“Bom dia, amigos!”
Paulo Corrêa
“………”
Quando se fala em treinador de futebol é preciso destacar: “antes ou depois de Galego?” De fato. Quem o acompanhou todos esses anos pode atestar que jamais houve alguém como ele no mundo esportivo. Bem humorado, teimoso com suas idéias, amigo de seus amigos (pelos quais dava até a camisa). Galego era um apaixonado pelo Cassino, pedindo à dupla de torcedores seus que teve aqui: “Tira um pouco do vento do Cassino que vou morar lá”. Na última entrevista ao Sérgio Satt, no Cassino, ele lembrou que “tenho a ti e ao Paulo como referencial da cidade do Rio Grande porque jamais esqueço vocês os dois”. Na verdade esses dois, que o viram se projetar no futebol, sempre foram torcedores de um time que marcou época no cenário deste Estado: o Galego Futebol Clube. Várias das histórias dessa figura carismática têm sido lembradas nesta coluna, como a da mordida no dedo do juiz, fazer os jogadores se apertarem as mãos para jogar juntos, as instruções ao Riograndense enviadas de Pelotas em gravação, enfim, coisas que inventava para motivar a equipe, um psicólogo nato e auto-didata que sempre foi.
Sempre fez tudo
Jamais assinou contrato a valer mesmo e por isso não ficou riquíssimo. Dizia que o que vale é a palavra “porque papel se presta para tudo, até para embrulho”. Não fumava, não bebia álcool nem permitia excessos nos seus jogadores, proibidos de dar pontapé. Era preparador técnico, físico, cozinheiro, dirigente, gerente, fazia rifas para ajudar o clube, cuidava da concentração, amparava famílias de jogadores, enfim, era um verdadeiro pai de todos.
Fonte: CORRÊA, Paulo. “BOM DIA, AMIGOS !” Jornal Agora, Rio Grande em 15 out 1996.
Fernando Cunha (Editoria de Esportes)
A morte de Paulo de Souza Lobo repercute em todo o Estado. Por onde quer que possamos ouvir falar em futebol, o sentimento da dor e da saudade está acima de qualquer comentário, de qualquer discussão e perspectiva que se possa fazer sobre este ou aquele jogo.
Nos deixou o “MESTRE”, o mais laureado, o mais discutido, o sempre contestado, mas o sempre preferido pelo forte carisma, pela inquebrantável personalidade, pelo carinho e pelo amor que sempre dedicou aos clubes de Pelotas e da Zona Sul, especialmente.
Difícil, quem tenha feito esporte nessa Terra, ao longo dos últimos 50 anos, não tenha, um dia, aproveitado as lições do “velho professor”. Fez do futebol a sua vida, o seu ganha-pão, do esporte o seu prazer, dos clubes de Pelotas a sua paixão e dos amigos sempre mais um filho e alguém mais para ensinar.
Jogadores, dirigentes, os pró-homens, como ele adorava dizer, as velhas preocupações com os clubes de Pelotas, o interior, adotado por ele como o grande pedaço que sempre deu tudo para nunca abandonar, inundavam o seu coração de amor, envolvido por uma garra inconfundível, galgado num trabalho honesto, ímpar e que lhe deu sempre, a égide de ser o melhor, o que sempre trabalhou mais e o que nunca deixou de lado as coisas que para ele sempre foram as mais importantes.
Filho de Piratini, como ele dizia, adotou Pelotas como a sua Terra. Aqui iniciou, aqui casou, aqui criou seus filhos, aqui teve uma enorme parcela de colaboração na história intocável de nossos clubes, pois soube, em todos os momentos, na vitória ou na derrota, honrar suas tradições, cumprir os seus compromissos e mostrar a todos quantos com ele conviviam, que sempre valeu mais a palavra e o compromisso assumidos, do que qualquer assinatura ou pedaço de papel.
Deixa a todos nós, do esporte, grandes lições, ensinamentos que jamais esqueceremos, lembranças que não se apagarão de nossas memórias e recordações que neste plano jamais poderemos reviver.
O futebol de Pelotas e do Rio Grande do Sul está de luto, perdeu um grande homem, acima de tudo, um desportista inquestionável, um apaixonado pelos nossos clubes e que hoje, não mais estando fisicamente ao nosso lado, por respeito e por tudo que a todos nós significou, deve ser amado indistintamente pelos nossos torcedores e por quem, como ele, amou tanto esta Terra e seu futebol.
