Resumos:
Cesar Santos (UFMA, Brasil)
Título:
Como os professores podem contribuir para aumentar a confiança na ciência?
Resumo:
Em Reason and Power in Argumentation, Dutilh Novaes sustenta que a confiança é um elemento chave para a argumentação: uma pessoa nem sequer se engaja com um argumento se não tiver, antes, algum grau de confiança no interlocutor. Por melhor que seja o argumento apresentado, não é a sua força epistêmica, sozinha, que vai fazer o papel do convencimento (Capítulo 4; p. 113). Aplicando essa ideia ao modo como a ciência é vista pelas pessoas leigas (Capítulo 6), Dutilh Novaes sustenta que a falta de confiança na ciência explica, em parte, reações negacionistas como o movimento anti-vacina. Essa conclusão permite-lhe explorar as limitações do modelo do déficit de conhecimento enquanto explicação da rejeição à ciência por parte do público leigo. Segundo Dutilh Novaes, nem sempre é o baixo letramento científico ou a falta de acesso ao conhecimento o que afasta as pessoas da ciência, mas sim a desconfiança sobre a "benevolência" dos cientistas e da ciência. A partir desse diagnóstico (que eu aceito), minha fala propõe a seguinte pergunta: como nós, enquanto professores, podemos aumentar a confiança na benevolência da ciência? Minha preocupação recai não só sobre os professores de ciência no ensino básico, mas também sobre os professores de filosofia da ciência e metodologia científica no ensino superior, principalmente aqueles que lecionam para cursos tecnológicos. Dado o diagnóstico apresentado por Dutilh Novaes, que estratégias esses professores poderiam adotar em sala de aula para aumentar a confiança na ciência em seus alunos?
Los límites de la accesibilidad: atención, intolerancia y exigencias argumentales
María Sol Yuan
IHuCSo (CONICET/UNL)
myuan@unl.edu.ar
La presentación examina algunos aspectos de la propuesta de argumentative exchange (AEX) desarrollada por Catarina Dutilh Novaes en Reason and Power in Argumentation (2026), tomando como punto de partida su esfuerzo por ofrecer una concepción no idealizada de los intercambios argumentales. La discusión se concentra en las condiciones que hacen posible o dificultan la accesibilidad a dichos intercambios. En primer lugar, se plantea si el análisis estructural de las redes de información requiere ser complementado con una consideración de la selectividad atencional de los agentes: aun cuando una fuente sea estructuralmente accesible, prejuicios, expectativas, afectos y hábitos de atención pueden determinar qué información llega efectivamente a adquirir saliencia. En segundo lugar, a partir del caso de Derek Black, se pregunta qué condiciones permiten que la apertura argumentativa hacia un agente intolerante sea epistémicamente productiva sin convertir esa apertura en una obligación normativa para quienes son objeto de su intolerancia. Ambos problemas conducen a una pregunta más general: ¿hacia dónde debe extenderse la desidealización de AEX para incorporar las condiciones atencionales, afectivas, relacionales y normativas que configuran los intercambios argumentales?
Mais amor, por favor… e menos lógica?
Evelyn Erickson UFMA
Em The Dialogical Roots of Deduction, Catarina Dutilh Novaes apresenta a dedução como prática dialógica de nichos de especialistas. Em Reason and Power in Argumentation, ela volta à troca de razões entre não especialistas em democracias, propondo que a argumentação racional é um tipo de discurso entre outros (narrativa, retórica, protesto, sátira, propaganda), cuja força é limitada pelo poder. Extrapolo aqui suas implicações para o que fica quase fora do livro: o ensino de lógica e de pensamento crítico.
Ensinar o cânone da lógica parece inútil e desagradável. Fora de seus nichos, argumentos dedutivos são "overkill" (p. 9), e a aceitação de argumentos não depende principalmente de sua qualidade. No Górgias, o filósofo, com sua lógica, é o médico do tratamento amargo; o retórico, o confeiteiro da doce solução. Talvez seja pior: nós, que ensinamos lógica a não especialistas, somos médicos –medievais– aplicando sanguessugas para equilibrar o humor de quem aparecer no caminho. Melhor seria aceitar o bolo (com o devido cuidado em não aceitar doce de estranhos).
Entre a lógica formal e nada, há o pensamento crítico, como possível incumbência da filosofia. Diante da desinformação e da demagogia, sua promessa é formar cidadãos autônomos, capazes de julgar por si as razões que recebem. Não questiono se isso pode ser ensinado, mas se deveria. Ensinar o público, mesmo que nas melhores das intenções, a operar no espaço das razões e ser persuadível pelo discurso racional não seria uma última ressaca da modernidade?
Rechaçar a lógica e o pensamento crítico, mesmo que hipoteticamente, pode soar como "expressar uma opinião potencialmente impopular ou até mesmo perigosa" (p. 153). Mas já diziam certos gregos: menos logos, mais pathos. Proponho aproximar a lógica das letras e das artes, rumo a um letramento crítico que transborde o proposicional. Se a lógica exige linguagem e proposição, o estético alcança o pré-linguístico, onde boa parte da persuasão acontece.