Marionetes do acaso.
Fógos de artifícios no céu da cidade!
Morre 2025, nasce 2026.
O calendário de 1970 é o mesmo
desse ano que nasce, pasmem!
A cada 28 anos, os mesmos dias nascem
nas mesmas semanas inconsequentes
Tudo está de fato escrito e se repetindo?
Questões interpessoais indefinidas.
Pluralidades de experiências
supostamente sentidas
dentro do que nasce e do que morre
e ambas flertam com a abstração do velho novo tempo.
em tempos diferentes do multiverso.
Quando morre um ano, resnasce a esperança
porque a realidade seca e contínua
é insuportável demais para cada alma humana!
Os fógos em sua plenitude
reacendem esperanças pouco iluminadas
e assim, se traça paralelos
castelos de areia ou de concreto, mas todos elos
Interligando o fim e o começo.
Inevitavelmente retornamos
repetição atrás de repetição
o tempo vai e vem
aqui se lembra, aqui se esquece
Caramba, como é difícil
acertar o sinal gráfico
na prática do viver!
Tudo que coexiste em nós
Reflete nos outros
Todo ano! O ano todo!
Nos começos ou nos finais
Nas calmarias ou nos vendais
no nascer ou no morrer.
o que somos além de marionetes do acaso?
Marah Mends 1/01/2026.
Relações de poder
A equipe de remoção cruzou a
Av. Santos Dumont
Escoltada pela militar
O alvo eram os trapos e barracos
Dos moradores na calçada
Sob a acusação de desembelezar
A paisagem cinzética de Sampa
Os funcionais removeram tudo
Inclusive a dignidade
De quem já não tinha quase nada
Todos os funcionais da remoção
De peito estufado
Se dispuseram a espichar
O pouco que os muitos tinham
O patrão é quem manda!
Os funcionais só "faz".
Todos os funcionais da remoção
Foram amparados pela militar
E pelos guardinhas que antes
Só usavam cassete, mas agora
Tão valente com arma na mão.
Os funcionais, militares e guardinhas,
Têm a mesma cor dos surrupiados
E a divisão que os separam
É apenas a do salário mínimo
E da coleira com o nome da empresa
Que manda fazer o serviço sujo
Pobre contra pobre
Pelo fetiche dos nobres que querem
A higienização visual, estatal, desproporcional.
M.M, 28/01/2026.
Conexões acausais
Cada janela uma história
Uma vivência, um sonho
um balanço, movimentos
Sopros e desejos
Querenças e cansaços
Aleatoriedade das circunstâncias
Esperaveis e inesperáveis!
Alguém dança atrás da janela
Enquanto os carros passam
O tempo voa
E a vida segue.
M.M, 08/03/2026.