As flores
Nunca fui o tipo de garota que entendia flores. Elas eram só parte da paisagem, bonitas, mas distantes. Até aquele dia. Quando você chegou na praça da deodoro comigo e colheu pequenas flores rosas— não de uma floricultura, mas roubadas com carinho de uma árvore qualquer. Naquele instante, meu mundo desacelerou. Você não disse muita coisa, não se fez de especial. Só estendeu a mão com aquela florzinha improvisada, meio sem jeito… e meu coração parou. Não pelo presente — mas pelo gesto. Pelo olhar que me entregava mais do que palavras. Pelo carinho disfarçado de simplicidade. Aquelas flores ganharam um significado que nenhuma flor cara teria. Porque não era sobre elas. Era sobre você. Sobre nós. Sobre como, sem esforço, você me ensinou que o amor mora nos detalhes mais inesperados. Desde então, aquelas flores viraram meu símbolo de afeto mais bonito. Não importa que tenham vindo de uma praça comum — o que importa é que vieram de você.
como se aquele dia já não fosse especial o bastante , entre as flores simples que você pegou ali na praça do Liceu e nossas risadas sem pressa, ainda escolhemos o nome da nossa futura filha. Foi uma conversa leve, quase despretensiosa, mas cheia de significado. E desde então, aquele nome carrega a memória de um momento só nosso.
Entre flores simples e tardes despreocupadas, nasceu um sonho,o de ver nossa pequena Elouise correr por esses mesmos caminhos que hoje guardam nossa história. E eu espero por ela com o coração cheio, porque sei que será pedaço nosso, luz que ainda nem chegou e já mora em mim.