Corporeidades em Confluências
Mulheres que Filosofam - NormAtiva
Mulheres que Filosofam - NormAtiva
Resumos
O que Elas querem da/na Filosofia?
Gabriela Carreiro
A pergunta convoca, provoca, evoca. Convoca à reflexão ética e política diante da produção e divulgação do pensamento filosófico. Provoca, além de incômodos, possibilidades de mudanças nas perspectivas curriculares referenciadas e nos espaços profissionais da área, ao tempo em que evoca todas as mulheres que filosofaram antes de nós. Assim, a pergunta se faz gesto e semente de transformação da/na Filosofia.
Mulher e filósofa: entre Beauvoir e o bovarismo
Kelly Koide
Partindo do questionamento que Simone de Beauvoir elabora sobre o essencialismo da categoria “mulher”, farei uma reflexão sobre minha própria trajetória acadêmica e intelectual na filosofia sob esta condição de gênero. Tomando meus anos de formação como fio condutor, proponho duas questões para pensarmos as relações entre o gênero “mulher” e a atividade filosófica. Primeiramente, pensaremos como epistemologias feministas podem trazer importantes contribuições para o debate filosófico contemporâneo, pensando no feminismo como uma atuação política além do gênero. Em um segundo momento, analisaremos o papel do bovarismo – conceito desenvolvido por Sergio Buarque de Holanda, sugerindo a ideia de ver-se diferente do que se é na realidade, tal como a personagem de Gustave Flaubert – na formação do pensamento filosófico brasileiro, a fim de refletirmos sobre possibilidades de ampliar o cânone de autoras e autores pesquisados no país.
DA FILOSOFIA COMO AMOR AO SABER A UMA FILOSOFIA COMO AMOR ÀS MULHERES
Roberta Damasceno
A presente conversa tem como proposta de discussão a tarefa docente e política de trazer a Filosofia Feminista como caminho de superação da desvalorização dos conhecimentos produzidos por mulheres na filosofia. Para nosso entendimento, a Filosofia Feminista é um campo que se dedica a desenvolver novas formas de pensar questões como opressão, identidade, subjetividade e estruturas sociais. Trata-se de criar espaços de reflexão e questionamento que integrem as vozes das mulheres, permitindo uma análise mais crítica e completa da realidade. Alinhada ao amor ao saber, uma filosofia feminista ama as mulheres; sua tarefa envolve valorizar e incluir as perspectivas femininas na produção do conhecimento, reconhecendo a insuficiência da tradição filosófica dominada por homens e superando preconceitos e a invisibilidade de pensadoras. É sobre a construção de uma razão não apenas masculina, mas que celebre a pluralidade das vozes femininas para uma compreensão mais ampla da realidade, sendo a Filosofia Feminista um movimento crucial nessa direção. Pois uma filosofia que ame as mulheres é aquela que supera o preconceito e a invisibilidade histórica, abraça a diversidade de experiências femininas e integra essas vozes na construção do saber, tornando a própria filosofia mais diversa, inclusiva e relevante para a compreensão do mundo e da condição humana.
Palavras- chave: Filosofia Feminista. Mulheres. Filosofia.
O olhar feminino na filosofia - uma crítica ao olhar masculino da tradição filosófica
Gabriela Mesquita
Aponta-se uma reflexão sobre o olhar masculino que constantemente perpetua a tradição filosófica e os departamentos de filosofia das universidades brasileiras, buscando questionar que filosofia é essa que por muitas vezes foi decretada como impossível de ser praticada por mulheres, e quais os obstáculos que essas mulheres superaram e superam diariamente ao filosofar. Observa-se que com o constante bradar de uma "filosofia pura e acadêmica" veio em conjunto um teor de morbidade e sedentarismo ideológico que prendeu o pensar filosófico brasileiro a um estudo incessante dos mesmos temas e mesmos pensadores, homens, de forma tal que se não for voltado para o centro do culto filosófico europeu masculino não é “filosofia o suficiente” e deve ser relegado a outras áreas do conhecimento. Essa mania, primordialmente masculina, de considerar temas insuficientes para a filosofia como uma forma de invalidar seus pesquisadores, foi herdada da cultura purista que permeia as instituições acadêmicas brasileiras e constrói uma tendência de suprimir o ôntico ao inferior, e os temas não tradicionais como "ônticos demais para serem filosofia". Essa postura tradicionalista da filosofia, pautada no olhar masculino da tradição, ainda hoje persiste como um poltergeist amedrontador que circula nos corredores e escritórios dos acadêmicos, assustando e diminuindo os esforços daqueles poucos que ousam questionar o fundamento filosófico clássico europeu.