O seu jeito, a sua irreverência, quando em vez, o seu talento, mas acima de tudo o exemplo que deu pelo seu trabalho nós não teremos mais no plano físico, mas por certo a nenhum de nós faltará a certeza de que, no plano espiritual, onde quer que ele esteja, ao lado dos que foram antes e que ele nunca esqueceu, teremos sempre a olhar e torcer como nunca pelo sucesso e pela grandeza sonhada por ele para sua filha adotiva, a Pelotas que sempre amou. Descansa em paz, “Velho Mestre” e obrigado por tudo de bom que deixaste entre nós.
Fonte: CUNHA, Fernando Cunha. Obrigado por tudo, Velho Mestre! Diário Popular, Pelotas, Editoria de Esportes em 10 out 1996.
Adeus Galego!
Clayton Rocha
“Galego foi vitorioso. Foi dedicado, foi voltado prá causa futebolística, vivia prá isso, vivia em função disto”.
Galego é a marca dentro do Farroupilha, dentro do Brasil e do Pelotas. Galego povoou o nosso tempo todo, a nossa poesia esportiva e dos momentos de glória suprema e de estádio cheio. Arquibancada delirante, Galego presente, Galego vitorioso, Galego derrotado, mesmo nas suas derrotas, Galego foi vitorioso. Foi dedicado, foi voltado pra causa futebolística, vivia pra isso, vivia em função disto. Era pai, era treinador, era cozinheiro, era organizador de vestiários. Era organizador, enfim, de tudo, dentro do campo e fora dele. A morte de Paulo de Souza Lobo me abala profundamente, no momento em que comecei a trabalhar ao lado de Galego, como repórter esportivo, lá pelos anos de 1967.
No momento em que José Cunha me passou a informação do falecimento de Galego, comecei a me lembrar dos demais que também trabalharam conosco, e viveram conosco, e que hoje estão na nossa memória Getúlio Saldanha, figuras que também marcaram, como Galego e que antes dele já foram como Caçapava, Pintinho, João Borges, e por último Gióvio.
Nem só de vitórias é feito o futebol, já cantamos muitas orações sem mágoas, por aqueles que perderam ao longo destes trinta anos de Imprensa. Orações pelo desalento, daqueles que não sabem vencer, pelo gol perdido pelo artilheiro, pelo grito de gol que ressoa sem voz, no peito da multidão, pela lágrima que o goleiro colhe, com mãos inúteis, no fundo da rede, pelo minuto de silêncio que pronuncia a derrota, e pelo minuto de silêncio que hoje é de Galego.
Pelas bandeiras desbotadas que descem a rampa a meio pau, pela criança que se perdeu do pai na procissão dos vencidos.
Hoje vamos fazer uma oração por alguém que partiu. Galego, que Deus te proteja e te guarde Paulo de Souza Lobo, o homem que treinou o Brasil, Pelotas e Farroupilha, São Paulo, o Riograndense, o Bagé, onde foi carregado pela multidão bageense, onde recebeu o título de cidadão bageense, na conquista inesquecível, que ele jamais esqueceu e que Bagé jamais esquecerá.
Morreu Galego, homem que não quis o Inter, homem que estava machucado como me disse o Cunha, porque perdera o filho há pouco tempo. Foi difícil absorver este golpe.
A Federação Gaúcha fala em três dias de luto oficial, um minuto de silêncio foi vivido nos jogos de futebol gaúcho em respeito a Galego. Galego se foi e toda a crônica gaúcha faz este registro. Faz-se um minuto de silêncio em todos os campos de futebol. Foi às 6h30min da tarde, num dia de primavera, já no horário de verão, que Galego, considerado treinador e o pai do futebol, pai dos jogadores. O homem que vivia no campo de jogo, que morava no estádio de futebol, no entanto, até ontem às 6h30min da tarde foi considerado um símbolo vivo do futebol de Pelotas das últimas décadas.
Os teus atletas que já foram, te esperam, para quem sabe ouvir mais uma das tuas broncas.
Nós os torcedores, ficamos com a saudade, nós os cronistas esportivos, também continuamos com a saudade.
