Narrativas contrahegemônicas e decolonialidade enquanto práxis é uma demanda urgente no contexto de refletir criticamente quanto a produção de narrativas e de imagens. Territórios simbólicos são formados a partir das seleções que fazemos verbalmente de eventos que escolhemos outorgar legitimidade e invisibilizar outros (SEGATO, 2005). A herança histórica brasileira estruturada pelo colonialismo e escravidão deixa resquícios e memórias que organizam a matriz colonial moderna. Resquícios ou continuidades do colonialismo ainda na modernidade pode ser pensado a partir do conceito cunhado por Aníbal Quijano, em 1989, como colonialidade do poder. Mignolo (2010, p.12) sugere que a matriz colonial do poder “é uma estrutura complexa de níveis entrelaçados” entre controle da economia, controle da autoridade, controle da natureza e dos recursos naturais, controle do gênero e da sexualidade, controle da subjetividade e do conhecimento.
O jornalismo, a produção de imagens e de narrativas jornalísticas ou mesmo ficcionais, constroem-se a partir da hierarquização de notícias, eventos e imaginários. Processo que envolve visibilizar ou ocultar fatos, reiterar imaginários ou ainda provocar tencionamentos com os padrões culturais e sociais de um dado contexto. Nesse sentido, os elementos que envolvem à disseminação de informações, de imagens e de narrativas, podem colaborar para forjar identidades, crenças e ações práticas.
Parte da resposta está na estrutura epistemológica que delineia não somente o campo de estudos e de produção midiática, mas a própria sociedade. Marcadores sociais da diferença tais como classe, raça sexualidade e gênero não são autoevidentes e as narrativas comunicacionais bem como poéticas e estéticas podem contribuir para transformar as diferenças em desigualdades, estabelecendo relações importantes na significação das coisas e na construção de linguagem.
Nesse sentido, como fabular nossas paisagens poéticas e subjetividades insubmissas a essas normas disciplinadoras? O presente projeto parte dessas questões a partir inicialmente da discussão de leituras decoloniais em formatos híbrido, online e presencial, articulando diferentes linguagens midiáticas: sonoro-musicais, audiovisuais e literárias.