Uma das minhas indicações preferidas para aprendizado é o professor Pierluigi Piazzi, um italiano naturalizado brasileiro que se tornou referência em neuroaprendizagem.
Formado em Física pela USP, dedicou boa parte da sua vida a fazer palestras pelo Brasil a fim de ensinar alunos a estudarem melhor, gastando menos tempo.
Professor de cursos vestibulares renomados, o Prof. Pier sempre foi um crítico ferrenho dos métodos de estudo praticados e ensinados no Brasil.
Para ajudar os alunos candidatos de vestibulares e concursos, escreveu o livro “Inteligência em Concursos. Manual de Instruções do Cérebro Para Concurseiros e Vestibulando” lançado em 2015, pouco antes de sua morte.
Depois de delimitar a matéria que será estudada no dia, e depois de separado seu material de estudo: papel, caneta, livro, apostila ou algum outro material de consulta, chegou a hora de realmente estudar na prática.
Qual é o grande segredo? Escreva!
Leia seu material, assista sua aula e depois escreva no papel tudo o que você conseguiu entender.
Volte suas anotações de aula para consultar alguma informação específica, mas tente fazer esse resumo da matéria sem “colar”.
Dica prática: faça fichamentos dos assuntos estudados, uma espécie de índice dos assuntos, uma pequena folha para consultas futuras.
Quando aprendemos uma matéria, imediatamente após nos lembraremos 100% do seu conteúdo. Porém, em alguns casos, depois de 10 dias teremos esquecido 40% ou mais do que foi aprendido.
Para fugir dessa curva do esquecimento o ideal é programar boas revisões dos conteúdos já estudados.
Dica prática: utilize sua programação semanal anterior para consultar quais assuntos foram estudados durante aquela semana.
Faça uma leitura do conteúdo uma semana depois, um mês depois da primeira revisão e depois pode espaçar em dois meses, três meses, etc.
Faça uma revisão ao fim do dia, uns 20 min, onde você vai refazer um exercício que foi mais desafiador ou vai escrever em uma folha em branco o que conseguir se lembrar.
Segundo o Prof. Pier, “o Brasil tem milhões de alunos e pouquíssimos estudantes”.
Mas qual a diferença?
Alunos são os que assistem aulas, que é uma tarefa coletiva e passiva, não te leva a aprender nada, no máximo a compreender e entender algum assunto.
Já o estudante é aquele que estuda, de forma solitária e ativa, aquele que efetivamente aprende. Estudo ativo é aquele que força sua mente a se lembrar da infromação, fazer exercícios é um ótimo exemplo.
Além disso, ele defende que não se estuda sem estar escrevendo. E ressalta que escrever é com papel em caneta numa folha, não digitando no teclado virtual ou físico.
Sublinhar, usar marca-texto, nada disso é estudar. Você pode até desenhar, se for mais fácil sua aprendizagem assim.
Dica prática: se puder, não utilize telas enquanto estuda, escreva a mão.
Há estudos mostrando que ler em uma tela que emite luz não permite nem 30% da compreensão obtida ao se ler no papel.
A leitura ajuda a dominar a linguagem escrita, porém esta não é a única forma de linguagem existente.
Domine também a linguagem falada e a não verbal. Imagine enquanto lê, ouça atentamente o que outra pessoa fala e tente visualizar aquela cena em sua cabeça.
Isso irá te ajudar a entender os problemas das questões de forma mais rápida, já que seu cérebro irá automaticamente montar um esquema, uma imagem ou uma sequência a ser seguida.
O primeiro passo é a leitura. O segundo passo é a escuta. O terceiro é dominar a arte da imaginação.
Dessa forma você poderá economizar muito tempo resolvendo questões da forma mais fácil, às vezes sem recorrer a esquemas e desenhos complexos, ou a equações que tomarão seu tempo na hora da prova.
Dica prática: escute podcasts e tente visualizar na sua mente os rostos, a posição das pessoas e suas expressões faciais.
Tente resolver problemas de lógica e raciocínio inicialmente com papel e caneta.