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A região da Baixada Fluminense, localizada na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, Brasil, é conhecida por seus processos de segregação político-territorial histórico, desde ocupação urbana desordenada à carência de infraestrutura e graves problemas de violência urbana. A imagem da região, associada a estigmas de pobreza e violência, atua de forma negativa na autoestima de sua população, além de impedir que este território, embora geograficamente próximo à capital fluminense, receba algum fluxo de turistas que visitam a cidade do Rio de Janeiro. Todo este cenário atual é, evidentemente, fruto de um processo histórico vivido.
Desde o início da época colonial (séculos XVI ao XVIII), solos aluviais locais foram explorados para cultivar cana-de-açúcar e culturas de subsistência. A rede fluvial se conectava a Baía de Guanabara e de lá para a cidade do Rio de Janeiro, o que facilitava a comercialização dos produtos locais e servia como um corredor de transporte para o ouro e o café trazidos do interior. A exploração da Baixada, como uma área de passagem, foi posteriormente reforçada com a construção da primeira rede ferroviária brasileira no século XIX e da estrada São Paulo - Rio de Janeiro no século XX. A disponibilidade de terras urbanas baratas e a existência de transporte público atraíram um grande fluxo de imigrantes que chegaram (principalmente das regiões Norte e Nordeste) em busca de empregos e oportunidades na área metropolitana do Rio de Janeiro.
Aqui é relevante citar a pujança econômica vivida no período da laranja nos anos 1920 e 1930, quando o município de Nova Iguaçu desenvolveu uma intensa citricultura. Enne (2004) lembra que em meados dos anos 1940 este município perdeu parte de sua área total com a emancipação dos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti e Nilópolis. Concomitante a estes desmembramentos territoriais, uma grave crise atingiu o setor da produção de laranja e aos poucos a Baixada foi abdicando de suas atividades agrícolas para ser recortada por um intenso processo de loteamentos (terra com baixos preços) das antigas fazendas e chácaras – processo este responsável por uma grande transformação social (Enne, 2004).
A chegada de grandes contingentes de migrantes para uma área com quase nenhuma infraestrutura pública (que não seja o transporte público para levá-los ao local de trabalho) marcou profundamente a história e a geografia da Baixada. Apesar de toda as dificuldades encontradas, todo este processo histórico de intensa migração populacional favoreceu o intercâmbio e a reafirmação das culturas e identidades dos recém chegados. Assim, a leva de migrantes, seja os ex-escravos do Sul Fluminense, ou seja os vindos do nordeste brasileiro, propiciou, por exemplo, a manutenção e renovação de diversas festas e comemorações, tais como a Folia de Reis e o Jongo; além de outros aspectos que são típicos da cultura da Baixada.
Além dos atributos naturais, os municípios que compõem a Baixada Verde também possuem uma rica história e um acervo cultural que precisam ser preservados e conhecidos. Logo, o direito de conhecer seu patrimônio e preservá-lo (enquanto memória social), bem como usufruí-lo deve ser levado em conta para a garantida da função social da cidade.