Conheça a vida do nosso padroeiro: São Francisco de Assis
Em 1182 em Assis, na Itália, nasce Francisco, filho de um rico comerciante de tecidos e de uma nobre senhora. Toda a sua vida, principalmente na infância e juventude, foi marcada pelo luxo, graças ao dinheiro da família.
Em defesa de sua cidade, combate contra Perúgia em 1202. Na batalha de Colestrada é preso. Sonha ser cavalheiro e decide ir combater em Puglia, mas em Espoleto uma visão e uma voz misteriosa o fazem parar. Volta a Assis e inicia o longo período que ele mesmo chama de “conversão”. Em 1206 vai como peregrino a Roma, onde se mistura aos mendigos, trocando suas ricas vestes com um deles e se põe a pedir esmolas. Voltando a Assis ocupa-se com os pobres e leprosos; um dia, enquanto ora na igrejinha de São Damião, o Crucifixo lhe diz: “Francisco, reconstrói a minha casa que está em ruínas”.
Diante do bispo de Assis renuncia a tudo devolvendo ao pai até as vestes que usava e exclama: “De hoje em diante poderei dizer livremente: Pai nosso que está nos céus, não pai Pedro Bernardone”. Junto à Igreja de Santa Maria dos Anjos, estabelece a sua morada.
Na festa de São Matias, depois de ter ouvido a explicação do sacerdote sobre o trecho do Evangelho exclama: “É isto que eu quero, é isto que peço, é isto que busco fazer de todo coração”. Alguns jovens de Assis seguem seu exemplo: nasce a Ordem Franciscana. Isto se deu no ano de 1209. Em abril dirige-se a Roma com seus companheiros e obtém do papa Inocêncio III a aprovação da Regra.
Prega o Evangelho em muitos lugares e cidades da Itália. Reúne todo ano os frades em capítulo e os envia às várias nações.
Funda, com Santa Clara, a Segunda Ordem, chamada das Clarissas em 1211.
Desejoso do martírio viaja para o Oriente. Lá passa dois anos. Em 1221 celebra o capítulo das esteiras em Assis e se demite do posto de superior. Nesse mesmo ano é fundada a Ordem Terceira.
Em 29 de novembro de 1223 redige ou escreve a nova Regra da Ordem que é aprovada pelo papa Honório II. Nesse mesmo ano, em Greocio no Natal relembrando o nascimento de Jesus, prepara ao vivo o primeiro presépio.
Já doente, em 1224, vai para o monte Alverne e lá recebe de Jesus as sagradas chagas.
Quase cego, nos primeiros meses do ano em Fonte Colombo submeteu-se a uma operação na vista. Na primavera, retorna a Assis, onde a 03 de outubro de 1226, na hora das vésperas morre, cantando o salmo 141.
Em 16 de Julho de 1228 é canonizado, ou seja, declarado santo, pelo papa Gregório IX.
Em 1935 é proclamado patrono da Itália pelo papa Pio XII.
É proclamado patrono da ecologia em 1979 pelo papa João Paulo II.
Conversão
Francisco ficou preso por um ano durante o inverno. O clima não salutar da prisão, juntamente com os meses de inverno, enfraqueceram o organismo dele, fazendo surgir uma grave enfermidade. Depois de um bom tempo sem poder sair da cama, conseguiu melhorar, mas ao levantar-se sentiu que não era mais o mesmo. Profundas mudanças haviam ocorrido com ele internamente e embora sua vida tivesse retomado ao normal, não via mais prazeres nas atividades que realizava antes. Começou a sentir que alguns prazeres eram apenas terrenos e começava a sentir falta de algo mais profundo.
Nessa é época, juntou-se ao exercito que o Conde Gentile de Assis organizara para ajudar o Papa Inocêncio III na defesa dos interesses da igreja. Antes de partir, cedeu suas veste de guerra a um amigo mais pobre, num gesto de generosidade. Teve então um estranho sonho, onde viu um castelo cheio de armas designadas a ele e seus companheiros, mas não entendeu o que esse sonho queria dizer.