Verei o Aluísio, dentro de dois dias, lá no Porto, e direi: o Galego se foi. O Aloísio da Seleção Brasileira, do Internacional, também começou pela mão de Galego, e quantos jogadores foram feitos por Galego. Alexandre Xoxó, no voo para o Japão me disse, eu comecei pelas mãos de Galego.
Estamos doídos, Souza Lobo, estamos machucados com a perda do grande técnico, mas mais do que isso, do amigo e do símbolo. Nem só de vitórias vive o futebol, já cantamos sem mágoas muitas orações pelos que perderam no futebol, mas hoje estamos fazendo uma oração por alguém que partiu. Mais uma vez te digo, Galego, Deus te proteja, e te guarde.
Souza Lobo, que marcou época no futebol de Pelotas, símbolo do futebol do Rio Grande do Sul. Galego virou anjo e a partir de agora é um anjo que passa a habitar o céu da nossa admiração. Obrigado !
Fonte: ROCHA, Clayton. Adeus Galego! Entrevista concedida à Rádio Universidade e publicada no Diário Popular, Pelotas, Coluna de Esportes em 10 out 1996.
“………………………………………………”
Klécio Santos
Dois anos depois de completar 50 anos de atividade profissional e decidir abandonar o futebol, às vésperas do jogo festivo seleção da Rússia 2×1 Pelotas, no qual seria homenageado, o experiente Paulo de Souza Lobo, o velho Galego, como era conhecido, …………”. No dia do jogo, nove de fevereiro de 1994, Galego foi homenageado pela diretoria do Pelotas durante um almoço que contou com a presença na época do técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, e de seu auxiliar Zagalo. O experiente treinador, que aglutinava também outros adjetivos como exigente e disciplinador, estava decidido que iria descansar na praia do Laranjal como legítimo aposentado. A decisão durou pouco tempo. No começo deste ano já estava dirigindo o time do Pelotas no Gauchão, clube que deixou em maio.
Galego começou a carreira como jogador em 1944, no meio-campo do juvenil do Brasil. Atuava nas três posições. Nos anos 50, foi emprestado ao Cruzeiro, de Porto Alegre, mas retornou pouco tempo depois devido a uma lesão no joelho. Galego deu início à trajetória de treinador nas categorias inferiores do Brasil, de Pelotas, quando ganhou cinco campeonatos seguidos. Em 1953, assumiu o time principal do Brasil, quando abandonou a carreira de jogador aos 26 anos.
Até pouco tempo, costumava dizer que sua vida sempre se dividiu entre o Pelotas e o Brasil. O técnico perdeu as contas de quantas vezes dirigiu os dois clubes. Galego foi também treinador do Bagé, Farroupilha, São Paulo e Riograndense, todos da região Sul do estado. O seu último título conquistado como treinador foi em 1992 quando venceu a Copa Clebel Furtado com o time do Brasil. A proximidade da família sempre foi o motivo alegado por Galego para recusar propostas de outros times que não eram da região. “………………………..”.
Um de seus orgulhos era jamais ter fumado ou tomado bebida alcóolica. Sua maior diversão nos últimos tempos era presenciar as peladas de futebol dos netos no Laranjal. O treinador morava em uma casa em frente ao estádio da Boca do Lobo, do Pelotas. No local, encontrava tempo para filosofar. Em uma das suas últimas entrevistas disse: “O futebol é gostoso, só me trouxe alegrias e só não é bom se comparado a uma partida de pingue-pongue jogada com vento”. “…………..”.
Fonte: SANTOS, Klécio. Técnico fez história no Interior, Zero Hora, Porto Alegre, Caderno de Esportes, 10 out 1996.
Mensagem para o céu
Vitor Hugo Lautenschlager.
