Oradora: Clara Pinto
Resumo: Nesta aula aberta, iremos recuar até aos séculos XIII e XIV, para conhecer algumas das características do português nos primeiros séculos.
Começaremos a sessão com uma breve apresentação das fontes textuais disponíveis para o estudo do português antigo, considerando as suas limitações e desafios, sobretudo no que diz respeito a cópias tardias. Olharemos também para as diferenças nas formas gráficas de algumas palavras, que testemunham as tentativas feitas pelos copistas de representar, na escrita, novos sons consonânticos, inexistentes no latim.
A partir de excertos de alguns textos medievais, exploraremos características morfológicas, sintáticas e semânticas próprias do português antigo. De entre os tópicos a abordar, incluem-se o género gramatical de alguns nomes, particularidades das construções negativas e os valores associados aos verbos Ter, Haver, Ser e Estar.
Oradora: Esperança Cardeira
Resumo: A evolução de uma língua é determinada não só por factores linguísticos mas também por mudanças históricas. Por isso, as periodizações da história do português que têm sido propostas divergem quanto à escolha dos fatores a ter em conta. Contudo, de muitas dessas propostas emerge um consenso em relação à necessidade de considerar uma fase cujos meridianos se situam nos séculos XIV e XV-XVI e a que poderemos chamar português médio.
Trata-se da época em que, finda a produção trovadoresca, se inicia a prosa histórica; em que a elevação ao trono de uma nova dinastia significa a falência da velha nobreza; em que Lisboa se converte em centro do reino e a antiga unidade galego-portuguesa é abandonada.
Nos anos seguintes a língua sofrerá um processo de koineização e de emergência de ‘forças centrípetas’ que centralizarão a elaboração de um idioma nacional.
Oradora: Ana Paula Banza
Resumo: Tomando como ponto de partida o “ciclo da expansão da língua” (Castro 2006) e a sua relevância para o futuro do português, centraremos a nossa atenção no português clássico.
Assim, recuaremos ao início do séc. XVI, ou mesmo ao “patamar de estabilização” (Cardeira 2005) entre o português médio e o clássico (abrangendo a segunda metade do séc. XV), para percebermos o contexto que proporcionou, a par da expansão para novos territórios, a elaboração e consolidação da língua em território europeu, conduzindo à sua gramatização, correntemente considerada o marco inicial do período clássico.
O corpus doutrinal vernáculo da língua portuguesa neste período será abordado sobretudo na perspetiva da sua particular relevância enquanto fontes simultaneamente primárias e secundárias para a história da língua, destacando-se, pelo seu carácter pioneiro, mas sobretudo inovador, a vários títulos, a Grammatica da lingoagem portuguesa, de Fernão de Oliveira (1536).
Orador: Fernando Brissos
Resumo: Estudos recentes sobre os dialetos do português europeu e brasileiro têm permitido compreender melhor o quadro de evolução respetivo. Se algumas ideias tradicionais são agora confirmadas com metodologias atualizadas ou inovadoras, outros aspetos, desconhecidos ou apenas supostos de forma mais ou menos indeterminada, foram trazidos à discussão. Aí se incluem propostas de classificação dos sistemas dialetais português e brasileiro, mas também deduções fundamentais sobre a história da língua em ambos os lados do Atlântico e, não menos importante, sobre as metodologias que podem ser utilizadas para chegar a essas conclusões.
Nesta aula veremos um quadro sintético desses dois planos ― ideias adquiridas e por adquirir sobre os dialetos do português ― e discutiremos a necessidade do estudo sistemático dos dialetos pela história da língua portuguesa. A conclusão é clara: o texto e a língua são hoje mais inseparáveis do que nunca.
Orador: Ivo Castro
Resumo: A Esquisse d’une Dialectologie Portugaise ofereceu no início do séc. XX um primeiro e ambicioso panorama diatópico do português ‒ que, 70 anos mais tarde, impressionaria Lindley Cintra pela riqueza e a actualidade da informação e que hoje nos impressiona, sobretudo, pelo sentido histórico de algumas inclusões (crioulos, PB, variedades extintas) e pelo registo meticuloso de dados da língua de ‘anteontem’, não extraídos de documentos, mas recolhidos directamente por linguista.
A 1.ª edição (Paris, 1901) consistiu na tese de doutoramento de Leite de Vasconcellos, apresentada na Sorbonne. A 2.ª edição foi preparada por Maria Adelaide Valle Cintra (Lisboa, Centro de Estudos Filológicos, 1970) a partir de um exemplar da 1.ª, com marginalia do próprio Leite. Em 1987 saiu um reprint desta edição, que não conta como edição autónoma.
Assim, a 3.ª é a edição que agora se apresenta, em versão digital. Assenta no mesmo exemplar pessoal de Leite, mas também em materiais recentemente descobertos: dois autógrafos da Esquisse, um português e a sua tradução francesa, e as provas tipográficas da edição de Paris. Este dossier muito completo permite não só conhecer a génese da obra, como permite controlar o estabelecimento do texto em termos críticos.
Um tema associado é o da produtividade, que se mantém, da pesquisa de materiais de arquivo, benéfica para a revisão de publicações existentes e para a produção de inéditas.
O LIVRO PODE SER DESCARREGADO OU CONSULTADO ONLINE AQUI.