Chegando à cidade de Spoleto, outro sonho se fez presente onde Deus lhe questionava a quem ele, Francisco queria servir, aos servos ou a Deus? Ele rapidamente disse que queria servir a Deus e este lhe disse em sonho para retornar a Assis. E assim, o fez, contrariando à seu pai e amigos, mas buscando descobri qual seria sua missão para Deus. Passou então a ora e a meditar muito, em busca de respostas. Viajou Roma, no ano de 1205 e fez uma visita à tumba do Apostolo Pedro e ficou indignado ao ver as esmolas que eram ali jogadas. Ele jogou um punhado de moedas de ouro, trocou suas vestes com as de um, mendigo e assim teve sua primeira vivência na pobreza. Retornou à sua casa em Assis e se recolheu em oração e meditação.
As Chagas
Era uma vez um homem: pobre, doente, coberto de chagas. Estava sentado às portas de um palácio de um ricaço e esperava pelas migalhas da mesa farta. Mas a ganância do ricaço o ignorava e o deixava morrer à míngua. O pobre tinha um nome: Lázaro, que significa “Deus ajuda”. E a “Ajuda de Deus” estava tão perto do ricaço, na frente da entrada de seu palácio, mas o ricaço deixou a “Ajuda de Deus” morrer.
Era uma vez um Deus: humilhado, desprezado, condenado. Estava crucificado pelas mãos e pelos pés. Para se certificar de sua morte, um soldado romano lhe abriu o peito com uma lança, completando-lhe as cinco chagas. Este Deus também tinha um nome: Jesus, o que significa “Ele salva”. E a “Salvação de Deus” estava tão perto dos homens, mas os homens a mataram.
Mais tarde apareceu outro homem, alegre, corajoso, filho de um rico comerciante. Depois de uma guerra perdida, lá na prisão, ferido no corpo e no orgulho, este homem descobre sua chaga interior, sua vulnerabilidade, sua fragilidade, sua fraqueza. Seu nome era João, mas sua mãe o apelidava carinhosamente de “pequeno Francês” ou seja “Francisco”. E Francisco um dia se encontra nas ruínas da Capela de São Damião diante de uma imagem de Jesus crucificado, e, sofrendo na sua chaga interior, sente compaixão com Jesus chagado e descobre a “Salvação de Deus”. Mais tarde vai encontrar um leproso, coberto de chagas, e sofrendo de novo na sua chaga interior, sente compaixão com o irmão leproso e encontra a “Ajuda de Deus”. E durante toda a sua vida, Francisco sente compaixão com todas as criaturas que sofrem qualquer tipo de violência ou discriminação. Dois anos antes de sua morte, depois de uma longa “noite escura” (experiência de solidão e de abandono) aparece a São Francisco um anjo Serafim e Francisco vê impresso em seu corpo as cinco chagas de Jesus. A sua chaga interior, que por amor ao Cristo crucificado o fez sentir compaixão com os pobres chagados, se torna visível, por graça divina. São Francisco como sinal da “Salvação de Deus” tornou-se uma “Ajuda de Deus”.
Por isso acorrem a São Francisco das Chagas milhares de pessoas, cobertas de chagas, buscando esperança, consolo, cura e libertação, buscando a “Ajuda de Deus” e em Canindé encontram-se com o “Servo Sofredor” de quem o profeta Isaías escreve: “Por suas chagas fostes curados” (Is 53,5b)
Cronologia da Vida
1182 – Nascimento de Francisco em Assis. Que recebe o nome de João. Seus pais são Pietro Bernadone e Madonna Pica.
1193/1194- Nascimento de Clara em Assis. Seus pais são Favorone de Offreduccio e Maddonna Ortolana.
1198- Em janeiro, é leito papa Inocencio III. Em março, os cidadãos de Assis assediam e derrubam a Rocca, fortaleza feudal e imperial
1202- Guerra em Perugia e Assis. Na batalha de Collestrada, Francisco e feito prisioneiro e levada a Perugia.
1203- Francisco, é libertado de seu cativeiro, e regressa a Assis.
1204- Francisco fica enfermo.
1205- I) Francisco parte para a luta, com o exército. Em Espoleto tem um sonho que da outro rumo a sua vida e o faz voltar para Assis. II) Na segundo metade do ano começa a conversão inicial do Santo: vai se afastando dos amigos, intensifica a vida de meditação e orações, vive na companhia dos pobres e dos leprosos, “o beijo no leproso”, vai em peregrinação a Roma, o Crucifixo de São Damião pede para que “repare sua Igreja”.
1206- No mês de março, perante o tribunal do bispo de Assis, renuncia ao bens paternos e a sua família. Se muda par Gubbio onde permanece alguns meses servido aos leprosos. Regressa a Assis, hospeda-se em São Damião e veste o hábito de ermitão.
