O relatório foi elaborado pelo Observatório do Desaparecimento de Pessoas no Brasil, sediado na Universidade de Brasília, com apoio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, no âmbito das atribuições conferidas pelo Decreto nº 10.622/2021, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas.
Seu objetivo consistiu em analisar os fluxos e as dinâmicas estruturais que conformam o desaparecimento de pessoas no Brasil, adotando uma abordagem qualitativa, interdisciplinar e participativa, focando especialmente no período democrático, sem deixar de observar as continuidades da prática do desaparecimento durante a ditadura no Brasil.
A pesquisa articulou representantes da sociedade civil, familiares, operadores do direito, membros do Judiciário, gestores públicos e especialistas acadêmicos, por meio de workshops e entrevistas, buscando construir diagnósticos compartilhados e estratégias intersetoriais. O relatório privilegiou a compreensão do fenômeno para além dos dados estatísticos oficiais, como os divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, partindo desses números para examinar seus significados sociais. Ainda que os dados quantitativos sobre o desaparecimento de pessoas no Brasil sejam fundamentais para a formulação de políticas públicas, este relatório não tem como meta principal a apresentação de números ou estatísticas. Todas as estatísticas apresentadas são de órgãos oficiais.