Última atualização: 20/05/2026 - Layout.
Veja aqui a homenagem póstuma feita por artistas suecos em sua memória na apresentação "En kväll för Marie Fredriksson".
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Marie Fredriksson, nascida Gun-Marie Fredriksson em 30 de maio de 1958, na região de Skåne, foi uma das artistas mais importantes da música pop sueca. Conhecida mundialmente por formar o Roxette ao lado de Per Gessle, construiu uma carreira marcada tanto pelo enorme sucesso internacional da dupla quanto por um trabalho solo muito respeitado na Suécia. Ao longo de sua trajetória, o Roxette vendeu cerca de 75 milhões de discos em todo o mundo, mas reduzir Marie apenas ao papel de vocalista da dupla acaba sendo injusto diante da dimensão artística que ela desenvolveu fora dela.
Marie cresceu em uma família simples e teve uma infância marcada por perdas importantes, especialmente a morte da irmã mais velha em um acidente de carro ainda nos anos 1960. Mais tarde, mudou-se para Halmstad, cidade que acabaria sendo fundamental em sua vida artística. Foi ali que conheceu Per Gessle, numa época em que ambos ainda participavam de bandas locais e dividiam salas de ensaio. Antes mesmo do Roxette existir, Marie já chamava atenção como cantora e também começava a demonstrar personalidade própria na composição.
Durante os anos 1980, consolidou-se na Suécia como artista solo, misturando pop, rock e elementos do chamado “vispop” sueco. Seus primeiros discos tiveram participação importante de músicos e produtores conhecidos no país, como Lasse Lindbom, Ulf Lundell e Niklas Strömstedt. Com o passar do tempo, porém, Marie assumiu cada vez mais controle sobre sua própria produção artística, participando ativamente das composições, arranjos e decisões criativas. Isso fica especialmente perceptível em trabalhos posteriores, quando suas músicas passam a apresentar um tom mais introspectivo e até espiritualizado.
Embora internacionalmente seja mais lembrada pela força vocal no Roxette, sua carreira solo mostra uma artista muito mais autoral do que parte do público imagina. Existe uma diferença perceptível entre os discos em que ela apenas interpreta e aqueles em que sua presença criativa é dominante. Os trabalhos que mais me interessam pessoalmente são justamente os que trazem maior participação dela como compositora, especialmente Den ständiga resan e músicas como “Sista sommarens vals”, do álbum Nu!. São discos em que ela parece artisticamente mais livre, mais íntima e emocionalmente mais transparente.
Antes mesmo da criação oficial do Roxette, Marie já participava de projetos ligados a Per Gessle, incluindo o álbum The Heartland Café, do Gyllene Tider, lançado nos Estados Unidos sob o nome “Roxette”. Pouco tempo depois, o nome seria reutilizado oficialmente na dupla formada pelos dois em 1986.
O primeiro álbum da dupla, Pearls of Passion, fez muito sucesso na Suécia, mas foi Look Sharp! que transformou o Roxette em um fenômeno mundial, impulsionado por músicas como “The Look”, “Listen to Your Heart” e “Dressed for Success”. Mais tarde, “It Must Have Been Love”, originalmente lançada como canção de Natal, acabou se tornando o maior sucesso da carreira da dupla ao integrar a trilha sonora do filme "Uma linda mulher".
Musicalmente, Per Gessle sempre foi o principal responsável pelas composições do Roxette, enquanto Marie se destacava sobretudo como intérprete. Ainda assim, limitar sua contribuição apenas ao canto seria um erro. A personalidade vocal dela foi decisiva para transformar músicas pop relativamente simples em gravações extremamente marcantes. Existe algo muito emocional na forma como ela cantava, principalmente nas baladas, que dificilmente seria reproduzido por outra pessoa.
Ao acompanhar melhor sua trajetória — especialmente após a leitura da biografia Listen to My Heart, escrita por Helena von Zweigbergk e publicada no Brasil pela [Editora Belas Letras] — fica evidente como Marie parecia absorver influências das pessoas com quem convivia artisticamente. Mas, ao mesmo tempo, também se percebe que ela só realmente florescia quando tinha espaço para criar e desenvolver suas próprias ideias. Um exemplo que sempre me chama atenção é “Det är svårt att bryta upp”, gravada ainda antes do grande sucesso, na época do projeto MaMas Barn. Mesmo naquele período inicial, já parecia existir nela uma necessidade artística maior do que o espaço que lhe era concedido.
Sua vida pessoal também passou por períodos difíceis. Após um primeiro casamento breve nos anos 1980, Marie se casou em 1994 com o músico Mikael Bolyos, com quem permaneceu até sua morte e teve dois filhos. Em 2002, sofreu um dos momentos mais delicados de sua vida ao ser diagnosticada com um tumor cerebral após uma queda em casa. O processo de recuperação foi longo e impactou profundamente sua carreira e sua saúde. Parte dessas experiências acabou refletida no álbum The Change, lançado em 2004. Embora tenha sido considerada recuperada alguns anos depois, as consequências da doença permaneceram presentes até sua morte, em dezembro de 2019.
A morte de Marie teve um impacto emocional muito forte para muitos fãs do Roxette — e comigo não foi diferente. Em 2012, durante um show da dupla em Brasília, tive a oportunidade de vê-la pessoalmente e conseguir um autógrafo no álbum Travelling. É uma lembrança extremamente especial para mim e provavelmente um daqueles momentos que permanecem vivos independentemente do tempo que passe.
Depois de sua morte, diversos artistas suecos participaram do concerto-homenagem En kväll för Marie Fredriksson, realizado em Gotemburgo em 2020. O evento reuniu nomes como Per Gessle, Eva Dahlgren e Agnes Carlsson e acabou se transformando em uma celebração muito bonita da importância artística e humana de Marie.
No fim das contas, tenho a impressão de que poucas pessoas acreditaram tanto no potencial artístico de Marie quanto ela própria e Per Gessle. E talvez tenha sido justamente essa combinação que permitiu que sua criatividade alcançasse o público de forma tão forte, construindo uma carreira que permanece extremamente marcante até hoje.
Introdução da Wikipedia com textos pessoais adaptados em 20/05/2026.