1206/08- Trabalha na restauração das ruínas de São Damião, São Pedro e Santa Maria de Los Angeles e de Porciúncula.
1208- I) em abril, quando ouvia a missa em Porciúncula, escuta o evangelho sobre o envio dos discípulos e sua missões, onde descobre suas vocações evangélicas e apostólicas. II) Um pouco depois, se unem os três primeiros companheiros: Bernardo de Quintavalle, Pedro Cattani e Gil de Assis. III) Iniciam a missão pela região de Ancona, onde se unem novos companheiros, e Francisco os envia a pregar de dois em dois.
1209- Francisco escreve a “forma de vida” a regra que o Senhor o havia inspirado. Na primavera, viaja a Roma com seus onze companheiros, e o papa Inocencio III, aprova de forma verbal seu modo de vida. Regressam a Assis e permanecem em Rio Torto.
1210- A pequena fraternidade se muda par Porciúncula.
1212- I) Em 18/19 de março, na noite de Domingo de Ramos, consagração religiosa de Santa Clara em Porciúncula, dando inicio assim II Ordem Franciscana e das Clarissas. De imediato Clara se hospeda em um monastério beneditino, até que em princípios de maio muda-se para São Damião. II) No outono, Francisco embarcou rumo a Síria, porem ventos contrários fazem fracassar o intento, e regressa a Ancona.
1213/1214- Viajem de Francisco pela França e Espanha, a caminho do Marrocos. Uma enfermidade o obriga a regressar a Porciúncula.
1215- Em novembro, o Concilio IV, em que seguramente Francisco esteve presente entre os fiéis.
1216- No mês de julho, morre Inocencio III e o sucede Honorio III, a quem Francisco pede em seguida a “Indulgencia de Porciúncula”.
1217- Em Pentecostes, 14 de maio, se celebra em Porciúncula o primeira Estrutura Geral. A Estrutura se divide em 12 províncias e nomeia seus dirigentes.
1219- I) A Estrutura Geral celebrada em Pentecostes, 26 de maio, envia a Marrocos os 5 promártires da Ordem. II) Pouco depois Francisco embarca par Acra e Damieta, e é recebido pelo Sultão do Egito.
1220- Francisco regressa apressadamente a Itália devido aos problemas que haviam surgido na Ordem. A pedido do Santo, Honório III nomeia o cardeal Hugolino protetor da Ordem. Francisco se retiro do governo da Ordem e nomeia Vigário seu Pedro Cattani.
1221- I) Em março morre frei Pedro Cattani e o substitui frei Elias com vigário de São Francisco. II) No pentecostes estuda a Regra escrita pôr São Francisco (chamada primeira regra) e pede que redija uma mais breve.
1223- I) Francisco compõe a regra definitiva na fonte Colombo, que é aceita em 11 de junho, e aprovada e confirmada mediante oficio do papa Honório III em 29 de novembro. II) Em 24/25 de dezembro, celebração do Natal na Grécia.
1224- De 15 de agosto a 29 de setembro, Francisco passa a quaresma em São Miguel no monte Alverna, onde são impressas as Chagas da Paixão de Cristo, Depois retorna lentamente a Assis, sem deixar de pregar pôr onde passa.
1224/25- Francisco sofre de várias doenças, entre elas uma grave nos olhos, porém segue fazendo viagens apostólicas para pregar aos povos.
1225- Entre março e abril, compõe em São Damião o Cântico do Irmão Sol.
1225/26- Francisco se submete a várias curas dolorosa, em Assis, em Rieti, na Fonte Colombo e em outros locais.
1226- No mês de abril, em Siena, onde encontrava-se para tratamento, agravam-se suas doenças. No regresso a Assis, de detém algum tempo nas “Celas” de Cortona, chega a Porciúncula, porem marcha a Bagnara, nas montanhas, nos arredores de Assis. Seu estado de saúde segue piorando progressivamente. É trasladado para Assis, onde fica hospedado no palácio episcopal.
1226- I) Ao sentir-se cercado pela irmã morte, pede que o levem a Porciúncula. Ali, no Sábado 3 de outubro, as 19:00 horas, morre Francisco com a idade de 44 anos. II) No Domingo dia 4 de outubro, pela manhã, o corpo de Francisco e trasladado para Assis, para São Damião, onde estão Clara e suas irmãs, sendo sepultado na igreja de São Jorge.
