O relatório do Grupo Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em abril de 2008, pelo Conselho Nacional do Meio ambiente (CONAMA) declara que até 2050 a geografia brasileira tende a ser bastante distinta daquela que conhecemos. O resultado mais visível tem relação com a substituição progressiva da floresta tropical úmida, a Amazônia, por uma espécie de vegetação semelhante ao Cerrado, porém menos rica e estável.
Talvez a data do relatório mencionado possa ser considerada antiga, proporcionando a esperança de melhoria nos tempos atuais. Mas não é o que acontece. No final do ano de 2016, a Amazônia estampou os jornais do país com a infeliz manchete relatando o aumento de seu desmatamento em 29%, de acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em agosto de 2018, segundo levantamentos realizados pela IMAZON (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), o desmatamento na Amazônia aumentou 40% nos últimos 12 meses, fazendo com que a floresta perdesse uma área verde comparada a 13 vezes o tamanho da cidade de Belo Horizonte - MG.
A situação se agrava, se associarmos que a situação de desmatamento da Floresta Equatorial não está isolada.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, no Brasil, o cerrado sofreu até o ano de 2008 um desmatamento de 47,84% do seu território original e até 2050 o desmatamento desse bioma, em nosso país, terá aumentado cerca de 14% devido principalmente ao cultivo de soja, trigo e algodão.
Conforme o Fórum do Oslo, que reúne mediadores e tomadores de decisão de alto nível de conflito, como atores-chave no processo de compartilhar suas experiências, identificar os desafios e refletir sobre a prática na mediação em busca da paz, o desmatamento em nosso planeta atinge uma área do tamanho da Itália, o que equivaleria à uma porção espacial de aproximadamente 302.000 km².
Como já evidenciado, a diminuição das massas verdes que fazem parte do mundo, ocasionada pelos desmatamento e desertificação de diversas áreas, vem sendo há muito tempo relacionado à ação antrópica. Se continuarmos a agir dessa maneira, algumas espécies de animais e plantas que hoje ainda fazem parte de nosso ecossistema, futuramente só poderão ser vistas por meio de imagens.
Com base no levantamento acima mencionado, a nossa pretensão é chamar a atenção para o descaso com as áreas arborizadas e as paisagens naturais urbanas.
A concentração das populações nas cidades vem aumentando e trazendo inúmeros problemas ambientais urbanos, imediatos ou não, que encontram-se num contexto apreendido pela diminuição das áreas verdes devido ao processo de urbanização desenfreada, vivenciada principalmente pelos países em desenvolvimento. O cuidado com a sustentabilidade não acompanha a aceleração do uso dos recursos naturais e a apropriação dos espaços existentes, cobertos por espécies vegetais, minerais e animais.
Na ocupação e utilização das superfícies para a consolidação das cidades, ou sua expansão, a sociedade altera o meio natural através da retirada da cobertura vegetal para a construção de estradas, residências e equipamentos públicos sem planejamento das áreas que vem sendo alteradas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) considera de extrema relevância o fato da população mundial já ter superado 7,3 bilhões de pessoas no ano de 2015 e acha alarmante a perspectiva de atingir os 10 bilhões de habitantes no planeta, até 2050. Para esta organização, este é o grande desafio do século 21: a gestão urbana, nas pequenas, médias e megacidades, num planejamento rigoroso, visando normas para a verticalização e apropriação do espaço que tenham como enfoque a preservação das áreas públicas e, principalmente, dos espaços verdes.
A ONU põe em relevância as cidades consideradas pequenas, com a justificativa que não devemos esperar que elas cresçam para se tornarem também um “megaproblema”. Dentro da preocupação apontada pela ONU, com as cidades menores, é que temos a nossa atenção voltada, para o município de São João del-Rei - MG, contribuindo para que se torne um lugar no qual a relação arte, urbanidade sustentabilidade seja uma realidade.
Segundo Oliveira e Toledo (2014), o município de São João del-Rei possui uma característica peculiar em sua urbanização, que foge do padrão brasileiro. Segundo as autoras a cidade em questão conta com um processo de expansão urbana antecipado, se comparado ao restante do país. Apresentava na década de 1970 mais de 85% de sua população em área urbana, enquanto o estado de Minas Gerais possuía 53% de sua população urbana e o Brasil 55%.
Segundo o Anuário Estático da Universidade Federal de São João del-Rei (2016), a população residente urbana da cidade realmente tem um crescimento favorável no ano de 2010, se comparado ao ano de 1970, e também se relacionado aos índices populacionais do estado de Minas Gerais e do Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016, de acordo com o último censo demográfico, realizado em 2010, a estimativa da população são-joanense para o ano de 2017 era de 90.263 habitantes. O que realmente, mais uma vez, evidencia o crescimento populacional e chama a atenção para as mudanças no espaço urbano da cidade, com a ampliação na procura por residências, o aumento infraestrutural e consequentemente da especulação imobiliária e, assim como as mudanças nas formas de uso e ocupação do solo na cidade, relacionados aos processos de expansão.
Outro dado que aqui enfatizamos, ainda segundo o mesmo levantamento do IBGE no ano de 2016, é que a cidade de São João del-Rei se destaca como um dos municípios menos arborizados de nosso pais, ocupando, por exemplo, o 12º lugar entre as 15 cidades da microrregião. Fato que se agravou, no dia 21 de setembro de 2017, com o corte de árvores centenárias, das espécies Sibipuruna e Jacarandá Mimoso, em frente ao Hospital de Nossa Senhora das Mercês, localizado no bairro de mesmo nome. Tal ocorrência se deu pelo diagnostico de doença das espécies, que comprometiam a estrutura das plantas, e devido ao acúmulo de folhas que favoreciam a proliferação de pragas.
Diante de tal realidade, manifesta-se à temática de cunho ambiental e poético pertinente à conexão #paisagismovivo, que aqui emerge e vai de encontro às elucidações de paisagem que se referem ao panorama visto por nossos olhos, e efetivamente se definem para nós por meio das várias percepções e experiências que temos. E, assim, com a confecção de um site, e de um perfil na rede social Instagram, propomos a conscientização, frente às adversidades ambientais contemporâneas, e o compartilhamento dos registros daqueles que se sentiram instigados a participar do movimento em questão, através das contribuições representadas pelos relatos fotográficos de um novo olhar para a natureza e para a paisagem do campus CTAN.