No gramado a bola pica, repica cada vez com mais intensidade. Vai subindo, subindo até desaparecer no infinito. Arremessada pela força da saudade que já existe no coração de todos que um dia tiveram a ventura de lhe conhecer, seu destino são os seus braços, para, num abraço, dizer aquilo que não pode ser dito pelo inesperado da partida. Obrigado por usar sempre a tática certa no momento certo. Nas quatro linhas do gramado proporcionou-nos muitas alegrias com as vitórias do nosso clube, fora delas, a admiração pelo exemplo de chefe de família admirável. Obrigado pela bondade que sempre caracterizou seu coração, pela constante demonstração de carinho fraternal nas pequenas coisas que sempre fez e que tão grande significado sempre tiveram. Obrigado, velho mestre, pelos conselhos tão oportunos que sei sempre desses. Obrigado pelas “broncas” sempre fundamentadas e que, certamente, serviram para corrigir rumos errados. As tardes e as noites de futebol continuarão a existir. A magia do futebol continuará a contagiar a todos, mas, com certeza, sua ausência será sempre notada. Quem olhar para a “boca do túnel” sentirá o vazio no local que sempre foi seu e, por certo, deverá desviar o olhar para o céu procurando esconder a emoção e, ao mesmo tempo, dizer-lhe em pensamento, obrigado Seu Paulo por tudo que fez de bom por nós e pelo futebol. Em nossa memória, enquanto existirmos, o replay dos seus melhores momentos se repetirão a todo instante, pois sempre que virmos um gesto amigo reverenciaremos sua trajetória de glórias.
Fonte: LAUTENSCHLAGER, Vitor Hugo. Mensagem para o céu: depoimento. Diário Popular, Pelotas, Coluna Instantâneos, em 14 out 1996.
12/03/2016 17h26 – Atualizado em 12/03/2016 17h26
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Confronto diante do Veranópolis em Pelotas será a partida de número 326 do treinador no comando da equipe Xavante, igualando-se a Osvaldo Barbosa
Por Bruno Moraes, Pelotas, RS
… Segundo dados do historiador Izan Müller, Zimmermann vai chegar ao jogo de número 326 como técnico do rubro-negro, igualando-se a Osvaldo Barbosa como o segundo treinador que mais comandou a equipe.
Depois de igualar-se a Osvaldo Barbosa (treinador do Xavante entre 1951 e 1965), Zimmermann deve superar a marca. Depois serão mais 142 jogos para alcançar aos 468 de Paulo de Souza Lobo, o Galego, que teve cinco passagens pelo Xavante ao longo dos anos.
…
> Os números dos principais técnicos Xavante
Paulo de Souza Lobo (Galego)
Jogos: 468
Vitórias: 227
Empates: 119
Derrotas: 112
Gols a favor: 815
Gols contra: 532
Saldo: 283
Como jogador: 187 jogos
Osvaldo Barbosa
Jogos: 326
Vitórias: 120
Empates: 95
Derrotas: 111
Gols a favor: 362
Gols contra: 332
Saldo de gols: 30
Como jogador: 333 jogos
Rogério Zimmermann
Jogos: 325
Vitórias: 160
Empates: 104
Derrotas: 61
Gols a favor: 492
Gols contra: 253
Saldo de gols: 239
Fonte: Moraes, Bruno.Zimmermann alcançará marca histórica no Brasil-Pel neste domingo. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/rs/futebol/campeonato-gaucho/noticia/2016/03/zimmermann-alcancara-marca-historica-no-brasil-pel-neste-domingo.html Acesso em:14 mer 2016.
O técnico Galego, que por muito tempo trabalhou pelo futebol pelotense e da Zona Sul, está com página na Internet. A idéia foi colocada em prática pela filha Carmen Lúcia Lobo Giusti, com a colaboração de muitos amigos, entre eles Ubirajara Buddin Cruz, Bibliotecário na UFPel e pessoas que acompanharam sua trajetória esportiva. O endereço é http://www.ufpel.tche.br/~billy/galego. Hoje faz um ano que Galego morreu e às 18h30min acontece missa na Catedral Sào Francisco de Paula.
Novo site: https://paulodesouzalobo.wordpress.com/
Fonte: CABRAL, Sérgio. Galego na Internet. Diário Popular, Pelotas, em 09 out 1997.
... O jornal Zero Hora de Porto Alegre, RS, publicou na sua página de esportes uma chamada para o jogo E.C. Juventude versus E.C. Pelotas, correspondente à primeira rodada do hexagonal final do campeonato gaúcho daquele ano. Os dois times tinham um bom elenco de profissionais da bola, mas o confronto tinha como principal atração dois experientes técnicos: Paulo de Souza Lobo, o Galego ...
Repórter da Rádio Gaúcha conta história da importância de Paulo de Souza Lobo, o Galego