1227- Em 19 de março é eleito papa o cardeal Hugolino. Protetor da Ordem e amigo de São Francisco, que usa o nome de Gregorio IX.
1228- Em 16 de julho, Gregorio IX canoniza a Francisco de Assis.
“Vai Francisco, e reconstrói a minha casa”
Certo dia do ano de 1205, enquanto estava rezando na Igreja de São Damião, fora dos muros de Assis, pareceu-lhe ouvir uma voz vinda de um crucifixo pendurado atrás do altar. A voz lhe falou três vezes seguidas: “Francisco, vai e reconstrói a minha igreja casa que, como vês, está ruindo”. Olhando o estado lastimável da capela, pensou que a voz pedisse a restauração material. Foi para casa e, na simplicidade de seu coração, pegou da loja do pau um carregamento de tecidos. Colocou-os sobre a montaria e saiu a vendê-los. Vendeu até o cavalo, fazendo 15km a pé para retornar ao lar.
Francisco levou o dinheiro obtido para o padre que cuidava da Igreja de São Damião. Pediu mais: queria ficar morando ali, e o padre aceitou, mas rejeitou o dinheiro. Decepcionado, Francisco o depositou no parapeito da janela e ficou morando com o padre.
Colocado a par dos acontecimentos, enfurecido especialmente pelo prejuízo, Pedro Bernardone foi até a Igreja, tirar satisfação. Vendo a recido especialmente pelo prejuízo Pedro, Bernardone foi até a Igreja, tirar satisfação. Vendo a situação em que se metera, Francisco escondeu-se num buraco, donde saía apenas para as necessidades fisiológicas. Passados alguns dias entre orações e jejuns, ele saiu tão desfigurado e mal vestido que as pessoas passaram a tirar pedras nele, pensando que estivesse louco. O pai, mais aborrecido ainda, deu-lhe umas surras violentas, amarrou-o com algemas e o prendeu dentro de casa. Sonhara tanto em ter o filho único tocando os negócios, e agora parecia-lhe estar diante de um maluco.
Pedro Bernardone novamente em viagem de negócios e dona Pica libertou o filho, convencida de que não mudaria suas ideias. Livre, Francisco mandou-se para a Igreja de São Damião.
Fonte: São Francisco. O Poeta da criação. Autor: Pe. José Artulino Besen. Editora: Mundo e Missão.
As criaturas, símbolos do amor divino
Seu amor por todas as criaturas, seu carinho pelos animais, pelas aves, por todos os elementos da natureza, fizeram dele o patrono da ecologia. Uma ecologia não teórica, mas de louvor, de respeito pela obra do Criador.
Ao lavar as mãos, Francisco o fazia de tal modo que não colocasse os pés sobre a água derramada. Caminhando sobre as pedras, fazia-o com amor e respeito. Ao irmão que ia cortar lenha, recomendava para deixar alguns ramos. Ao irmão hortelão pedia que não ocupasse todo o chão com plantas comestíveis, mas deixasse em pedaço para flores e plantas de cheiro. Francisco afirmava que toda criatura diz e clama: “Foi Deus que me criou por causa de ti, ó homem”. Acariciava e contemplava com afeto a todas criaturas. Todas existiam para lembrar ao homem de louvar o Criador.
Admirava o irmão Fogo: não gostava que apagassem lâmpada acesa, que se jogassem brasas pela janela, mas queria que fossem colocadas delicadamente no chão, por respeito Àquele que criou o fogo. O sol, a luz e o fogo eram admiradores acima de tudo.
Ensinou-nos há tantos séculos a tão moderna e terapêutica oração de louvor: ”De manhã, quando nasce o sol, todos devem louvar o Senhor por ter criado a luz, que nos ilumina na escuridão”.
Falava com as plantas, os animais, as aves, a natureza, os astros, o granizo, como se fossem pessoas e lhes falava de Deus. Muitas vezes, estas conversas terminavam em êxtase.
Tudo isso era simbólico: a partir de uma realidade material chegava a uma realidade espiritual. Assim, a água que purifica, lembrava a penitência que purifica; a solidez da rocha em que nos apoiamos, lembrava a força de Deus que é o nosso apoio; a beleza e a ternura de uma flor recém-aberta lembrava-lhe a ternura do coração divino.
