Esta linha de pesquisa investiga o fenômeno do desaparecimento no Distrito Federal, unidade federativa que apresenta taxas de localização entre 98% e 99%. A partir da análise exclusiva de relatórios da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), o estudo busca compreender os fatores operacionais, sociais e institucionais que explicam essa eficiência. A pesquisa mapeia o perfil sociodemográfico dos desaparecidos, as circunstâncias dos casos e os fluxos de resposta do Estado. Por meio de uma abordagem que articula dados secundários e entrevistas qualitativas com familiares e agentes públicos, o projeto avalia a implementação de protocolos locais e da legislação nacional vigente. O objetivo é evidenciar a realidade específica do DF, identificando boas práticas que possam subsidiar políticas públicas baseadas em evidências e orientar a replicação de estratégias operacionais de busca e acolhimento em outras unidades da federação.
Este estudo estrutura o mapeamento quantitativo e georreferenciado da ocultação de cadáveres em valas clandestinas na região metropolitana fluminense. A pesquisa correlaciona esses eventos às dinâmicas do crime organizado, analisando como o controle territorial armado impacta o desaparecimento de pessoas. Para superar a dispersão informacional, o projeto integra registros institucionais, denúncias e narrativas locais. Devido à complexidade e ao risco inerentes ao tema, o trabalho de campo é conduzido por uma rede interinstitucional formada pela UnB, UFRRJ e Fórum Grita Baixada, garantindo a segurança ética na interlocução com familiares e órgãos de segurança. O georreferenciamento permite identificar padrões territoriais de incidência e dinâmicas de violência associadas. As entregas, que incluem a formulação de um relatório final e a realização de um seminário, visam oferecer uma base analítica consistente para subsidiar o poder público no enfrentamento e na desarticulação dessas práticas.
Para participar do grupo, entre em contato pelo email: obdes@unb.br
O Observatório do Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes) criou o Grupo de Estudos e Debates sobre Desaparecimento e Gênero, um espaço permanente de reflexão, diálogo e construção coletiva de conhecimento sobre as relações entre gênero e desaparecimento de pessoas.
O grupo se reúne às terças-feiras, para discutir textos, pesquisas e diferentes perspectivas teóricas sobre o tema, em encontros mediados pela Prof.ª Délia Dutra Margalef, com a participação de acadêmicos, pesquisadores e familiares de pessoas desaparecidas.
A iniciativa parte de uma constatação importante: embora as mulheres, especialmente mães, estejam frequentemente na linha de frente das buscas por pessoas desaparecidas, ainda existe uma importante lacuna acadêmica na produção de conhecimento sobre as dimensões de gênero que atravessam essa experiência.
O grupo busca contribuir para o preenchimento dessa lacuna, produzindo conhecimento qualificado sobre os impactos do desaparecimento, as relações de cuidado, as desigualdades de gênero, a experiência das mulheres familiares e as formas de mobilização e resistência construídas por elas.
Ao mesmo tempo, pretende ser um espaço de troca entre conhecimento acadêmico e experiência vivida. A participação das familiares é fundamental para que a reflexão teórica dialogue com suas experiências concretas e possa também contribuir para que elas compreendam melhor as relações de gênero que atravessam suas trajetórias de busca, suas relações familiares e sua relação com as instituições.
Mais do que estudar sobre as familiares, queremos construir conhecimento com elas, reconhecendo-as não apenas como vítimas ou destinatárias de políticas públicas, mas como sujeitas de conhecimento, de ação e de transformação social.
O Grupo de Estudos e Debates sobre Desaparecimento e Gênero é, assim, um espaço de encontro entre universidade e sociedade, entre teoria e experiência, entre pesquisa e luta por direitos.
Porque compreender o desaparecimento também exige compreender quem busca, quem permanece e as relações de poder e desigualdade que atravessam essa busca.
Elaborado pelo Observatório do Desaparecimento de Pessoas (ObDes/UnB) com apoio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), este relatório analisa as dinâmicas estruturais do fenômeno no período democrático. Adotando uma perspectiva qualitativa e interdisciplinar, o documento demonstra que o desaparecimento transcende a esfera individual, sendo fortemente impulsionado por vulnerabilidades socioeconômicas e por falhas de proteção estatal.
A pesquisa evidencia a correlação direta entre o desaparecimento e a precarização do mundo do trabalho. O desemprego crônico e a informalidade expõem indivíduos a economias ilícitas, tráfico humano e trabalho análogo à escravidão. Simultaneamente, o estudo aponta os impactos dessas dinâmicas na economia do cuidado: jornadas exaustivas fragmentam os vínculos familiares e reduzem o tempo para o trabalho reprodutivo não remunerado. Essa negligência estrutural diminui a capacidade de supervisão e expõe, de forma predatória, crianças e adolescentes a deslocamentos inseguros.
Construído sob uma metodologia participativa, o levantamento engloba entrevistas com familiares, sociedade civil e agentes públicos, focando na incidência do fenômeno sobre populações historicamente marginalizadas, como pessoas em situação de rua, população LGBT+, indígenas e trabalhadores precarizados.
O objetivo do relatório é oferecer uma base analítica que transcenda a leitura de dados estritamente quantitativos, orientando o Estado na formulação de políticas intersetoriais. As recomendações centram-se na fiscalização de cadeias produtivas, na estruturação de redes de apoio ao cuidado e no aprimoramento institucional do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos, visando à proteção integral das vítimas e de suas famílias.