo, no reconhecer a sua participação ativa nas alegrias domingueiras de nossa gente desde 1971. Dia 10 de março daquele ano, chegava a Bagé mais um treinador de futebol. O então presidente do Grêmio Esportivo Bagé, Jorge Kalil, de saudosa memória, mal sabia que estava entregando ao estádio da Pedra Moura, mais que isso, a torcida jaldenegra ou quem sabe para a cidade de Bagé, um abnegado desportista que como profissional ou como gente, galgaria alta e relevante posição no cenário esportivo da terra gaúcha. Repetimos que era o homem pago para fabricar vitórias que havia chegado. E por isso as fabricou. Dois anos depois seu clube estava na Divisão Principal de nosso futebol. Mais tarde Campeão do Interior em torneio patrocinado pelo Governador do Estado. Em todas as horas que a sua torcida precisou de vitórias, até frente aos fortes e temidos clubes grandes, lá estava o timoneiro construindo a alegria de sua torcida. O homem pago para fabricar vitórias. E então para que a homenagem? perguntarão muitos. Se Galego respondesse esta pergunta, também diria, para que? Afinal cumpri com a minha obrigação. Verdade pura verdade. Ele responderia assim simplesmente. Nós vamos um pouco mais longe. A homenagem não é apenas pelos gols e vitórias embora isto faça parte da alegria do povo que ele cativou e que hoje o recebe como cidadão. Ele foi mais longe, dizíamos. No futebol interiorano só realmente vencem os que cumprem sua obrigação e fazem mais alguma coisa por seu povo. Paulo de Souza Lobo fez. Fez alegria dentro e fora do estádio. Nosso homenageado vive o futebol como paixão do povo. Luta por ele. Conquistou nossa gente fazendo do seu dia uma profissão de fé. Acreditando nos homens com quem lidava, ajudou a formação do caráter de jovens simples de famílias modestas, verdadeiros homens. No conturbado mundo do futebol, sempre teve uma palavra positiva para explicar e defender. Com o povo fala, pelo povo responde. Sensíveis aos desejos da torcida, suas palavras na imprensa sempre foram simples, modestas, mas incisivas e categóricas. Na vitória ou na derrota, foi o escolhido como destaque anualmente, pela crônica esportiva da cidade. É preciso ter muito caráter para isto. E ele conseguiu. O que ele defende pelo futebol, o que prega pelo futebol, pelo que ele sabe e faz pelo futebol como alegria do povo, que nós o homenageamos. Pelas causas do esporte de Bagé que ele sempre defendeu aqui e lá fora. Pelo seu conceito mesmo entre os adversários ou a crônica mais exigente é que nós o reconhecemos como digno de dividir conosco a cidadania bageense. Durante sua estada entre nós muitos profissionais como ele, vieram e se foram. Ele ficou. Nosso povo, ou boa parte dele, não imagina mais nosso futebol sem sua presença, mesmo que vista a camiseta contrária. Fiel a quem conquista, dedicado, extremoso, é Paulo de Souza Lobo, símbolo de nosso futebol contemporâneo. É sua maneira de ser no esporte e pelo esporte que reconhecemos, que destacamos. É sua tese ardorosamente defendida que encampamos. Espontaneamente assumiu funções só exercidas por abnegados. Ao usar a palavra abnegado, para expressar a dedicação de Galego, nos vem a memória do passado, que hoje por certo estaria feliz da vida se pudesse estar ao nosso lado. Permitam-me que lembre agora um símbolo jalde-negro e desportista do passado, ex-vereador, há pouco falecido. Mario Egas. Sua memória nos anima ainda mais na certeza que os homens passam e sues feitos permanecem. O abnegado de ontem, cede lugar ao bem disposto e aguerrido líder de hoje. Ontem uma despedida, hoje uma homenagem. Assim é a vida. E ela se torna mais amena quando temos a chance de reconhecer e enaltecer nos homens os exemplos que nos deixam. O esporte de Bagé de Maio Egas ontem. O Futebol de Bagé com Galego hoje. Paradigmas de gerações que vislumbram no presente o amanhã que por certo nos darão ainda mais e mais alegrias. Cidadão Bageense, Paulo de Souza Lobo. Tenha certeza que esta Casa, e por ela este vereador, é com satisfação, que diante de tantos amigos e ilustres convidados, divide a satisfação de ser bageense. Guarde no fundo do coração a nossa emoção de ver tão grata figura entre os nossos concidadãos. Seja feliz. Exatamente feliz como nós, neste momento.
Muito Obrigado. Iolando Maurente.
Reportagem publicada no jornal CORREIO DO SUL, em 28 de dezembro de 1977, quando recebeu o título de CIDADÃO BAGEENSE, conferido pela Câmara Municipal de Vereadores de Bagé.
Quem iria imaginar que, ao chegar a nossa cidade, no já distante 10 de março de 1971 para treinar o Bagé, quando o clube era presidido pelo saudoso desportista Jorge Kalil, Paulo de Souza Lobo pudesse iniciar a estabelecer um recorde absoluto como treinador de uma só equipe de futebol, não apenas em nossa cidade, como de resto em todo o interior, quem sabe em todo o Estado?
Pois hoje à noite, em sessão festiva da Câmara Municipal de Vereadores, Paulo de Souza Lobo, o Galego, recebe o título de “Cidadão Bageense”.
Por que conceder o título a um profissional? Talvez alguém pense assim. Mas, mesmo como profissional, como realmente o é, e certamente muito bem recompensado, Paulo de Souza Lobo esmerou-se em suas funções, ultrapassou a órbita de suas atribuições, passou de treinador a um legítimo “ministro sem pasta”, um administrador dos mais capazes. Sempre procurando defender os interesses do futebol do interior, Galego notabilizou-se também neste particular.
O título de “Cidadão Bageense” que conferirá hoje o Legislativo Municipal, através de proposição do vereador Iolando Maurente, é, pois, um prêmio justíssimo a um profissional dos mais capacitados e dedicados, que soube se impor no seio da coletividade que hoje o acolhe como um filho dos mais ilustres.
Parabéns, Paulo de Souza Lobo! Parabéns, novo conterrâneo!