Por tudo isso, o dia da festa de São Francisco é o dia da ecologia, do meio ambiente.
Fonte: São Francisco. O Poeta da criação. Autor: Pe. José Artulino Besen. Editora: Mundo e Missão.
O lobo do Gúbio
Recebendo um faisão de presente, Francisco louvou a Deus pela sua existência. Depois disso, o faisão não largava de seu pé e não queria saber de mais ninguém. Vendo uma cigarra no jardim, pediu que ela louvasse a Deus e ela se pôs a cantar até que ele a mandou parar.
Estando no lago Transímero, fez amizade com uma lebre que não queria mais deixá-lo. Andando de barco no lago de Reti, recebeu um peixe vivo. Deitou-o novamente na água, e o peixe começou a seguir o barco até o Santo mandá-lo seguir adiante.
A cidade de Gúbio estava assustada com um lobo feroz que ameaçava currais e pastores, dizimando rebanhos. O povo tinha uma solução: matar o lobo. Francisco pediu um tempo e foi procurar a fera. Encontrou-o a entrada da toca, ameaçador. “Irmão Lobo, vamos conversar”, diz Francisco, manso e com ar amigo. Fala-lhe que sua vida esta errada, vive assustando, roubando, prejudicando. E avisa-o que corria perigo de ser morto. Se está com fome, procure auxílio, mas sem violência. Resfolegando, olhos ameaçadores, o lobo sai da toca movido pela curiosidade. “Vou fazer-lhe uma proposta, irmão lobo”, continuou Francisco: ”Você para de roubar e matar, e assim os moradores de Gúbio lhe perdoam os crimes e se encarregam de sua comida.” O lobo foi amansando, torna-se meigo e abana a cauda em sinal de concordância. “Passa a patinha aqui”. E Francisco a aperta, fraternalmente, continuando: “Vamos agora para a cidade, para as pessoas conhecerem nosso acordo”. E entraram na cidade, deixando os moradores espantados e temerosos. Francisco apertou-lhe mais uma vez a pata, deixando os moradores comovidos.
O povo de Gúbio cumpriu a promessa de tratar o lobo até morrer. Por sua vez, o animal viveu fraternalmente com todos, especialmente agradecido a Francisco.
Há aqui uma grande lição: o milagre de Gúbio foi dar comida a um bicho violento por causa da fome. Muitos seres humanos também se tornam violentos, por falta de vida, comida e amigos.
Fonte: São Francisco. O Poeta da criação. Autor: Pe. José Artulino Besen. Editora: Mundo e Missão.
Presépio de Gréccio
No dia 29 de novembro de 1223, o Papa Honório III aprovou a Regra definitiva da Ordem dos Frades menores, ainda hoje em vigor. O texto original se conserva em Assis. Em essência, ela representava o espírito e o modo de vida defendidos por Francisco desde o momento em que eles se despojou de suas vestes diante do bispo de Assis. Mas, é claro, Francisco era Francisco e fez-se necessária alguma adaptação para a vida de tantos frades que não tinham o mesmo espírito, especialmente o mesmo amor à Senhora Pobreza. Na noite de Natal de 1223, Francisco estava em Gréccio. Já tinha estado em Belém e gostava de celebrar o Deus Menino. Era seu desejo fazer um memorial daquela Criança que nasceu em Belém e, de alguma forma, contemplar com os olhos físicos as agruras de seu estado de infância, deitado numa manjedoura de palhas, ao lado do boi e do burro, Assim, com figuras vivas, foi montada uma manjedoura na pequena capela: Maria, José, o Menino, o boi, o burro, os pastores, as ovelhas, os anjos. Podia contemplar a noite de Natal. Os camponeses se reuniram para a Missa da meia-noite, na qual Francisco serviu como diácono e pregou sobre o mistério do Natal. Teria sido essa a origem do presépio.
Francisco permaneceu em Gréccio na oração e no recolhimento, e quis que ninguém conhecesse as graças que recebeu de Deus na contemplação. O irmão Leão, seu secretário e confessor, testemunhou tê-lo visto em oração algumas vezes suspenso no ar, em tal altura às vezes mal podia tocar-lhes os pés, e noutras nem isso.
Fonte: São Francisco. O Poeta da criação. Autor: Pe. José Artulino Besen. Editora: Mundo e Missão.
Recolhido pela Irmã Morte, entra na Vida
Percebendo que nada mais lhe restava fazer neste mundo, após ter amado tanto a todos e a tudo, Francisco pediu para retornar à Poriúncula. A irmã Morte estava vizinha. Chegado à planície, pediu que o colocassem sobre uma maca e, dirigindo seu olhar quase cego para o lado da cidade, invocou sobre ela e sobre os irmãos a bênção de Deus. Como ele amara a cidade de Assis, e como nela foi amado! Se Jesus disse que ninguém é profeta em sua terra, para Francisco ele fez exceção.
Nos últimos dias de vida, ditou o Testamento, autotestemunho de incalculável valor para a vida e os propósitos deste homem tão singular.
Com a proximidade da morte, pediu que o deitassem nu, no chão, unido à irmã Terra. Depois aceitou emprestado o hábito que o guardião lhe dá. Agradeceu mais esta esmola.
De São Damião veio o recado de Clara, dizendo que gostaria muito de vê-lo mais uma vez, ao que Francisco respondeu que “ir até lá não podia mais. Porém, elas o veriam mais uma vez”.
Pediu que chamassem frei Ângelo e frei Leão, para lhe cantarem mais uma vez o cântico do Irmão Sol. E várias vezes pedia que o repetissem, e ele acrescentava a estro da irmã Morte. Francisco lembrou-se de uma grande amiga romana, Jacoba de Settersoli, viúva de um patrício romano e mãe de dois filhos. Ao ir a Roma, Francisco se afeiçoara a ela e ela a ele. Gostava de ir à sua casa conversar e comer uns docinhos especiais que Jacoba sabia fazer.
“Vão a Roma, e contem a senhora Jacoba a minha situação. Ela gostará de saber. E peçam também que traga uma túnica e aquele doce de amêndoa que me preparava quando ia a Roma”. Mal acabou de falar, batem a porta. É Jacoba que chegava. Tinha sido avisada do estado do pai Francisco. Pela lei, nenhuma mulher podia ter acesso à Porciúncula, mas Francisco fez exceção, dizendo: “A proibição não vale para ela. Deixem entra ‘frei’ Jacoba”. Jacoba entrou, feliz por ver o grande amigo, abraçou-o com ternura, chorou e ofereceu-lhe a veste e o doce, que Francisco não pode mais comer.
Francisco pediu que lhe trouxessem um pão, partiu-o e deu um pedaço a cada um dos presentes, em sinal de amor mútuo e de paz, dizendo: “Eu fiz a minha parte. Que Cristo vos ensine a fazer a vossa”. Fez ler o Evangelho da Última Ceia e abençoou os filhos seus, presentes e futuros.
Na tarde de 3 de outubro de 1226, o mundo perdia seu filho mais original, mais santo, o único homem amado em todo o mundo e em todos os tempos. Francisco morreu, morreu cantando. “Frei” Jacoba foi chamada por um irmão: “Vem, para que possas tr nos braços depois de morto, aquele a quem tanto amaste quando vivo”. Foi ela a primeira pessoa que teve acesso a seu corpo, que foi colocado em seu colo, e ela ficou como Maria com o Filho morto. Jacoba viu as dolorosas chagas de Francisco. Chorava, gemia, soluçava e o abraçava ternamente. Jacoba nunca mais o esqueceu. Pouco depois veio morar em Assis, ali permanecendo até a morte.
Francisco tinha pedido para ser enterrado no cemitério dos criminosos, mas não o obedeceram. No dia seguinte, 4 de outubro, foi sepultado na igreja de São Jorge, na cidade de Assis. Antes, o cortejo fúnebre passou pelo mosteiro de São Damião, para a despedida de Clara e das Senhoras Pobres. Cumpria-se assim a promessa de Francisco de que Clara o veria mais uma vez. O corpo do Santo foi erguido, para que Clara e as clarissas pudessem vê-lo bem. E como choraram a falta do amigo querido! Clara e Jacoba, estas duas grandes mulheres, passaram os longos anos que lhe restaram de vida na saudade de Francisco.
No dia 16 de julho de 1228, o grande amigo franciscano Hugolino, agora Papa Gregório IX, vai pessoalmente a Assis para canonizar Francisco. O pai Francisco é agora o universal São Francisco de Assis.
Fonte: São Francisco. O Poeta da criação. Autor: Pe. José Artulino Besen. Editora: Mundo e Missão.